por clicio em 25 de julho, 2010
O Paradoxo Digital
Alertado pelo valioso link do Ricardo Mendes na lista da Rede [RPCFB], baixei imediatamente o PDF da publicação O Dilema Digital – Questões estratégicas na guarda e no acesso a materiais cinematográficos digitais, disponÃvel gratuitamente no site da Cinemateca Brasileira.
Por coincidência, logo na semana seguinte, em uma reunião de trabalho na Cinemateca, tive a rara oportunidade de passar uma agradável e produtiva tarde com o Millard Schisler (Coordenador de Preservação da Cinemateca) e o Iatã Cannabrava, e juntos visitamos e exploramos todos os prédios com os acervos e máquinas que permitem a realização do importante trabalho técnico e cientÃfico de preservação e memória do cinema nacional realizado pela equipe comandada por Schisler.
Ao final da visita, fomos presenteados com uma versão impressa do livro O Dilema Digital, que li, reli e recomendo enfaticamente. A publicação é uma excelente tradução do original em inglês produzido pelo Conselho de Ciência e Tecnologia da Academia – The Science and Technology Council of the Academy of Motion Picture Arts and Sciences. (Para a versão original em inglês, pode ser feito download diretamente no site da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA.).
Pois não é que o mais interessante é que o cinema de Hollywood passa exatamente pelos mesmos sintomas de digitalite aguda pelos quais a fotografia tem tanto sofrido? Excesso de material na captura, excesso de informação digital não-filtrada/editada na origem, Petabytes de pixels a serem guardados, mÃdias não-confiáveis, migração total de dados a cada 5 anos, alto custo operacional e de treinamento, padrões não-definidos, pressão da indústria por formatos de arquivo proprietários…
Com o perdão do trocadilho infame, já vimos esse filme.
As preocupações na Fotografia são exatamente as mesmas, com a ressalva da Fotografia ter “ficado totalmente digital” mais cedo, e do volume de dados digitais em 4K gerados pelo cinema ser incomensuravelmente superior ao volume de fotografias a ser preservado.
Vamos aos fatos, alguns extraÃdos do livro, outros de conhecimento comum na fotografia profissional:
- O custo em tempo, equipamento, pessoal e migração exigido para a preservação de conteúdo digital é cerca de 11 vezes maior que do analógico; filmes, negativos, positivos e cópias fotográficas, mesmo com os necessários cuidados com temperatura, umidade e catalogação, podem ser preservados por longos perÃodos, com custo inicial alto, porém diluÃdo ao longo do tempo de armazenagem.
- O tempo de armazenagem do material analógico é de pelo menos 100 anos; o digital depende de mÃdias, tecnologias que se tornam obsoletas, hardware e software que se tornam incompatÃveis em menos de 5 anos, perdas por erro humano ou de transmissão. Sem uma migração constante e evolutiva, não se pode garantir mais do que 5 anos para um arquivo digital armazenado.
- O material analógico é imediatamente visualizável, enquanto o digital vai para um enorme buraco negro; sem a constante e initerrupta injeção de dinheiro, rapidamente os arquivos digitais podem se tornar inacessÃveis, engolidos pelo mesmo buraco negro que deveria facilitar sua busca. “O buraco negro digital aprisiona o projeto”, diz Jonas Palm, do Arquivo Nacional da Suécia.
- Um original em pelÃcula, positivo ou negativo, é um original pronto, onde as principais decisões de tons, cores e contrastes foram tomadas na captura. Um original em digital (Raw ou DNG) tem que ser processado e interpretado na pós-produção, o que implica em uma série de decisões muitas vezes longe do controle do produtor da imagem (o fotógrafo).
- O mercado de pelÃculas vive um momento crepuscular. Vai desaparecer sem que padrões digitais de formato, catalogação, preservação, interoperabilidade e armazenamento tenham sido definidos. Quem deve tomar as decisões sobre esses necessários padrões *não é a indústria* produtora de hardware, software ou equipamentos, e sim os usuários e especialistas da academia. A Rede [RPCFB] e as associações tem a obrigação de se fazerem ouvir; obsolescência programada visando o lucro é conveniente só para a indústria e possivelmente a cultura perderá uma boa parte de sua memória se os padrões não forem logo estabelecidos.
