por clicio em 2 de julho, 2010
O alento do tempo

©2010 Clicio Barroso
Artigo originalmente publicado na revista Photo Magazine, da Editora Photos.
Lendo o excelente livro “Fazer acontecer“, do publicitário Julio Ribeiro, tropeço em uma frase que sintetiza o que venho maturando há meses;
“A arte pela arte e o brilho pelo prazer de brilhar são leviandades caras e perigosas.”
Em tempos de internet selvagem, onde a autopromoção reina absoluta e todos se acham geniais, encontrar humildade e autocrítica necessárias para deixar de publicar o que não interessa a ninguém mais além do próprio autor, parece ser uma tarefa impossível.
O problema são os mitos; aquele que afirma que “estar permanentemente na mídia” é o que realmente importa, o que diz “quem não é visto é esquecido”, ou o batido “falem bem ou mal, mas falem de mim”.
Pura vaidade. Vã ilusão de ser algo ou alguém, apoiando-se em nuvens.
Balela.
Vejamos um exemplo simples e popular, o Twitter; milhares de pessoas postando irrelevâncias pueris, expondo-se gratuitamente, virando chacota. Quem está ligando se o gato do fulano subiu no piano? A quem interessa o bom ou mau humor da namorada de sicrano? Ou se beltrano está comendo um brioche na padaria da esquina?
Tempo perdido, irrecuperável.
O tempo é cura para as mazelas de amor, o tempo é pai da experiência, mas o passar do tempo nos aproxima da inevitável morte. Desperdiçá-lo lendo ou publicando bobagens, fazendo marketing pessoal vazio, achando que lá na frente estará a recompensa é otimismo ilusório. O “lá na frente” é inatingível, inacessível, uma mera abstração; mais vale aproveitar o que se tem agora, o presente (que é um presente!), para realizar o tangível. Fazer acontecer.
Um fotógrafo tem que se impor pela qualidade e relevância de seu trabalho; é este que deve falar, gritar, aparecer. Sem trabalho, não há sustentação possível, nem assunto para publicar nada. Por outro lado, porém, ele tem que divulgar o seu trabalho, tem que estar nos sites de relacionamento, tem que se mostrar ativo, sob pena de, ao ser alcançado pela avassaladora e diária quantidade de informações, eventos, exposições, textos e imagens, ser engolido e submergir, desaparecendo sem deixar traço.
Mas como fazê-lo?
Sugiro começar com um trabalho fotográfico sólido, maduro, embasado em estudos de história, teoria e filosofia, ler livros “cabeça” e técnicos, visitar museus e ganhar experiência. Sem que o trabalho venha antes, qualquer tentativa de divulgação acaba em vapor, em fumaça.
Primeiro ter orgulho do que foi produzido e certeza do que se tem para mostrar.
Depois, apresentar esse trabalho a quem interessa, a quem o entende e aprecia, possibilitando a encomenda de novos trabalhos. E quem interessa são clientes para fotógrafos comerciais, curadores e galerias para fotógrafos autorais.
Em seguida, como rezam as boas regras da publicidade, mostrar o que se tem de melhor e esconder os fracassos. Em um bonito portfólio impresso com os melhores papéis, em fotolivros de diversos tamanhos para presentear clientes, em um site profissional (não no Flickr), em mailings eletrônicos periódicos e dirigidos. Exposições em galerias de arte são sempre eficazes e geram mídia espontânea.
Buscar então os prêmios, que são visibilidade a baixo custo; alguns, inclusive, são bem lucrativos! Porto Seguro; Conrado Wessel; bienais. Fugir, no entanto, dos prêmios caça-bancos de imagem, aqueles que ficam com todos os direitos de uso das fotografias em troca de troco para o fotógrafo; são a maioria, até que a Rede [RPCFB] consiga impor seu contrato-padrão (em fase de elaboração).
Aí sim, se integrar a comunidades, virtuais ou não; associações, redes, fotoclubes, para troca real de experiências, promover a cultura fotográfica e ajuda mútua. Acredite, são sérias: Abrafoto, Fototech, Confoto, RPCFB, temos muitos exemplos espalhados pelo Brasil.
