por clicio em 9 de maio, 2010
Entregar em CMYK?
“Entregar em CMYK?” é um artigo originalmente publicado na revista Photo Magazine, sobre a prática da conversão RGB/CMYK efetuada por fotógrafos.
Mais uma vez a história se repete; trabalho orçado, combinado, aprovado, já em produção, e alguém da agência liga para o estúdio fotográfico e pergunta, com a maior inocência:
- Dá para entregar em CMYK?
- Não.
- Não dá não senhor.
Converter um arquivo RGB para CMYK é e sempre foi atribuição do fotolito, gráfica, birô, ou seja lá como se chame; há técnicos treinados, especializados nisso. Gente que pensa em CMYK, que trabalha “by the numbers”, que sabe exatamente o que vai acontecer com aquela mistura de 10% de Ciano + 35% de Magenta + 50% de Amarelo + 5% de preto: um tom de pele brasileiro, amorenado.
E você, sabia?
O profissional antigo de gráfica/fotolito, que acabou sendo incorporado aos birôs e agências de propaganda, muitas vezes como produtor gráfico, tem toda a autoridade para saber como, quando e porque fazer a conversão de RGB para CMYK.
Uma conversão perigosa, que utiliza um modo de cor de gamut amplo (qualquer RGB tem um espaço de cores maior que qualquer CMYK), e que vai inevitavelmente perder tons e saturações quando em CMYK. E por isso, esse profissional é bem pago. Ele evita que se perca dinheiro durante o processo, economizando em provas desnecessárias e garantindo a qualidade do impresso.
Algumas vezes as mudanças são imperceptíveis aos nossos olhos, e a conversão parece muito fácil; em outras, que geralmente envolvem vermelhos mais profundos e brilhantes, azuis muito saturados, cores fluorescentes, a perda é visível.
E quando a tinta cai no papel…
Desastre.
Fotógrafos pensam em RGB.
Artistas digitais pensam em RGB.
Nosso sistema visual, biológico, enxerga em RGB.
As cores que vemos em nossos monitores calibrados são em RGB.
Por que motivo um fotógrafo deveria entregar seus arquivos em CMYK?
A responsabilidade do fotógrafo tem que acabar no momento em que entrega o seu arquivo TIFF, em AdobeRGB, para que o birô faça a conversão. Do mesmo modo que fazíamos com os cromos; se a foto estava em foco, as cores perfeitas, e existissem boas opções de enquadramento, então o trabalho estava aprovado, e a responsabilidade do fotógrafo se encerrava por aí mesmo.
E aí está a palavra-chave: Responsabilidade.
Responsabilidade que envolve custo, dinheiro grosso. Caso a impressão não dê certo e o cliente a recusar por uma conversão mal feita, quem assume? A gráfica não vai querer rodar novamente os seus 10 mil impressos de graça. O birô não vai dizer “Foi nossa culpa” e pagar a reimpressão. A agência certamente vai cobrar a qualidade inexistente do produtor gráfico, que por sua vez pacientemente vai explicar que a conversão foi errada, e que portanto a culpa é de quem converteu. Todos acabam se isentando da responsabilidade e do custo, e o mico sobra no ombro do fotógrafo que aceitou entregar em CMYK. E isso não poderia acontecer com a frequência com que vem acontecendo.
O fato é que simplesmente por razões econômicas, muitas empresas de pequeno e médio porte deixaram de contratar os bons profissionais gráficos e os substituíram por estagiários, que por sua vez ficam passando a bola adiante para que o mico não fique com eles. Não sabem a diferença entre um CMYK Euro, um Swop, ou um Fogra39; não estão nem aí para o gerenciamento de cores; nunca ouviram falar de perfis ICC.
