por clicio em 21 de agosto, 2010
Réquiem para a Fotografia?
Requiem aeternam dona eis
Essa foi uma semana auspiciosa para a Fotografia; eu nunca havia visto tantas comemorações acontecendo simultaneamente no dia 19 de agosto (Dia da Fotografia) quanto agora. Uma pluralidade de eventos, mostras, festas e exposições fotográficas, por todos os cantos do país, uníssonas, alegres, manifestações culturais espontâneas e não-comerciais, promovendo o pensar, o fazer e o prazer fotográfico puro e simples.
Mas as coisas não são o que parecem ser.
Quanto mais a fotografia se populariza, mais a indústria deixa de ser fotográfica e mais passa a considerá-la como produto de consumo de massa. Uma indústria que surge na virada do século XIX (o século da burguesia) para o século XX, com George Eastman e a Kodak já anunciando “You push the button, we do the rest”, nascida do entusiasmo de um bancário que se apaixona pela fotografia, a sua evolução vai nos mostrar que o principal motor para os seus sucessos são as pessoas que nelas trabalham, fotógrafos primeiro e técnicos depois. O segredo sempre foi esse, fotógrafos realmente dedicados a fotografia, commitment, mesmo sendo fotógrafos-empresários, fotógrafos-engenheiros, fotógrafos-químicos.
Mas isso já não é verdade.
Morte anunciada
A preocupação maior da bilionária e crescente indústria fotográfica contemporânea não é a fotografia, e sim “mover as caixas”, vender produtos tecnológicos de ciclos cada vez mais curtos, cada vez mais massificados, automatizados, pré configurados. Nascem condenados, com a morte anunciada.
A obsolescência programada nunca foi tão visível, e exemplos não faltam; uma empresa global que produz aparelhos de medição de cores compra todos os concorrentes, se transforma em monopólio e seus produtos passam a ter prazo de validade (no recall); outras gigantes tem nos produtos fotográficos uma pequena parcela de suas vendas, e nem sempre a mais importante; o comprometimento com a fotografia passa a ser uma questão de planilhas, de números, e os aparelhos se tornam obsoletos em prazos menores que os famosos 18 meses da “lei de Moore“, para que as caixas continuem a ser movidas em ritmo alucinante.
Ora, para que se mantenha o ritmo, propaganda agora não é mais suficiente, por isso as feiras de fotografia e eletrônica se tornam fundamentais, assim como promoções, pontos-de-venda e abordagens agressivas, o corpo a corpo que se vê nas feiras. Patético e na maioria da vezes ineficiente, pois feiras comerciais acabaram se tornando feiras de trade, onde o desconhecimento sobre os fotógrafos (os consumidores finais) por parte de quem compra (lojistas) só é menor que o desconhecimento daqueles que vendem (fabricantes). Empurram produtos aos lojistas, que por sua vez tem que os empurrar para os fotógrafos.
Festivais culturais de fotografia, nos moldes do Paraty em Foco, ou FestFotoPoa, ou FotoRio, são encarados pela indústria com desconfianca, pois não há um modelo de vendas diretas que os beneficiem, e o fato de que a formação de percepção (awareness-o que a publicidade chama de “institucional”) não é tangível, impede a possibilidade de patrocínios mais substanciais; um posicionamento que, a médio e longo prazo pode se demonstrar suicida.
O maior problema é que os executivos de marketing e vendas, com a corda no pescoço para que obtenham resultados *sempre* de curto prazo, imediatos, estão se lixando para formação de novos e fiéis consumidores das marcas que representam, se isso significa acontecer apenas depois de suas aposentadorias. Importante é vender agora. Novamente patético.
Já as “novatas” na fotografia, empresas de eletrodomésticos como televisores e celulares, demonstram grande interesse nesse mercado no qual não tinham tradição alguma, mas que, massificado, se torna bastante desejado. Compram tecnologia, know-how e pequenas empresas tradicionais, fundem-se e aliam-se a outras, e tentam recriar o link; não são mais somente empresas de eletrônicos, mas sim de fotografia.
O comprometimento
Claro que existem empresas ainda dedicadas a qualidade quase artesanal de seus produtos voltados a fotografia; as duas maiores produtoras de papéis de algodão para impressões de pigmento mineral, européias, mantém a tradição de mais de 500 anos e respeitam aqueles que utilizam seus papéis; alguns de nossos printers mais respeitados, como Silvio Pinhatti, Renato Cury, Marcos Ribeiro, vieram da fotografia química e utilizam esses papéis de forma totalmente personalizada. Ou outros fabricantes muito tradicionais de câmeras, mais focados e que, mesmo quando comprados por empresas maiores, conseguem manter um ciclo menos rápido de obsolescência e dedicar mais cuidados a seus produtos, para que tenham maior longevidade.
Se toda essa conversa de qualidade, comprometimento, Fotografia com “F” maiúsculo, está parecendo conversa de boteco, afirmo: discussões acaloradas e minuciosas sobre os “vemelhos” da Kodak, os “verdes” da Fuji (puro mito, alimentado pela cores das caixinhas dos filmes das marcas), ou a “textura” diferente do Rag da Hahnemühle em relação ao Rag da Canson (são ambos particamente lisos, sem textura perceptível), ou aquele papinho técnico-filosófico sobre a “verdade” do referente na fotografia publicitária, são fundamentais para que a indústria aprimore seus produtos e atenda aos desejos e necessidades dos verdadeiros especialistas, os fotógrafos.