E então, *se sobrar tempo*, postar, discutir e comentar em blogs de fotografia e publicar suas fotos em sites de relacionamento, mesmo ciente dos riscos que todos corremos: uso não autorizado das imagens, contratos e têrmos de adesão esquisitos, milhões de puxa-sacos que elogiam qualquer coisa (sim, óbvio que tem gente que fotografa muito pior que você e vai sempre lhe achar um gênio), e outros milhares de carentes que vão lhe deixar constrangido insistindo para que você veja e comente os *seus (deles) trabalhos toscos*, que você já viu e detestou.
O alento que o tempo me traz é a certeza de que sempre se pode repensar as estratégias, sempre se pode interromper um processo auto-destrutivo, corrigir rumos, reestabelecer as prioridades, e focar.
E assim progredir.
O eu não tem a menor importância, posto que vai desaparecer, mais cedo ou mais tarde; o meu também não, já que se eu não sou, não posso ter; resta apenas o fruto do meu trabalho, que para ter relevância, precisa da minha total atenção.
Agora.
Ah, continuo me divertindo muito com meus amigos no Twitter e no Facebook; são gigantescas mesas de bar, onde se vai de tempos em tempos para se jogar conversa fora, fazer convites para exposições e eventos, e provocar aqueles incautos que se levam a sério, e acham que viver é passar a vida a teclar bobagens.




33 Comentários
Primeiro ter orgulho do que foi produzido e certeza do que se tem para mostrar.
Depois, apresentar esse trabalho a quem interessa, a quem o entende e aprecia,
Belos post concordo com muita coisa
[ ]s
Malicky
Gosto muito do pensamento de que não podemos mudar o que já foi feito, mas sempre é tempo de recomeçar e fazer diferente. Obrigado por mais um texto que nos chama à realidade e nos faz refletir.
Grande Clicio!
Excelente texo. O que mais vemos na internet é gente que fala demais e absorve de menos, não seguem o dito popular que minha avó não cansava de repetir: “Deus nos deu dois olhos, dois ouvidos e apenas uma boca por algum motivo!”
Grande abraço.
Artigo muito bom, tocou no assunto sobre internet e relacionamento de uma forma muito interessante e profissional.
Com certeza tudo que foi falado eu concordo.
“Ninguém é tão importante, mas todos queremos acreditar que temos um público que quer saber tudo o que fazemos”
Clicio,
concordo…
fazer arte sem embasamento teórico, sem conhecer arte é puro acaso, e certamente será esquecida…
me fez pensar em tantas coisas esse teu texto! Até em minha postura nas redes sociais… Talvez passe tempo demais teclando besteiras e esquecendo do meu trabalho!
quero ler mais livros “cabeças”, quero ter um trabalho consistente! um dia eu chego lá…
beijos e mais uma vez obrigada!
É um belo puxão de orelha, construtivo, realista. Obrigada.
Já conhecia este seu texto, e é bom lê-lo novamente porque reaviva certas coisas.
Clicio vc não tem ideia o quanto esse texto me fez pensar ….
Muito bom …Obrigado
Isso que vc falou são pensamentos que só pessoas vividas e experientes podem passar com clareza. Obrigado por nos Alertar.
Clicio, grande reflexão, um bom puxão de orelhas, são tratados com leveza e humor .
Fenomenal. Ponto.