Por outro lado, quando um estúdio fotográfico assume a entrega dos arquivos convertidos, está implicitamente assumindo os riscos e custos decorrentes dessa decisão. Entregar várias gerações de provas de contrato (contract proofs) de cada uma das fotos, pois os directores de arte são muuiiito exigentes; ter conhecimento prévio do CMYK da prova, da impressora, e como se relacionam aromaticamente com o que está sendo visualizado em tela; fazer com que todos os dispositivos do estúdio, incluindo as câmeras, estejam sempre calibrados e caracterizados por spectrofotômetros profissionais; ter disponíveis cabines de luz com lâmpadas de D50 e CRI alto, de pelo menos 95%, para que as cores sejam previsíveis; e disposição pessoal para acompanhar o trabalho até o final da impressão, que geralmente acontece de madrugada e nos finais de semana.
A verdade é que pouquíssimos estúdios fotográficos contam com essa estrutura cara e sofisticada, mas necessária, para que o impresso saia perfeito; e isso inclui ao menos um profissional treinado, cuidadoso, técnico, que pode sem medo assumir a responsabilidade pela conversão RGB/CMYK que acabou de fazer.
Se o seu estúdio é assim, parabéns!
Pegue os trabalhos sem medo, cobre caro para justificar todo o investimento efetuado, e entregue sempre em CMYK.
Mas se você ainda não chegou lá, não deixe que aqueles que o contrataram lhe façam de bobo; é o caminho certo para prejuízo constante, que acabará por quebrar o seu negócio.




36 Comentários
Oi Clicio,
já tinha lido na revista!
um dia eu chego lá!
bjo
Cacá
Parabens Clicio …
Este é um problema que vivi há anos e sempre bato nesta tecla, de que não temos nada a ver com isso e olha que já vamos longe com todo equipamento que temos..
Entregar em CYMK, eu capto em RGB, eu penso em RGB, quem dá saída em CYMK é melhor na conversão do que eu, pois ele pensa em CYMK, deixo para eles. Abs
Bom, nunca me pediram para entregar um trabalho em CMYK, se pedirem, já sei qual vai ser a resposta… “Não dá não senhor.”
Ótimo artigo.
Abração.
Bom dia Clicio, parabéns por mais esse post… também nunca me pediram para entregar em CYMK, mas imaginei como tudo ocorreria lendo o seu texto… e devo concordar em 100% com você.
O problema hoje é achar (pelo menos fora das grandes cidades) empresas que saibam o que estão fazendo, hoje vejo erros ocorrendo o tempo todo nessas conversões.
[]s
e eu mirim q sou achei q pra converter pra cmyk bastava ir no ps e clicar lah em converter, depois de ler esse matéria na magazine q fui atras de saber como era de fato essa conversão (ainda nao entendi direito) descobri q o pouco de trabalho q eu tenho impresso em revista estao totalmente diferentes por esse motivo, eu pensava q era apenas uma questao de calibragem de monitor (oq acredito q tb seja) mas as perdas de certos tons se devem com certeza ao relaxo do veiculo e grafica quanto a essa questao, pior q justamente os unicos 2 trabalhos q eu tive impresso a cor q predominava em um era vermelho e no outro verde, as fotos ficaram BEM diferentes, já falei com o responsável da revista e “exigi” q ele achasse alguem na grafica ou agencia dele pra fazer essa conversão decentemente.
Cansei de ouvir fotógrafos falando “a gráfica acabou com as cores do meu impresso, fechou o preto, etc, etc, etc” e eu sempre pergunto: como vc entregou seus arquivos, em CMYK? Então a culpa é toda sua! PS com US web coated normalmente é um dos vilões dos desinformados.
Ótimo artigo Clicio, como sempre!
Abraços!
Ótimo artigo, Clicio.
Qdo. trabalho para empresas, eu costumo colocar nos meus contratos o seguinte “As imagens serão entregues em espaço de cores sRGB” (ou Adobe RGB, se isso for o combinado). Nunca tive problemas com essa questão da conversão CMYK, mas esse detalhe do contrato me preserva um pouco. Vou ficar mais atento com isso, e pôr essa informação mesmo para clientes Pessoa Física.