Sim, ninguém é mais especialista que a comunidade formada por aqueles que realmente usam os produtos, e por isso a credibilidade na hora de comprar, hoje está muito mais confiável nas indicações das redes sociais do que na publicidade tradicional.
O fotógrafo é rei?
Vejam o exemplo da Sinar P, uma câmera técnica de grande formato, imprescindível nos estúdios de publicidade na era do filme, e que possibilita correções de foco e de perspectiva através de seu sistema de básculas. Foi literalmente abandonada nos armários dos estúdios, tida como equipamento obsoleto na era digital; porém alguns fotógrafos teimosos, em lugares tão distantes como o Brasil, desenvolveram traquitanas para encaixar cameras DSLR digitais no elemento traseiro das Sinar, e assim continuar a usar as básculas. Esses inconformados tem nome, e tenho a sorte de conhecer alguns deles, como o André Nunes e o Norberto Isnenghi; o espantoso é que, com seis anos de atraso, a Sinar P-SRL finalmente anuncia a grande solução da fábrica: um back adaptador para as suas câmeras de báscula que pode ser usado para encaixar a sua DSLR!
É o fotógrafo mostrando o caminho para a indústria, que é pródiga e rápida ao lançar novos e desnecessários gadgets, mas lenta, muito lenta para perceber o óbvio. É a desconexão, a distância quase infinita entre o “campo de realidade alterada” do produtor e a necessidade do profissional.
Desespero Retrô

E justamente por se sentir deslocado e tonto com as mudanças alucinadas, que o fotógrafo acaba caindo na cilada do saudosismo: “Ah, como era bom o cheiro do ácido acético…” ouço, perplexo, de um velho colega de profissão; ou “antes, era só entregar o cromo, e acabou a responsabilidade do fotógrafo; agora tem que saber processar, editar, fotoxopar…” e ainda “comprei minha Hassel aos vinte anos de idade e só troquei de equipamento aos quarenta!”.
Pois isso é alimento certo para aqueles que, percebendo os anseios dos descontentes, imediatamente forneçam a falsa sensação de segurança, a zona de conforto, e assim entram em campo as câmeras retrô. Com “cara” de filme mas com tecnologia digital, tem máquina com jeito de anos 40, 50, 60, 80, para todos os gostos.

Algumas, verdadeiras piadas, como a Rolleiflex Mini-Digi, que cabe na palma da mão e tem 5 mpx; outras, pequenas jóias, como a Epson R-D1S, que imita uma Voigtländer Bessa , mítico ícone da fotografia de filme entre os fotógrafos mais experientes.
Do ponto de vista filosófico, o texto abaixo de Matt Zoller Seitz mostra um pouco dos sentimentos dos fotógrafos, e só deles:
“Há desvantagens para o digital, mas infelizmente para os loucos por filme, a maioria delas são estéticas – argumentos menos técnicos que filosóficos.
A saber: Mesmo nas melhores impressões de fotografias produzidas digitalmente falta o calor, a vitalidade de fotos produzidas com uma câmera de filme, porque o filme é literalmente orgânico. É celulóide, um composto de celulose, cânfora e corantes, e as imagens que o filme produz são registros físicos diretos de coisas que aconteceram na distância de visão da lente – Registros de luz que atingem o negativo não-exposto e brincam com suas moléculas.
Povos pré-industriais, que temiam que fotografias capturassem um pedaço de sua alma, não estavam totalmente errados. Um retrato criado com o filme é uma lembrança da existência de uma pessoa em um determinado ponto no tempo/espaço – uma versão fotoquímica mais complexa de uma pegada na areia.
Já as imagens digitais são criadas quando um sensor registra o campo de vista da câmera, e coloca um fac-símile da imagem em um chip de computador. O resultado é ainda uma imagem, mas o processo é diferente – mais independente, mais teórico, e ao mesmo tempo mais abstrato.”
A Rey muerto, Rey puesto: viva el Rey!
Entendidos os objetivos da indústria, que definitivamente não são os mesmos da fotografia, o que nos resta a não ser descobrir os caminhos menos tangíveis e palpáveis, aqueles que não podem ser medidos por gráficos e não encontram lugar nas planilhas, aqueles que os industriais e burocratas não percebem?
A resposta está na evolução cultural desta fotografia comprometida, na criatividade, na pesquisa, na coragem de mudar tudo, na abstração poética.
Algumas iniciativas (dentre muitas outras, igualmente importantes!) tem sido, no Brasil, sintomáticas; a aproximação que o MinC e a Funarte estão promovendo em relação a fotografia, e sua preocupação com a produção contemporânea, preservação e memória, o que vai diretamente ao encontro do que a REDE [RPCFB] pretende com a criação de futuras Fototecas; o trabalho intenso e educacional de instituições como a FotoAtiva, com mais de duas décadas de atividades; o trabalho de coletivos como o Garapa, que incentivam a cultura fotográfica, preservando o respeito e história da nossa fotografia em sites como o “Produção Cultural no Brasil“; são muitas e variadas as atividades que impulsionam a fotografia em todos os estratos sociais, incluindo-se aí a prosaica fotografia doméstica, a caixa de sapatos que documenta nossa contemporaneidade. Associações de fotógrafos sem rótulos, amplas e plurais como a Fototech também se tornam uma saudável realidade.