- A Rede, associações, organizações, a academia e o estado, juntos, tem que “construir e apoiar uma rede de parceiros trabalhando para preservar conteúdos digitais. A tarefa de salvar bens digitais é grande demais para esforços isolados. Identificar e coletar conteúdo nativo digital em perigo, criado apenas de forma digital, antes que esse conteúdo seja perdido, extraviado, se torne obsoleto ou se corrompa.” A indústria fotográfica tem que ser unÃssona ao falar e discutir presevação digital.
- Metadados devem ser criados e conferidos *antes* da captura digital, simultaneamente ou imediatamente após a sua ingestão, sob pena do conteúdo se perder em meio a Petabytes de pixels desorganizados. A importância dos metadados para posterior recuperação das imagens digitais não pode ser minimizada.
- Fluxo, armazenamento e preservação: três cópias de cada imagem digital, em lugares fÃsicos diferentes. A primeira, arquivo online, disponÃvel a qualquer momento; a segunda “near-line”, em servidor remoto ou em fitas LTO4; a terceira backup de HD externo, em prédio separado, com migração programada a cada 3 anos.
- Guardar três formatos de arquivo de imagem diferentes:
- Captura ->RAW (original)
- Edição ->DNG (com metadados e processamento)
- Distribuição -> TIFF e cópias nos formatos requisitados (JPEG, PNG)
- Seguir os padrões recomendados pelo UPDIG, sempre em constante evolução e importante para a padronização dos procedimentos digitais; seguir também os padrões indicados pelo vocabulário controlado de palavras-chave, do David Riecks.
A Rede poderia apoiar e fazer parte do esforço UPDIG.
O paradoxo é gerar cada vez mais imagens digitais, a um custo de armazenamento cada vez mais barato, para perdê-las por obsolescência de hardware e software; ou não achá-las no buraco negro dos petabytes por excesso de informação não-catalogável e falta de metadados.
O Dilema Digital – Questões estratégicas na guarda e no acesso a
materiais cinematográficos digitais pode também ser adquirido impresso na bilheteria das salas de exibição da Cinemateca Brasileira, por R$ 30,00.
Update 01: O José AFonso fez uma tese de doutorado sobre o assunto, muito pertinente. Uma parte relevante de sua pesquisa pode ser encontrada em seu blog, o “AF, de autofoco”.





42 Comentários
Muito interessante Clicio! Momento de refletir…
Sempre afirmei que a fotografia digital era mais cara e o custo de armazenamento é mais um fator que prova isso.
Preservar o que foi feito sempre foi uma preocupação dos artistas mas nunca foi a preocupação da indústria que só quer ganhar dinheiro, seja criando novidades passageiras ou criando promessas que não podem ser cumpridas. Lembro da primeira reportagem que vi sobre CDs. Mostravam uma pessoa jogando o CD no chão, pisou em cima, jogou mel, passou um pano e colocou de novo no tocador de CD (obviamente foi outro CD, tinha um corte de imagem antes da cena colocando no tocador) e o CD tocou perfeitamente como se nada tivesse acontecido. Hoje sabemos que as promessas de durabilidade do CD não se cumpriram.
Tenho esperança quando olho prara trás e leio a história da fotografia, da época que o suporte era uma chapa de vidro que poderia facilmente se quebrar e a foto deixar de exisitir, além de sua pouca durabilidade. Houve um grande avanço com a pelÃcula que se mostrou muito mais durável. A história se repete, tudo é frágil de novo, não tão frágil, mas menos durável que as pelÃculas de filmes. Até descobrirem uma forma mais segura de preservação digital iremos gastando mais com armazenamentos diversos. Se não houver interesse da indústria (creio que não há) para que o problema seja resolvido nós gastaremos cada vez mais e eles ganharão cada vez mais.
Clicio, esses tipos de iniciativas de colocar a tona assuntos poucos discutidos são muito importantes. Parabéns pelo seu esforço em tentar melhorar cada vez mais essa profissão e tudo que envolve ela.
Abraços.
