por clicio em 18 de julho, 2010
Desculpe, isso não é fotografia…
Desde que, dependente do processo físico-químico, algumas dificuldades em relação aos suportes de baixa sensibilidade foram superadas em finais do século XIX, a imagem técnica, fotográfica, tem sido uma ferramenta importante de documentação e denúncia, dando credibilidade jornalistica ao “estive lá, documentei, portanto aconteceu”. Porém essa aderência ao referente, o espelho com memória que inocentemente foi idealizado nos princípios da era da reprodutibilidade técnica , logo foi posto em cheque por Walter Benjamin, ainda em 1936, em seu famoso livro “Das Kunstwerk im Zeitalter seiner technischen Reproduzierbarkeit“; o próprio Vilém Flusser vai colocar em cheque o operador do aparelho (o fotógrafo), programado por um aparelho maior (a indústria) e que seria apenas um funcionário a serviço da programação inserida na caixa-preta e contra a qual tinha obrigação de se rebelar; daí por diante o assunto tornou-se um dos papos-cabeça preferidos em rodinhas de fotógrafos, intelectuais e artistas.
Mas não dos publicitários.
A utilização da fotografia publicitária como poderoso argumento de vendas, procurou ao longo de todo o século XX manter vivo o mito do “objeto fotografado=objeto existente”, e aproveitando-se do inerente poder conotativo que existe em qualquer imagem, envolver o observador/consumidor em uma ambígua sensação de desejo, de posse, avalizado pelo mito denotativo do referente.
A fotografia publicitária, porém, por mais produzida, iluminada, trabalhada, retocada e perfeita que fosse, ainda não refletia o universo de produtos idealizados e concebidos nas modernas mesas de brain storming; a evolução natural só poderia ser o descolamento definitivo da imagem publicitária em relação ao objeto a ser vendido.
Ao adotar novamente o desenho, ilustração, ou a pintura como alternativas para a produção de imagens de produtos, o resultado imediato foi conceitualmente afastar-se da imagem produzida por aparelhos mecânicos, e o desafio publicitário então passou a ser a preservação e continuidade da ilusória idéia de haver de fato um referente, um real, sem que se perdesse a capacidade de reprodutibilidade daquela imagem.
Tarefa fácil para computadores, softwares, e talentosos engenheiros; a resposta foi a modelagem 3D + ilustração digital + fundos fotográficos. Na Europa e Japão, a quase totalidade dos automóveis, motocicletas e artigos eletrônicos de última geração não são mais fotografados, e sim modelados e renderizados; o resto do planeta “seguiu a tendência”.
A gritaria, por parte dos fotógrafos, foi ampla e irrestrita, e a frase mais ouvida naquelas mesmas rodinhas foi:
“Isso não é fotografia.”
Será que não é mesmo?
Hummm…

Modelagem interior
A lógica sequência de eventos foi a adoção dos mesmos princípios pela indústria de arquitetura, venda de imóveis, decoração, hotelaria; as revistas e editoras não se acanharam, e substituiram fotógrafos por artistas digitais; departamentos de TI passaram a ser mais importantes que os de criação.
E a berraria continuou; na verdade aumentou, quando, sem pudor e sem pedir licença, os aparelhos, a mecânica por vezes idolatrada pelo fetichista funcionário-fotógrafo, passou a decidir tudo sozinha, incorporou vídeo, deixando a caixa preta cada vez mais indecifrável… Mais programada….
E os aparelhos se libertam da imagem estática, permitindo o surgimento de sequências de stop-motion, menos concretas que a fotografia, menos fluidas que o cinema e vídeo, um híbrido com possibilidades criativas inovadoras.
Passing By por apitel no Vimeo. Making of: clique aqui.
E claro, muito mais gente se uniu ao já cansativo coro:
“Mas isso também não é fotografia!”
Será que não é mesmo?
Hummm…
Filosofias (vejam os princípios do “Realismo Estético” e me digam o que acharam!) , escolas de pensamento, seitas, movimentos dogmáticos, a eterna tentativa de encaixotar e definir, em apresentar regras e localizar, são inócuos frente a inevitável evolução da linguagem.
Linguagem essa que se vê livre, se liberta finalmente da obrigação do “registro”, que quebra o espelho e se permite ser reflexiva, abstrata, íntima ou emotiva; uma sintaxe de língua viva, que adquire um vocabulário mais abrangente, menos superficial, mais elaborado.
Erudito e popular.
Universal.
[ Parênteses: Fui há algumas semanas ver a exposição do famoso fotógrafo americano Steve McCurry na Galeria de Babel, com curadoria do Eder Chiodetto. O que me impressionaria muito há dez anos, como a qualidade dos prints (impecáveis), nada. Fazemos igual por aqui, hoje. As fotos do gentil senhorzinho? Algumas icônicas e conhecidíssimas, outras coloridas e dinâmicas, todas boas e algumas obviamente planejadas. Os retratos, precisos em suas interações cromáticas e coesos quando vistos em conjunto, não são apenas obra do acaso, não são "registros"; há um teatro, uma orquestra, direção de cena, figurino, iluminação, uma preocupação estética indelével. Então o que faz daquela uma exposição de arte, se pensamos em contemporaneidade, não é a técnica, não é o assunto (o referente, aquele fantasma que sempre volta!), não é a intencionalidade do fotógrafo, posto que vemos apenas a estetização da documentação.
A arte está na montagem, na disposição das imagens na parede, na escolha. Artista, aqui, é o curador... Fecha Parênteses]
“Ahh, isso não é fotografia! O fotógrafo tem que ser o artista…”
Será que não é mesmo?
Hummm…
A fotografia contemporânea, liberta de suas históricas amarras e livre das responsabilidades limitadas de registrar o que está a sua frente, tem e permite todos os (im)possíveis caminhos que inventar, que sonhar.
Eu, particularmente, gostaria de ver mais Jasper James na National Geographic…
E mais Georges Rousse em todos os lugares.
A arquitetura, a fotografia pensante, a arte, só ganham com a existência do trabalho de artistas contemporâneos como Felici Varini e Georges Rousse; na verdade, trabalhos ilusórios e impermanentes como os de Rousse são exemplos de inteligência, consciência e poesia cada vez mais presentes nos descaminhos da fotografia tradicional; sem a fotografia, o seu trabalho não existe, não é nada; o realizado nesse caso é a fotografia, e não o oposto.
Só posso concluir que, contra a gritaria dos que insistem em definir o que é ou não fotografia de acordo com suas próprias limitações, as reflexões concluem; a fotografia é muito mais que apenas uma das suas múltiplas personalidades, a fotografia é o que queiramos que ela seja (dentro de sua personalidade), a fotografia é orgânica, crescendo em constante evolução.
Desculpe, mas tudo isso pode ser fotografia.
Discorda? Concorda? Deixe seu comentário!
Update 01: O Georges Rousse vem para o Paraty em Foco e ocupará um dos espaços da cidade com uma obra inédita; isso será, verdadeiramente e sem exageros, imperdível!