Abraços.
Aqui, infelizmente a gente tem feito a conversão e depois provas digitais para conferência. Não acho que é o ideal, mas muitas agências sabem menos ainda sobre o assunto. Então prefiro ter uma prova de referência para entregar junto. Muito bom o texto!!!
Abs
Rodrigo Fanti
é isso aí Clicio, cada um na “sua” senão o mico corre solto.
Cilcio, como vai? Concordo com tudo.
Esse é o ideal de trabalho e sempre pensei assim, desde que comecei a estudar sobre gerenciamento de cor e impressão. A prática, contudo, do mercado, principalmente para aqueles que não fazem parte dos “grandes nomes” da fotografia, é outra.
Algo assim: “DA: Você me manda em CMYK?, Fotógrafo: Não posso. Porque x,y,z…; DA: Sério? Quebra essa vai… Fotógrafo: Fica difícil mesmo… DA: Ok então.”
Minutos depois o DA vai estar falando mal do fotógrafo para todos dentro da agência e pedindo para contratar outro da próxima vez, que entregue em CMYK. E vai achar muitos que façam (mesmo que porcamente). Isso não aconteceu comigo (nunca me pediram nada em CMYK), mas tenho certeza absoluta de que é exatamente assim que funciona. A competitividade está tão apertada que, independente do trabalho de X ser melhor do que o de Y, se o Y facilitar mais e tiver um padrão bom (ainda que não genial) de imagens, acaba levando. Quem está na briga sabe o quão difícil é:
1. Conseguir entrar no rol de prestadores de serviço de uma agência;
2. Manter-se nela.
Se a nossa classe fosse unida e *ninguém* se submetesse a enfiar o pé na jaca desse jeito, a história seria diferente.
Abraços. Paoli.
Mais uma vez o Clicio dá voz aos fotógrafos. No começo da faculdade fiz uma pesquisa em algumas gráficas, inclusive na Takano, sobre perfis ICC e conversão de arquivos. Descobri que o perfil ICC deles é o olhometro do técnico da gráfica. Fazem tudo manualmente baseado no conhecimento das características da impressora. Nada de tecnologia, é o Zé, o João e por ai vai, quem ajusta o arquivo para a impressora, e fazem isso relativamente bem, considerando que geralmente não tem conhecimento da tecnologia mas uma boa sensibilidade visual para as cores. Se o cliente tem grana, fazem algumas provas, se não tem vai de qualquer jeito mesmo. Eu perguntava se podiam me enviar o perfil ICC CMYK da máquina para entrega de arquivos e pareciam nem saber do que eu estava falando! Isso ja tem quase 10 anos, mas imagino que a situação se perpetua na grande maioria das gráficas por ai. Se tiverem 3 no Brasil que fazem tudo direitinho já vou ficar muito surpreso! Porisso, de que adianta entregar em CMYK, sem o perfil de saída, ainda mais que é o Zé quem vai ajusta o arquivo manualmente na hora da impressão ?
Seria muito bom se tudo fosse perfeito como nos manuais e livros técnicos, mas a nossa realidade é outra. E assumir essa responsa é bucha certa!
Ja faz um tempinho que voce defende isto. Eu concordo e defendo tambem. Só que até hoje nao conheci diretor de arte ou arte finalista que tenha a sensibilidade e saiba a diferença ou queira aprender.
Falando em gráfica, só conheço a Arizona que entende realmente de cor.
Muito bom Clicio.Muitissimo importante esse texto e dicas .
Acho incrivel como ainda hj pensa em rapidez e baixo custo e não dá a minima importancia para a qualidade ….o pior de tudo q quando se dá importancia pela qualidade já é tarde.
Clicio mais uma vez nos presenteando com seu vasto conhecimento valew.Abraço
Pfessor Clicio,
Somos da mesma geraçao, e confesso que foi dificil pensar em RGB. pois aprendemos a pensar em CMYK, na época em que monitor era a TV pra assistir Jornadas nas Estrelas, Viagem ao fundo do mar e outros. Hoje, Penso em RGB, apesar de o canto do olho continuar a ver em CMYK.
