por clicio em 13 de junho, 2010
Impermanência

All photographs above are copyrighted; all rights reserved.
©2010 Clicio Barroso Fº
Update 01: Dica abaixo, do Lufa!
I. Impermanência
(sânsc. anitya, páli aniccha)
Esta marca refere-se ao fato de que todas os fenômenos condicionados, todas as coisas compostas, passam por uma constante transformação, momento a momento. Do mesmo modo, a felicidade, a saúde, a vida, as propriedades… tudo é impermanente, instável e envelhece a cada instante. Apesar de as coisas do universo estarem sempre mudando, geralmente as chamamos pelos mesmos nomes e rótulos, criando assim uma imagem conceitual da realidade, uma ilusão de permanência. Entretanto, tudo o que surge através de causas e condições é transitório justamente porque é produzido de forma dependente, dinâmica; essas mesmas causas e condições também são responsáveis pelo desaparecimento dos fenômenos. A contemplação da impermanência e da morte não é algo mórbido; ela ajuda os praticantes a compreendera a preciosidade da vida, a verdadeira natureza do ser e dos fenômenos, a evitar o apego e a gerar um sentimento de gratidão pelas posas que possuímos.
Tudo que está sujeito ao surgimento está sujeito à cessação.
(Dighanakha Sutta, Majjhima Nikaya 74)
A impermanência é a virtude da realidade. Exatamente como as quatro estações, sempre em contínuo fluxo — o inverno transformando-se em primavera e o verão em outono. Assim como o dia torna-se noite, a luz torna-se escuridão e luz mais uma vez — da mesma forma, tudo se transforma constantemente. A impermanência é a essência de tudo. Bebês transformam-se em crianças, adolescentes, adultos, velhos e, em algum ponto do caminho, morrem. Impermanência é encontrar-se e separar-se. É apaixonar-se e desapaixonar-se. A impermanência é doce e amarga, como comprar uma camisa nova e, anos mais tarde, vê-la transformada em um pedaço de uma colcha de retalhos. [...] A impermanência é o princípio da harmonia. Quando não lutamos contra ela, estamos em harmonia com a realidade. Muitas culturas celebram esse vínculo. Existem cerimônias marcando todas as transformações da vida, do nascimento à morte, assim como encontrar-se e separar-se, ir à guerra, perder a guerra, vencer a guerra. Nós também podemos reconhecer, respeitar e celebrar a impermanência.
(Pema Chödrön, Quando Tudo Se Desfaz)”
Bacana…








30 Comentários
Ótima experimentação!
Fotos com a sobreposição das escritas dos tumulos…
Incrivel, muito bom mesmo!
humm , tem uma textura muito bonita e estas cores!!!!!
experimentar é sempre bom, inspira a gente!
parabens!
bjs
Kika
Última morada. Não seria então…permanência?
Suave composição. Muito bom.
Já na introdução do livro que coincidentemente inicio a leitura, sobre A perda e Permanência.
François Soulages sugere, O enigma imposto e a reflexão necessária:
“A foto é um vestígio. Mas um vestígio de quê?
…Por que não um vestígio do passado? Mas de que passado? O do objeto fotografado ou o da foto? O do sujeito que fotografa, o do sujeito fotografado ou o do sujeito que olha a foto? Passado do tempo ou passado do espaço? Passado da vida ou passado da morte?
Um vestígio de tudo isso ao mesmo tempo? Talvez. Mas como?”
Depois dessas questões, parabenizo as suas imagens que alimentam a reflexão ( que muitos esquecem ser o alimento da fotografia)
Thiago Albuquerque
Achei excelente, diferente.
Algo me deixou intrigado, tento achar mais coisas cada vez que vejo, tento achar algo que me faça compreender melhor o que a imagem representa.
Luz e sombra revelando e escondendo.
Um tipo de fotografia que faz pensar, refletir.
Parabéns.
Se bem compreendi a proposta, a terceira e a quarta foto são dela as melhores sínteses, onde a morte (sim, é uma série sobra a morte) mais revela-se extinção, e mais se revela extinção de algo havido. Toda extinção é de algo havido? Por certo. Mas há na vida, na experiência de viver um haver diferente do haver de um pneu, de uma porta, de um prato. É nessse sentido que falo.