Update 02: Vejam o que o Eder Chiodetto escreveu nos comentários do blog do Paraty em Foco sobre Rousse:
“Georges Rousse é um dos artistas mais instigantes da atualidade. Ele vira a nossa percepção do avesso, mostra de forma extremamente poética que a faculdade do olhar é absolutamente frágil, que a apreensão das coisas estão muito além do que o visível pode revelar. Poética de espaços, de vazios, de incompletude. Suas obras nos mostram, sorrateiramente, que a fotografia “mente” sempre e que, portanto, é uma via de acesso genial para a ficção, para o mundo sensorial… Grande momento esse em Paraty! No ano passado conseguimos trazer duas belas obras dele para a exposição “A Invenção de um Mundo”, acervo da Maison Européenne de la Photographie no Itaú Cultural. Parabéns aos organizadores!”
Eder Chiodetto










61 Comentários
Concordo!! Vejo a fotografia exatamente assim: crescendo e em constante evolução!
Acho interessante essa discussão sobre o que é ou não fotografia. Interessante, pois ela se dá, principalmente pela não aceitação -por parte de alguns – da evolução da fotografia.
A teconologia permitiu à fotografia uma evolução fantástica e inúmeras possibilidades de utilização e interação com outros meios, outros profissionais.
Não é possível mais, a essa altura do campeonato, limitar o uso fotográfico às páginas de jornais e revistas no modo tradicional. A fotografia, além do documental, jornalístico, está presente nas galerias de arte (e ganhando cada vez mais espaço nesse meio), há tempos na publicidade (onde, vale lembrar, se vende sonhos) e serve de subsídio para outras áreas profissionais no desenvolvimento de seu trabalho.
E nessa interação, toda evolução aprendida e adquirida é permitida sim! O mundo se transformou, e por que não a fotografia não se transformar, não interagir?
O pensamento fotográfico – daqueles alguns mencionados no começo – precisa evoluir junto com a fotografia. Quando isso acontecer, não se discutirá o que é fotografia, mas como é a fotografia. E nesse caminho, as provocações são sempre bem vindas!
Parabéns pelo tópico!
É imagem, é evolução e pode ser talento também com Jasper James ou no meu caso saber olhar para tirar o resultado. Há duas fotos na apertura de meu site – http://www.pepemelega.com – que apesar do efeito não há PS, não a dupla exposição e sim só há jogo de luz e reflexos, isso pode ser facilmente criado na edição e depois de pronto é uma imagem como qualquer outra que pode cair no gosto ou não. Demorou para aprender que não importa o quanto difícil é, o quanto de edição há, mas o que importa é a imagem que se apresenta. É essa a realidade atual. Abs
Polemico assunto, boa materia….i like
chorei!
É Sim fotografia, existem varios meio de expressar “arte”… independente de que maneira ela for.
Meu comentário não é bem uma opinião formada, está mais para um questionamento até mesmo pessoal.
Isso não se trata de um conjunto de trabalhos?
Nas imagens você pode ter (ver) a ação de um fotógrafo, de um ilustrador, de um diretor de arte, dentre outros. Concordo no ponto em que Ayrton diz que é uma imagem, mas daí a ser considerada uma fotografia, é meio estranho. Creio que estas imagens não devem ser comparadas aos retoques dados em modelos. É bem diferente, a modelo não deixa de estar em determinado local por causa de algumas manchas que foram tiradas. Assim, um anúncio de roupas de praia finalizado (com textos e a logo da empresa), também seria uma fotografia.
Acredito que isso tudo é um conjunto de ações de vários profissionais, capacitados (não tiro o mérito de nenhum deles), mas ser uma fotografia, não acho.
E Clício, a cada dia que passa me surpreendo mais com suas proposições e colocações. Fantásticas! É para fazer pensar e discutir mesmo. Parabéns!
Partindo do básico, voltamos ao grego φως [fós] (“luz”), e γραφις [grafis] (Pincél), que nada mais é que grafar com luz, fotografar.
Câmara escura, Photoshop ou 3D são apenas instrumentos para essa tarefa.
Ou um desenho deixa de ser desenho porque o artista usa um lápis 8H, HB ou 2B ?
E se a ferramenta é alterada, se para o mesmo grafismo fosse utilizado nanquim, deixaria de ser desenho? Ou apenas estilo seria alterado?
Uma escultura deixa de ser escultura por ter sido construida em bronze ou granito?
A técnologia só veio agregar ferramentas em nosso ofício/arte.
Mas não nos faz pensar melhor ou pior.
Da mesma forma que, tempos atrás, escolhíamos filmes Vélvia, Próvia, etc; Da mesma forma que trocávamos de lentes…
Apenas meras ferramentas !
Reproduzindo o último parágrafo:
“Só posso concluir que, contra a gritaria dos que insistem em definir o que é ou não fotografia de acordo com suas próprias limitações, as respostas são claras; a fotografia é muito mais que apenas uma das suas múltiplas personalidades, a fotografia é o que queiramos que ela seja, a fotografia é orgânica, crescendo em constante evolução.”
E mais,
“Uma câmera fotográfica é tão importante para uma boa fotografia quanto um lápis é para um bom romance”
Meras ferramentas.
Abraços e, obrigado pelas idéias.
Taygoara
O pior é que é!!!
Pode não ser chamado de fotografia, mas é IMAGEM, assim como retocam os rostos das modelos para deixar a pele suave, jovem, irreal, e continuam chamando de fotografia.
Estes carros modelados em 3D são fotografias
Até porque todos estes “produtos” eles são modelados e usam como parte fundamental da modelagem, para a LUZ, e para os reflexos, e textura, imagens panorâmicas de 360 graus feitas em HDRI.
Como semana passada mesmo fiz de 4 pontos da Cidade do Rio de Janeiro, que 2 já estão no meu site em Aterro Flamengo: http://migre.me/TwxB e da Lagoa: http://migre.me/TrC5 para que sirvam na modelagem 3D em CGI de um anúncio de CARRO 4X4 que está sendo construído virtualmente para a TV
Futuro ???
Não mais, já está aqui entre nós tem tempo.
Abçs e mais uma vez parabéns
por cutucar a galera com tuas reflexões.
AYRTON
Clício,
A sua matéria não é um cutucão, é um soco no estômago! Você está ácido, abrangente, pós contemporâneo!!! E viva a liberdade técnica! Adorei! Um grande abraço,
Alice
Não consigo enxergar um carro modelado em 3D como fotografia no sentido literal da palavra. São imagens que usam a fotografia como base para criação, mas que não são fotografia. O resultado final pode ser similar, mas o processo que deu a origem não é.
Mas, enfim, acredito que preciso rever os meus conceitos.
Abraço.
Concordo Clício, por que usar truques que pretendem fingir uma boa foto, quando dá para ver que não é? Ou para que misturar ilustração com foto, desenho na mesma imagem? Excesso de informação que esconde, sem acrescentar valor nenhum ao produto. Qualidade faz diferença.
Será que o trabalho do Steve McCurry não é registro? Ele está lá, naquele momento. Ele não monta uma situação, quando ele vê algo que vale retratar ele apenas procura um melhor ângulo e luz para isso, fazer um retrato melhor.
