por clicio em 28 de maio, 2010
Luz de Luna

©2010 Clicio Barroso
Nada, nada pode ser mais romântico que a fria luz da lua cheia nascendo…
A não ser quando é a única luz de que se dispõe para realizar um evento com mais de 100 pessoas que depende de microfones, projetores, Internet e telefones.
Nesse caso, o romantismo acaba e a preocupação evolui rapidamente para uma situação-limite; há quem se estresse, há quem tente resolver, há quem tire de letra, rindo da situação.
Mas vamos aos fatos.
Hoje o dia começou bombando com os GTs 1 (Políticas Públicas para Fomento, Pesquisa e Difusão da fotografia) e GT2 (Meios de Difusão e Canais de Comunicação); Claudi Carreras, no GT2, deu um show em sua apresentação “Laberinto de Miradas” e o grupo, coordenado por Eder Chiodetto, apresentou inúmeras soluções práticas, idéias inovadoras (que tal “Crematório da Fotografia”, onde o mote é “saca (o cheque) ou queima!”?), e produziu uma quantidade razoável de material de excelente conteúdo, providencialmente registrado em ata pelo Alexandre Belém; enquanto isso, simultâneamente, Carlos Carvalho coordenava o GT2, com a presença de Ricardo Resende (Funarte), Micaela Neiva e Juliana Nolasco (MinC).
Infelizmente não pude acompanhar o GT1 pois fui moderador no GT2.
Na parte da tarde, dois GTs pesados; o GT3 (Ensino da Fotografia) e GT4 (Relações Internacionais); o de ensino começou emocionante, com a palestra de João Luiz Musa deixando muitos dos presentes perplexos; porém o tempo foi curto para tantos tópicos a serem discutidos.
Já no de Relações Internacionais, capitaneado pelo Iatã Cannabrava, tendo na mesa Jully Fernandes e como convidado Joaquim Paiva, as possibilidades de multiplicação dos meios de conexão entre as redes internacionais, e o apoio possível do Itamaraty e das embaixadas no caso das exposições, foram amplamente discutidos, gerando um interessante panorama da integração plurimultinacional.
E então a luz se apagou.
Um transformador mal comportado deixou uma parte de Brasília em meia-fase, incluindo o Centro de Convenções Israel Pinheiro; era hora de um prolongado coffee-break, com a produção aflita, tentando alternativas viáveis para que a conversa com Helouise Costa não fosse adiada.
Quando a longa (mas paciente) espera já se transformava em frustração, a coordenação do evento corretamente decidiu que a palestra ocorreria, mesmo em meia fase…
Com o auditório lotado, Helouise nos brindou com uma brilhante apresentação que envolveu o MOMA de NY, o MAM, o MAC, o Fotocineclube Bandeirantes e muitos fotógrafos geniais dos anos 50, 60, 70 e 80; uma palestra memorável!
Enquanto a galera foi para uma merecida balada, eu e mais alguns voltamos ao hotel, viajando por uma Brasília iluminada, e com a certeza dos excelentes resultados dos encontros de hoje.

Brasília, cidade-luz? | © 2010 Clicio Barroso
De tudo o que vi hoje, uma pergunta não me sai da cabeça; Fotografia se aprende na Academia?
Vou dormir pensando no assunto…




26 Comentários
Eu acho que sim. Mas acho que na academia se ensina principalmente o que é a imagem e como ela faz parte de uma cultura visual presente no cotidiano de quem estuda.
É…
Mas e se o fulano chega na academia analfabeto visual; o fazer não é importante?
E se o analfabeto não sabe fazer, como entender?