Mas uma vez o Clício nos brindando com sua visão sábia, experiente sobre a realidade no mundo fotográfico (as vezes até mais abrangente). Como é bom ler algo que realmente acrescente conhecimento, e que nos faz pensar. Meus parabéns caro Clício. Aproveitando, passa na minha galeria e veja minhas fotos… brincadeira… só p ser irônico! KKKK
Disse que a TV interrompeu o diálogo e ainda assassinou a cadeira em plena calçada;
Que o Coronel Jarbas Passarinho começou a matar a educação brasileira em 1968;
Que a coragem volatizou-se do coração das gerações mais recentes e passaram a optar pela indiferença;
Que os novos dias implantaram novas regras para que o ser humano se conduza na sociedade loucamente globalizada, de forma fria e hipócrita;
Que a catedral da fé, é um shopping Center lotado de lixos que logo serão descartados;
Que a internet eliminou o calor humano e o bom diálogo deixou de ser exercido pelo bom olho no olho ou pela gargalhada gostosa;
Que o medo das ruas enxotou os casais de namorados das praças dos prazeres;
Os momentos são outros e precisamos tomar cuidado para não nos robotizarmos a ponto de ignorar que a vida vazia, mata tão rápido tanto quanto um ataque cardíaco. Porque uma vida vazia é semelhante a uma obra que alguém acha que é arte, está sendo exibida, mas não passa de um método de engodo aplaudido por uma unanimidade que precisa aplaudir para não ficar deslocada. É proibido deixar de aplaudir o efêmero!
“Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”
Manoel de Barros
Grande post, como sempre! [ ]s, buen viaje, ig
A cada post uma aprendizagem…como foi citado o ditado antigo acima, dois ouvidos, dois olhos e uma boca…cada vez ouço mais seus conselhos e podcasts, olho cada vez mais sua fotos, e calo-me e somente me pronuncio nas minhas dúvidas e elogios…não podemos mudar o nosso começo, mas com certeza modificar o final…agradeço mais uma vez a você Clicio por nos transmitir tudo isso…
É mas o que seria do projeto Ficha Limpa se não fossem os sites de relacionamentos, acredito que essas são as ferramentas para nos aproximarmos de tudo o que ocorre no mundo, tanto na política, quanto em qualquer outra área.
Muito interessante o artigo, não há como discordar.
Mas venho em defesa das redes sociais, especialmente do famigerado Flickr. Considero ser uma ferramenta de grande valor pra a troca de experiências, convivência com diversos tipos de trabalhos, profissionais ou não, e de organização de grupos.
Além de ser um ótimo pólo pra a publicação e organização de imagens, servindo como repositório central de conteúdo que pode, e deve, ser compartilhado em outro mídias como blogs, sites e afins.
Abraço!
Sério! Sempre senti isso! Mas arte fotografica no meu inicio(1970) onde fiz meu primeiro Curso Básico de Fotografia, era estar mostrando material para os meus amigos,vizinhos,colegas de Studio,no onibus,na lanchonete…comendo um Xegg! Enfim a proximidade com as pessoas era uma coisa muito “boa” Além de fazer, posteriormente várias exposições fotograficas, era “outro mundo”. Hoje ficar teclando parece coisa de escritor de “boteco”, onde fiz algumas exposições! A verdade que esta cada vez mais dificil estar com nosso material “frente a frente” com as pessoas! Seria o teclado o responsavel? Continuo produzindo imagens, fotografo com a luz, como diziam antepassados… Fazia laboratório P&B durante as madrugadas em SP. pq era mais fresquinha a noite e tbm ñão entrava luz pelo telhado do meu Lab. Enfim fazer fotografia continua sendo legal! Mas essas digitais… Temos que estar sempre digitando! Antes era sentir o cheiro do ácido acético + o fixador. Hj temos que ficar isolados “Teclando”. Continuamos na mesma ARTE!.G.Grecco
Muito bom. Li na revista!
Excelente!!! Não tem o que tirar nem o que acrescentar, esse post foi pro favoritos, vou ler sempre para manter isso fresquinho na mente.
Muito legal este post, lúcido e equilibrado, preciso aprender.
Valeu.
E mais uma vez obrigado.
Carol Boton expressa boa dose de razão sobre o bom uso da internet. Também encaro a internet como ferramenta trivial de trabalho ou arma de ataque ao sistema, seja ele qual for.