Marcos,
Primeiro: Quem disse? Como podemos saber se ele montou ou não?
Segundo: O que eu disse é que registro não é mais sinônimo de Fotografia, ela é multifacetada. Ele não precisa fazer registro nenhum para fazer fotografia…
Obrigado por comentar!
Clicio
Clício;
Adorei o seu artigo. Gostei de ler. Quem escreve tem sempre duas expectativas em relação ao leitor: ele interessar-se pelo assunto e ele gostar de ler. São duas esferas diferentes. Podem andar juntas, e neste artigo andaram.
Para a questão, tenho uma resposta já meio antiga, resposta essa a venho usando há bastante tempo e colhendo muita incompreensão devido aos termos escolhidos para defini-la. E a escolha dos termos é proposital, pois a palavra-chave tem por objetivo mesmo provocar certo incômodo no leitor. Porque é na tensão desse incômodo que penso estar o problema.
Minha resposta é: diante das infinitas possibilidades, cada criador deve assumir um dogma que circunscreva, delimite e vertebre sua obra.
A palavra-provocação aqui é “dogma”. As pessoas a detestam. Quando escrevo isso elas têm vontade de me agredir ou de me chamar de careta. Mas a uso precisamente por isso.
Porque falar de limitação, e de limitação assumida? Bem, exatamente porque nossa época herda da época anterior o mito da liberdade, e esse mito diz mais ou menos o seguinte: “havendo todas as possibilidades, eu devo segui-las”.
Porém, tal mito era um bom mito libertário na época em que havia um caminho, e um novo caminho-vanguarda, e outra vanguarda, e outra ainda. Seguir isso era ir de vanguarda em vanguarda em direção a territórios cada vez mais vastos.
Contudo, os tempos mudaram. Hoje já não há mais vanguarda, não há mais liberdade porque não há mais prisão, o que há é simultaneidade. Todas as possibilidades são válidas, e nenhuma é melhor apenas porque é mais nova, isto é, nenhuma mais pode querer para si a validação glamurosa da vanguarda. Tudo pode, mas onde tudo pode facilmente caímos na anomia, em um estado de descartabilidade ampla, em um estado plasmático onde a matéria dissolve sua estrutura.
Em meu entendimento, a tarefa de nossa época é exatamente criar caroços nessa geléia-geral. Criar núcleos de solidez. O autor não mais deve explorar todas as linguagens, não é isso que interessa. O autor deve aprofundar-se em algo.
O autor deve renunciar ao tudo em prol desse aprofundamento, pois o tudo é uma liberdade que não mais significa, que não é mais valor. E essa renúncia acontece pela enunciação para si mesmo de um dogma. O seu dogma.
O autor deve declarar para si mesmo o que ele quer fazer. Quer fazer stop-motion? Ótimo, que faça. Faça isto, não aquilo. Quer fazer fotografia? Ótimo, também. Quer fazer um híbrido do híbrido? Também pode. Mas em todos os casos, fará algo que não será tudo. E deve ter coragem para isso, sem tentar dizer que o novo fazer é também isto ou aquilo.
Lá nos anos 70 conheci um dos poucos autores de música eletroacústica do Brasil. Fui a um espetáculo, a sala vazia com gravadores tocando a peça, e depois conheci o sujeito, e fiquei espantado porque ele fazia questão de dizer-se músico, de ser aceito na Ordem dos Músicos e coisa e tal. Fiquei espantado porque o que ele fazia bastava-se, sem ser necessário chamar de música ou do que fosse.
Então, desse seu texto, eu aponto a questão “isto é fotografia” como uma questão dessas. Para que precisa ser fotografia? E, por outro lado, por que aquele praticante da fotografia precisa ampliar-se nesses novos campos?
As artes passaram por crises semelhantes, mas hoje a pintura é pintura, e pronto. Não aconteceu de tudo virar pintura nem dos pintores obrigarem-se a novos suportes, e os pintores assumiram um dogma, um limite do que seria pintura, sem, entretanto, impedir, negar, desvalidar, outras formas de arte. Para que chamar de pintura o que não é?
Penso hoje ser necessário, diante do perigo de tudo ser nada, cada um definir o que é sua produção, definir os limites criativos que deseja. Não como uma condenação, como imutáveis, mas como contingentes ao que fazem em um período.
Não, isto não é fotografia. Mas não ser fotografia não significa que seja ruim, que seja menor que a fotografia, etc. Isto são novas formas de produção visual, aparentadas com a fotografia assim como o cinema é aparentado, assim como a renderização 3d é aparentada com o desenho. São artes visuais. Substituirão certos usos da fotografia, talvez aí sim a angústia dos fotógrafos.
Mas é na escolha do dogma pessoal que um autor se define.
Bem legal o Post, mas realmente é polêmico e confuso. Principalmente se vc está defendendo algum lado, seja do 3D, seja do fotografo tradicional e desvirtua do fator importante, ou seja fotografia. Fotografia pra mim é um termo abstrato que não define um papel na mão com uma imagem, e sim a captura de uma forma de visão.
Ou seja, 10 pessoas podem tirar foto de uma cadeira, mas só os fotografos faram fotos realmente interessantes. Seja essa cadeira um modelo 3D ou não. Fotografia pra mim não tem exatamente a ver com o meio que ela é “capturada”, ou com o meio que é mostrada. Ela não depende somente desse meio, ela é o conhecimento e a forma de expressão do que vc está vendo usando o mais unico dos filtros, ou seja, você mesmo. Isso carrega modificações de angulo, do movimento (ou não) da imagem, da lente, do contraste, do enquadramento dos elementos, da profundidade de campo, dos planos e por ai vai.
Eu trabalho com 3D a uns 15 anos ou mais, preciso trabalhar com realismo, apesar de ser o que eu mesmo gosto artisticamente, até pq replicar a realidade não necessita de tanto esforço artistico assim, é muito mais um trabalho técnico. A parte artistica à realidade quem tras é exatamente o conhecimento da fotografia. Um cara que sabe 3D e faz coisas realistas e não tem conhecimento fotografico só vai se dar bem com vizualizações “industriais/arquitetônicas”, ou puramente técnicas. Não adianta nada vc replicar a realidade sem torna-la atraente, isso faz seu conhecimento de 3D não servir pra muita coisa.
Até mesmo pq eu sempre disse,computador não é ferramente e sim uma barreira. Um bom artista 3D não tem que se vangloriar de saber fazer bem o que faz. É o mesmo que um desenhista se vangloriar de saber desenhar. E um fotografo de saber apertar um botão pra tirar uma foto.
O que muda em cada um desses profissionais é um conhecimento técnico e bom gosto/senso/talento com fotografia. Só assim ele imprime alguma coisa interessante à realidade, e é pra isso que servem fotografos (Ao meu ver).
Ou seja, um cara que sabe 3D e vai pra fotografia não tem nada à acrescentar pois tudo que ele aprendeu já está pronto no mundo real, o render dele fica pronto num abre-fecha de diafragma. A partir desse ponto o que faz ele criar imagens interessantes ou não é ter conhecimento de fotografia e ser um bom fotografo/observador. E entender como criar uma imagem diferente, bem produzida tecnicamente e de impacto visual.
