por clicio em 9 de fevereiro, 2010
Calor amazônico
Com o calor que está fazendo nesses últimos dois dias aqui em São Paulo, acabei me lembrando da primorosa edição da revista S/Nº 13 (editada pelo Bob Wolfenson) e intitulada… “Calor”.
O fato é que, entre matérias excepcionais e criativas (como aquela criada pela Cia de Foto), e a linda capa de Bob, nas páginas de 80 a 86 encontramos o trabalho clássico e decisivo do amazônico Wank Carmo, intitulado “Pulsar do Norte”.
Com edição do Bob Wolfenson e do Hélio Hara, as fotos (realizadas em filme, 35mm e 6x6cm) são poéticas e fortes.
Reproduzo abaixo, com autorização do autor, algumas das publicadas.

© Wank Carmo

© Wank Carmo

© Wank Carmo





7 Comentários
Mto legal clicio… Um abraço
O Blog está cada dia melhor, continue….
lindo trabalho, Wank! manda mais fotos pra nós
Fantástico…a cada dia que vejo o seu Blog me inspiro muito e muito mais em ti.
A arte é única…o olhar é único… mas o sentimento é algo de mutuo.
Abração
É. Um trabalho. Sei lá. Vou ver nas bancas. De qualquer forma pouca coisa que vejo realmente me interessa. O texto abaixo peguei no blog do Marcio Americo… é do Roberto Alvin.
Achei du caralho o texto abaixo. Roberto Alvin, dramaturgo carioca, fala sobre o filme Modigliani.
“…
Mas o mais interessante no filme é observar como Modigliani e seus companheiros, os grandes (e razoavelmente obscuros) Soutine e Utrillo, entregavam-se a suas visões de mundo e delas não abriam mão nem sob tortura (morrem todos loucos, internados em manicômios, alcoólatras, drogados, marginais, mas fiéis a si mesmos). Modigliani via as pessoas de um jeito muito específico e as pintava dessa maneira; poderia pintá-las de um modo belamente tradicional, tinha habilidade para tal, mas não o fazia, não podia fazê-lo… Preferia passar fome, ficar doente, morrer, a trair sua arte. Não era um discurso, era sua vida inteira. Por quê? O que o movia, que valores? Hoje rotulamos essa atitude como romântica e nos abrigamos em nossos aquários de cinismo e pragmatismo, nos localizando saudavelmente operacionais em nosso fantástico mundo de serviços… Que força movia Modigliani, Soutine, Utrillo, Renoir? E por que essa loucura não faz parte de nossas vidas? Por quê? ”
ROBERTO ALVIN – Dramaturgo.
Deve ser legal andar nu, na Amazônia, aqui e no Senegal!
belo resgate desse revistão!
bj.
lina
Caro Clicio, obrigado pela divulgação de nosso trabalho. Seu blog, além disso é uma sala de aula socialista. Obrigado a todos pelos gentis comentários.
Sábado e segunda fiz fotos aéreas. Levei três câmeras: duas com filmes negativos cor e uma digital. Meus caros, o filme é um tesão, mesmo. Minha tara é com a 6X6cm. Não largo tão cedo.
Bem, levantei às sete horas com luz clara que já dava sinal de sumir a qualquer momento por causa do vento que empurra nuvens pra cima do meu cenário. Eu sacava a linha do horizonte. Tive meia hora de luz e não fechei a pauta por causa da qualidade da luz. Aquele rebatedor cinza, nojento, cercando tudo e eu a uns três mil pés de altura. Deu samba porque registrei algumas coisas muito boas. Mas gostaria de ter ficado lá em cima por bem mais tempo.
O moral da história é que o clima aqui enlouqueceu também. Vento forte, pouca luz limpa e muito clima de chuva num ritmo de respingo que dura dois, três minutos. Está tudo atrasado por causa do dióxido de carbono que envolve o planeta, inclusive minha respiração está uma droga. Quem pensou que na amazônia o ar está limpo, está redondamente enganado. Quando numa região a chuva aplaca a emissão de gazes numa parte, noutra os canalhas desgraçam com fogo e cortes criminosos.
Além da poluição espacial global, desencadeada pelas grandes metrópoles e fábricas dos USA, China, Europa, ainda temos que encarar a poluição local com fogo por todos os lados. O cinismo do ser humano não tem limites. Comparo a mente de um cínico com uma latrina de uma rave de breganojo, em alta madrugada.
Pulsar do norte é uma idéia de Bob e Hélio, que, sábios e gentilmente, sacaram que não poderiam deixar de prestigiar alguém que ama fotografia e que vive este delírio 24 horas. Sou muito agradecido a eles. A revista tem uma qualidade de cair queixo e é super inteligente porque trata assuntos que geralmente as outras não o fazem. Não se trata de uma revista convencional.
Filho da escola bressoniana brasileira que inegavelmente bebeu da famosa fonte do mestre HCB, resolvi fazer com uma 6X6cm aquilo que alguns costumam fazer com uma câmera menor e mais prática. Amarro-me pegar esses flagrantes da vida que jamais se repetirão e isto me mantém vivo. Continuarei escravo da química para não perder o vício de viver uma técnica que nos deu tantas alegrias e que ajudou a escrever visualmente, a história da humanidade.
“Rondava pelas ruas o dia todo e sentia-me afiado e pronto para dar o salto decidido que estava a apanhar a vida a laço, a preservá-la no ato mesmo de vive-la.” HCB
Para nós seu conterrâneos o Wank dispensa apresentações. O trabalho dele é maduro, prefeito e insitigante. Parabéns ao Clicio eo Wank.