Na Europa, o “The Impossible Project”, idealizado por André Bosman e realizado pelo próprio Bosman com a parceria do Dr. Florian Kaps e Marwan Saba, literalmente ressucitou o instantâneo Polaroid, demonstrando uma vontade que superou todas as improbabilidades.
A conclusão é que não há necessidade de um réquiem para a Fotografia; ela está vivíssima, metamorfoseando-se, evoluindo, crescendo.
O verdadeiro réquiem é para a miopia da indústria “fotográfica” contemporânea, que se foca em lucro rápido e se esquece do que é a Fotografia.
Comentários?





52 Comentários
Excelente post, como sempre.
Réquiem para mentes estreitas, não para a fotografia…
[ ]s
ig
Clicio;
Provavelmente depois comentaria de forma mais ampla, pois o texto tem tantas sugestões que é meio impossível dar conta dele de cara. Sei que gostei.
Mas para mim não há essa morte. Agora mesmo de tarde fotografei minha sogra, brinquei esteticamente com a imagem, e é esse jogo, esse brinquedo, esse envolvimento nosso com a forma a verdadeira âncora da fotografia.
Volto depois com idéias melhores.
A Fotografia nunca vai morrer. Ela vai se transofrmar. Os fotógrafos mudam, mas ela aqui fica e vai nos empurrando a novos caminhos, novas buscas, novas adaptações.
Eu sigo amando a mesma fotografia que amava aos meus 14 anos de idade.
Ainda com o mesmo entusiasmo e busca por documentar e transmitir minha visão a todos sobre tudo que está ao meu redor. E cada vez mais.
Abçssssss
AYRTON
A transformação é bem vinda por aqueles que amam a arte de fotografar. Fotografia vive e vai viver sempre. Preciso refletir mais, mas o texto faz pensar e é bom. Abs
Belíssimo texto.
O mercado muda, a tecnologia muda e a visão dos fotógrafos e dos fabricantes também… Mas a fotografia enquanto conceito continua a mesma.
A estética e a linguagem podem (e devem) mudar, mas fotografia continará existindo em qualquer meio ou forma, seja em filme ou digital, em cores ou em preto e branco, parada ou em movimento, em película ou em holograma. A fotografia de verdade sempre acontece primeiro em pensamento, o resto é só a tela e a tinta ecolhidas para registrar o momento.
Morrem os que acham que a fotografia é algo que ela não é… e esses já vão tarde!
Abraços.
Realmente não vejo uma morte anunciada à fotografia, sim um momento de transição.
Todas as formas de expressão vivem um momento de transição, de transformação.
A propria fotografia contribui para isso no passado, pois quando surgiu foi contestada, negavam a ela qualquer carater artistico, e ela seguiu adiante desenvolvendo linguagens. Do outro lado alguns decretavam o fim da pintura com o surgimento da fotografia, e esta se libertou das amarras das academias e fomos brindados com artistas como Monet e Van Gogh.
Talvez hoje os fotógrafos do final do século XX tenhamos dificuldades que os pintores do século XIX tiveram quando a fotograifa surgiu, a dificuldade em imaginar como será seu trabalho com tanta tecnologia, com tanta influncia da industria.
Mas acredito que, assim como ocorreur com a pintura no passado, quem estiver atento e tiver talento irá se adaptar, evoluir e criar.
Afinal quem trabalha com esta arte/oficio é um criador de imagens, não mero consumidor de traquitanas tecnológicas.
Bom, por hora é isso…rs pois como falou o Ivan ” o texto tem tantas sugestões que é meio impossível dar conta dele de cara”..
Abç e parabéns Clicio!
É Clício,
a idéia é boa mas sou obrigado a discordar de dois pontos:
na minha opinião quem sustenta a indústria fotográfica não são os profissionais, mas a enorme massa de amadores e semi-prós;
e quanta diferença os filmes Kodak tinham dos Fuji! Dizer que tudo se resumia às cores da caixa, aí não!
Interessante quando aponta a tendência da indústria em resgatar os moldes de algumas das câmeras mais clássicas. Você já reparou como isso se repete na estética da imagem com a adoção cada vez maior de filtros “vintage”?
Novamente na minha opinião, é a tentativa inconsciente (ao menos por parte do fotógrafo, seja ele amador ou profissional) de resgatar a veracidade fotográfica. Quanto mais rudimentar a imagem, a sensação é que mais crua – portanto menos manipulada e mais honesta – ela é.
“A Bruxa de Blair”, sabe comé?
Abraços
Murillo,
Obrigado por comentar!
1-) Sim, os filmes das duas marcas tinham grandes diferenças, *mas não aquelas de cores “puxando” para o vermelho ou verde*. Isso é mito.
2-) Claro que quem sustenta a indústria é o amador, sempre soubemos disso, não? A diferença é que a indústria quer o lucro, o fotógrafo quer a fotografia. Simples assim!
