©2010 Clicio Barroso

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Algo de muito estranho me aconteceu na semana passada; recebi pelo Twitter a notícia de que um de meus artigos aqui postados, escrito originalmente para a revista PhotoMagazine e intitulado “O pêndulo e a imagem” havia sido usado como texto-base para um concurso público de designer gráfico, editor de fotografias e jornalista, com o aval da Imprensa Oficial.
Assim que me dei conta do significado disso, fiquei muito, muito orgulhoso; afinal se o texto fora escolhido para três diferentes provas, é por que algum mérito nele havia, ou de conteúdo ou de estilo.
O mais curioso foi que dias antes, durante o evento de fotografia de casamento Wedding Brasil, um dos fotógrafos presentes havia me perguntado, de forma inocente porém absolutamente surpreendente:
“Cara! Quem escreve aqueles textos que você publica em seu blog?”
O que naturalmente me deixou atônito e sem fala; nada respondi (por paralisia cerebral em um primeiro instante, e para não ser deselegante quando  afinal me recuperei do choque) mas pensei muito sobre a pergunta; se um fotógrafo profissional, que me conhece, tem essa dúvida, imagino que dentre os milhares de acessos que generosamente recebo quando publico meus artigos, muitos devem pensar exatamente da mesma forma; quem é o ghost writer do fotógrafo-falante?
Fiquei bem deprimido…
Mas meu banzo logo passou com a boa notícia do uso do texto nas provas, e de maneira atabalhoada logo floodei a minha timeline com retwitts sobre o assunto.

Assunto bombando no Twitter

Assunto bombando no Twitter

Como uso o Tweetdeck como base de lançamento para controle de minhas incursões pelas mídias sociais em geral, minha empolgação foi rapidamente parar no Facebook, onde, para minha surpresa as reações foram as mais diversas e inesperadas; em vez de congratulações, como eu esperava, o que vi foi uma indignação generalizada pelo fato de não ter sido consultado, nem pago, pela utilização do texto (corretamente creditado, diga-se de passagem).

Assunto bombando no Facebook

Assunto bombando no Facebook

E então a ficha finalmente caiu!
Essas pessoas estavam corretas, a minha vaidade havia me cegado para o óbvio ululante; assim como eu vivo de fotografar, e luto para que o mercado de fotografia não se renda aos curiosos de fim-de-semana que doam suas fotografias em troca de crédito (vaidade, oh vaidade!), escritores, jornalistas, cronistas e articulistas certamente detestariam ver textos de boa ou má qualidade, não importa, sendo utilizados sem pagamento, sem consulta prévia, sem nenhum tipo de acordo financeiro ou moral, pois isso certamente sucateia o seu mercado e tira a possibilidade de um profissional ganhar honestamente seu dinheiro fazendo o que sabe.
A depressão voltou…
Como posso, em sã consciência, achar lindo e ter orgulho do meu texto amador, publicado em troca de crédito, quando fico possesso se uma fotografia amadora é publicada sem remuneração e um profissional das lentes deixa de pagar suas contas por esse motivo?
Incongruência.
Não, não vou processar ninguém.
Nem vou brigar, nem correr atrás de nada, talvez por não conhecer a fundo os direitos autorais de escritores, talvez por não ser profissional da palavra e me sentir constrangido ao passar por cima de quem dela vive, talvez por que o crédito tenha sido a minha maçã da Bela Adormecida.
Mas vou humildemente pedir desculpas a todos os profissionais que, com razão, acham que fotógrafos deveriam apenas fotografar.

Update 01: O pdf da prova pode ser visto ou baixado, e está em http://www.clicio.com.br/prova.pdf