Infelizmente hoje, profissionais confiáveis para essas conversões estão se tornando jurássicos, os novos não tem a menor ideia do que é isso.
Tenho medo do que será da impressão offset no futuro, mas como parece que o futuro será sem papel….
Eu ja fiz provas, hoje uso a impressora so para meus trabalhos de fotos. Provas? problema da grafica.
Abraços
Sensacional Clício, mais uma vez fui surpreendido pelas suas informações, no que se diz respeito a CMYK sou bem leigo e agora já tenho uma informação base super importante.
Gostaria de saber se posso publicar no meu blog sua post com os devidos créditos e referências…obrigado e uma ótima semana pra vc.
lol… esse foi o melhor post do ano… Parabéns… esse fica na história… e ainda tem gente que fala que anjo da guarda não existe!!!
Um grande abraço!
Clicio,
Interessante que há pouco o Miran – que eu acho o melhor designer grafico do Brasil, quiça do mundo – me pediu um arquivo em CMIK, para publicar um ensaio meu na Grafica, revista que edita com um primor ímpar.
Na dúvida, mandei dois arquivos por pura insegurança minha, apesar de confiar no artista, como o mundo inteiro confia. Vai saber…
A-do-rei
“Nosso sistema visual, biológico, enxerga em RGB.”
Tenho anos de lutas e despesas contra os pensadores CMYK’s
Muito bom!
Concordo 100%. Sou diretor de arte e nunca pedi, e nunca pediria, ao fornecedor converter em CMYK, isso é coisa de quem quer se livrar de responsabilidades e não está envolvido no JOB da forma adequada.
Vi na revista e estava esperando a oportunidade de comentar:
Excelente artigo, Clicio, e de fato o correto é deixar esse tipo de trabalho para quem tem treinamento e, acima de tudo, conhece os suportes onde a imagem será impressa. Mas ocorre que essa especialização é mais exceção do que regra. Claro que um profissional como você dificilmente vai encarar pequenas agências onde os DAs não tem a menor noção do que é um perfil de cor correto. Já vi foto minha em jornal com pretos estourados e invasão de magenta. Questionando, vim a saber que fora enviada para o jornal em “SWOP” (US web coated)!!!! Raramente envio o material convertido, mas já pensei em fazê-lo espontaneamente. Como tenho alguma noção e experiência em CMYK, acho que seria alguma segurança para o meu trabalho enviar uns 3 arquivos com perfis diferentes (para couche, jornal e alto alvura, por exemplo) com três níveis de ganho de pontos diferentes.
Mas concordo plenamente, que não é o certo e ideal. Isto seria ralar o coco pra doceira me fazer a cocada.
Abraço
Parabéns pelo artigo, muito bom.
O pessoal se aproveita da crença de que com o digital tudo é muito simples e fácil: “é só clicar ali”… sem fazer a mínima idéia das etapas envolvidas no processo.
Por isso quanto mais conhecemos do processo, mais sabemos onde devemos atuar ou não, o problema é que, infelizmente, temos uma geração que não quer “perder tempo” aprendendo.
Abraços, e parabens.
Excelente matéria! Parabéns Clicio!
Bjs,
Clicio, sinceramente não deixe de expressar, é vocação…quem sabe faz a hora… abs.