Imagem como cultura visual do cotidiano não pode ser apenas para quem estuda…
Fotografia se aprende em todo lugar! Aprendí muito hoje. E posso garantir, o GT1 – Políticas Públicas foi excelente. O trio Micaela, Juliana e Ricardo é impressionante. As meninas do MinC aliam jovialidade com um profissionalismo e competência incrível. Como se não bastasse, ainda tem a beleza de ambas. Sobre o Ricardo, que bom ter no Centro de Artes Visuais da Funarte, um parceiro tão dedicado! Da platéia saíram ótimas idéias. E os novos caminhos vão sendo traçados. Amanhã será outro grande dia. Abraços,
Sim Clicio. Por isso acho legal a proposta de algumas faculdades, incluso a que eu trabalho, que é de ter um curso de fotografia e imagem, em que se ensina os dois! Mas concordo com o Guto e agora entendo sua colocação. abs!
Clicio,
Acompanho atento os desdobramentos do encontro em Brasília. Acho que sairão resultantes iluminadas dos GT’s. Sobre sua pergunta, acho que as pessoas aprendem, mas a rigor, ninguém ensina.
É paradoxo isso vir justamente de um acadêmico e pesquisador, que, não pode ir a Brasília por justamente estar envolvido na agenda da Universidade.
Mas, tentando responder, existem várias formas de se aprender. Assim como existem várias formas de se fotografar. Ainda bem que a fotografia é multipla. Tem foto de moda, jornalismo, publicidade, científica, documentação, e por ai vai. É meio como a medicina, que tem oftalmo, dermatologista, cardio, neuro, etc.
Pergunta pra um médico se eles concebem a área deles sem o tripé: prática, pesquisa e ensino?
Penso o mesmo da fotografia. Ela pode gerar subjetividade, prazer estético, mobilizar, comover, revoltar. Pode sustentar gente, gerar memória, conhecimento.
Fotografia se aprende. E um desses lugares é na academia, sim.
Retomando o ponto, a academia pode gerar conhecimento através e a partir da fotografia. Lembrando sempre que, como qualquer relação de aprendizado, na outra ponta do processo, tem o ensino. Que não é fácil, você sabe disso, é demorado e caro.
Mas, pior que tudo é que a alternativa fácil, rápida e barata existe. Ela se chama ignorância.
Nunca acreditei nem caí na tentação de separar teoria da prática. Mas, aos poucos aprendi que é possível teorizar a prática e praticar a teoria. Isso vale tanto para quem olha a academia com receio, e para os que olham a prática com preconceito. Existe cavalgadura e genialidade tanto no fazer como no pensar. Estar num ou noutro lugar não garante, nem condena nada.
Quem sabe assim, um dia, a gente possa conceber a fotografia como uma área de conhecimento reconhecida socialmente e de onde saia uma forma de se entender, interpretar, e dar retorno ao mundo.
Nunca ouvi falar na existência de cirurgião amador. Oxalá, um dia, consigamos ter essa clareza para a nossa profissão e, no caso, um pesquisador ou professor de fotografia não seja visto como um corpo estranho pela classe de fotógrafos, e nem os fotógrafos sejam vistos apenas como operadores, apertadores de botão.
Valeu a provocação!
Abraços e bom encontro.
PS. Para quem quer se aprofundar como se ensina e se aprende fotografia, vale conferir o livro: Teaching Photography: tools for imaging educator, do Glenn Rand e Ricard Zaika. Tem na amazon.
Cf. > http://www.amazon.com/Teaching-Photography-Imaging-Educator-ebook/dp/B000QCQTVQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&m=AGFP5ZROMRZFO&s=digital-text&qid=1275103561&sr=8-1
É… parece que vamos travar a mesma luta dos pintores. Sou autodidata, aprendi o pouco que sei na marra (rsrs). Hoje mesmo ví um monte de fotografias que poderia ter feito, mais estava sem minha câmera na mão (rsrs) e assim vai…
Muito bom, Afonso! É exatamente nesse sentido que penso.
