© Nan Goldin

Fui generosamente presenteado por um aluno com um bom vídeo da Nan Goldin, fotógrafa a quem admiro bastante, e aproveitei a oportunidade para compartilhar com todos, pois sua visão e filosofia são bem singulares; o vídeo está logo abaixo.

Breve biografia extraída do site da Fundação Serralves, de Portugal.

Nan Goldin é atualmente uma das fotógrafas contemporâneas mais conhecidas mundialmente. O trabalho parte da sua experiência pessoal. Fotografias que revelam sem tabus as suas amizades e amores assim como a sua solidão e fragilidade. Imagens extremamente pessoais que refletem grande força emocional e visual.
Nan Goldin nasceu em Washington, 1953. É a mais nova de quatro irmãos de uma familia judia de classe média alta em Boston, Massachusetts. Em 1968 um professor da escola e que estudava, Satya Community School, lhe introduziu a câmera fotográfica; Goldin tinha quinze anos de idade. Com o suicídio da sua irmã mais velha, sai de casa dos pais e fixa-se em Boston.
Até aos seus dezoito anos, Nan Goldin usou a fotografia como um diário, retratando a sua própria vida, assim como a vida do seu grupo de amigos e amantes que partilharam com a artista as suas experiências: “Não escolho as pessoas propositadamente para as fotografar; tiro fotos directamente da minha própria vida. Estas fotografias aparecem como relações pessoais, não como uma observação”.
A máquina fotográfica é considerada por Nan Goldin como uma extensão do seu próprio braço, sendo igualmente a prova de que existe uma total continuidade entre o seu projeto artístico e a sua própria vida. As suas imagens, desde os primeiros retratos em preto e branco, até as fotografias a cores tiradas na intimidade com os seus amigos, reproduzem um profundo olhar sobre a vida irregular e apaixonada de quem escolheu uma existência fora das regras. Excessos de álcool, droga, amor e sexo, mas também imagens de uma grande intimidade doméstica, são objetos constantes no imaginário de Goldin.
Sua primeira mostra solo, realizada em Boston em 1973, foi baseada em suas jornadas fotográficas através das comunidades gays e transexuais da cidade, já que havia sido introduzida neste meio pelo amigo David Armstrong; na exposição trabalhou com impressões do processo de Cibachrome.

Fotograma do vídeo - © Nan Goldin

Permaneceu em Boston durante quase toda a década de 70, onde graduou-se na School of the Museum of Fine Arts, Boston/Tufts University em 1977/1978. Depois de se formar, Goldin mudou-se para Nova York. Começou então a documentar o cenário new-wave pós-punk, simultaneamente à subcultura gay no final da década de 1970 e começo da década de 1980.
A reputação de Nan Goldin cresce essencialmente com a obra “The Ballad of Sexual Dependency”, a qual tinha sido exposta no Arsenal Cinema, em 1984, no Berlin Film Festival, em 1986, e que foi publicada em livro neste mesmo ano (obra esta que já nos anos setenta tinha sido exposta como um diaporama de 100 slides). “The Ballad” é uma história que demonstra a grande força dos laços íntimos que unem os seres humanos para além da morte. O fato do vírus da aids ter infectado muitos dos anti-heróis que protagonizam as suas imagens, nesta obra, acentuou ainda mais a ideia de que estes protagonistas são seres sem esperança de salvação, sentimento esse recorrente no seu percurso artístico.

© Nan Goldin

Diz a própria Goldin sobre “The Ballad” : “Não é sobre o underground nova-iorquino nem sobre viciados e prostitutas”, afirma a fotógrafa. “É sobre relacionamentos entre homens e mulheres, e por que são tão difíceis.”

Nan Goldin é uma das convidadas para a Bienal de São Paulo 2010, e estou ansioso para ver o seu trabalho de perto!

Veja uma boa entrevista (em inglês) com Goldin em: http://fototapeta.art.pl/2003/ngie.php

Veja a matéria da Folha sobre Nan Goldin na Bienal SP 2010 clicando aqui.