Oi Clicio, acompanho bastante seu blog, adoro suas fotos, trabalho com fotografia a 1 ano, faço casamentos, quero migrar para a área de publicidade, procurei horrores o seu e-mail e aqui vi a oportunidade de te perguntar se vc tá precisando de assistente ou tem alguém para me indicar? Espero sua resposta. Ahh tb te sigo no twitter e obrigada por responder meu tweet,rs
Já presenciei um verdadeiro holocausto de um fotógrafo envolvendo este tópico, ainda muito polêmico entre agência, gráfica e o fotógrafos, estes últimos comumente usados como “boi de piranha” para estratégia de isenção da responsabilidade. Pessoalmente, eu não me arriscaria numa tentativa de conversão neste nível técnico. Endosso a postura do Pepe Mélega em deixar para “eles” o trânsito nessa perigosa seara. Meu raciocínio de espaço de cor está no universo RGB ou sRGB, e somente ousaria adentrar em CMYK se fosse douto neste ambiente que possui uma vasta multiplicidade cromática, e de restrito domínio por algumas centenas de profissionais staff da área gráfica. Sem dúvida, um ótimo post, e que serve como sinalizador para os fotógrafos mais desavisados.
É incrível ver que tantos profissionais da fotografia no Brasil demonstram tanto desrespeito pelo profissional da área gráfica, principalmente o tão elogiado Clício.
Conhecí o livro sobre o Lightroom, e achei este post o fim do mundo.
Entrei aqui e ví comentários deste nível:
“- Converter um arquivo RGB para CMYK é e sempre foi atribuição do fotolito, gráfica, birô, ou seja lá como se chame.” – A falta de respeito é evidente num campo que, supostamente, devia haver muita vontade de trabalho em equipe, ainda mais com um problema como este que atinge todos os envolvidos;
“- E por isso, esse profissional é bem pago.” – A média salarial do profissional da área gráfica no Brasil é em torno de R$ 1.000 a R$ 2.000.
“- Entregar em CYMK, eu capto em RGB, eu penso em RGB, quem dá saída em CYMK é melhor na conversão do que eu, pois ele pensa em CYMK, deixo para eles.” – Vocês falam na falta de vontade dos profissionais de aprenderem, mas são os primeiros a mostrarem desinteresse em sequer conhecer o problema.
Bom acho que este espaço é feito para se discutir e o que eu vejo aqui é só gente concordando, nem uma palavra de discordância.
“- “Nosso sistema visual, biológico, enxerga em RGB.” – Nós enxergamos muito mais cores que RGB, já o CMYK atinge menos cores que o RGB pois são as cores que se pode alcançar na impressão offset. Então esse tipo de afirmação é bizarra ao meu ver.
Resumindo. Vocês fotógrafos vêem apenas o seu lado, enquanto deveriam ver um problema como todo. O profissional de pré-impressão é mal treinado e mal pago, às vezes, na maioria, nunca teve um treinamento realmente direcionado para atingir objetivos de cores – tanto em softwares como na impressão. Realmente não sabem os jargões necessários para se trabalhar na área. E a culpa disso também são de vocês, que não dão valor neles.
Aqui vocês estão decretando: “nosso negócio e empurrar o problema pra frente”. “Eles que se virem”.
Eu acredito que um fotógrafo que realmente quer que seu trabalho tenha uma boa impressão, ele se preocupa e vê seu processo até o final. E não apenas mostre pro cliente em seu monitor LCD RGB de 300 reais, com seu olho RGB, com aquelas cores maravilhosas RGB, que jamais poderia ser impressa.
Eu trabalho há dez anos em birôs, gráficas e agências. E tendo certa responsabilidade com material que me é dado. Já aviso pros fotógrafos “desavisados” que aquela cor não existe em nosso sistema de impressão CMYK e ele não poderá imprimir aquele em nosso planeta, mas o cliente dele acredita que sim né. Afinal ele fotografou maravilhosamente.
Eu acho inadmissível ver aqui gente dizendo que porque leu no livro que o pai comprou, esnobar um profissional de gráfica que não tem nada a ver, só porque aprendeu uma sigla, acrônimo ou seja o que for na faculdade dele.
Marcos,
Pelo visto você não leu o artigo, e sim os comentários.
NINGUÉM está esnobando o profissional de gráfica.