E isso me transporta justamente para o projeto Ficha Limpa que ontem os STF resolveu sujar, aliando a cara de dois patifes de dentro do congresso nacional. Me transporta também, para um período em que o povo francês, sempre preocupado com o seu bem estar social – não se acovardando aos ataques da transnacionais via governo -, se reuniu dentro dentro do maior estádio da França para debaterem a carta magna da comunidade européia, cheia de vícios, e que foram identificados por um simples professor, resultando no NO contra as manobras envolvendo a carta.
Ou seja, quando a rede é aproveitada para operar em prol de um conjunto, pelo coletivo humano, considero salutar. O problema bem exposto por Clicio, são as abordagens vazias, chulas, e que resultam numa perda de tempo porque ele não para. Acho inclusive que a vida privada as vezes é exposta de maneira vil na rede, e isto já gerou inúmeros problemas gravíssimos.
O que não é menos triste é sabermos que o calor humano escafedeu-se, o diálogo foi interrompido, a velha discussão de boteco sobre a vida, praticamente acabou nos grandes centros. As crônicas que nossos olhos filmavam ao vivo e a cores, foram substituídas pela informação pasteurizada da TV ou pela internet, uma vez que, os controladores da informação, não permitem que vazem verdades que acontecem nos bastidores do fatos, principalmente quando envolve tubarões oficiais ou ligados ao mercado.
Mas há o outro lado bom da história também, que não devemos menosprezar. Por exemplo: os podcats que desanuviam as mentes com dúvidas; um vazamento mais detalhado que pesquei ontem, envolvendo o ministro Gilmar Mendes do STF, quando este liberou dois políticos patifes através de liminares, arrebentando com a esperança da nação em ver o projeto Ficha Limpa em plena execução; ou na hora de matar a saudade de um parente ou bom amigo lá distante…, e por aí vai.
A questão nevrálgica em pauta que identifico com o advento da rede, é a frieza nas relações. Mas ela também não carrega totalmente o ônus da culpa. Não! A culpa é de quem faz a opção pelo relacionamento internético frio e eqüidistante, fruto provavelmente também, do medo de morre na primeira esquina ou por ter se afogado em inúmeras obrigações estressante. E nesse ponto o psicólogo Marcelo Sodelli, alerta o seguinte: “no lugar de situações de prazer e de condições de lazer, sempre há mais um trabalho a ser desenvolvido, mais uma tarefa a ser cumprida.”
Este mergulhar no buraco negro da inexistência de amigos reais rindo na tua cara, contando a piada de última hora, tem levado milhões a um processo de robotização comportamental, levando as grandes massas acreditarem que esta fórmula veio prá ser instalada e não tem antivírus. Mais: os grandes coordenadores dessas salas virtuais estão monitorando a vida de todos e abastecendo o mercado com informações. Basta verificar o papel que o projeto Echelon da Agência de Segurança Nacional (NSA) coordenado pelo USA e outros países que falam a língua inglesa. E sobre este aspecto, George Orwell via demais da conta.
Sinceramente, não sei como tudo isto terminará. Eu só tenho certeza de que esta na hora de refletirmos o significado do abraço e da palavra escutada no pé da orelha, do texto evacuado por uma mente que se acomodou na a viver em berço esplendido numa vida virtual vazia. A vida é tão curta prá vivermos sentenciados com uma clausura deste tipo…
Bem, hoje é sábado e vou tomar Frangélico das terras Venezuelanas. Um brinde ao riso real. Hasta La vista!
Bravo!!! Me emocionei, belíssimo texto. Bravo!!!
Abs!!!
Fiz uma oficina contigo no Sesc Paulista e desde então acompanho o seu trabalho, tão bom com imagens quanto com textos! Creio que é fruto de muito repertório visual e bibliográfico.
Obrigada por me inspirar.
Ótimo texto, como sempre, porém tenho uma outra visão na parte em que você diz *se sobrar tempo*
Para mim (e para muitos outros) o twitter não é uma rede social, e sim uma rede de informações. Ele é uma ferramenta onde posso saber sobre um concurso fotográfico na minha cidade, ou no Zimbabue. Posso inclusive ter acesso aos links dos seus textos.