Discussão antiga e quase ultrapassada. Mas como vivemos no eterno retorno. Lembro de quando estava na Faculdade de Jornalismo (entre 1972 2 75) e já havia está questão. É claro que ser aprende na academia. Sempre aprendemos. Depois de 35 anos de fotojornalismo, fotodocumentarismo, organização de eventos de fotografia e arte, muita agitação e produção cultural, gestão cultural como secretário de cultura… Fiz um mestrado entre 20069 e foi muito esclarecedor, foi muito conhecimento novo, afundei na semiótica, na análise de discurso, para entender melhor a fotografia. Agora não é fácil. a leitura circular da fotografia realmente não é fácil, para nós acostumados com a leitura linear do texto verbal. A academia pode instrumentalizar as premissas. É lá que se encontram os instrumentos para os referenciais teóricos e o ideal é que a prática esteja submetida e\ou relacionada a estas referencias.
Que bom se todo fotógrafo pudesse ter passado pela academia. Ainda é tempo.
Reflexões matutinas, vendo o amanhecer no planalto central.
O capítulo IMAGENS TÉCNICAS de Vilem Flusser, no livro FILOSOFIA DA CAIXA PRETA é esclarecedor.
Madrugando hein! CLICIO. Viva o sol e viva a nossa REDE!
Uma sugesta matinal: que tal uma logomarca mais compreensível. Temos os profissionais que podem nos ajudar nesta questão. Posso ver isso em Curitiba a partir do início de julho quando voltar de meu périplo sertanejo.
Parabéns Clicio e Iatâ! O evento superou as espectativas. Mesmo com o problema da queda de energia e os transtornos dos microfones sem funcionar direito, não tirou o brilho da palestra de Helouise Costa com auditório lotado. A fotografia a partir desse encontro viverá um grande momento. Valeu galera!!!
A relação ensino e fotografia é muito ampla. Isso foi confirmado na reunião do GT3. Era muita coisa a ser discutida. Existem muitos ambientes e realidades diferentes e específicas. Mas o importante é que começamos essa discussão. A articulação numa rede de colaboração já é realidade, temos agora que dar continuidade, não deixar a peteca cair.
Penso que o aprendizado da imagem deve estar presente em todos os momentos, dos primeiros contatos com a escola até a pós. Todos nós estamos o tempo todo nos relacionando com as imagens. Elas estão diretamente ligadas ao nosso conhecimento de mundo, às nossas fantasias, à nossa construção como indivíduos, ao nosso pensamento.
O equilíbrio entre prática e teoria deve nortear o caminho. Não devemos polarizar. Por exemplo, cursos livres, técnicos ou universitários não devem ser “concorrentes”. Um não pode excluir o outro. Nem devem ser pensados ou tratados como iguais. Cada um possui especificidades na forma de trabalhar, nos objetivos, nas estruturas.
Tenho certeza que isso está apenas começando. Devemos insistir na continuidade do debate e na promoção de um fórum para ampliar a troca de experiências.
Fotografia se aprende em todo lugar e se aperfeiçoa na academia, mas devemos lembrar que se deve estar “poroso” (plagiando uma amiga querida) ou seja estar aperto ao que se houve nos bancos acade micos. Deve se discutir para absorver e não simplesmente aceitar. Na arte da fotografia tudo se defende, tudo se critica, por isso há espaço para tantos. Liberdade para gostar do que quiser.
Secesso a todos envolvidos e aqui ficamos com o desejo de estar juntos com vocês – mesmo com apagão. Abs
Opinião de quem está começando… Acho que sim. Acredito que tudo que nossos sentidos interagem é inspiração. A academia, um curso, um comentário, um tweet, tudo pode levar a reflexão. Cabe ao leitor interpretar e correr atrás, se aprofundar. Acho que é este o papel do ensino – fomentar… Uma espécie de “Sociedade dos Fotógrafos Mortos”, provocativa. Acabo de concluir um curso de fotografia e de tudo que aprendi o que mais agradeço é o fomento pelo saber fotográfico que ganhei. Embora meu tempo e horários me impeçam de realizar muitas coisas que gostaria como aproveitar horários para fotografar e visitar exposições e museus eu procuro ler e ver fotografia diariamente. Um dia espero chegar lá!