Já um fotografo ir pro mundo do 3D já traz uma bagagem de conhecimento que poucos tem, e que o 3D sempre tenta correr atrás, replicar e falar a mesma lingua. Só mudam os meios e vc ganha algums facilidades, porém nunca pensando que o trabalho se torna FÁCIL, pois vc pode ficar SEMANAS pra conseguir um resultado que num estudio vc conseguiria em simplesmente segundos. Com uma velocidade imbativel de modificação de luz, e “render” que nenhum computador no mundo tem, e com o plus de estar no mundo fisico real, onde as coisas funcionam como deveriam funcionar.
Então espero ter dado meus 2Cents nesse papo, que é muito legal e só é polêmico se vc toma algum lado por paixão. Eu tentei ser explicito e factual nesse texto e embora escreva demais, acho que consegui deixar minha opinião clara.
PS : Eu estudo fotografia quase tanto quanto estudo 3D, mas não me considero nem de longe um fotografo profissional. Mas o estudo de fotografia eu considero ESSENCIAL para melhorar/evoluir meu trabalho.
Grande abraço !
Concordo com Letícia Paes e Rodrigo Bertoli. Fotografia é “foto”"grafia”, queiram os modernos ou não. Uma imagem é fruto de várias técnicas e artes. A imagem pode ser fotográfica, pictórica, serigráfica, 3D…mas cada uma é fruto de uma técnica. Uní-las para a produção de uma imagem, de um novo conjunto artístico, não descaracteriza suas particularidades.
Marcelo,
Não, não defendo “lados”; as artes visuais se interligam, são hoje sobreposições, fusões.
Defendo a fotografia livre de preconceitos e de paralisia crônica; outros defendem a fotografia-museu, da qual também gosto, mas não poderia produzir ad nauseum; a evolução é vital…
Ivan,
Fiquei em choque com seu comentário!
NUNCA tinha pensado desta forma, e te agradeço por ter colocado essa possibilidade, interessante e bastante lógica. Sou um pouco avesso a compartimentos (dogma não me dá arrepios…), e a favor da fluidez, mas foco pode realmente trazer resultados mais profundos.
Bom poder conversar com todos vocês!:-)
Clicio
Milton,
Obrigado pelo “modernos”. Não mereço o rótulo.
Mas…
Discordo de vocês.
Graças a Deus, senão seria uma chatice, né?
Clicio
Bom se você colocar a filosofia da caixa preta como foco da questão, facilmente vamos perceber que a fotografia existe desde os tempos que o homem representava/pintava cavernas. Sucessivamente, as pinturas, tanto abstratas como as retratistas, eram uma tentativa de representação, um meio de externar/revelar o conteúdo dessa caixa preta que podemos chamar de “consciência”, um filtro da realidade em que estamos situados.
O advento da máquina fotografíca, ou das imagens técnicas iniciado com Daguerre, Talbot etc, é tido como uma evolução de representação desse filtro, só que imediato, instantâneo, proporcionado por uma ferramenta.
Dessa forma, o fato de denonimarmos algo como fotografia ou não já começa como um equívoco, um vício de profissão mercadologica, pois a raiz da questão é a vazão do que passou por esse filtro que está em nossa caixa-preta e se tornou uma imagem.
Portanto, analisando por essa perspectiva, considerar isso fotografia ou não já é um equívoco, pois se trata de uma conexão entre a caixa preta e o mundo real, representado/externado por uma imagem, “a picture” como se diz no inglês quando se quer fazer-se entender algo.
Agora, se você olhar do ponto de vista técnico, ou até por um processo artístico de obtenção de uma imagem, há de convir que uma ilustração 3d é uma ilustração 3d, uma ilustração 2d é uma ilustração 2d, e uma foto tirada no instantente da minha festa de aniversário de 26 anos, isso sim é uma fotografia.
Espero que eu tenha conseguido explicar, senão vou ter que fazer uma foto, ou desenhar, ou um render 3d =)
Opa Clicio, lendo meu texto logo que postei achei que me expressei mal no começo quando falei sobre “defesa dos lados”.
Achei que realmente ia parecer que estou falando do seu texto e não estou o certo, pra ficar melhor colocado seria eu dizer…


kkk
Discutir esse assunto do qual o artigo trata só é polêmico se quem está na discussão tomar “partes”, o que eu tentei não fazer no meu texto e também não foi tomado no Seu Artigo Clicio. Eu me expressei mal mesmo, ficou com sentido dubio.
Até pq eu como não fotografo seria o primeiro a defender o 3D e pelo contrário, não defendi, defenti a fotografia, mas como forma de cultura e conhecimento não como tradicionalmente ela é vista por muitos.
O Texto está otimo e não vi vc defendendo lados.
Fica a correção do meu texto pela minha colocação pouco clara no inicio do meu primeiro coment (O gigantão). E peço desculpas também pq eu escrevo PACAS. kkk .
Vlw Clicio,não sou sombra, mas tô te seguindo no Twiter.
Ass : @msouza3d
Abraços aos Fotografos daqui, sejam eles analogicos, digitais, ou 3D.
Ahh, vou deixar um link com outro titulo, “Isso não é filmagem” :
http://vimeo.com/7809605
Esse video rodou e ficou famoso a pouco tempo no meio “3D”, e em toda internet. Quem não viu, veja, alguns vão se assustar, mas o cara teve tempo livro, render pacas, bom gosto na edição angulos, e usou e abusou do Vray (renderizador MUITO usado pra renders realistas em arquitetura). E principalmente (O que faz uma grande diferença), pós produção, angulos, cores, Color Grading/luz, foco, ou seja. “Fotografia”.
Um trabalho absurdo e épico, de 1 cara, com muita paciência, técnica e bom gosto.
O Video é impressionante em muitos momentos. Mas se vc esquecer que é 3D e simplesmente imaginar que um cara pegou uma camera e foi pra uma locação e fez isso, o video continua legal, e eu costumo muito fazer isso pq toda parte técnica é trabalhosa, mas eu conheço, eu prefiro separar o “WOW” que trabalheira que deu, do “WOW” tá realmente bonito e legal esse trabalho, independente de como e onde foi feito. Infelizmente nem todo mundo vê assim, muitos se impressionam mais com a tecnica do que com o bom gosto de juntar tudo num resultado legal, principalmente na minha área. As pessoas esquecem que técnica se aprende e se ensina, bom gosto, tato, olho, só com a experiência e o tempo.
Ivan de Almeida disse tudo. Limitar conceitos artísticos é limitar a própria arte, que deve ser, por conceito (veja só), livre.
o Ivan foi perfeito. Desde que criou-se a fotografia criou-se uma necessidade enorme de defini-la como arte, e aceitar seus praticantes como artistas. Uma busca incansavel se fez a esse respeito, e desde entao comecou-se a descaracterizacao dessa forma de expressao.
Usando um discurso de modernidade e tudo mais continuam o massacre historico do que seja fotografia.
Eh um absurdo chamar modelagem de fotografia, que a arte esta no curador e nao no artista. Marcel Duchamp, Andy Wharol tiveram seu valor e seu momento, mas precisamos ser criticos em relacao a estes.