Se o assunto é não perder tempo com bobagens na internet, por que eu preciso entrar em todos os sites associações e blogs de fotógrafos todos os dias para me atualizar e ver as agendas e notícias, se eu posso seguir todos eles no twitter e ficar sabendo de tudo em uma única janela?
Twitter e facebook vieram a somar, e não subtrair. Basta saber usar.
Se você acha que o twitter é tempo jogado fora, que só se falam besteiras, assim como numa mesa de bar, é porque essas são as pessoas que você segue.
Diga-me com quem andas, que te direi quem és.
Em tempo…
Puxa-sacos que babam ovo no seu trabalho e insistem pra você avaliar o trabalho tosco deles que você odiou, tem em todo o lugar e em várias profissões. Não é exclusividade de ninguém.
É da consciência de cada um, saber o que falar para essas pessoas, mas achei anti-ético da sua parte comentar isso no seu texto dessa forma perjorativa. Se tá cansado de mestrar, se aposenta.
Elisa,
Sim, o Twitter bem usado é proveitoso.
Por outro lado, eu estava me referindo ao Flickr, onde todos elogiam fotos absolutamente ridiculas, sob qualquer ponto de vista; a grande maioria das pessoas se engana, e quer ser enganado; é bem difícil ouvir a verdade. Quem quer realmente, procura aprender com os erros e aceita as críticas (construtivas) de bom grado.
Seu trabalho, por exemplo: Designer, Multimídia. Bons trabalhos, bom currículo. Fotos bonitas, algumas poéticas, outras nem tanto; pode melhorar? Sim, e é o que todos procuramos, melhorar o nosso trabalho.
Por coincidência, fiz uma graduação no Senac há muito pouco tempo em Design de Multimídia; não havia fotografia. Se eu dependesse da graduação para fotografar profissionalmente, estava perdido…
Em tempo;
Não vou me aposentar.
Mas tem um monte de não-fotógrafos que se acham gênios.
Não são.
Clicio
Clicio,
A “questão da hora” é a que estamos vivendo. Sempre.
O tempo real circulando nessa velocidade da rede é que quebra mitos, possibilita leituras diversas.
Aos que tendem à reclusão, um prato cheio e quentinho chegando do mundo. Esse, ao alcance dos dedos.
Aos distraídos que vão vivendo sem olhar pra trás, uma possibilidade de resgates sem procura, sem necessidades. Isso é o saudável da coisa.
É como a fotografia. Todos fazem, mas poucos sabem por que fazem. Quer se expor, se exponha. Expor seus trabalhos e experiências, exponha.
Até a vida pessoal de algumas pessoas podem ser interessantes, desde que ela não viva só voltada ao espelho.
Bem, o palco do mundo está aí. Cada um que viva ou encene seus atos e dramas como queira.
Só me preocupa os dois pedidos que me fizeram essa semana.
Que eu cedesse, sem soldos, fotos do sistema viário da cidade.
Peralá, ceder?
Um deles, de um veiculo internacional, reclama só terem fotos em baixa resolução em meu blog, que nem é sobre fotografia e sim sobre a cidade.
Elementar, senhor cara de pau.
Acabei vendendo uma imagem, -ele havia pedido umas dez – mas com muita irritação.
O outro, um assessor de um político que queria que eu cedesse uma foto da Zilda Arns, para capa de um livro. Ei, porque eu terei que ser voluntaria nessa? doação ao candidato?
Enfim, a rede está ai. Brinquem, trabalhem, façam a imagem que queiram passar de si por ela.
Mas saibam o que querem.
Clicio, é sempre bom, de um teacher lucido como você, certas considerações.
Há muito abuso e pretensão nesse grande ecrã, como os tugas adoram falar, que virou o mundo.
bj,
Boa Wank Carmo.
Lendo o seu post me lembrei do trabalho do Gilles Lipovetsk com Sebastien Charles no livro Os Tempos Hipermodernos da editora Barcarolla.
