por clicio em 19 de junho, 2010
Fotografia, arte e bom gosto…
A fina ironia, as fotos impactantes, o difícil começo, a fama e o pragmatismo de Helmut Newton, aliados ao fato da nossa quase contemporaneidade (foi um de meus ídolos na década de 70, junto com Guy Bourdin), fizeram dele um star photographer a quem muito respeito. Pois o J.R.Duran postou no Twitter este pequeno trecho de uma entrevista com o Newton, trecho hilariante em que o velho mestre inicia escolhendo a jornalista de quem iria aceitar a pergunta baseado em critérios, digamos, questionáveis, e termina dizendo que ama fazer fotografia e dinheiro…
O que nos chama a atenção, porém, é a keyphrase da entrevista:
“Existem duas palavras sujas na fotografia;
uma é arte, e a outra é bom gosto”.
Ahh… Entendi.
Entendi e concordei.
Fotografias são feitas para que uma pessoa se expresse não-verbalmente. E isso é, muitas vezes, uma necessidade; fazer fotografia pensando em arte, ou naquilo que se costuma considerar de ‘bom gosto’ (conceitozinho mutável, não?), é de cara cercear o próprio fazer fotográfico, e limitar-se a fazer o que do fotógrafo se espera.
É pouco.
Tenho pensado muito a respeito. Quem define o que é e o que não é arte? O ‘mercado’? Quem é afinal o mercado; os galeristas, os artistas, os vendedores, os compradores, os colecionadores, os arquitetos, decoradores? Os críticos e jornalistas? Curadores? Ou tudo isso junto?
Ouço de alguns galeristas que é necessário fazer fotos alegres, coloridas, para que se venda bem; o ‘mercado’ pede isso.
Por outro lado, vejo trabalhos ‘difíceis’ de artistas obcecados e angustiados, que encontram quem os valorize, quem os queira, e acabam se tornando referência, nas paredes de bienais e galerias de arte contemporânea.
A mim, um trabalho denso e pesado como as fotos dos loucos do Juqueri feitas pelo Cláudio Edinger me parece tão bonito quanto as suas coloridas fotos de Paris, e como apreciador e consumidor de arte, colocaria qualquer um dos dois tranquilamente em minhas paredes.
Pois vejam que curioso; assistindo a uma aula do mesmo Edinger na Escola São Paulo, uma aluna nos mostra uma fotografia feita por ela como exercício em que, ironizando o universo publicitário, a modelo, em suposto anúncio de beleza, está “feia”.
E eu, discordando, a achei linda. A foto, a modelo, a composição. Tudo lindo. Fiquei chocado!
O significado é que não tenho bom-gosto…
Tenho porém o meu gosto; e será que é apenas meu?
Adoro as fotos de um mundo literalmente construído pelo Joel Peter Witkins; quem mais as adora sem ser chamado de “weirdo”?
Tenho também fascínio pelo universo kitsch do David La Chapelle; parede, parede, parede!
Pelo jeito, meu gosto por fotografias ‘difíceis’ vai me fazer passar por momentos de mesmo adjetivo…
Fotografia ser arte, ter a chancela do gosto comum, ser palatável, nada disso tem muita importância quando um se vê compelido a fotografar.
E fotografar, afinal, é o que importa.
.




29 Comentários
Engraçado, falei algo parecido pro Luís da 4SEE ontem, ainda usei o Tom Zé de exemplo que disse uma vez em uma entrevista:
“Meu grande mérito e ser um péssimo músico e péssimo instrumentista, por eu ser ruim não faz diferença entre tocar violão e enceradeira”
Acho que toda obra pode ser explorada pelo que tem de bom e pelo que tem de pior e o importante é realmente fotografar!
Parabéns Clício.
Clicio…mas que post hein? Parabens…eu tb tenho algo de estranho no belo, sempre gostei das fotos de Oliviero Toscani, tenho algumas fotos que tb chocam, mas para mim são belas…muitissimo obrigado mais uma vez por seus posts.