Pois é, eu já havia comentado com um amigo sobre isso. Estamos vivendo um momento de muiiiito mais trabalho braçal e de tempo do que na época do filme analógico. Virei uma máquina de trabalho que nnao consigo parar nunca, pois sempre tem um arquivo para guardar, um backup para fazer, um HD para migrar, um DVD que não quer mais “abrir” Um inferno
Ótimo post, esperoque a garotada que fica toda boba com a quantidade desnecessária e ridÃcula de fotos que fazem hoje, em eventos como um casamento, onde o grande barato hoje é vender quem vai entregar mais fotos, e ñao uma puta de uma seleção que se torne viável de arquivar, guardar e preservar.
360 abraços
AYRTON
Só existe a memória, porque, na outra ponta, existe o esquecimento.
Se o anjo do digital veio combater o demônio do esquecimento analógico, por que, o problema da preservação ainda existe como debate?
Por que toda revolução, é o digital é uma delas, traz embutida suas contradições, que são reveladas pelo tempo, pela decantação e uso.
O digital fabrica o esquecimento como qualquer outro dispositivo. Cada imagem, em cada sistema de Back-up, cobra cada segundo da sua existência.
A questão é que os pacotes tecnológicos dos produtores de TI oferecem soluções de ontem para os problemas de hoje.
Pensamos em vanguarda, mas compramos obsolescência. Pensamos como guerrilheiros, mas agimos como militares reformados.
Abraços e valeu as dicas e o texto.
O que comentar do que já foi escrito acimo pelos amigos fotógrafos…Como eu digo para a minha mãe…o mundo ficou menor e mair rápido…engraçado que eu estou olhando uns slides ou positivos que eram do meu falecido avô de uma viagem que ele fez de kombi de SP desceu para o Sul e foi subindo pela Argentina, Chile, etc e foi até Toronto – Canadá, depois desceu para NY e de lá despachou a kombi por navio e voltou de avião…estou com o projeto na mesa e fico analisando as fotos e digitalizá-las, alguns positivos estão deteriorados, outros dá-se para recuperar…e esse post veio bem a calhar…muito bom e para ser refletido. Obrigado mais uma vez ClÃcio. Abraços e clicks a todos. P.S. Essa kombi está guardada na garagem da casa do meu pai no interior, parada mas conservada, e daqui a 10 anos quero repetir essa viagem do meu avô, pois foi em 1970 que ele fez isso, e repetir 50 anos depois, fotografando e registrando as mudanças nesses anos todos acredito ser interessante. Alguém afim de ir? rsrsrsrs….
Obrigada por dividir as informações!!!
Lembro de um “cara revoltado”, explicando que alguns jornais não salvam suas fotografias em RAW, nem entendiam o que era o raw, mas depois daquele dia, fotografei tudo em raw + jpeg…
rs era você o cara revoltado…
não sou fotógrafa, mas valeu para mim esse conselho…
e posso dizer por experiencia própria, que perdi alguns arquivos nessas mudanças desenfreadas de hardware software, e qualquer outro ware aÃ, tenho uns disquetes que não abrem em lugar nenhum, nem nas maquinas que tem leitor de disquete… dei por perdido… e só de imaginar que tudo pode ser perder um dia, toda a nossa informação, é quase um retorno a idade da pedra, ou até o dia que inventaram o computador, já pensou, perder tudo e o tempo voltar até lá…
rs
viajando com esse post!!!
Ótimo texto pra variar. E por coincidencia nesse exato momento estou mexendo no buraco negro
Apagando arquivos inúteis, separando um grande catalogo do LR em 3 novos e preparando tudo pra mais um back-up e realmente tudo isso tira a paciencia de qualquer um. Ah, ainda nem pensei nos metadados…
Como prevÃamos, os problemas de armazenamento continuam, mas há um equivoco em relação ao custo nas avaliações do antes com o atual – o custo do espaço fÃsico – guardar em espaço adequado o “analogico” envolve conservação monitorada em ambiente fÃsico adequado; esse espaço fÃsico é maior para o “anologico” do que para o digital, e espaço fÃsico é caro e cada vez mais raro no mundo atual, assim como o custo de sua multiplicação (cópias de segurança).
Infelizmente ambos processos possuem pós e contra, ha muito conversamos (Clicio e eu) sobre esses pontos, e não é nesse quesito que a fotografia digital se torna mais cara que a “analogica”, como induz o texto. O custo aumenta na fotografia digital por sua maior ocupacionalidade do fotógrafo no pós captação, e esse é o ponto que na maioria dos casos deixa de ser incluÃdo no custo da fotografia digital.