Abraços,
Clicio
Márcio,
Claro que não!
Como eu digo no final do artigo, não pode ser um réquiem para a fotografia, já que esta nunca esteve melhor; mas sim para os que não respeitam a Fotografia, com “F” maiúsculo!
Obrigado por comentar!
Geraldo:
“Morrem os que acham que a fotografia é algo que ela não é…”
Exato. Direto ao ponto!
Abração,
Clicio
Excelente post, Clício. Ninguém conseguiu colocar em palavras a verdade que vc colocou acima. Todos nós sentimos na pele mas não conseguimos juntar tudo de maneira tão sucinta! Obrigada!
ester
Clício;
Voltei.
Sou um fotógrafo simples, quase simplório. Fotografo minha família, fotografo o que passa na frente minha janela, fotografo a serra, aquele canto caipira onde adoro ficar que nem internet tem, fotografo meus amigos. Minha fotografia fala da minha vida. Nessa dimensão simples, a fotografia é uma ferramenta de autoconhecimento, de reconhecimento do que me é caro, de reconhecimento do que vejo, de como o mundo se mostra para mim. Não ligo muito para a indústria, nunca liguei. Tenho uma câmera de um fabricante hoje menor (Pentax), uso lentes velhas, todas mecânicas, as quais me obrigam a uma fotografia de manipulação, e isso me é mais que suficiente.
A indústria… a indústria precisa vender, e para vender precisa inventar necessidades. Pessoas acreditam nessas necessidades inventadas, mas quem não liga para elas pode viver bem aproveitando o que interessa e deixando de lado o que não lhe atrai.
Onde isso afeta mais é na entrada de pessoas no campo da fotografia, pois essas são cooptadas em um primeiro momento por essa estética padronizada derivada do mero uso do aparelho. Tornam-se funcionários do aparelho, mas não apenas do aparelho como também reprodutores de modelos. São funcionários de uma estética repetitiva, uma estética de louvação de ideais midiáticos.
Mas não há obrigação. A mesma ferramenta usada assim, pode ser usada assado. É bem verdade que usar a ferramenta diferente do modelo midiático é empurrar pedra para cima, porque o ambiente é receptivo à repetição.
Para mim, a fotografia morre (ou sofre, melhor dizendo), quando ela não me interessa. Quando vejo coisas que são tão iguais a outras coisas a ponto de não me mobilizarem. Quando vejo fórmulas rasas, leituras do mundo rasas recobertas de um glacê de estética vistosa.
Mas será isso mesmo problema da fotografia, ou apenas um reflexo na fotografia de um problema mais amplo?
Bravo, Bravo, Bravo… Suas palavras abrem as mentes de todos os fotógrafos que sabem da realidade, mas tentam se esconder atras de novas tecnologias e tranqueiras…
“OPEN YOUR MIND” photographers.
São lógicas distintas: a da indústria moderna (ou pós-moderna?), apoiada no capital impaciente e na tecnologia do chip, e a do fotógrafo, para quem a “câmera boa é aquela que resolve a foto almejada” (como você mesmo escreveu não lembro onde). Este, embora não saia ileso da guerra entre fabricantes por market share, ROI e outros bichos, é menos vulnerável, a exemplo do Ivan Almeida.
Claro que é preciso estar aberto ao novo, especialmente quando o novo torna nosso trabalho melhor, mas sem sucumbir ao fetiche dos megapixels e funções mirabolantes que quase nunca serão usadas.
Realmente não pode ser um “requiem” para a fotografia, mas talvez um “credus” pelo sofrimento que ela passa por tantos que não respeitam seu valor e a tratam como número, tabelas,… talvez considerando-a como exata; ou um “gloria” para os que sabem apreciar suas transformações e acompanhar tais mudanças com a evolução crescente do ser humano consigo mesmo e com seu redor. Parabéns pelo excelente texto.
“A única certeza é a mudança!”
No fim, morre a febre, a efervescência que a massificação cria para que se sustente, e como um ar viciado, que depende da expiração para obter a inspiração, sufoca. Sobrevive a fotografia de fato, que não consta em planilhas, mas é sua razão de existir. Belo texto, Clicio (que sempre, soa “Lúcido”).
É reconfortante ouvir (ou ler), de alguém com o cacife que você tem, que a Fotografia não morreu.
Todo esse clima retrô de que “bom mesmo era no tempo do filme” sempre me fez sentir muito excluída. E de uma forma irremediável. Afinal, que culpa tenho de ter nascido em 1984? Acho muito injusto ser excluída da boa fotografia só porque nasci na hora errada.
Comecei tarde a estudar fotografia, e ainda tenho muito a aprender. E ver toda essa nostalgia do filme e crítica do digital não é muito reconfortante, apesar de ligeiramente desafiador. E esse ligeiramente desafiador ganha uma força absurda quando você diz que o verdadeiro réquiem é para a miopia da indústria fotográfica, e quando o Geraldo fala sobre a escolha da tela e da tinta.
Muito bom esse post e o comentário do Márcio Neves direto ao ponto!