Acho que precisamos respeitar mais a fotografia e aceita-la como ela eh, e nao ficarmos engolindo qualquer baboseira. Fico muito preocupado com leio algo assim.
De qualquer modo valeu pela discussao.
Clício,
Foi o próprio Steve McCurry que disse numa entrevista à Globo News essa semana:
http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1607347-17665-337,00.html
Marcos
Claudio,
se eu fizer uma foto de minha tela de computador que mostra uma modelagem 3d, o que é foto e o que não é?


OK, vamos respeitar a fotografia; Como ela é?
OK, o curador não pode ser artista? O fotógrafo não pode ser apenas…fotógrafo (por melhor que seja), mas não artista?
Não fique preocupado com as bobagens; são elas que mudam o mundo…
Muito boa máteria! Tô divulgando em todo lugar possivel!
Clicio, como não te conheço bem, minha primeira surpresa foi ler uma referência ao W. Benjamim logo no início do seu texto. Surpresa agradável, claro, pois tenho um aprço especial pela obra dele.
Gosto dos seus textos porque você é um fotógrafo que pensa e faz pensar. E por mais que eu pense, não consigo firmar posição em relação a esse assunto. Seria fácil concordar que é tudo fotografia se você não tivesse tomado como exemplo as ilustrações renderizadas em 3D, que me parecem mais aparentadas com as ilustrações hiper-realistas feitas com aerógrafo de um Yoshihiro Inomoto, por exemplo. Quanto aos outros artistas citados não tenho dúvida: é fotografia, sim! Independente da ferramenta ou da técnica utilizada, e do grau de interferência do autor, “aquilo foi” (parafraseando Barthes).
Por outro lado, acho que a choradeira é uma reação inútil à inexorável evolução tecnológica. O exercício do “jus esperneandi” (o direito de chiar) é a primeira reação daqueles que temem sair da zona de conforto. Mas a caravana continuará passando, indiferente aos latidos.
Excelente post e replicas, principalmente a do Ivan. Me fez parar pra pensar, nessa corrida e ânsia de domínio das tecnologias, todas. Um pouco motivado por esse sentimento fiz um curso de 3D e vi que para conseguir resultados “reais” ou melhor dizendo foto realísticos, é necessário muito, mas MUITO trabalho duro. Eu na minha ignorância, achei que tudo fosse mais simples, prático e rápido.
Continuo me impressionando com os trabalhos em 3D, principalmente as partes de textura, iluminação e render. Mas passar 8 ou mais horas diante de um computador, criando essa “realidade” vi que não é pra mim.
O negócio é fotografar, seja com a mente, camera ou software 3D. Quem faz é o artista.
Aproveito e deixo um link incrível, TUDO feito em 3D pelo artista espanhol Alex Roman
http://vimeo.com/7809605
Entrevista com o artista.
http://bit.ly/c1AO8n
li, reli, várias vezes.
o texto é muito bom, consegue condensar assuntos complexos.
da vontade de ler em conjunto para levantar as questões.
discordar da codificação. etc.
no final não é o dispositivo mas o agente.
achei muito interessante o que o chicow falou. concordo com ele em vários pontos.
o que tem me feito pensar ultimamente no ser enquanto consciência. experiencia x cultura.
vou voltar aqui para ler outros textos.
um abraço
Isso tudo é patético, sabe porque?
Porque o vender está implícito no todo.
Arte é espontânea, momento, inspiração, momento, corta, dá frio na barriga.Estética, téc(nologia)nica (entedeu?rs), é mera formalidade, e não surpreende, é volátil.Como o novo iphone geração 1 é obsoleto.Mudou o mundo?Mudou.Mas não o meu, nem o seu da forma que deveria ser.
E como deveria ser a mudança?
Real.
Beijos e paz,
Bernardo Vaghi
Hummm

Clicio, é fotografia, é imagem.
É fruto de uma produção baseada no uso das tecnologias permitidas, que por vezes são criadas para tal propósito.
O mais importante ao meu ver, é que esse fruto está ali e ponto.
Cumprindo seu papel, que é despertar desejos e alimentar sonhos.
Sonhos que iludem a grande maioria pulsante, a ponto de oferecerem gratuitamente seus trabalhos, sejam ensaios fotográficos, fotografia de casamentos, ilustrações, iludidos com a “grande” demanda de possiblidades que esse tipo de “promoção” poderá proporcionar.
Isso sim, – me desculpem os iludidos – não é fotografia.
Fotografia é arte?!
Sendo ou não, é um produto, portanto igualmente deve ser comercializada, independentemente da maneira que foi gerada.
Parabéns por seu texto.
Abraços.
Ayrton,
É essa diferença que, talvez, o texto não tenha deixado tão explícita.
Existe a fotografia comercial, publicitária, que rapidamente vai sendo substituída por tecnologias que afastam ainda mais o produto “real” de sua imagem;3D é só uma dessas tecnologias.
Existe, por outro lado, a fotografia como meio de expressão, e esta já se descolou do referente há muito tempo.
Se eu zipasse este post, ficaria assim:
“A fotografia se torna cada vez mais abstrata, conceitual e ampla. Que bom.”
Clicio
Clicio,
Muitos trabalhos artisticos tiveram essa provocacao do que eh real, pois a ideia inicial da fotografia era do espelho, da representacao do real, por isso inclusive a fotografia nao era vista como arte.
Agora, pelo seu raciocinio se eu fizer uma foto sua o que sera foto? Claro que nao sera voce enquanto pessoa fisica, assim como a tela do seu computador com um modelo 3D nao sera. Posso questionar se a fotografia representa a tela, se ela representa voce, mas isso eh outra coisa.
Nao tenho nada contra evolucao, so nao aceito que mudem conceitos e definicoes do nada. Carro eh carro, aviao eh aviao.
Nao comecemos achar que toda imagem eh fotografia, acho sinceramente que nao eh por ai o caminho. Senao escaneamento sera fotografia tambem, ilustracao digital tambem e ai por diante.
E vamos que vamos com as discussoes, essa sim movem o mundo.
Acho que voce ja recomendou no Twitter, mas reforco sua recomendacao. Leiam o excelente livro Fotografia entre Documento e Arte Contemporanea do Andre Rouille, editora Senac.
Tá vendo, é por isso que sou sua fã de carteirinha! O futuro está em tudo aqui e agora. Enquanto uns ficam a espernear relutando, outros entusiastas vibram. Ao meu ver “É fotografia sim !!!” Fotografia é a matéria prima, fotografia é a base da criação de imagens.
E respondendo:
A primeira pergunta eu ja respondi dentro do texto anterior.
OK, vamos respeitar a fotografia; Como ela é?
Simples, eh a captura de algo atraves de uma camera escura.
OK, o curador não pode ser artista? O fotógrafo não pode ser apenas…fotógrafo (por melhor que seja), mas não artista?
Curador pode ser artista, tenho minhas sobre isso, justamente por nao querer banalizar o termo artista e arte.
Quanto a todo fotografo ser um artista acho que nao. E eu sou um que nao sou, sei das minhas limitacoes.