Armazenamento, é provável que mesmo com os problemas vividos atualmente, o custo seja menor que o do “analogico” e já no pós captura ele foi absorvido pelo fotógrafo em grande parte eliminando custos que eram de terceiros (revelação, montagem, etc) para simplesmente sumirem da tabela dos clientes, apesar das horas adicionais que o fotógrafo passa em sua unidade de revelação/tratamento/armazenamento.
Bom texto, ótimas referencias. Abs
Apavorante, não é? Essa sensação de perda iminente parece um pesadelo que não tem fim.
Pois é. Nessa paranóia eu acabei espalhando cópias das minhas fotos por 3 computadores e mais um HD externo.
Tenho medo desse buraco negro….
Embora eu odeie fazer backups, os faço em vários lugares…
Uma questão me dá um certo alivio no meio de todo esse caos digital:
a fotografia digital é mais ecológica…
Onde vamos parar?!
Clicio, tenho a impressão de que esses caras do cinema estão procurando pelo em casca de ovo. A solução para essa questão de catalogação, armazenamento e recuperação posterior pode ser facilmente terceirizada nos dias de hoje. Nada que uma conversinha com o Larry Page e Sergey Brin, não resolva definitivamente. rsrs
Tá difÃcil para nós, simples mortais, que não temos bala na agulha para contratar e manter esse tipo de serviço.
Abs!
Oziel, Ayrton,
Sim, um problemão e discutimos isso há anos, né?
Pepe,
O sugerido pelo texto não está equivocado. Uma fita de longa metragem em 4K (cinema de Hollywood) de aproximadamente 100 minutos, ocupa 10,7 Terabytes de HD. A migração deve ser feita de 3 em 3 anos; três cópias simultâneas devem estar disponÃveis e seguras.
Multiplique por 50 longas por ano, só em Los Angeles, e vai ter uma idéia do tamanho do problema.
Os filmes analógicos, uma vez colocados em seus depósitos climatizados, podem ser “esquecidos” por até 50 anos, sem risco (nem custos adicionais).
Pense nisso.
Clicio
Pedro,
Há dois interesses, muitas vezes opostos;

O da indústria de cinema, que quer lucrar com seus “digital assets”, fazer com que material antigo continue dando lucro; este material não pode se perder, senão o lucro cessa.
O da Cultura, que quer preservar e conservar, memória. Esse não precisa de lucro, mas sim de investimento constante e planejado, por parte do Estado.
O problema é real, e não pelo em ovo, infelizmente.
Clicio
Clicio, aluguel de espaço o investimento em sua compra, aclimatização e manutenção não há custo nisso. Veja o espaço que ocupa os rolos e veja o espaço que ocupa as fitas digitais. Transfere isso para a fotografia e veja o problema crescer arquivando Prints Files, manutenção desses e espaço fisico controlado – isso custa dinheiro. Espaço nas grandes cidades custa muito (aluguel, condomÃnio, imposto, energia elétrica para manter a conservação, etc) o espaço para mÃdia digital é bem menor. Abs
Se já esta caro (e trabalhoso) para nós, imagine para eles.
A verdadeira revolução vai ser quando estes cartões WORM (Write Once Read Many) que durem bons anos e tenham uma capacidade de grandes teras virem uma realidade prática.
Até lá, fica a frase da AT&T pro tio Steve:
“Esse tipo de mudança, antes de melhorar, PIORA!”
E acho que ainda vai piorar muito antes de se ter um PADRÃO. Até lá, reza brava!
Não que eu seja um fiel da técnica. Mas penso que estamos na nascente desse problema e que em breve teremos outras soluções mais práticas, baratas e até mesmo rentáveis para a indústria. Mas tampouco serão soluções definitivas. O sistema de produções, distribuição e consumo e material audiovisual continuará se transformar e a aumentar de forma exponencial comparada a imagem analógica. Mas isso não quer dizer que não haverá soluções para a memória desse material, elas só serão tão efêmeras como as formas de produzir, distribuir e consumir.
Belo post, afinal é preciso chamar a atenção para algo que demanda empenho e trabalho.
Interessante mas meio alarmista esta posição.