Em momento nenhum eu desrespeito o profissional de gráfica, pelo contrário. Digo que são os que sabem fazer isso, digo que é o trabalho para o qual são pagos, digo que são muito melhores que os fotógrafos para executar a conversão.
E a minha afirmação não é bizarra; enxergamos sim em RGB, e certamente mais que o AdobeRGB, e mais que sRGB, que são apenas limites do RGB.
Agora, você como profissional, dizer que “os fotógrafos estão empurrando o problema para frente” é no mínimo uma distorção da realidade. Primeiro porque não é um problema. Segundo porque quem tem que fazer a conversão não é o fotógrafo.
Esta sua frase abaixo é um contra-senso.
Reproduzo:
“O profissional de pré-impressão é mal treinado e mal pago, às vezes, na maioria, nunca teve um treinamento realmente direcionado para atingir objetivos de cores – tanto em softwares como na impressão. Realmente não sabem os jargões necessários para se trabalhar na área. E a culpa disso também são de vocês, que não dão valor neles.”
Se o “profissional gráfico” não foi treinado, ganha pouco, não conhece os jargões, então QUEM vai conhecer?
Os fotógrafos?
E a culpa pela falta de especialização do profissional gráfico é também dos fotógrafos?
Por favor, não faça pouco da minha inteligência, Marcos.
Clicio
Cara eu não estou fazendo pouco dos conhecimentos seu ou dos restantes dos comentários aqui. Ao contrário, esse site é muito bom, você com certeza é um ótimo fotógrafo, eu vou comprar seu livro provavelmente. Ao contrário, me sinto lisonjeado de você ter aceito o meu comentário aqui em seu site e me responder pessoalmente.
Mas bem. A realidade infelizmente, muitas vezes é esta. Eu sou de Goiânia e conheço poucos profissionais daqui que tenham conhecimentos profundos em tratamento de imagens e os melhores que eu conheço não tem conhecimentos realmente profundos desse assunto.
Eu já fui em São Paulo fazer um curso de Photoshop assim que saiu o CS3 mas não foi tudo que eu esperava.
Então se formos vermos a realidade mesmo e não a teoria, a coisa é bem diferente.
Eu não apenas lí como relí pra mostrar os pontos que eu discordava.
Bem, eu acredito que você entendeu as partes do seu texto em que eu me sentí, digamos, ofendido. Eu acredito que estou aqui fazendo minha parte defendendo uma classe que já fiz ou faço parte.
E não acredito que a culpa da falta de especialização dos DTPs seja dos fotógrafos, mas com certeza se estes profissionais fossem mais valorizados pelo seu trabalho (pelas gráficas, pelas agências, pelos fotógrafos) eles dariam mais valor em suas profissões.
Eu concordo que a conversão deve ser feita por eles, mas deve haver esse trabalho em conjunto para no final, ninguém sair perdendo. Certo?
Bom artigo Clicio.
Caro mestre. Muito bom texto. Dilemas a serem resolvidos, preço de nossa profissão.
Alé de fotografo, também trabalho como design para algumas publicações. Quase sempre mantenho contato com produtores gráficos e sei bem o que é converter, ou não, um arquivo.
Bom, aqui vai minha modesta opinião, baseada nas experiências que tive…
O mais importante que aprendi, como na fotografia tendo um bom amigo-laboratorista, é sempre falar a mesma lingua do prod. gráfico de sua gráfica preferida.
Isso faz com que supresas não aconteçam.
Para todas as partes.
Um grande abraço.
Por vezes, complicamos aquilo que é simples. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre cores em fotografia deveria saber responder a esta questão, mas por vezes não nos esforçamos o suficiente para parar e pensar um pouco no assunto. Eu lido diariamente com imagens e o outro dia me coloquei essa mesma questão, mesmo depois de ter lido sobre o color proofing, photo rgb, adobe rgb, etc. Podia perfeitamente ter parado para pensar um pouco e chegar à resposta sozinho. Enfim… belo texto Clício, parabéns!