Lipovetsk usa o termo “hiper” para se referir aos valores exacerbados criados pela Modernidade, assim o filósofo diz que a sociedade pós-moderna nunca existiu e isso dá muito pano pra manga. Segundo o filósofo da Universidade de Grenoble – polêmico, bem humorado e afiadíssimo – todas as coisas se tornam urgentes com uma velocidade esquizofrênica sendo marcados pelo tempo do efêmero e interferindo diretamente em comportamentos e modos de vida que deve ser remodelado a cada instante. Ok até ai tudo bem, mas o que Lipovetsk tenta a todo o momento é determinar o que tem de positivo e de negativo em tudo isso, rebate visões apocalípticas e diz que as crises sempre foram inerentes ao capitalismo, um sistema flexível, que aceita críticas e sabe se adaptar. Mas porque estou falando tudo isso? Ah sim, o post do Clício. Entendo que o Clício conseguiu muito bem em seu post traçar o caminho mais acertado para quem busca sucesso em seus empreendimentos com a fotografia, diria que o post do Clício é o Modelo 1 (mas existem outros) e de todos os Modelos este é o mais lúcido pois “sei que contra a maré a gente não pode remar”. O Modelo 1 acima – muito bem pensado reitero – é bem disciplinado e portanto muito bem formatado (e formatado de cima para baixo e de baixo para cima também, e ainda horizontalmente tão comum hoje em dia), por isso a impressão que tudo se repete, tudo se plagia, nada se contesta verdadeiramente porque até para mostra seu trabalho você precisa se formatar como dizem que tem que ser… só que com a dessacralização do mundo e a perda de sentido das instituições – o que pode trazer maior liberdade individual – procuramos –TODOS – de alguma forma um denominador comum, a busca da totalidade jamais alcançada – mesmo que inconscientemente.
Mesmo sabendo isso sinto que o Modelo 1 que me parece acertado, mas não me interessa pois neste oceano que navegamos existem muitas “correntes marítimas” e a minha canoa não vai – mas já foi e sei por experiência própria que não curti – de encontro nem as “galerias” (onde tenho bons amigos mas…) que estão ai e nem ao “denuncismo” da mídia seja ela qual for (sempre puxando a brasa para sua sardinha), e falo isso porque deve ter mais gente neste barco e em outros que eu mal vislumbro. No meu caso – e falo somente de minha experiência, – faltou exatamente isso que você diz: parceiros entre esta turma toda que coloquem o humano acima da escala técnico – cientifica, a coletividade acima do individualismo, a realização de nossos sonhos acima do sonho do mercado que se resume no consumo pelo consumo, a arte pela arte, o brilho pessoal pelo brilho pessoal, as “panelas” voltadas para suas próprias tampas.
A situação dos nossos tempos é de um paradoxo maluco, de um lado o discurso pela moderação de outro a cultura dos excessos; valoriza-se a saúde, mas ninguém quer largar o carro em casa; as mesmas corporações que investem em projetos ecológicos são as que mais poluem, vejam a turma do petróleo; busca-se o “equilíbrio” em meio a toda sorte de interferências cirúrgicas; o retorno da moral e das religiões orientais sendo definidas por inúmeras seitas e “pastores” e “gurus” picaretas; a “republica dos bons sentimentos” aliada a corrupção em entidades ligadas a ONU que vendem cursinhos de respiração prometendo felicidade e vida eterna; a tolerância sendo exercida ao lado de uma competição ferrenha; o Itaucultural pedindo foto de graça para sua revista e negando crédito a quem precisa; ONGs de canalhas muito bem vestidos e poliglotas com seus “projetos muito bem escritos” fazendo o “bem” e se dando muito bem em proveito próprio, etc e tal.
Segundo Lipovetsk quanto mais avançam as condutas responsáveis –politicamente correto, ai ai ai – mais aumenta a irresponsabilidade, os indivíduos hipermodernos são mais informados ao mesmo tempo que mais desestruturados, mais (sic) adultos e mais instáveis, menos ideológicos e mais tributários da moda, mais abertos e muito mais influenciáveis, mais críticos e muito mais superficiais, mais céticos e menos profundos. A vontade de poder é enorme.