Clicio, acho o trabalho sobre o Juqueri do Claudio simplesmente fantástico,de uma beleza única. E os diversos outros trabalhos dele também.
Acho que toda sujeira,loucura,imperfeição,bizarro e medonho tem seu lado belo.
Cabe a nós enxergarmos e registrarmos isso!
Abraço
mais um grande texto clício! esse conceito estranho de bom gosto também afeta outras áreas, como o design gráfico. há um certo olhar mumificado pelo modernismo no design que cria uma noção de que o que é bom é de somente feito de tal maneira. isso é no mínimo estúpido. depois desse comentário estou gostando ainda mais do mr newton, como se isso fosse possível!
na fotografia essa questão de bom gosto eu vejo como uma maneira de se criar um tipo de material mais comercial, mais popular, no pior que esse termo pode ter. esse tipo de pensamento deve ser ignorado por qualquer um que tenha um pouco respeito pela fotografia como como expressão pessoal, ou como arte!
Há muitas razões para fotografar. Fotógrafos gostam de imagens, gostam de envolver-se com imagens, gostam de desenhar com a câmera. É um gosto, um jogo. Podemos revestir esse gosto de palavras mais ou menos bonitas, mas na verdade é uma masturbação, um envolvimento de alguém com aquilo que produz, um namoro com o que faz e que fica exeriorizado e visível. Não digo isso pejorativamente. Esse envolvimento consigo é irremediável, ninguém vive fora de sua vida, de sua experiência. Tento dizer com isso que é coisa auto-referida, e, paradoxalmente, essa parece-me a parte mais saudável da coisa.
Ser artista. O que é isso? Que diferença faz? Evidentemente se as fotos podem ganhar curso como arte, que mal há nisso? Mas fazê-las para serem arte é outra questão, e não me parece uma boa questão. Tentar que sejam arte é não ter suficiente imaginação masturbativa -risos.
Ainda assim, pode fazer parte do jogo buscar haver uma aura na fotografia feita.
Porque faz parte do brinquedo a reação do outro à obra. É um jogo no qual não se joga sozinho, embora parte das regras seja feita para uso próprio. Faz parte do jogo a relação da fotografia com o mundo, em qualquer grau que seja. Ou depondo, ou mostrando, ou sendo parte de uma comunicação.
Penso que ninguém deve se preocupar com isso. Ou se ganha dinheiro, ou se pratica o onanismo, ou uma combinação qualquer das duas coisas.
Se seguirmos ao Goethe poderíamos avaliar e desfrutar com amplitude cada momento detido pela sua profunda beleza. Não importa o que o instante ofereça. Alegria ou morte. O fato de poder deter o momento na sua infinita presença é o belo. E não foi isso o que o Bresson procurou? Por outro lado, aquilo que fica acabado, talvez deixe de ser arte, porque a arte é a procura infinita e a constante ressurreição… em fim, divago. Mas concordo em que a beleza nada tem a ver com o melhor enfeite, com a extrema limpeza do externo. Na fotografia a beleza é construída no momento em que consigue-se deter o instante, apresa-lo na sua infinita rebeldia.
Helmut Newton é meu ídolo na fotografia… adoro seus pensamentos e em especial suas fotos…
Excelente post Mestre…
Agora fico mais tranquilo, pois meu bom gosto é totalmente surreal… abs
Ola, entao materia muito boa,acho eu para mim que esta assim ou vc faz foto pra vender , seria daquele geito que nego quer ver a foto e nao como ela ser, sabe aquele tipo de coisa a mentira que voce quer ouvir, tipo o filme green zone, ou vc faz fotografia pra voce, nao bom gosto ,mas gosto pessoal ae caso concidir alguem gostar otimo, eu particularmente nao estou mais preocupado com as “regras” de fotografia…como voce mesmo fala, que interresa e fotografar .