E para aqueles que começam, que não passaram pelos “bons tempos”, fica a insegurança/indecisão de saber qual caminho está certo: as massas de “fotógrafos” ou os poucos fotógrafos com discernimento. Esse discernimento fica muito intrínseco, as vezes escondido com o fotógrafo dos bons tempos, que já não sabe mais se ensina, aconselha, porque todo mundo suga/pergunta, quer assumir seu papel, que na minha geração chama-se: point-and-shoot. Conhecimento para quê? Se medíocre ficaram as coisas até certo ponto também. Daí saio eu correndo por aí, busco entender o meio antes, para saber o que fazer amanhã! Será que viro fotógrafo dese jeito?!
Abs
Claro e, algumas vezes, perturbador o seu texto, caro Clicio. Parabéns por encarar o desafio de trazer para o âmbito da Fotografia questões que sobressaem por seu caráter filosófico e estético. Isso é crucial mesmo.
Não acredito na morte da fotografia, mas sim em um recomeço…
Qdo li esse texto, pensei em questões mais profundas, que vão além das econômicas…
Como tudo, nos dias de hj, é descartável, fico pensando na questão ambiental também. Onde vão parar todos esses equipamentos obsoletos? Baterias e pilhas são extremamente tóxicas para o solo…
Será que além de pensar nas questões educativas, filosóficas, poéticas (que são essenciais na fotografia) também não temos que pensar na questão ambiental??
Sabe a agonia que te falei? Então… o “buraco” é bem mais embaixo Clicio…
Me fez pensar… mais e mais…
Bjo e bom domingo
Cacá
Infelizmente (ou um consolo) é que a forma como a indústria se relaciona não é exclusiva à area da fotografia. Na verdade a forma como a sociedade funciona atualmente dita essa maneira de se relacionar. Cria-se uma necessidade suprema de algo (nem sempre tão necessário), para continuar movendo esse moinho do faturamento. Mas isso é parte de nosso modelo de vida (de economia?). É assim com o carro, com o colchão, com os alimentos, tudo precisa ser renovado a intervalos cada vez menores. Do outro lado, exploração dos homens, da natureza, da moral. Os fotógrafos talvez componham uma massa das mais fáceis de manipular nesse processo. A fotografia surgiu muito ligada à industrialização, à força da máquina versus homem, da precisão e perfeição que a automação significava, do avanço tecnológico como diferencial máximo. Mesa de bar com fotógrafo, não raro, passa pelos últimos lançamentos da indústria (dos macs, das canons, dos photoshops). Comentário de fotógrafo quando encontra outro na rua trabalhando: essa é uma full frame? uma 1.4? faz full hd?
Fotografia é algo muito, mas muito mesmo, maior que isso. A cada dia mais e mais gente percebe e realiza esse outro lado: o da expressão; da reflexão; da geração de conhecimento; da transformação; da filosofia da caixa preta. Que bom, isso prova que o horizonte é grande e fértil, isso empurra para bem longe a necessidade de um réquiem.
Valeu Clicio.
Caríssimo Clicio,
apenas para contribuir com as reflexões eu diria que são muitas Fotografias, talvez nem todas com “F”. Abordas no fundo a questão da lógica capitalista da reprodução ampliada do capital. Ou se não, pensemos na indústria da alimentação, quanta porcaria nos enfiam goela a baixo.
Sobre a indústria farmacêutica, seria até triste pensar. Onde foi parar a gripe grave do ano passado que tanto fluxo de caixa gerou? Talvez ela nem tenha existido.
Na fotografia agora temos de tudo, detector de sorriso (mas para pessoas que fizeram branqueamento), disfarçador de rugas e manchas para os que tem mais de trinta anos, detector de movimento, câmeras com dois monitores agora para se mandar olhar passarinhos virtuais…
As fotografias são muitas – a da minha mãe que como leitora prende-se apenas aos detalhes das fotos, aquelas das meninas de colégio, suas amigas, namorados e seus Blogs , também tem a fotografia que serve como divertimento dos artistas plásticos… há tantas até se chegar as Fotografias dos Fotógrafos!
Abraço.
A c h u t t i.
Clício,
Eu admiro demais esta sua destreza em organizar idéias.
Vc acaba de fazer uma análise profunda da fotografia como um todo na nossa atualidade.
Eu como fotógrafa de uma geração muito nova (sim revelei e ampliei filmes PB, mas isso foi 1/3 da minha experiência como fotógrafa) fico me perguntando: Será que esta angústia já não existiu antes?
Será que a massificação do filme colorido aqui no Brasil (que até determinado momento era caro, e só depois de certo ponto entrou definitivamente nos lares brasileiros) não preocupou fotógrafos que retratavam as famílias naquela época? Será que a Nikon sempre se preocupou em fazer câmeras que atendessem às exigência de fotógrafos profissionais? Então me pergunto porque grandes nomes sempre foram fiéis a suas Leicas ou Rollei’s, mesmo com a entrada de novas marcas. As únicas novidades que me atrevo a dizer certas, são a “obsolência programada” como vc colocou. A velocidade com a qual nossos equipamentos se tornam “velhos” e “ultrapassados” é assustadora.
E a união dos fotógrafos. Duvido que em outras épocas isso tenha acontecido de forma tão completa (sinto como se a Fototech fosse uma grande família).
A preocupação da indústria em atender somente às necessidades de seus bolsos, acredito ser uma coisa muito antiga!
bjs,
A fotografia é incontrolável, insubordinada, impulsiva, rebelde, livre.