Dizem e tem muita gente que acredita que somos mais tudo, e quem sabe até mais humildes que as estrelas, as árvores e as coisas que nada podem fazer para se protegerem de nossos discursos “bem fundamentados”, nossas ações “politicamente corretas” e nossas imagens maravilhosas e impotentes diante da complexidade de nossa relação com o mundo que não mudou em nada desde que desenvolvemos um telencéfalo.
“A vida é tão curta prá vivermos sentenciados com uma clausura deste tipo…”.
Hoje é domingo e volto para o “meu” quilombo = resistência, que não para de se diversificar…
E seguimos, confiantes em nossos sonhos, dentre estes acabar com a miséria extrema, (www.umtetoparameupais.org.br) só para começar…
Obrigado, mais uma vez, pela possibilidade de diálogo e a divulgação do site acima que considero importante para todos.
*denunciem este post se passou dos limites da boa compreensão.
A questão de estar na internet, seja através do flickr, de um blog ou mesmo um site profissional sempre trará a possibilidade de uso indevido da imagem como mencionou e de muita chateação… e ficar fora de tudo isso e se isolar de um mundo de possibilidades onde tudo parece cada vez mais virtual e consequentemente estar fora do alcance de possíveis clientes, da exposição do trabalho… É uma decisão que cabe a cada um de nós… e acho que a grande questão é como gerenciar isso de uma forma positiva e benéfica.
Eu mesmo não queria fazer parte do twitter e acabei fazendo pela ferramenta como fonte de informação e facilidade de busca… mas que há um mundo de besteiras lá tb, assim como há em qualquer lugar, seja virtual ou não, não há dúvidas….basta cada um julgar o que fazer com o seu tempo.
Uso o flickr como forma de expor minhas fotos, porém cada vez mais me questiono se vale a pena o trabalho de estar lá pelo benefício dessa exposição… tenho diminuido bastante o ritmo por lá e pensado em formas de fazer algo mais construtivo…. por isso seu texto mais uma vez caiu como uma luva… vc faz pensar e repensar o que é sempre muito positivo.
Abraços e parabéns
Putz! Wank é massa, quero casar com ele. (risos)
Muito relevante essa temática.
Legal! Meu coração apesar de notoriamente mundano – abro um espaço para citar uma frase do Claudio Edinger, quando disse numa oficina que o “35mm é mundano” – , de vez em quando permite-me que busque aconchegos especiais, mas, sob céus de estrelas… Hahaha Me lembrei de “Chão de Estrelas” com Nelson Gonçalves que merece um trago caprichado em sua homenagem.
Olha a internet sendo usada para expressar pensamentos e sentimentos sadios, aí gente. Tenho certeza que é disso que Clicio Barrroso Filho estoca com propriedade.
Detecto uma injustiça com aqueles que carregam no peito, coração de carne, músculos e artéria em vez de gelo: a distância. Ela é muito injusta! Se este país fosse menor, ou, tivéssemos ferrovias com trens balas, provavelmente gargalharíamos um na cara do outro a preços módicos, com mais frequência. Exemplo: estou envergonhadíssimo porque tive dois trabalhos publicados em duas edições na revista S/N editada por Bob Wolfensone Hélio Haras. Recebi dois convites para o coquetel de lançamento e não pude ir por causa da distância, trabalho e os preços das passagens, porque adoro comprar tudo à vista. Daqui prá Sampa, vai uma grana.
Bem, aí entra de novo, o uso racional e inteligente da internet, e isso foi muito bem colocado por várias pessoas neste oportuno e inteligente post. Aliás, o Clicio é um marqueteiro de mão cheia; o camarada sabe vender-se positivamente, e muito bem. Eu uso um português claro, sem dar voltas; não sou falso! Portanto, é interessante neste ponto estar dentro da rede porque você aprende com ele e com os demais que participam do assunto. Há um aprendizado bom por aqui. E Isso é ótimo. Não há babaquice em participar de um bate papo sadio, instrutivo na rede.