[]s
fotografia, para mim, não é exatamente arte, e sim artesanato. envolve certa ciência aplicada e um “ofício”, que é da mesma natureza de quem faz, por exemplo, um violão excepcional brilhar, afinado, falando melhor e mais alto do que outros. e quanto ao bom gosto, a gente vê nas madeiras, nos veios do violão. bom gosto é algo que depende da “autoridade” de quem o qualifica. ver é diferente de olhar. um abraço.
Clicio,
como sempre pertinentes seus assuntos.
Claro que tem que se fazer a sua coisa, com honestidade e sabendo o que quer passar.
Chega de trabalhos encomendados que os mortais tem que fazer.
Se gostam, ou não, é consequencia.
Rótulos, conceitos precipitados , tudo faz parte do processo.
Recebi essa semana um email anônimo, pretensamete cruel e cheio de preconceitos.
A pessoa que o teceu deve me amar pois fez um tratado sobre um trabalho que posto diariamente e ele (ou ela) acompanha.
Mas, só para saber se posso reproduzir o comentário do Ivan, impecável, lá no meu bloguinho, com link para o post aqui.
Muito oportuno o depoimento do mestre Helmut, e a discussão que você provoca, Clicio!
bjs,
Lina.
Pode.
Me diga o endereço do seu bloguinho também.
Olá!
Ótimo post! Adorei!
Considero esse tema realmente beeem complexo!
Mas p/ mim, a beleza está nos olhos de quem olha…
E de quem fotografa… hahahá!
beijinhos
Val
Pensamentos convergentes, rsss. Bom texto, boa reflexão, gostar é democrático podemos escolher se sim ou não. O que importa é fotografar se agrada a si. Abs
Clicio,
estes questionamentos me invadem frequentemente…
sendo uma estudiosa em arte, fotógrafa-artista ou artista-fotógrafa, penso muito no que é arte ou não…
quem dita as regras?
quem diz o que é feio ou bonito?
o que vai para parede ou não?
cada dia mais tenho uma só certeza: dúvida!
porque gosto é subjetivo e é de cada um…
e a beleza está nos olhos de quem vê ou faz a fotografia…
concordo: o importante é fotografar!
e para mim a fotografia é expressão!
beijos
Cacá
Vejo o mundo ainda prisioneiro de uma noção de arte da Idade Moderna, na qual há artistas, há Arte definida como tal, etc. E isso torna-se uma armadilha onde as pessoas se debatem querendo ao mesmo tempo fazer arte e sentindo intimamente isso ser uma inadequação temporal, quase uma cafonice. Querem fazer arte porque querem ocupar o lugar do artista, esse mito Moderno, sem verem não haver mais lugar para ele, pelo menos nos termos modernamente concebidos.
O que restou ao homem agora? Acabou a estética? Acabou a aura da obra estética/poética? Não, não acabou, mas já não há um sistema onde tal obra possa ser. Aquilo agora nomeado Arte não busca mais a aura estética, busca ser certo tipo de entretenimento, algo aparentado à publicidade, voltada para distrair com pequenas e previsíveis surpresas o homem comum. É isso o que está nos museus agora, e os museus agora são mais parecidos com cinemas ou pistas de boliche: um lugar onde se vai passar a a tarde, onde se é entretido com uma diversão leve, onde se toma chá e são comidos biscoitos amanteigados, onde se compram lembranças para levar para casa, canetas, marcadores de livro, copinhos com serigrafias do picasso.
Então, quando se tenta fazer arte, se intenta fazê-la, tudo o que se consegue é fazer um simulacro, um simulacro de uma arte da Idade Moderna.
Há hoje duas opções mais ou menos relacionáveis: Assumir a arte-entretenimento-educação, isto é, a prática que oferece ao homem comum essas pequenas surpresas (e essa modalidade tem como virtude poder ser uma ação de transformação social, e tem como vício ser esse entretenimento leve) ou então assumir a prática estética na própria vida. Talvez tudo o que reste ao homem hoje seja fazer da própria vida um fato artístico, ou, dizendo melhor, aumentar o conteúdo artístico/poétco de seu viver, isto é, viver esteticamente (e isso tem como virtude o refinamento do estar-no-mundo e como vício o hedonismo). Nesses últimos termos, a pergunta embutida da postagem tem uma resposta. Ao se buscar algo é essa estetização da própria vida aquilo em pauta, estetização no sentido de mergulho no jogo poético pessoal.