Parabéns pelo post, como sempre!
[]‘s
André
@lhamadomal
“Fotografia se aprende na Academia?”
Sim é Não.
Como você sabe, provenho da Arquitetura. Caso transladássemos a pergunta para “Arquitetura se aprende na Academia?”, qual seria a resposta? Tavez fosse mais fácil, abordando por um ângulo enganoso, dizer sim em face das responsabilidades técnicas envolvidas, mas na verdade se estaria respondendo a coisa sem foco no que é a Arquitetura mesmo como fenômeno.
Contudo, sim, a resposta é sim. Para aquele que quer aprender, a academia é um caminho facilitador.
Porém, verifico após tanto tempo de formado que embora todos os meus colegas tenham adquirido capacidade para praticar a arquitetura-serviço, poucos adquiriram a capacidade de praticarem Arquitetura com A maiúsculo. Ou seja, o caminho normal pode ser ensinado, mas o caminho maior só pode ser aprendido -aqui significando aprendido como um esforço do indivíduo de superar o normal e almejar algo além, esse algo uma espécie de mito do seu campo de atuação.
Meu filho cursa Desenho Industrial em uma excelente faculdade (a melhor do Brasil). Então, posso ter uma observação renovada sobre a relação dentre a academia e o desenvolvimento da pessoa. E observo cotidianamente, que um dos principais vetores para a qualidade da dita faculdade é ela mente a conexão permanente entre a prática e o mito da profissão de designer. Vejo sempre essa conexão, e é essa conexão aquilo a acender o desejo no estudante de relacionar-se e buscar uma prática futura em direção ao mito. E é esse desejo estimulado e desenvolvido aquilo que faz a pessoa aprender.
Aprender aqui está sendo escrito como um ato diferente de apenas receber aquilo ensinado, mas como um ato ativo, no qual o estudante vai em busca do mito, do mito da profissão e do seu mito pessoal. Aprender é uma determinação de um desejo que se fez focado em um assunto.
Nenhuma academia pode garantir o desejo de aprender, mas as boas academias são facilitadoras tanto do aprendizado normal quanto estimulam o motivam o crescimento desse desejo-motor.
Esse desejo motor, como todo desejo-motor, é resultado de um empréstimo emocional a algo. Não basta a academia para isso, é preciso mais, é preciso vir de antes, é preciso haver a semente.
Mas devemos colocar as coisas de maneira simples: em um processo social não dependente (ou menos dependente) do acaso, qual o método de formar pessoas?
Resposta: A academia.
Não é o único método, mas é o único método sistemático.
Olá Pessoal, como sempre as discussões que encontro aqui são muito boas. Eu concordo com todos e queria compartilhar uma opinião minha de que quem faz a instituição é o aluno. De nada adianta termos bom material e bons mestres se os alunos tiverem comportamento medíocre.
Tenho visto muitos colegas meus começando a fotografar sem base teórica nenhuma e os que a tiveram fazendo pouco uso da mesma.
Acredito muito que nossa academia não é apenas a instituição da qual fizemos ou fazemos parte e sim o que trouxemos dela para o dia a dia.
Abraços.
Claro que se aprende na academia.
A academia quando boa é o processo, por oficial, que mais acelera o aprendizado. Ou seja, se a pessoa tem discernimento e sensibilidade, irá em busca de um aprendizado, na maioria das vezes queimando etapas, no processo autodidatico, e demorando uma vida para aprender.
Ser autodidata, assim como ser acadêmico, é nunca sentir-se formado. O problema é sair da faculdade e sentir-se formado.
A diferença, pra quem tem real interesse, é o tempo.
É pegar um mapa ou seguir o instinto.
Os dois te levarão adiante. Um pela lógica, outro pelo talento e acaso.
É uma questão de opção ou…sorte.