Sebastiao Salgado e Steve McCurry se dizem fotografos (documental) outros os definem como artista por verem uma questao estetica em sua fotos, veja como sao as coisas.
Essas questoes sao amplas e estao na crista da onda, desculpe se chamei de bobagem, a ideia nao era ser grosso. Desculpe-me.
Nem sei se posso dizer que sou fotógrafo, muito menos artista, afinal vim da área de TI e me formei em administração de empresas. Nunca fotografei em filme, só conheci o digital. O fato é que vendo este texto, e como não me incluo na lista de fotógrafos artistas, vejo que sim, tudo isso é fotografia. Como você cita Clicio, ORGÂNICA. Faz parte do universo a lei da evolução, independente de crença, isso é fato. Dobramos nosso conhecimento a cada cinco anos, uma velocidade simplesmente impressionante, mas não queremos isso da fotografia, interessante o contra-senso. Médicos diziam que o ovo era o grande vilão para doenças coronáreas, hoje é um aliado, e essa verdade pode mudar a qualquer momento, eu espero que anunciem que o bacon seja a cura para todos os males. Acho que o que fica é que não importa o que seja ou não denominado como fotografia, se como profissionais evoluirmos, nosso conceito também muda e no final não precisamos muito de conceitos, precisamos trabalhar no que acreditamos e de alguma forma usar isso para melhorar a vida de quem nos rodeia.
Abç
Eder
Clicio,
Sempre me pareceu que buscar uma definição que tornasse rígidos os limites da fotografia era uma batalha perdida. Felizmente, ela é muito mais do que um testemunho de existência, um “isto-foi” como diz o Barthes. No entanto, o seu uso comercial e jornalístico se apoia nessa premissa, já que é o seu valor certificador que dá credibilidade a propagandas e jornais. E é irônico que a publicidade seja a primeira a descartar o processo fotográfico tradicional para buscar melhores formas de se obter o hiper-realismo necessário à sua função. Sem, no entanto, deixar de mimetizar a fotografia, como você disse (no Twitter), pois ela ainda precisa do referencial fotográfico para parecer real, uma vez que é este referencial que está presente na nossa cultura.
Parabéns pelo artigo.
Abraços.
Tenho em vista que a fotografia significa desenhar com luz, acredito que apartir do momento em que algumas alterações (montagens), são feitas nos registros fotográficos pode mudar a situação e fazer com que uma fotografia passe a ser apenas uma imagem. Mais isso não se aplica a todos os tipos de alterações!
Segundo meus pensamentos, ate então!
Na minha opinião tudo é fotografia… imagem registrada, produzida, reciclada, tratada, conceitual, publicitária, casual, profissional, a discussão é muito maior que decidir o que e, se é ou se não é, isso é a evolução, ou como diria Caetano Veloso, “Ou não!” enquanto temos Reinderização 3D, temos tambem projetos de registros em pihole (http://www.costagrande.com.br/) temos as fotografias 3D, HDR e temos quem continua fotografando em pelicula, o importante é ter opções, quanto maior a variedade melhor, diversificação, ampliação, difusão. Depois de algum tempo a moda passa o “retrô” volta e tudo começa novamente. É ciclico as coisas vem e vão, o que for bom fica o resto será descartado.
Parabéns, bom texto, estimula a reflexão.
Marilton Trabuco
Texto polémico, e concordo em parte: O que importa é o resultado final, não é? e nem sempre o resultado final é fotografia, pode ter uma parte, mas não é fotografia…
Fotografia real, não pode ter edição/alteração na estrutura da imagem… A arte, é o resultado final e a fotografia está na arte!!!
Vc cria um universo “foto”+ Arte = ???? Evolução sim. “Pode fazer uma foto super dificil = a do Pepe no site ou simplismente,criar reflexo no photoshop… Sou fan desse universo http://www.lachapellestudio.com/ , apaixonado nesse outro http://www.davehillphoto.com/ , surreal esse cara http://gabrielwickbold.com.br/ , Então Clicio, sou obrigado a concordar com vc!!! abs
Podem considerar como sendo, ou não sendo.
Mas eu dou valor a foto de raiz, de quem pegou a lente na mão para capturar o momento.
CG tem seu (grande) valor e também é arte sim, mas não foi fotografada, foi renderizada, muitas vezes com um trabalho e dificuldade maior do que uma foto…
Só vamos todos tomar cuidado e não fazer como um certo cineasta famoso, que nos anos 70 fez um filme épico quase sem recursos, mas cheio de história e emoção, e recentemente tentou contar o começo da história com toda a tecnologia do século XXI e ficou lamentável.
Ótimo artigo, todo fotógrafo tem sempre que continuar aprendendo.
Confesso que já me incomodei quando alguém referia-se à fotografia como imagem. Hoje não. Há poucos dias eu pensava em Anselm Kiefer e de como sempre ví seu trabalho como fotografico, apesar de seu híbrido de pinturas e colagens nem sempre usar a fotografia.
Pós produção é fotografia?
Fotografia já era quando sombra chinesa. Só não conseguiram fixa-la, se não na mente.
Que beleza de texto, Clício!
Enfim, o conceito de fotografia, como o de qualquer arte, é dinâmico.
E vamos em frente que tem muito trabalho para fazer… e aprender.
Um abraço!
Fotografia ou não, são belos os trabalhos que você mostrou aqui, e mais uma de suas ótima reflexões sobre a evolução da imagem. Parabéns, Clício
Novamente um belo texto Clicio!
Me fez lembrar de um trecho de um texto de Duane Michals:
“Qualquer um que define fotografia me apavora. Essas pessoas são foto-fascistas. Os limitadores. Eles sabem! Temos de lutar para nos libertar constantemente, não somente de nós mesmos, mas, sobretudo, daqueles que sabem.” – Fotoestérias de DUANE MICHALS, publicada em 1976 .
Para continuarmos a pensar no assunto!!!
Abraços!
Falam em limitação, de “liberdade”, de ser contra compartimento, dogmas e etc, isso é conveniente para justificar imagem que sem uso de computador não existiria ou seria mediocre….Na real o mérito final é mais do operador e do programa super-hiper-mega avançado, do quem de quem fez o click…Isso para mim não passa de enganação (afinal a história da fotografia e seus mestres “reais” nem sempre passou pelos bits,pcs e macs…),naturalmente que esses “modernos” (os Mr.photoshopeiros da vida) vão falar outra coisa….e falam em limitação de visão…incrivel.
Para mim as coisas são bem simples: na publicidade pode-se tudo; no fotojornalismo a ética perdura, a não ser, quando, um editor sem escrúpulo algum, resolve tirar um pedaço de braço de uma vítima por uma explosão que foi, de novo, debitada na conta de Bin Laden, lá na espanha, resultando na derrota de um presidente crápula que enviou vários assassinos espanhóis até as terras afegãs e iraquianas como se fosse no tempo das cruzadas ou no período do descobrimento das Américas.