Bah, como sempre o Clicio consegue nos fazer parar e refletir sobre cada assunto.
Temos em Pelotas uma feira do doce, que já é bem conhecida até fora do estado. Este ano teve apresentação do Grupo Tholl, que apresentou o espetáculo “Imagem e Sonho”, lindo, colorido, iluminação dramática em alguns momentos, uso de flash proíbido, ISO alto, muita gente e movimentação no palco ao mesmo tempo. Ao chegar em casa e passar as fotos para o pc (na cam estavam todas lindas), muita foto não estava tão nítida assim e no primeiro momento não gostei, mas depois de olhar as fotos várias vezes, comecei a perceber que não tinha como congelar o momento, então resolvi olhar as fotos dos outros fotógrafos que estavam lá e já haviam postado no flickr e em blogs, claro que com os devidos estilos e equipamentos usados, mas todos tinham fotos onde aparece o movimento, onde um ou outro personagem no palco está com aquele desfoque do movimento, ai comecei a gostar um pouco mais das minhas fotos.
Agora, depois de ler este post, vou sentar na frente do pc, editar minhas fotinhos e colocar no flickr, sem medo se vão gostar ou não, eu gostei, o pessoal do Tholl gostou das fotos que já viram, e no final é isso que importa. O que seria do azul se todos gostasse do amarelo?
Um abração Clicio e obrigada por nos brindar com textos sempre impecáveis e que nos fazem rever nossos conceitos.
Outono, inverno, primavera,
artista é quem se considera?
Ivan, postei seu comentário anterior aqui:
http://www.naftalina55.blogspot.com/
Certa vez disse isto numa entrevista, acredito que existam muitas sobreposições com o teu pensamento:
“Para tirar uma boa fotografia, em primeiro lugar é essencial sentir a emoção de viver e ter a criatividade de procurar todos os melhores recursos técnicos para poder registrá-la. Concluindo, fotografia é arte, é técnica, é emoção, é forma, é textura, é luz, é sombra, é surpresa, é encanto e desencanto. Fotografar é viver e registrar o nosso tempo, suas belezas e contradições, com a pretensão de sermos um pouco, ou bastante, artistas. “
Oi Clicio,
Bom assunto para reflexão. Na minha opinião, não existe mau gosto na fotografia artística. Como qualquer obra de arte, as principais características devem ser originalidade, ter um conceito desenvolvido, plasticidade e o artista ter o próprio estilo. Não vale copiar o que já foi feito! Já na fotografia comercial, técnica, estética e bom gosto sāo imprescindíveis. Mas isso é apenas a minha humilde opinião…
Beijo grande,Lucia
Adoro este trabalho do Edinger. Artista mesmo! Acredito que todo artista de verdade de alguma forma sabe que jamais será maior que a ARTE.
Chapelle é legal, mas não me emociona… parece propaganda de refrigerante… não me encanta, só isso. ( Existe arte menor? Acho que o problema da palavrinha arte é que procuramos uma essência – dom? – para a tal arte, perigoso isso!!! )
Quem determina (ou tenta determinar) o que é arte hoje é o “mercado” com seus curadores, críticos, artistas, bajuladores e patrocinadores que bancam os museus, galerias, curadores, criticos e supostos artistas… alguns são artistas mesmo. Fazem arte de verdade, mas são poucos.
(Para saber mais: Privatização da Cultura, Chin-Tao Wu, Ed. Senac.)
