por clicio em 7 de agosto, 2010
Nan Goldin na Bienal SP 2010
Fui generosamente presenteado por um aluno com um bom vídeo da Nan Goldin, fotógrafa a quem admiro bastante, e aproveitei a oportunidade para compartilhar com todos, pois sua visão e filosofia são bem singulares; o vídeo está logo abaixo.
Breve biografia extraída do site da Fundação Serralves, de Portugal.
Nan Goldin é atualmente uma das fotógrafas contemporâneas mais conhecidas mundialmente. O trabalho parte da sua experiência pessoal. Fotografias que revelam sem tabus as suas amizades e amores assim como a sua solidão e fragilidade. Imagens extremamente pessoais que refletem grande força emocional e visual.
Nan Goldin nasceu em Washington, 1953. É a mais nova de quatro irmãos de uma familia judia de classe média alta em Boston, Massachusetts. Em 1968 um professor da escola e que estudava, Satya Community School, lhe introduziu a câmera fotográfica; Goldin tinha quinze anos de idade. Com o suicídio da sua irmã mais velha, sai de casa dos pais e fixa-se em Boston.
Até aos seus dezoito anos, Nan Goldin usou a fotografia como um diário, retratando a sua própria vida, assim como a vida do seu grupo de amigos e amantes que partilharam com a artista as suas experiências: “Não escolho as pessoas propositadamente para as fotografar; tiro fotos directamente da minha própria vida. Estas fotografias aparecem como relações pessoais, não como uma observação”.
A máquina fotográfica é considerada por Nan Goldin como uma extensão do seu próprio braço, sendo igualmente a prova de que existe uma total continuidade entre o seu projeto artístico e a sua própria vida. As suas imagens, desde os primeiros retratos em preto e branco, até as fotografias a cores tiradas na intimidade com os seus amigos, reproduzem um profundo olhar sobre a vida irregular e apaixonada de quem escolheu uma existência fora das regras. Excessos de álcool, droga, amor e sexo, mas também imagens de uma grande intimidade doméstica, são objetos constantes no imaginário de Goldin.
Sua primeira mostra solo, realizada em Boston em 1973, foi baseada em suas jornadas fotográficas através das comunidades gays e transexuais da cidade, já que havia sido introduzida neste meio pelo amigo David Armstrong; na exposição trabalhou com impressões do processo de Cibachrome.
Permaneceu em Boston durante quase toda a década de 70, onde graduou-se na School of the Museum of Fine Arts, Boston/Tufts University em 1977/1978. Depois de se formar, Goldin mudou-se para Nova York. Começou então a documentar o cenário new-wave pós-punk, simultaneamente à subcultura gay no final da década de 1970 e começo da década de 1980.
A reputação de Nan Goldin cresce essencialmente com a obra “The Ballad of Sexual Dependency”, a qual tinha sido exposta no Arsenal Cinema, em 1984, no Berlin Film Festival, em 1986, e que foi publicada em livro neste mesmo ano (obra esta que já nos anos setenta tinha sido exposta como um diaporama de 100 slides). “The Ballad” é uma história que demonstra a grande força dos laços íntimos que unem os seres humanos para além da morte. O fato do vírus da aids ter infectado muitos dos anti-heróis que protagonizam as suas imagens, nesta obra, acentuou ainda mais a ideia de que estes protagonistas são seres sem esperança de salvação, sentimento esse recorrente no seu percurso artístico.
Diz a própria Goldin sobre “The Ballad” : “Não é sobre o underground nova-iorquino nem sobre viciados e prostitutas”, afirma a fotógrafa. “É sobre relacionamentos entre homens e mulheres, e por que são tão difíceis.”
Nan Goldin é uma das convidadas para a Bienal de São Paulo 2010, e estou ansioso para ver o seu trabalho de perto!
Veja uma boa entrevista (em inglês) com Goldin em: http://fototapeta.art.pl/2003/ngie.php
Veja a matéria da Folha sobre Nan Goldin na Bienal SP 2010 clicando aqui.







7 Comentários
Oi Clicio,
Achei que faltou algumas informações sobre video que vc postou e queria apenas acrescentar umas, pois vale apena conferir todos da coleção.
Esse video faz parte de uma série de TV produzida pela ARTE à partir de uma idéia de William Klein.
” CONTACTS is a collection of films about contemporary photography. Each film traces the development of an individual photographer.
With the help of the programme director, the photographer puts together a retrospective, selecting images from his or her contact sheets, proof prints and end-prints to show how his or her work has changed in character and meaning over the years.
Photographers use contact sheets and proofs of various kinds as an aid to memory or a log-book.
Exploring these visual jottings provides us with an invaluable insight into their working methods.
Vol. 1 : LA GRANDE TRADITION DU PHOTO-REPORTAGE
William Klein,
Henri Cartier-Bresson,
Raymond Depardon,
Josef Koudelka,
Edouard Boubat,
Elliott Erwitt,
Marc Riboud,
Helmut Newton,
Don McCullin,
Léonard Freed,
Mario Giacomelli
Vol. 2 : LE RENOUVEAU DE LA PHOTOGRAPHIE CONTEMPORAINE
Sophie Calle,
Nan Goldin,
Duane Michals,
Sarah Moon,
Nobuyoshi Araki,
Hiroshi Sugimoto,
Andreas Gursky,
Thomas Ruff,
Jeff Wall,
Lewis Baltz,
Jean-Marc Bustamante
Vol. 3 : LA PHOTOGRAPHIE CONCEPTUELLE
John Baldessari,
Bernd et Hilla Becher,
Chistian Boltanski,
Alain Fleischer,
John Hilliard,
Roni Horn,
Martin Parr,
Georges Rousse,
Thomas Struth,
Wolfgang Tillmans ” (arte.tv)
abraços
Caraca, você não para, teu blog tá bombando sempre com novos textos, notícias, questionamentos, perguntas e respostas.
Maneiro, fico contente que você tenha mudado p/dentro do teu próprio domínio
Grande abraço
aliás
360 abraços
AYRTON
Vinicius,
Obrigado, a série é fantástica, vale MUITO a pena!
Abração,
Soberbo!
Gostei muito dessa matéria. Obrigada!
ótima notícia. vai ser muito bom poder ver o trabalho dela na bienal. tenho os dvds da série contacts, valem muito a pena. a parte com o william klein é um clássico.
Impressionante ver que inúmeros artistas misturam sua vida e sua obra…
qto mais estudo, mais convicta fico, que a ARTE é a extensão da vida do artista, é como se ele respirasse ou transpirasse seu próprio trabalho…
quero ir à Bienal…
beijo
Cacá
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