Assim como nossas mentes nebulosas, caóticas, obssesivas e por isso mesmo criadoras.
Ferramenta?
Grafite, tinta, pincel, espátula, cameras, celulares, compact flash, filmes, os próprios dedos, as mãos, a pele dos panos, dos os papéis, dos vidros, terra, cinzas, a existência do acaso, do erro, das lágrimas, sinapses inconclusas, desmaterialização.
O mais puro prazer na constatação da ainda inexistência de corpo, que em outra esfera, pacientemente, espera.
O tempo sutil num passatempo sem cronologia.
Uma absurda, verdadeira, incontrolável e louca alegria na maravilhosa sensação do despertar de um pensamento, cunhado num espaço-tempo incorporal, primordial, mutante, se ampliando, buscando ressonância e interlocução no entrelaçamento de infinitas linguagens.
E, momento espiritual, fluídico, único, provocador e forte, *transformando uma coisa em outra coisa*, a criação da imagem, carregada de novos inquietantes e insuspeitáveis sentidos.
Quando vistos, mostrados, são preciosos para os que os veem e novamente os transformam, recriando espaços numa *aritmética emocional*, acrescentando vida a vida. Generosos, verdadeiros, que num ato de absoluta humildade, abrindo fissuras para devendar seu interior, são presentes ofertados pelo artista.
Obrigada, Clicio.
Jackie,
É tão bom ver a poesia de suas palavras depois de ter visto a poesia de tuas imagens!
Adorei a aritmética emocional, adorei que as fissuras possam ser abertas e desvendadas.
Beijo grande,
Clicio
Queiroga,
O que me anima são suas palavras finais; “A cada dia mais e mais gente percebe e realiza esse outro lado: o da expressão; da reflexão; da geração de conhecimento; da transformação; da filosofia da caixa preta. Que bom, isso prova que o horizonte é grande e fértil, isso empurra para bem longe a necessidade de um réquiem.”
Valeu, meu talentoso amigo!
Clicio, texto muito bem colocado, como sempre…
Infelizmente a indústria sempre vai tentar levar a fotografia para onde não queremos, vendo-a apenas pelas planilhas, mas ela tem espírito livre e sempre vai lutar para não ser domada!
Clicio,
Ótimo texto. Puxa a discussão. A perspectiva morte, e o réquiem, dão o senso da urgência do fazer ao homem, retira-o de de uma tendência letargica e o impulsiona. A Fotografia existirá sempre e enquanto tivermos a necessidade da captura da luz e do tempo para trocar com os outros e nós mesmos o instante. Os meios, ora os meios, vão mudar, retroceder e evoluir. A luz, o tempo e nossas necessidades de interação vão garantir enquanto existirem o mercado, a industria e ao fim a arte.
Parabéns.
Edmundo Pires
@EdmPires
Clicio,
vou falar pouco pois ando meio com sindrome de vanusa. hehehe…
mas você sabe o quanto é pertinente a mim o assunto e, como já disse alguem, você organiza bem as questões e angustias de quem tem a vencer mais embates pela aí. Vou aqui processando as reflexões.
bjs,
lina
Clicio, a coisa está começando a virar pelo lado dos fabricantes que enchem a burra com câmeras amadoras de ciclos de desenvolvimento curtísismos. A corrida dos megapixels praticamente acabou e o marketing está passando a destacar o desempenho do sensor em ISO alto e lentes novas com maiores aberturas, permitindo capturas em condições de luz mais difíceis. Finalmente! A corrida do megapixel era interessante no começo, mas nos últimos anos passei a não tolerar mais tantos leigos entendendo esse número como simples medida direta de “qualidade”, o que todos aqui sabemos que passa longe de ser. Outro sinal de mudança na indústria são recursos mais inventivos nas câmeras, como o Sweep Panorama das Sonys, que aponta para o futuro de convergência inexorável entre vídeo e still, mais uma vez ampliando possibilidades. Tudo que facilite à pessoa atingir sua visão fotográfica é bem-vindo. Medir tudo em números e esquecer o lado humano, emocional, não é bem-vindo.
Quanto à tese de que a foto digital é inerentemente inferior à analógica por não ser tradução direta de um fenômeno físico, discordo. Os resultados obtidos em filmes dependem de sua formulação química e revelação, tanto quanto os resultados digitais dependem das características do sensor e do processamento. A verdadeira questão aqui é psicológica e cultural. Uma massa de novos fotógrafos que já se criaram no meio digital insistem em dar a suas imagens uma aparência retrô, com “look de filme”. Isso vem de onde, e para onde vai? Eis um ponto a ponderar.
Ave este post!
Muito bom. O texto é muito bom. Mas o que admiro de verdade, Clicio; é a pertinência do que você escreve com o que você realmente pensa. Pode ser impressão minha, mas desde que conheci seu trabalho ví uma verdadeira metamorfose em seu discurso. Isso, para mim, é crescimento. Não é “pagar pau” como se dizem por aí. Diria isso para qualquer pessoa digna.
Depois dê uma passadinha em http://blog.tettofoto.com.br
Abraços
Que maravilha, Clício! É isso aí. Suas reflexões sempre complementam e ensinam mais e mais sobre a fotografia e o pensar fotográfico também. Obrigada.