Fazer arte de verdade é para quem sabe o que faz, (sic) mesmo que “saiba intuitivamente”. Linguagem coerente, domínio da técnica, objetivo a ser atingido, etc e tal e uma boa dose de “mistério” em tudo isso com muita reflexão e criatividade. E isso ninguém ensina, ninguém sabe porque alguns tem e outros não – o tal mistério – e fica difícil definir porque pouquíssimos fazem arte enquanto a maioria copia, plagia, inventa bobagens que passarão. Todo mundo aprende a escrever, mas ser poeta ou fazer literatura é para poucos, já nas artes plásticas e agora na fotografia é tudo arte… isso me cansa e dá sono.
Expressão artística é outra coisa, todo mundo pode e deve se expressar artisticamente, ou até mecanicamente ou literariamente mas fazer arte na Literatura, na Mecânica e em outras atividades é para poucos e repito. Deu pra entender?
Bom-gosto e/ou mau-gosto não dizem nada, “há maneiras erradas de não se gostar de uma obra”, acho que a frase é do Goombrich. Adoro O Grito de Munch, gosto de tudo que tem muita raiva e muita angústia – a frase mais ou menos assim é do maluco Arrigo Barnabé que fez Clara Crocodilo – sem isso não se faz arte… não mesmo! E VIVA Lupicinio!
Sabe do que eu gosto, qual a minha referência? Mando uns cliques, saio por ai captando imagens – quem fotografa é fotógrafo, não é o meu caso – e mostro para a galera, e a galera pira. Eita como é bom!!! Levo para amigos fotografos de verdade e os olhos deles brilham… hahah eu adoro! levo ensaio para o fotoclube e descubro que ficaram embasbacados.
Depois deixo tudo com amigo para que ele se vire em vender as coisinhas, e ele não sabe se vai ou se fica.
Eu nunca fico, sou nômade e ainda preciso atravessar esta serra…
*tem um livro que estou curtindo do Henrique Villa-Matas, Doutor Pasavento, Cosac Naif, sobre um artista que quer desaparecer em sua obra… quantos artistas não vivem o drama de querer mostrar a sua obra e sumir dos olhos do público? Hoje está dificil, já falaram pra eu aqui: ninguém quer saber sobre a obra querem saber Quem é o artista. Sacou? Tempos de BBB, normal… para quem gosta o banquete está requentado, o requinte não está à prova.
E seguimos.
Um mundo distorcido como o trailer de Crysis 2…
Uma bela direção de fotografia. Lembrei disto agora.
É a produção do artista que gira a roda e não o contrário. Por mais que haja interesses, políticas e conveniências dos intermediários que constituem a engrenagem comercial.
A boa arte, a verdadeira arte, não tem nada a ver com bom gosto, o artista é alguém que tem algo a dizer sobre a vida ou até sobre a própria arte, e na verdade tem muito pouca gente que tenha algo a dizer, a não ser repetir um discurso allheio e vazio. Quem quer ver bom gosto que vá para a casa cor, se fôr a um bom museu corre o risco de frustar-se ou de sair com aquele papo chato e pequeno-burguês do tipo não entendi nada, e é isso mesmo, a arte esta para confundir e não para explicar nada, nisso o Chacrinha tinha razão …taí um verdadeiro artista e aliás de péssimo gosto.
Este post do Clicio, requer uma atenção muito especial. Por isso voltarei aqui. Mas resumiria por hoje, que, “arte, é toda aquela que emociona.” Wank Carmo
É, é como separar foto “para mercado” e foto pictorialista, não há o que caracterizar, vivemos num mundo capitalista, e as vezes não basta somente fazer o que gostamos! mas o que o consumidor vai gostar!
Eu adoro seus trabalhos, mas tenho professores na faculdade que sequer o conhecem (o que me deixa intrigada) mas eles também tem referências clássicas como La chapelle entre outros.
Mas enfim, é tudo questão de conhecer mais e mais e ter opinião própria!
e posso dizer que sou sua fã. Parabéns!
forte abraço,
Érica
“clássico” do modo de dizer, mas “grandes” referencias como Man Ray, Steichen etc… acho que nao me posicionei bem…
enfim.. abraços!
Clício, eu vibrei aqui com a frase de Helmut. É justamente o que andei pensando esses tempos em que tenho me dedicado a ensaios fotográficos.