Clicio eu sou seu fan, sou profissional da área gráfica, agora eu concordo em parte no que você falou, eu costumo dizer quando surge esse tipo de comentário, digo o seguinte “cada macaco no seu galho” o profissional da área gráfica tem que se preocupar com a impressão, temos que avaliar o arquivo que recebemos, e dizer, se é possível ou não fazer de acordo com o nosso parque gráfico, sem falar que existe outros fatores, o mecânicos e o fator humanos que é envolvido nesse processo, mecânico porque, se no fotolito a densidade do laser estiver alto ou baixo interfere nas reticulas, podendo ficar a impressão mas escura ou mas clara, depois tem o processo de revelação desse filme, se os químicos estiverem saturados, também interfere nas reticulas, tornando o filme “Griz” ou seja meio transparente, e por fim a parte humana, se na hora da gravação da chapa for dado muita exposição, a perda de reticula, se for dada pouca, tende a escurecer a impressão, e depois vem a impressão, se o impressor carregar na tinta, escurece o material, e se ele colocar pouca tinta, tende a deixar a impressão lavada, sem vida. então existe muitos fatores que podem deixar uma impressão boa ou ruim, eu acho que na verdade, tinha que haver uma interação de todos a fim de que o resultado final seja satisfario para o cliente que é o principal interessado.
Obs.: hoje ja existe o CTP, que é a gravação direta na chapa, isso já é um grande avanço, mas infelizmente devido ao custo, não esta acessível a todas as gráfica, seja de médio ou pequeno porte.
Clicio,
Reclamei de uma revista por eles me pedirem que me enviassem o anúncio em CMYK, e a resposta que recebi foi essa:
Boa tarde!
Bom Gisele, este é o padrão técnico exigido por qualquer gráfica.
Trabalhamos para as maiores gráficas do país e todas recebem arquivos em
CMYK, pois como já citado até no artigo do renomado fotógrafo Clício a
qual ele nos enviou. Pedimos em CMYK pois as gráficas só usam em CMYK.
Ninguem manda arquivo em RGB para uma editora abril por exemplo, pois o
anúncio volta e não é veiculado.
O fotógrafo, se quiser, pode enviar a imagem em RGB +
Agência de publicidade que cria o anúncio +
Birô de fechamento de arquivo e prova de cores +
Gráfica para impressão e acabamento.
Devido a problemas de qualidade de impressão ou de imagem, foram criadas
normais internacionais ISO. Onde tenho mais de 5 artigos e muitos estudos
que comprovam que a padronização resolve este problema.
O padrão de conversão de rgb para CMYK é de: RGB para FOGRA27 – padrão ISO
para américa do sul. Respeitando padrões de tinta e papel couchê.
Receberemos o arquivo e vamos fazer a melhor conversão de
cores possível, o cliente simplesmente não poderá reclamar de nada depois
de impresso. PODE MANDAR EM JPG-NIVEL 12 compactação – RGB que faremos o
melhor possível. Se o anúncio tiver texto, por favor fazer em 450ppis,
para evitar um alto serrilhamento das letras.
Porque a agência ou designer gráfico deve converter em CMYK? porque cores
RGB contém um gamut muito maior de cores do que em CMYK, e uma imagem em
RGB pode perder profundidade de cores na conversão de RGB para CMYK, e ao
fazer isso o profissional pode tratar a imagem para compensar alguma
perca.
Estamos a disposição para qualquer esclarecimento.
Atenciosamente,
Edmar Junior
Diretor de Arte
7CN Propaganda
Apoiado!!! os atuais birôs das gráficas têm ficado cada vez mais incopetentes e a transferência de culpa vem desde Adão, gostam de lavar suas mãos para o pecado da perda de gamut para o Fotógrafo, para o Designer, nunca assumem suas responsabilidades.
1 Trackbacks/Pings
[...] Link do Artigo: http://www.clicio.com.br/blog/2010/entregar-em-cmyk/ [...]