Clicio,
Grande texto. Muito bem escrito.
Acho eu que a força de uma imagem mostrando realidade ou sonho nunca morrerá.
O que vale é a sensibilidade do olhar, e isto, nenhum equipamento substitui ou substituirá.
Olhares sensíveis, homens melhores
Saudações fotoativistas.
Fatinha Silva
Faço agora minhas poesias fotograficas digitais, com a minha “velha” camera digital de 10 anos de uso, transformei-a em uma PINHOLE. A indústria não pode apagar a LUZ!
Esse post está do cassete. Me amarro na maneira como o Clicio chama a moçada prá meditar sobre a sua própria sorte. Hahaha Na boa…
“A preocupação maior da bilionária e crescente indústria fotográfica contemporânea não é a fotografia, e sim “mover as caixas”, vender produtos tecnológicos de ciclos cada vez mais curtos…”
A regra da Samsung numa área vip da empresa, onde ficam todos literalmente enjaulados, fazendo pesquisas e testando os brinquedinhos cheios de chips é bem simples: “deixar o seu próprio produto caducar, antes que o seu concorrente o faça”. Este é o primeiro mandamento do samurai que comanda a empresa com mãos de ferro. O segundo é vender aquilo que encalha e colocar mais mercadoria no mercado. Só tem um detalhe: o samurai se esquece de que no Pará tem Dirceu maués e Miguel Chikaoka que não estão nem um pouco preocupados com a avalanche de lixo automatizado. Eles fazem arte fotográfica e é assim que encaro, com tubinho de filme, latas e caixas de papelão.
“Festivais culturais de fotografia, nos moldes do Paraty em Foco, ou FestFotoPoa, ou FotoRio, são encarados pela indústria com desconfiança…”
Sugiro que esses encontros pluralizem e permitam que o Brasil inteiro participe como ocorreu na Bienal Internacional de Fotografia de 96 em Curitiba, capitaneado por Orlando Azevedo e o ex-prefeito Greca. Tenho certeza de que a industria investiria mais nesses eventos se ela não os visse guetizados, ou, freqüentados por uma fotografia contemporânea que ainda não disse para o que veio. Se são capazes de realizar de uma forma, experimente de outra… Abram para o Brasil inteiro e veremos arte fotográfica que estão intocadas nas gavetas, armários e caiuxas de sapato, nos mais longínquos rincões deste país e. Mega evento! Qual o problema da industria entrar se ela ver o belo trabalho brasileiro. O momento é propício para uma boa reflexão a respeito…
“Vejam o exemplo da Sinar P, uma câmera técnica de grande formato, imprescindível nos estúdios de publicidade na era do filme, e que possibilita correções de foco e de perspectiva através de seu sistema de básculas. Foi literalmente abandonada nos armários dos estúdios, tida como equipamento obsoleto na era digital…”
Podem me enviar a doação empoeirada que ficarei muito agradecido. Claudio Edinger está dando show com uma P ou P2 fazendo foco seletivo com filme e suas obras estão indo a leilão. Uso uma hasselblad e me sinto como se ela fizesse parte do que ainda está me restando da carcaça humana. A fotografia quando levada a sério é diferente. Pode botar lixos e mais lixos nas prateleiras que elas acabarão tomando o mesmo rumo dos entulhos de arquivos surgidos da compulsão que a nova era. O bom é que toda esta febre irá passar e os profissionais sérios começarão a exigir mais robustez e durabilidade nos produtos digitais como já ocorre com os papeis.
“…a Sinar P-SRL finalmente anuncia a grande solução da fábrica: um back adaptador para as suas câmeras de báscula que pode ser usado para encaixar a sua DSLR!”
Essa é 10 porque prova que a fotografia nas mãos dos criativos atravessa, as boas idéias atravessarão fronteiras…
“…e assim entram em campo as câmeras retrô. Com “cara” de filme mas com tecnologia digital, tem máquina com jeito de anos 40, 50, 60, 80, para todos os gostos.”
Isso é atitude burguesa, mesuinha, doente, de quem gosta de ser enganado e eu me amarro em ver o cara cavar seu próprio buraco de vaidades: “eu tenho; “eu comprei”; “você já tem?”; “ah, faz tempo que não uso…, mas…” Por que não faz, uma doação para quem ama verdadeiramente a fotografia? Agora é sério! Li certa ocasião que fotógrafos no Peru estariam dividindo turnos, para usarem uma só máquina; e a Fnac acabou de fazer uma campanha para doação. Ainda está em tempo…
Hasta lá vista!
Wank,
Não se contenta gregos e baianos, mesmo. Os fotógrafos locais, os de Cutitiba, ficaram extremamente magoados com a curadoria de Orlando Azevedo que quase não prestigiou os daqui.
Não querem nem ouvir falar dele. Não é meu caso que expus e dei oficinas junto `Nair Benedicto, em duas delas, o que me rendeu bons frutos.
Não foi o caso dos outros que acharam que pagavam uma festa em sua própria casa e não foram convidados. A contrapartida local é seeeempre importantíssima. Ou o regionalismo que ainda surpreende não deve nunca ser desprezado. Com razão, o Wank. O Clicio, então, abraça esse publico com maestria. Acho que só isso justifica esses encontros da classe de corredores contra o tempo que são os fotógrafos.