Uma questão: quando se usa os termos bom gosto/ mau gosto?
Resposta: no momento em que se quer impor uma forma de fazer algo em detrimento de outras formas. O termo já carrega culturalmente um peso de que várias pessoas concordam com a forma de fazer queestá sendo imposta. “Ora, isso essa foto é de bom gosto!” e já está subentendido que um monte de gente concorda. Mas, que monte de gente é essa? Não se sabe ao certo. Provavelmente alguém que seja uma autoridade no assunto que num belo dia falou despreocupadamente sobre algo e se tornou consenso entre seus seguidores. O dinheiro também serve como uma autoridade, ele afirma o que tem que ser reproduzido.
Tocante! Belo texto, belíssima mensagem.
E vamos nós outra vez tomar rasteira…
“Quem define ou não o que é arte” é uma discução antiga, acredito que era essa a discução proposta por Duchamp com o seu ready-made e aquela historia de sugerir um mictorio como arte privando-o de qualquer uso pratico. E claro que os curadores e os museus e a propria mídia interferem no que é ou o que deixa de ser comprado, mas of movimentos artitiscos acontecem idenpendentemente disso tudo.
Durante muito tempo a fotografia não era vista como arte por que arte na épaca estava estritamente ligado com a habilidade ou virtuosismo do artista.
Mas lendo seu texto não pude deixar de notar que você acaba relacionando com “arte” um valor estritamente monetário.
Quando diz: “Ouço de alguns galeristas que é necessário fazer fotos alegres, coloridas, para que se venda bem; o ‘mercado’ pede isso.
Por outro lado, vejo trabalhos ‘difíceis’ de artistas obcecados e angustiados, que encontram quem os valorize”
Você está descrevendo arte como algo a ser consumido, para ser colocado nas paredes, eu não vejo as coisas dessa forma, quero dizer, por mais que eu possa apreciar os trabalhos dos loucos do juqueri jamais colocaria essas fotos em minhas paredes simplesmente por que não quero me deparar com elas toda vez que entrar em casa. Na minha opnião quem faz “arte de cozinha” é aquele tal de Brito, que faz aquelas coisas com um objetivo estritamente decorativo.
Eu compraria entretanto as fotos do Juqueri num livro, para ser olhando e apreciado de quando em quando dentro de algum contexto. Não acredito que o objetivo do fotografo fosse que as imagens servissem de decoração para sala de jantar.
O que é senso comum, é que os movimentos artisticos estão sempre propondo alguma coisa, seja de forma estetica ou conceitual, e a fotografia se vale muito das pesquisas artiscas. O próprio Joel-Peter que você mencionou antes tem uma proposta completamente surrealista, ou seja ele incorpora ideias e conceitos das vanguardas artiscas do seculo XX em suas fotografias. Acho que Newton fez aquela afirmação simplesmente para não ter que ficar justificando seu trabalho. Assim como fazia Bob Dylan para a imprensa durante toda a decada de 60. E o “bom gosto” a que ele se refere, é o daquelas pessoas moralistas, puritanas e hipocritas, acho que é uma declaração que tem muito mais a ver com o lado moral do que com o lado estético de sua fotografia.
Que as pessoas hoje em dia não possam apreciar o trabalho de Joel-Peter sem ser taxadas “weirdos” isso sim é uma pena. Uma pena que vivemos numa época historica onde parecemos ter parado de refletir, de ter opniões próprias. Somos muito mais avançados tecnologicamente que as gerações anteriores, porém estamos anos luz quando o assunto é parar pra pensar.
Se pensarmos que a própria Vogue no começo do século passado era extremamente vanguardista e publicava trabalhos de fotógrafos como Man Ray e Bourdin que tinham um tom completamente experimental, e olharmos para a Vogue de hoje é um bom indicativo de como está o nosso tempo.
E não que os fotógrafos de hoje sejam menos criativos do que antigamente, eles simplesmente tem que achar outro lugar para tentar coisas novas.
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