As imagens formalmente são sustentáveis ou não? Sinceramente, não sei. Pela minha experiência lidando com fotos onde há um conceito, verifiquei que a sustentabilidade não depende tanto do conceito. O conceito pode estar firmado -como está-, e algumas funcionarem, outras não. Não sei se você terá visão melhor que a minha, mas só quando imprimo, mesmo pequenas, acontece a decantação entre as sustentáveis e as não sustentáveis. Então não sei isso nem para as minhas.
Tento compreender o que faz de algumas sustentáveis, outras não. Compreendesse, teria uma diretriz para analisar antes e mesmo guiar a produção. É uma questão.
Primeiro tomei um susto. As locações são um mistério ainda mais marcante com a sobreposição de tons e imagens. Fantástico Cli. Sensacional, contemporâneo e lindo. Parabéns. Vc sempre surpreende!
“Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça”
Lenine
lembrou ele.
Gostei das fotos.
Semana passada visitei um cemitério aqui em Londres, um perto de casa, onde Karl Marx está enterrado. Achei muito diferente dos nossos costumes aí do Brasil. Fiz várias fotos. As cores neutras e o excesso de “plantas” (parece uma selva) no cemitério daqui faz com que tenha um ar mais “tenebroso” do que os cemitérios brasileiros que geralmente são mais “coloridos”, cheios de fitas e azulejos. Enfim, em qual cemitério foram feitas as fotos?
Abraços e parabéns pelo trabalho.
Como tive a oportunidade de ver as fotos em raw no curso aqui em BH,confesso que gostei mais delas brutas mesmo,como elas
nasceram,ou mesmo com aquele efeito básico de grãos que foi aplicado como demonstração.Abraço.
Powww, Clicio… Mto Power…. esse post…. lol
Fotografia é isso… cada momento é guardado no coração e na história…
Essa série nos faz refletir sobre… o Cêu e o Inferno… que está dentro da mente de cada um de nós e é o modo como levamos a vida… podemos viver no cêu ou no inferno ou ficar transitando de um plano para outro… o resto que sobra é matéria… e lembranças…. E recordações guardadas com arte é explendido…
É, a impermanência, o título direciona as nossas interpretações.
Tema central do budismo e de muitas outras “escolas de pensamento”. Gostei da idéia – as palavras são epígrafes, epitáfio? Não me diga. É possível que as pessoas vivam dizendo que gostam das mesmas coisas umas as outras? É, pelo que se vê. E ver é movimento e tempo, duas coisinhas permanentes e impermanentes ao mesmo tempo. Sempre um vir a ser, é assim que eu vejo.
Gostei do tema – “É possível que as pessoas vivam dizendo que gostam das mesmas coisas umas as outras?” – e das possibilidades de interpretações.
Paradoxalmente para muitas escolas de pensamento a impermanência é uma “essência” – bem entre aspas. Para o Buda (do pensamento mais próximo ao Buda histórico) a impermanência é a lei geral. O indivíduo um composto de individuações; a vida uma série de manifestações, um fluir de criações, transformações e extinções; as discriminações dizem respeito a aparência das coisas, somente. De qualquer forma o Buda ainda tenta se “salvar” – há luz no fim do túnel, o Nirvana – assim como todos nós: ateus, religiosos, cientistas, artistas, filósofos, biólogos, etc. Até Richard Dawkins tenta se salvar quando fala do “genes egoísta”, alguns colocam sua dubia fé no “progresso”, na “evolução”, em Deus, na Literatura, na moral, no Nada e por aí vamos.
No fim só restarão lembranças, até serem esquecidas, mas nós não estaremos mais aqui, mesmo porque nunca estivemos.
Não há tempo para o SER quando estamos sempre SENDO ou – como me lembram as fotos acima – DESAPARECENDO.
Fui.
Vi e senti tempos superpostos, justamente onde o tempo parou, parece delírio, algo me remete aos cubistas, a Picasso, na sua tentativa de superpor vários tempos numa tela só…, mas é isso, devo estar viajando… Parabéns Clicio!
Bucólico…
A profundidade dos idos, dos que expressamos a falta, principio e fim. perdido no tempo da memória, me remete surrealidade o ruido pendurada uma paisagem no jardim…
Clício e seus ensinamentos mais do que fotográficos.
Clicio,
a primeira impressão foi de algo muito macabro, estranho…
depois fui olhando com calma, tentando entender as imagens, e ai pude perceber a sobreposição…
ainda estou processando…
mas quer saber? gostei!
bjo
Cacá
Bem suave , gostei !