Já vi arquivos de filmes irem para o lixo (Assembéia Legislativa RS) para desocupar espaço, ou vendidos para extrair prata, fora questões de umidade e temperatura.
Os cuidados são requeridos por qualquer acervo, a possibilidade de multiplicação dos originais sem perdas e a anexação de metadados é vantajosa, e o caminho irreversÃvel.
Não seria a “solução final”, mas na fotografia essa angústia poderia ser bem minimizado pelo progressivo barateamento dos custos dos cartões de memória, assim terÃamos a opção de guardar as fotos originais nos próprios cartões tb e não deletadas pra usa-los novamente. terÃamos uma imensa “memorycardteca”.
Efetivamente há gente que fotografa e guarda o cartão de memória, que promete cerca de 10 anos de durabilidade das informações – mais durável que um HD. Mas é aconselhável guardar um leitor de cartão compatÃvel junto com os cartões. E o computador que poderá conversar com esse leitor de cartões. Como vê, o problema é em cascata e somente mudar de mÃdia não significa solucionar. E ainda fica a questão do excesso de material bruto.
Eu vejo a coisa mais ou menos como o Pepe, onde possivelmente a melhor solução nem passaria pela criação de um arquivo digital próprio, mas sim a contratação de algum grande Data Center, empresas que já possuem toda a estrutura fÃsica/lógica/intelectual para arquivar e recuperar dados com rapidez e segurança.
E enquanto os custos de armazenagem analógica tenderão a aumentar, pelos motivos que o Pepe já citou, os de armazenagem digital tendem a diminuir com a chegada de novas tecnologias e amortização do custo de investimento das tecnologias atuais. Ou alguém duvida que em breve estaremos falando em Pb com a mesma naturalidade com que falamos hoje em Gb?
Pedro, Pepe.
Vou pedir um favor, de verdade, a vocês dois.
O que eu coloquei no texto acima não é alarmismo, não é achismo. São pesquisas desenvolvidas por instituições muito sérias, conhecidas e idôneas.
O favor que peço é: baixem o PDF, *leiam os relatórios* e depois tirem as suas conclusões.
Data-Centers, por exemplo; há muitos, confiáveis e caros, muito caros.
E sabe o pior?
Vão ficar mais caros, pela quantidade insana de produção digital que se prevê para um futuro bem próximo.
Guardar a produção em fitas LTO ou em HDs, ou mesmo em SSDs exige também depósitos fÃsicos, climatizados e que gastam (no caso dos filmes de cinema) milhões de dólares só com energia elétrica.
Eu não acho nada.
Não arrisco palpites.
Apenas repasso aquilo que os cientistas consideram um grande dilema, um grande problema.
Eu, diferentemente de outros, não sei como o resolver, apenas cuido do meu material tentando seguir os poucos padrões estabelecidos e procurando as alternativas mais seguras que estejam ao meu alcance.
Abraços e obrigado por comentar!
Clicio,
sei que o assunto é sério e penso seriamente sobre há muito. sou arguta em intuições e tenho algum embasamento teórico e muita reflexão no assunto perenidade. Parece mesmo o desafio da impermanência, não? confesso que esse “mistério da fé” que virou o devir fotográfico, foi meu motivo de maior resistência ao digital, no começo. Acho que de todos que têm mais de 30 anos de fotografia, né?
Só sinto que à essa altura em que deveriamos, na grande maioria, estar conceituando sobre a fotografia, temos que reaprendê-la. E, o pior, faze-la de graça, por pura dependência fisica à ela.
Que preguiça…
Clicio,
Sempre comento com meus alunos que tenho medo desta ser uma geração com pouca memória fotográfica, apesar da quantidade de fotos feitas hoje. A forma com que boa parte dos profissionais e principalmente os amadores armazenam suas fotos me deixa bastante preocupado. Tenho visto muitas pessoas que sotem suas fotos no cartão da câmera e no máximo no HD do Laptop.