Com pouco trabalho de photoshop, vários carinhas fizeram o mesmo trabalho em alguns jornais, e deram sumiço no pedaço de braço de uma infeliz vítima e ficou por isso mesmo, sob uma chuva de críticas, e, os manipuladores, ainda apresentaram como réplica, a alegação de que o pedaço de braço foi tirado para não chocar, como se a ação dos invasores pilhadores, assim não fosse.
Com relação ao emprego da 3D, acho super normal, porque o mercado não tem escrúpulo no atendimento do cliente, não tem na venda do produto, como no caso do Iphone 4G do senhor Jobs e acionistas. E partindo da China, piorou, pois, é o país mais pilantra em matéria de lixo evacuado para o mercado, transformando-o num canal de esgoto de luxo, onde o resto do mundo compra porque não tem respeito próprio e nem amor ao dinheiro que com certeza deve ter sido ganho com sacrifício.
Mais: aprender o 3D é uma boa idéia porque já vi uma carinha que não tem a bagagem de um Miro – melhor fotógrafo publicitário que conheço -, morador num final de mundo, fazer motos em 3D e a gente ficar olhando e ainda fica em dúvida se aquilo é fruto de uma 4X5” bem iluminada e fotografada pelos mestres do mestres ou é fruto de um computador. Portanto, mãos à obra e irá vencer quem fizer melhor a artimanha e ainda irá prostituir o mercado de alguns colegas sérios, como a China faz com grande competência com alguns concorrentes.
Uma vez prostituto sempre prostituto. Tanto quem fabrica como quem compra. Basta ver o procedimento adotado pelos adoradores da Apple que correm para comprar uma chapinha para poder usar seu Iphone 4G que também é fabricado na China. Um verdadeiro culto à tríades das imoralidades de mercado. É o ápice do auto-cinismo? Não, neste campo o mundo já fez a curva no gráfico das imoralidades.
Em tempo: uma burguesinha dos fundilhos fedorentos igual ao de todo mundo, passou a tratar uma pessoa melhor, a partir do momento em que esta pessoa puxou um lixo chinês de nome Iphone da bolsa.
Vai lá… compra o carro dos chinas… Quem sabe o mundo não te trata melhor… (gargalhadas mil) Mas não esqueça de aprender 3D, pois, isto sim, é importante, porque você irá precisar! Aguarde! Hasta la vista!
Clicio,
Que maravilha de texto, a fotografia como arte e criatividade, se unindo ou se confundindo com a tecnologia…viva!!!
Clicio, o teu “Parênteses” é oportuno porque afirmas que há uma produção, por trás da obra de Steve McCurry, o que não tira o brilho de seu trabalho e prova que se trata de um registro de alto nível. Nem vou entrar no mérito do acabamento. Quando falas que – “todas obviamente planejadas. Os retratos, precisos em suas interações cromáticas e coesos quando vistos em conjunto, não são obra do acaso, não são “registros”; há um teatro, uma orquestra, direção de cena, figurino, iluminação, uma preocupação estética indelével.” -, primeiramente significa que se trata de obra de arte sim. O que já não ocorre com a imagem em 3D do carro chinês, pois ela não dá tesão e nem emociona.
Creio que, a “estetização da documentação” é fruto de uma experiência que o Senhor Steve carrega e que não ficou para qualquer um, se levarmos em conta o verdadeiro papel que ele cumpre sobre a esfera planetária. José Medeiros, o fotógrafo que revolucionou o fotojornalismo brasileiro dentro do O Cruzeiro, também fez belos retratos documentação. Os fotógrafos que registraram o período imperial no Brasil; Pedro Martinelli fez o mesmo se entupindo de quinino para matar malárias em plena amzônica, documentando nossos índios – muitos assassinados pelo contato com o branco ganancioso ou com venal a ditadura militar. Os dois usavam a tecnologia que dispunham na ocasião. McCurry usa as armas que tem no momento, e, além disso, sabe administrar sua carreira melhor do que grandes conhecedores do meandros da fotografia nas plagas tupuniquins.
Se ocorreu uma produção e o trabalho está perfeito, é arte, até porque parte de uma mente da velha guarda, amadurecida, comprometida em fazer fotografia de verdade, documentando povos e crises terríveis, e não se envolve com artistadas, como arranhar negativo, etc – a coisa anda tão imoral que não duvido que qualquer dia desses alguém irá ejacular em cima de um print, dará o aviso, e ira a leilão da Sotheby’s -, mas trata-se também de um trabalho antropológico que requer estudo, pesquisa e um trabalho de diplomacia inquestionável, coragem, determinação ideológica, levando em conta a zona literal onde foram realizados os registros por conta da intromissão branca naquelas paragens desde os anos 80. MalcolmX explica bem isso em sua auto biografia….
Não conheço muitos fotógrafos que tenham realizado um trabalho da magnitude do de McCurry, e mais: tudo já foi feito. Sim, já chegamos ao ápice da boa criação, e agora estamos em declínio criativo, justamente porque os moradores da terra, na atualidade, que lidam com imagem, cismaram de rotular seus trabalhos de arte, quando na verdade não passa de lixo ou “artistada”. Basta visitar algumas galerias e alguns oba oba na rede.
Depois de estudar o pintor espanhol Goya e mais alguns, depois caminhar pelas trilhas da fotografia dos anos 80, cheguei conclusão deste declínio que tem esmagado qualquer chance dos povos em assimilarem ou visualizarem ou desenvolverem uma arte apurada, estudada e que emocione. Porque arte, é toda ação final artística do ser humano que leve o seu próximo ao manancial das emoções. Por isso, tenho certeza de que Steve McCurry, não levaria milhares a fazer filas para ver suas obras de arte expostas na maior capital das duas américas, se elas não tivessem alguma informação com a qual uma massa selecionada e culta se identificasse, e muito. Creio que os “trigos” foram ver uma bela edição de arte. Quanto ao “joios”, esses trocaram o culto ao que é realmente bom para a alma e se lançaram no vazio das efemeridades. Quem se lembra do último samba e enredo da Mangueira? Mas quando pensamos nos anos 80 pra traz, ainda é possível vasculhar acordes na memória.
Só uma coisa eu suporto: o direito de todos fazerem aquilo que bem entendem, desde que não rotulem um lixo de arte. O trabalho de Steve McCurry está há anos luz na frente dos amantes ou executores do ridículo inexplicável. Creio que tudo isto não passa de um período de atrofiamento do espírito humano, quando um cara chamado Jobs, diz na cara dura que seu produto não presta, e poucos resolveram ir atrás de seus direitos, mas, em vez disso, continuam a cultuar uma obra carregada de defeitos.
Hasta la vista!
Antigamente a fotografia era uma alternativa para os que não podiam pagar um bom pintor de retratos, hoje em dia é uma alternativa para os que não podem pagar um bom modelista 3d.