Tem um graozinho na medida .
Vestígios. Espectros. Pensei na fugaz permanência, incorporada as pedras das lápides, no que é efêmero; pensei na construção de um imaginário, onírico. No que fica e que vemos/não vemos; como diz a poeta visual Lina Faria, pensei em um não-lugar.
O olho e a técnica é do Clicio, mas a GF1, agora, é minha !
Cemitério lembra despedida, certamente este ensaio também (da GF1). Tive o prazer de assistir, em parte, a produção desta “fugaz permanência. Gostei Clicio !
Clicio, esse teu trabalho é recente?
Acho interessante associar a impermanência à um cemitério como o Friedhof, se for o de Berlim desativado no século dezenove.
Acho que é exatamente essa resistência à impermanência que me passam as imagens, os musgos e, sobremaneira – sorry o trocadilho – a sobreposição do texto, recurso que se transporta, como a fotografia, numa estratégia à favor da permanência.
Isso não é mesmo apego. É consciência do fluxo.
Gosto muito das sobreposições com textos e vestígios de foto, o que dá mesmo uma impressão de espectro, mais uma vez desafiando a impermanência.
Claro, é uma questão de escala com o tempo, mas dentro de nosso ínfimo prazo por aqui, o que você mostrou ( ao meu ver) foi a permanência, a despeito do desprendimento. O respeito ao devir, mais que humano, universal.
Resumo: original, pelo aspecto da sobreposição como movimento reforçando a impermanência, não a morte.
Obrigada por me citar.
bjs,
lina
Caro Ivan;
A série é consistente.

Algumas delas sustentam-se individualmente (não, não vou explicitar quais…Hehehe), e outras nem tanto, mas ajudam a enraizar o conceito da série, e são por isso necessárias; a única totalmente dispensável é a primeira, uma foto explícita, de efeito, pensada para ser o chamariz para algo mais elaborado; não a usaria fora deste blog.
Obrigado por comentar, as suas estão em minha parede, amadurecendo; espere e verá!
Clicio
Clicio; Compreendo perfeitamente isso. Uma série é como um baralho: há cartas coroadas, há coringas e há cartas que apenas fazem a ligação para o observador entender o conceito com suas passagens.
Já estou com medo dessa história aí prometida sobre as minhas -risos. Mas desde já agradeço vê-las mais de uma vez, porque é minha firme convicção que essa observação em mais de um momento é aquilo que separa as coisas.
Abraços
Mestre, sensacional este trabalho, e quase magnetico nao consigo para de olhar e pensar, em cada momento noto algo diferente nas fotos e quase como se estivessem vivas em contradicao do tema. Parabens.
Lu,
Obrigado, estou imprimindo a série em papel algodão, seguindo a sugestão do Ivan (sem a primeira foto).
Acho que no papel é mais tátil, mais (im)permanente… E gosto de ver maior.
A montagem já está decidida, e vai contar meia história, te mostro depois de pronto!
Obrigado por visitar!
Impressionante as imagens.. ainda mais por eu gostar da cultura alemã! hehe
As fotos são desse ano mesmo? Qual o local?
A propósito.. terminei de ler e praticar muita coisa do teu livro sobre photoshop. Muito bom mesmo.. e repito: valeu cada centavo!
Abraço!
visual delight.
stunning, as usual.
quero vê-las em papel algodão.. faço idéia dos detalhes, cores, tons e degradês..
bjão
Jefferson !
Considerando sua “fugaz permanência”, seriam meus vizinhos há 25 anos e morariam a 50 metros de meu estúdio em 29° 22′ 13.83″ S 51° 6′ 32.23″ W. Desculpe Clicio, não aguentei !!!
Germano, valeu cara!
Procurei imagens e informações de Nova Petropolis pelo google.. e me pareceu um lugar bacana pra se conhecer.. tem lugares, que pelas fotos, parecem um pedaço da Alemanha.
[]s!
Jefferson,
É um pedaço da Alemanha!
Eu considerei a possibilidade de ser no sul. Pensei na região de Rio Negrinho, onde nos cemitérios teem túmulos com escritas alemãs.
Aqui em Curitiba temos também nosso cemitério alemão.
É que uma época pesquisei sobre as tais ultimas moradias, me intrigou esse de Berlim, tombado, desativado e com muita vegetação.
A plaquinha parece mesmo oktoberfest. hehehe.
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