Neto
Genial… eu já estou começando a achar a mesma coisa… e o tempo que a fotografia tem me tomado é grande!!! Quem não valorizar o trabalho está fora… tem que colocar tudo no papel… abs
Acho a questão muito séria e ninguém deve se abster de participar dessa discussão, que deve levar a um “aconselhamento público” para padrões nos procedimentos de armazenagem. Um ISO público de armazenamento. Padrões recomendados para muitos nÃveis da produção digital, afim de cobrar da indústria, inclusive, que preserve a compatibilidade de mÃdias e que trabalhe por facilitadores do processo, deixando a tal obsolecência para outras caracterÃsticas de seus produtos. Isso em favor da manutenção de um patrimônio cultural que talvez só tenhamos noção do valor muitos anos à frente.
Hoje eu vejo na prática que não o custo, mas o trabalho que se tem pra armazenar as fotos digitais é maior que pra armazenar o filme. Com filme voce organiza nos printfiles, coloca a pasta num lugar com temperatura e umidade controlada, faz umas checagens de tempos em tempos só pra ver como está, mas a neura de perder é bem menor.
Com digital, se o sujeito não for um cara cuidadoso, corre o risco de perder até a foto que acabou de fazer.
Eu tenho minhas fotos digitais em pelo menos 3 lugares diferentes, mas confesso que o trabalho que dá sincronizar todos esses backups é grande.
Ao contrário do que foi dito, o tom não é nada alarmista, já que o risco da perda do digital existe e é maior que o do filme. Um amigo meu perdeu simplesmente 3 anos de fotos por pane num HD externo e por não ter armazenado em pelo menos dois lugares diferentes. E não é como um negativo com um ponto de fungo que voce pode escanear e remover o fungo digitalmente (dependendo da extensão do estrago). Simplesmente as fotos foram “abduzidas” para o buraco negro.
Há uma frase usada em segurança da informação que eu uso para as minhas fotos também: Paranoia is good.
Abraços
Pepe, o que dizes sobre o espaço fÃsico é verdade, mas tem duas coisas nisso tudo que precisa ser bem avaliado. Um renovar tudo em perÃodos tão curtos( aproximadamente 3 anos ou 5 anos que seja), é além de absurdamente caro pelo material envolvido é praticamente inviável para uma pessoa independente. Neste sentido o custo fÃsico é comparado com o quê? DEpois de um perÃodo ficaremos somente fazendo cópias.
Dois uma vez investido no espaço fÃsico, por um longo tempo terás condições de armazenar sua produção. O mesmo não ocorre com o armazenamento digital, custo constante e exponencial.
OLha já trabalhei na área de informática antes de ser fotógrafo. Toda grande corporação se descabela com os custos de armazenamento e segurança do seu patrimonio imaterial, o conhecimento que transita por suas máquinas. Uma verdadeira dor de cabeça e um rombo nos bolsos. O que fazer?
Realmente o DIGITAL exige muito mais cuidado do que muitos fotógrafos e manipuladores de imagem podem imaginar, sem falar que o DIGITAL é um formato que têm causado grandes preocupações quanto a perda do memória fotografica.
É algo pra se pensar!
Excelente post, como sempre! e há quem argumente que digital é mais barato… ainda não há nenhuma opção reliable que não seja extremamente trabalhosa.
A unica dica que recomendo é: adote um workflow seguro e siga-o com *muita* disciplina…
Por outro lado, sei que os nossos esforços não serão em vão e daqui a algum tempo poucos realmente terão bons arquivos, já que a maioria perderá mesmo vastas quantidades de imagens.
the hidden cost of digital…
[ ]s
ig
O post serve como um grito de alerta….vejam os senhores, atualmente trabalho em um CEDOC(centro de documentação digital) de um órgão do governo, e chega aqui diariamente informações sigilosas, sobre pessoas de todo o paÃs(toneladas aqui no galpão)…porém tudo em papel….existe até alguma informação já digitalizada…porém o projeto para armazenamento digital, acredito eu esteja parado….o brain storm até existe nas reuniões, mas equipamento e conhecimento…tentei apresentar algumas idéias….mas existe polÃtica e a fogueira das viadades…..
Somos passageiros do nosso tempo. A fotografia de agora é digital, e pronto. Não temos escolha.
Ah, temos sim, Ivan.
Podemos *não fotografar*!!!
Clicio, por uma questão de tempo acabei não lendo todos os comentários.