Acredito que já tenhamos falado quase tudo – porque sempre aparecerá uma opinião inteligente para oxigenar as idéias. Mas me lembrei do flick. Nem sei se escrevi direito. Sobre o flick, o flick, o flick, posso dizer que, quem não conhecia meu trabalho ficou conhecendo a partir de uma exibição na página principal do Paraty em Foco, e isto foi articulado pelo Clicio. Assim como também foi exibido no Paraty, no grupo Fototech, um grupo super organizado, e está me faltando tempo para dar atenção e vivenciar este movimento positivo. Mas voltando ao flick, não vejo retorno econômico na exibição de um trabalho por lá. Sabe? Quem irá comprar uma fotografia que esteja no flick? Se alguém puder me explicar ou contar um causo ou caso, agradeço. Eu tenho umas imagens por lá, mas não penso em ficar rico postando minha imagens nesta calmaria internética. Eu sei que não é por ali que se vende as coisas. Nem vou falar sobre as abobrinhas porque acabaria ofendendo e este não é meu objetivo. Até porque, os “cliqueiros” não são políticos e com certeza são bem sadios de cuca, coisa que não acontece com políticos venais.
Agora vamos ao facebook… Ééééé´… O face é bom porque você lê e escreve para pessoas que você gosta, ama, admira de verdade e respeita. Exemplo: o casal dinâmico do Lost Art, Imã de Egberto, Claudio, Neco, Versiani, Adenor, Ana, etc. São pessoas com uma bagagem intelectual fenomenal e que não podemos deixar de estudar. Isso é aula de vida. Mas será um lugar ideal para se conversar? Acho que não. É diferente de ouvir o colega antigão na fotografia sentado na mesa da orgia te contando o último caso que ele cobriu; ou a puta dica rascunhada num guardanapo do buteco.
Guardanapo me fez lembra de Claus Meyer que ministrou uma oficina sobre como fotografar animais com flash menores, tipo quantum. Um dos melhores fotógrafos de natureza que já vi na minha vida. E eu não podia fazer a oficina dele, porque já havia me comprometido em fazer a do Miguel Chikaoka – tudo isso lá na I Bienal de Fotografia em Curitiba, organizada por Orlando Azevedo, um encontro monumental, com direito a Salgado, etc. Lá pelas tantas, entro para ver uma instalação fotográfica do Miguel Rio Branco e quando saio, vejo aquele braço me dando um sinal. Era Claus. Sentei-me e começamos falar de Amazônia. Papo vem, papo vai, ele me fala da sua oficina, e lá pelas tantas, pega um guardanapo e monta uma planta baixa de luz que ele costumeiramente usava para fotografar animais recolhidos em áreas inundadas por hidroelétricas como balbina no amazonas. Saímos, e fomos com a esposa de Luis Garrido fotografar alguns pontos interessantes de Curitiba.
Esse encontro é que verdadeiramente marca a vida das pessoas. No caso de Claus, sou puto com ele até hoje, porque partiu sem nos pedir autorização. Está sentado numa rodada de fotógrafos de várias vertentes, em alguma nuvem cibernética e abismado com o que andam fazendo com o planeta que tanto amava. Paro por aqui…
Grande abraço para Ana e demais que por aqui passaram e não sentiram que perderam tempo.
A auto critica é algo muito difícil, porém extremamente necessária…
Já vi muita gente genial fazendo coisas muito boas e tento vergonha de mostrar, já outras que precisaria de “cimancol”!
Até pra auto critica é preciso parâmetros, referências…
Tanto do ponte de vista comercial quanto artístico nunca sabemos quando ou se vamos agradar….Mas se falando em arte ..Devemos agradar alguém? Ou nos expressar?
Comercialmente acho que uma possibilidade é ver o que o cliente deseja , mas aí também onde fica a criatividade?
É muito difícil!!!!Acho que só o amor pelo que se faz é que move ainda continuar fazendo, seja bem feito ou não escondido ou querendo aparecer.Bom! Pelo menos eu penso assim, que não sou grande coisa mas amo fotografar, pretendendo “vender” porque o brinquedo é muito caro pra mim…
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