Como sorte, dizem, é para amador, vamos ralar!
Estudar muito além do google.
Termos referencias para não acharmos que descobrimos a roda ou não fazermos bobagens, é bom senso.
Mas temos que esquecer tudo isso e seguirmos nossa coisa.
O Niemeyer quando perguntado o que diria aos jovens que começam ele disse “leiam filosofia e poesia, meus jovens arquitetos”. Pois é. Fotografia se faz sem câmera, se temos subsidios na bagagem para processá-la como imágem.
Já sem bagagem e com camera – celulares e tais – , não se faz fotografia, sim registro.
Estudar é preciso! seja na academia ou na bibliografia e vivência.
Eu acho.
Bom, estou aqui com aluna, e lendo as mensagens.
Confesso que assunto é muito novo, e como não estou muito por dentro do tema, leio , e fico meia perdida. Principalmente sobre GTs 1, 2 3 ,4. Só para esclarecer, esse evento em Brasilia, foi para tratar o que ??? o que vcs estão buscando como melhoria ??? desculpe , quero fazer parte do assunto.
nossa Clicio ….essas quedas de energia são um transtorno msm ..lembra do seu work de ligthroom aqui em maringá nossa nem sei como conseguiu chegar ao fim do curso …..rsrsrs…..
agora esse assunto de se Fotografia se aprende na Academia?
na minha opnião acho que sim se aprende tecnicas metodos truques , mais o amor pela fotografia é que diferencia a pessoa que fotografa por que acha bonito,legal ou apenas um negócio de quem fotografa com amor procurando a imagem perfeita .
Interessante, a luz que queima nossas retinas em um processo fotográfico e nos expoêm o cotidiano, como o exploramos segundo nossas psicossomas e um processo cultural. Cultura é comportamental e a fotografia está para onde apontamos nossos olhos, a academia pode ser refino algo como ter uvas e fazer um belo vinho…
E por que não na Academia???????????????????
Acho que fotografia se aprende em academia também, como em cursos livres, online ou presenciais, cursos técnicos, em apostilas, fascículos e onde mais ela seja apresentada de forma organizada com o intuito sério de ensinar. Mas FOTOGRAFAR não. Esta nasce no esmero do olhar, na decisão de registrar, no “comichão” de querer contar algo em imagens congeladas, em sintetizar o fato e o belo em um (en) quadro (ou frame), ou quadros e na vontade de sempre fazer melhor. Esse compromisso, ensina, dá estrada, determina o rumo. Aí sim as dicas, os comentários, as aulas, a observação atenta e sequiosa, o dia-a-dia, as imagens impressas atuam no aperfeiçoamento do fotografar, incluindo o já fotógrafo no mundo da FOTOGRAFIA, onde a academia vem normatizar, orientar, complementar e formar.
Só procurará a academia aquele que sente algo que o leva até lá, mesmo que apenas semente. Esta pode apenas brotar durante o curso, posto que o meio é propício e catalizador do tênue sentimento original, que o levou até ali, mas aquele que vê de forma especial e que busca fotografar já existia quando lá chegou.
Fotografia se aprende na Academia tambem, mas não é necessario Academia para se fazer um bom trabalho fotográfico. O que não quer dizer que o estudo seja dispensável. Teoria e prática, prática e teoria, sempre juntos. Academia ajuda e muito, quem determina – mas não só estes, vamos lembrar de todo interesse privado e estatal por tras de artistas, galerias, e museus – o que é bom e o que não é são os Academicos, o que tambem não quer dizer que estes tenham discernimento suficiente para avaliar toda e qualquer situação. Óbvio.
Nós nunca estamos “prontos”, que bom!!!
Quem disse que não?
Eu só disse que estava refletindo…
Me parece lógico óbvio que se aprenda fotografia, sua linguagem, seus signos e significados, na academia.
Mas me parece também que pode-se aprender a fotografar fora da academia.