Mas vou aqui colocar uma coisa que sempre pensei que poderia ser um alternativa. Não sei existe ainda, mas se fosse possÃvel termos um equipamento que transferisse a imagem digital para o filme e esse filme seria revelado dentro de um padrão que não que não”corrompesse” a imagem já processada, não terÃamos aà um oportunidade de, além de ter o arquivo digital, ter também a mesma foto em filme? Isso faria com que retrocedêssemos ao filme, mas vindo do oposto, no caso da imagem digital para o filme. Aà sim, preocuparÃamos mais com a preservação do filme, sem não esquecer o arquivo digital.
Apenas para fins de “memória e arquivamento a longo prazo”.
Enfim, não sei… tô ficando confuso…
Abração
Que loucura! Que preguiça! Que paranoia! Que aventura! Que tempos…
Seguirei a dica do Ig e mesmo assim quando tenho algo que acho legal amplio e guardo com um medo danado de perder meus arquivos digitais.
Estou colecionando HD externo, pen drive e cartão de memoria. Confesso que está demais da conta por aqui.
O nó górdio: “(…)obsolescência programada visando o lucro é conveniente só para a indústria e possivelmente a cultura perderá uma boa parte de sua memória se os padrões não forem logo estabelecidos.” “A indústria fotográfica tem que ser unÃssona ao falar e discutir presevação digital”.
Pra onde vai o mundo (digital) que leva (formata) todo mundo?
… e seguimos…
Renan, a conversão da imagem digital em imagem fÃsica num meio de suporte fotográfico já existia – veja os fotolitos para impressão offset. Há um problema, claro: o processo digital já superou a capacidade de registro de informação do processo quÃmico.
Clicio, como você armazena seu material?
Buraco negro digital………..
Arquivo em pelicula tem visualização imediata, preserva o ótica do fotógrafo, dura mais?!?!?!…. OK. Agora pega um ano de trabalho em pelicula, sem estar catalogado, e acha alguma coisa… Esse é realmente o buraco negro; onde você pra se organizar, além da pelicula armazenada em um lugar apropriado, deve ter um arquivo (digital ou não) de catalogação de tudo e precisa gastar muito mais tempo com organização do que com arquivos digitais, onde (um profissional organizado) pode além de catalogar tudo com muito mais facilidade, ainda identificar as imagens com meta tags, ou ainda em softwares como lightroom, fazer busca por datas, cameras, lentes, locais etc.
Gastos com armazenamento? quanto espaço você precisa pra guardar em pelicula, o equivalente a 1TB de fotografia, que cabe numa pequena caixa de metal (hd) de 10cm x 15cm x 3cm.
Ainda tem muita coisa a se pensar a respeito disso. As possibilidades digitais são infinitamente superiores, vejamos um simples exemplo das novas cameras que tiram fotos com geotag….
A evolução é sempre um caminho continuo e sem volta, não vamos, e nem precisamos, reinventar a roda a todo momento.
O problema é que esta evolução está somente nas mão da industria, interessada apenas no lucro a qualquer preço, não se importam com a memória, preservação ou coisa assim, demoram a perceber que esta memória irá gerar lucro no longo prazo o curto prazo é mais importante.
Talvez as academias devessem criar coragem e enfrentar esta industria, algo como; ok, queremos evoluir, queremos novos equipamentos e novas tecnologias para as artes, mas tecnologias que nos garantam vida longa à esta produção.
Precisamos de meios, ou normas, que conduzam esta evolução.
Existe, de fato, um esboço detalhado de norma: está no site da UPDIG – Universal Photographic Digital Imaging Guidelines (http://www.updig.org).
Clicio,
sobre exatamente esse mesmo assunto, andou rolando uma boa discussão no blog da O2, produtora do Fernando Meirelles. A coisa toda começou com um texto do Meirelles sobre o Método de produção deles, aqui:
http://blog.o2filmes.com/2010/05/31/dialogando-com-o-novo-a-discussao/
e tem outro ponto interessante aqui:
http://blog.o2filmes.com/2010/06/08/o-metodo-o-debate-continua/
Na verdade todo o blog da O2 é cheio de posts e comentários sobre esse debate, mas esses dois links dão uma boa visão do desenrolar.
Vale a leitura!
Abraço!
Excelente artigo, Clicio, mas tira o sono da gente, né? Vamos torcer para esses “padrões” surgirem logo e serem “acessÃveis” ou voltemos ao analógico rapidinho, indústria!! He he, Abçs
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