É por essas e outras que estamos diante de um dos mais renomados fotógrafos do Brasil e do mundo.
O cérebro desse cara não tem neurônios, tem químicos fotográficos e bit e bytes eletrônicos!
Seus posts sempre são fonte de cultura, entretenimento e aprendizado.
Parabéns, Clicio.
Caríssima Lina, acho que você tem razão. Tinha muita gente do eixo, mas tinha gente do Paraná. João Urbano não é de lá? Mas a pluralidade e o movimento foi intenso. Foi fenomenal. Movimentou a cidade. Foi muito bom, mesmo. Nunca mais vi algo igual até hoje… Mas sinto que de 2011 prá frente, as coisas mudam… Abraços
Wank, as coisas já começaram a mudar em 2010.
E só vão melhorar!
Clicio
O link para o site do André Nunes está com problema.
Guaracy,
Obrigado, já arrumei!
Bom, gostaria de citar um ponto que ao meu ver, deveria ser observado do forma mais próxima nessa questão do requiem da fotografia.
A fotografia é uma arte gráfica relativamente nova, e quando surgiu, foi dito que ela iria tornar a pintura obsoleta.
Não foi o que aconteceu, ela como mídia modificou a pintura e acabou tendo muito dos seus preceitos (regra dos terços, pontos aureos, a teoria das cores que se aplica aos filtros e outras coisas que não me lembro agora) fundamentada na pintura.
Dessa forma acredito que o filme ainda tera uma vida ao lado do digital, que a grande parte da fotografia sera digital mesmo.
Fui numa apresentação de um produtor de fine arts (processo de pós produção e impressão de qualidade fine art) e fiquei muito impressionado com a abrangencia dessa possibilidade que adicionado a midia digital permite uma perspectiva artística muito interessante do fotografo.
A arte fotografica vai evoluir, modificar e crescer, independente das marcas, e elas , quando percebem isso se aliam aos fotografos (exemplo: Quem ia imaginar um movimento tão forte da lomografia e de toy cameras em pleno 2010?).
Ehhhhhhhh!! E viva o capitalismo desenfreado, vexátorio pós modernidade!!
A coerencia do seu pensamento, me fez voltar a 2003, quando voce cauteloso já receiava pelos lançamentos constantes das atualizações digitais. Eu duvidei, e me submeti a trocar de equipamento todo ano, me sujeitando a uma exigencia falsa do mercado. Foi puro ego.
Hoje, saudoso, disparo minha Contax N1, com peliculas vencidas, mas que me dão um prazer enorme ao revelar sua natureza organica.
Belo texto Clício, como sempre, categórico e marcante.
abraço.
Muito apropriado o texto, professor. Fico feliz que ainda haja pessoas engajadas com a fotografia – exatamente o que as indústrias da área não estão. O comprometimento, hoje, é memso mover caixas. Mas deixem as caixas se moverem… Nenhuma tecnologia, nenhuma questão mercadológica pode apagar a luz diante de um verdadeiro olhar fotográfico!
muito bom!
abrindo mentes e libertando os “Reis” para a reflexão e elaboração de novos reinados, acho que isso é o mais importante.
O fotografia nunca vai morrer enquanto houver grupos que exaltam essas discussões. Nada de réquiem, a indústria não é dona da fotografia, esse reinado não é dela, a indústria subvenciona a ferramenta, apenas, e deve servir aos “reis” e criadores.
parabéns!
Muito bom este texto Clicio. Eu sinto esta mudança de uma forma, talvez, diferente. Antes o fotógrafo era antes de tudo o pesquisador, o interessado, o curioso, o futucador, que amava aprender. Hoje o novo “fotografo” (que não deve durar, não sei) é aquele que se traveste de “fotografo” e que compra uma camera tecnologica, fazendo um curso técnico e esquecendo de aprimorar seu olhar, aprimoramento este que não advém apenas pelo olho mas sim pela vida. Não consigo imaginar uma pessoa se lançando no mercado como fotografo com menos de uns 3 anos de estudo e pesquisa. Hoje, é um cara que compra uma camera e faz um curso. Então, quanto mais pessoas fazendo cursos e comprando cameras, melhor para esta indústria. Será que vai chegar o dia em que a ferramenta da fotografia vai virar eletrodoméstico?
ps: talvez tenha me perdido no assunto texo mas é o que estou sentindo
belo texto. sou um fã seu de muito longe mais no brasil quero sabe mais sobre seus cursos.
Acredito que toda a discussão a respeito da morte, ou não, dos filmes e processos analógicos por conta da invasão, inevitável, das digitais deve levar em consideração que, não importa o quanto os sistemas estejam facilitando a vida dos amadores e tirando o espaço dos profissionais, o processo de fotografar ainda é uma tarefa emocional, individual e cultural. Como disse Sebastião Salgado: você não fotografa com sua câmera, mas sim com toda sua cultura. Essa é a diferença entre registrar e se expressar através de imagens, sejam elas digitais ou analógicas.
1 Trackbacks/Pings
[...] This post was mentioned on Twitter :: http://bit.ly/9zIDEY [...]