Por outro lado; será que o trabalho do educador-acadêmico de fotografia não seria menos difícil se os alunos não fossem completos analfabetos visuais quando chegassem a academia?
Serão dois conceitos? O de aprender e o de educar…
Quando penso na relação da fotografia com a educação, esta se compartimenta em diversas etapas da educação formal: educação infantil (0 a 6 anos), educação básica (do 1o ao 9o ano), segundo grau, educação técnica, tecnólogo, superior, pós graduação (especialização, mestrado, doc… pós doc), deve perpassar a formação de educadores e de pessoas com necessidades especiais (deficientes visuais). E isso sem falar da educação não formal… acesso, relação e vivência com a imagem. Todos (educadores, produtores, artistas, galeristas, curadores, gestores… pais, mães) temos responsabilidades e cada etapa tem objetivos diferenciados. Não é?
A fotografia tem conteúdos próprios, e vai muito além do seu uso como ilustração de outras textualidades. Não tenho dúvidas que a fotografia de aprende e de que o olhar se educa… e tenho certeza que este debate iniciado pela rede trará mudanças para a relação da fotografia com a educação nesse país, pois a imagem é fundamental na constituição e formação do indivíduo (do humano) e deve ser incorporada por todos os níveis de ensino (educação).
Fico muito feliz com esta perspectiva!!
Se minha iniciação na fotografia dependesse do mundo acadêmico, eu hoje não seria fotógrafo. No meu primeiro ano de Comunicação – Relações Públicas, tive uma disciplina de Fotojornalismo, ministrada nas coxas por uma professora que estava para sair de licença. Ali não aprendi nada de relevante, pois não havia câmeras para todos nas poucas aulas práticas realizadas. Na prova teórica fui com 10, mesmo sem saber como colocar o filme na máquina. Depois dessa disciplina, nunca mais fotografei.
Anos se passaram e arranjei uma namorada que curtia fotografar. Ela me emprestava a sua pentax e com isso aprendi o que era obturador, diafragma, fotômetro… Passei a fotografar muito em PB, me realizando por horas e horas sob a luz vermelha do laboratório. Depois, fui pra Londres onde, além de fazer faxinas, passei a frequentar feiras e exposições de fotografia, comprando livros e equipamentos etc.
No retorno, fiz uma Pós em Fotografia (UEL), que me ajudou muito mas… nessa altura, eu já tinha uma experiência mínima com esta arte e ciência.
Por fim, em resumo, minha conclusão é essa: se eu dependesse apenas do curso de graduação, jamais teria me tornado fotógrafo e videasta, como sou há 8 anos. Uma pós graduação lato sensu em fotografia até me parece ser válida, mas desde que a pessoa já tenha tido uma experiência real com a fotografia. Técnica não se aprende na universidade, pois os professores universitários não costumam se atualizar neste quesito. Distantes do mercado e da realidade, fecham-se nos circuitos dos conhecimentos teóricos.
Não confio muito na eficiência da abertura de cursos de graduação em fotografia… mas sou totalmente favorável a abertura de editais públicos que fomentem a realização de oficinas gratuitas em escolas e centros culturais.
A fotografia precisa continuar livre e plural. E cada vez mais acessível, sem filtros e vestibulares, a toda sociedade brasileira.
Abraço!
(Desculpe pelo tamanho da msg!)
Antes de entrar a uma academia como Raul seixas dizia “basta ser sincero e desejar profundo”, SIM, quando se gosta do que se faz se aprende antes mesmo de se pensar em fazer cursos… temos muitos fotógrafos que começaram como autodidatas e posteriormente aprimoraram seu olhar, a tecnica…
Acredito muito na força das oficinas de fotografia como inclusão as crianças , jovens e adultos sem acesso a linguagem visual… O Brasil carece de inicitivas voltadas a linguagem visual …passei por aqui por acaso e não poderia deixar de contribuir com todos!
abraços fotograficos a todos!
muito sucesso sempre!
Ju
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