“…aderencia ao referente”, ou não, esse é um problema filosófico, e de ordem iconográfica. Walter Benjamin não coloca nada em cheque, pelo contrário, Walter Benjamim era bem na dele, muito diferente do seu colega Frankfurtiano Adorno, Benjamin coloca como questão, e não em questão, a reflexão sobre a crise da História, a crise da narração, crise da oralidade, sintomas esses que se manifestaram no mundo Moderno, cujo cenário deparava-se com crises morais, sintomas que se manifestam de modo crônico na passagem do século XIX para o século XX, e, é por este exímio motivo que a fotografia apareceria em seus textos (a pequena história da fotografia e a reprodutibilidade técnica da obra de arte) como “objeto” de reflexão; e, como sabemos, a sua técnica seria algo capaz de registrar o efêmero, registrar o todo até então sólido e que na sociedade industrial se desmancharia no ar, como pensava Karl Marx. O advento industrial da fotografia, portanto, e imediatamente, ao contrário de sua potencialidade de capturar o efêmero, ilustraria a crise da experiência, a vivência experienciada pelos pintores, e, neste sentido o aparelho fotográfico seria o intrumento que potencializaria a reprodução em série de paisagens de toda sorte, e, não mais os olhos e as mãos do pintor, produziria algo único, extiguindo de vez a aura da obra de arte, entretanto, a “aura” da obra de arte, fruto da experiência, do acontecimento único, sofreria um deslocamento tal como seria sugerido por Benjamin, deslocamento esse que, se pensarmos a partir daí, estaria na verdade presente na essência da fotografia –o fotograma– e, se quisermos hoje, presente em essência na imagem fotográfica codificada por algoritmos, ou seja presente na possibilidade cíbrida, de ordem líquida, e é claro, uma manifestação indiciária da experiência do fotografo. Eis que em Vilém Flusser o problema da fotografia teria sido colocado numa perspectiva crítica com a sociedade industrial, e se você reparar, o vocabulário usado, explicitado na sua versão, pertence ao pensamento marxiano, por isso o seu vocabulário é prenhe de matáforas, tais como alienação, proletariado/operário etc etc, jargão marxista, e se pensarmos na Biografia deste autor e contextualizarmos a sua trajetória e preocupações estético-intelectual, seu problema seria de ordem midiática, mas nada fora colocado em cheque. O problema de Walter Benjamim, seria propriamente com a história, com a oralidade, com a narração e o problema de Flusser partiria da mesma perspectiva que parte Mc Luhan, na qual máquinas seriam extensões de nossos orgãos humanos, seria portanto um problema com o mundo moderno industrial e das novas mídias, com o meio, com a criação de tecnologias, e para que serviriam a tais tecnologias, eles não estavam preocupadas em saber o que era, ou o que não era fotografia. Seja como for, concordo que a fotografia seja algo dinâmico e orgânico, uma vez que ela é um “medium”… Flusser amplia a visão sobre a nescessidade de se produzir imagens, não no ambito da psicologia, e sim no sentido de que produzir imagens seria algo imanente na história do homem, uma reflexão basicamente de ordem antropológica.
Concordo.
Só não concordo é em utilizar de imagens 3D para vender produtos. Passar uma imagem do que não existe. O Mesmo que acontece com os “retoques agressivos” em modelos, que temos como exemplo o caso da Carol Castro que veio a publico.
Caro Ivan de Almeida
Parabéns pelas suas palavras. Com uma lucidez pouco vista hoje em dia.
As vezes fico pensando, quando leio algumas discussões, que está faltando um pouco as pessoas colocarem realmente a mão na massa, irem atrás de suas questões. A tecnologia está aí e ponto. Isto não significa que resolva nossos problemas. Ficamos discutindo todas as possibilidades de quais ferramentas usar e esquecemos que a criação artística depende antes de tudo, da competência do artista na confrontação com as suas verdadeiras questões. O quão sinceras e profundas elas realmente são ou servem para alimentar o espetáculo. Vai aí uma citação entre tantas já colocadas GUy Debord. Resolvida este ponto o resto é linguagem. A liberdade, essa que apregoa o ‘tudo pode’ é a maior das falácias do mundo contemporâneo. Tudo podemos em relação a tecnologia, mas daí colocarmos todas as questões da criação artística no degrau da tecnologia é reduzir o homem a quase nada.
Bem quanto a isso ou aquilo ser fotografia, também cocordo contigo Ivan, mais uma vez. Como ainda não entendemos a tecnologia e a valorizamos mais que a nós mesmos, seres que criamos, ficamos tentando o tempo todo enquadrar novas formas de expressão e de uso comercial em modelos pré-existentes. Clicio, as imagens publicitárias que citaste para mim são isso, IMAGENS. Competentes na sua proposta, mas não são fotografias. É uma simples questão de nomenclatura, mas que gera uma enorme confusão. Parece que precisamos para qualificarmos e validarmos o que é novo, adesivamos a palavra FOTOGRAFIA. BOm sinal para nós, fotógrafos!!!
ab
CLicio
Parabéns!
Sua provocação gerou reflexão.
ab
Marcelo,
Obrigado por comentar, grato pelo incentivo elogioso, e volte sempre.
As provocações são constantes, as discordâncias saudáveis, e muita coisa boa sai desse caldo.
Abração!
Clicio
Não tenho o que falar… Mas não poderia ficar sem falar nada…. o jeito é pensar!!!Parabéns Mestre!!ah, Obrigado!
Eu prefiro imaginar uma fotografia ambulante, do que ter uma velha opinião formada sobre tudo!
Fotografo há, mais ou menos, 25 anos. Relutei, muito, à mudança para a tecnologia digital. As amarras que você cita, prendiam a minha mente, mas ao mesmo tempo, concordava que fotógrafos brasileiros não perdiam em nada aos consagrados internacionalmete. Fica mais fácil aceitar as mudanças quando aprendemos que a arte não está na ferramenta que se usa para registrar nossos sentimentos, mas na emoção que a obra passa a quem a vê.
Parabéns, Clício. Vim conhecer o seu trabalho há pouco tempo, mas já me considero um fã.
Não é fotografia, simples assim.
A fotografia é algo que pode ser definido por um conceito, e o conceito é estabelecido não no que eu, fulano ou sicrano acha, pensa sobre, mas em relação a uma história e a uma práxis. Isto quer dizer que o conceito de fotografia é o resultado de um conjunto de práticas que se realizaram desde o tempo histórico em que ela passou a existir.
Não significa que outras maneiras de se produzir imagens não sejam realizadas e perfeitamente possíveis. Mas o campo da fotografia é bem delimitado, especialmente por uma relação mínima entre a luz e um dispositivo que registra, capturando e sendo capaz de imprimí-la em um meio relativamente perene.
Outras maneiras de se obter imagens que utilizam a fotografia como suporte – a partir da composição de elemntos, técnicas de luz, etc – não são fotografias. São imagens produzidas a partir de conceitos que utilizam a fotografia, bem como a pintura, o desenho…
Se o resultado de uma imagem criada é o mesmo de uma fotografia, isso não iguala as duas, pois o meio que a gerou difere em técnica, e esta também faz parte da definição do conceito. O cinema se utiliza da fotografia, mas apresenta um modo de se relacionar com a imagem que mantém características próprias, não podendo ser jamais igualado a fotografia.
A posição de considerar tudo como fotografia, equivocada, corre o risco de colocarmos ‘tudo no mesmo saco’, ignorarmos a definição básica e confundir ‘alhos com bugalhos’, perdendo o conceito, referencial básico de sentido.
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