por clicio em 15 de fevereiro, 2010
Até os livros me traíram

Burn, baby, burn | ©2010 Clicio Barroso
Semana passada, já prevendo um carnaval tranquilo e com algum tempo livre, fui fazer minha costumeira ronda pelas livrarias.
Eu adoro livrarias e bibliotecas, o cheiro de papel e tinta, as preciosidades que se escondem nas prateleiras, o silêncio respeitoso; é um prazer maior do que os antigos prazeres o foram.
Já não fumo cigarros. Já não fumo cachimbos. Evito carnes, gorduras e doces. Não dirijo tão rápido. Não tenho mais motocicletas.
Mas livros, esses nunca me deixaram desapontado, e tem o benefício adicional de não fazerem mal à saúde…
Ou sim?
Comprei um livro técnico, de conhecido e respeitado autor, e paguei por ele um valor considerável. O livro é uma tradução, já que foi escrito em língua inglesa, e eu poderia ter comprado o original, na Amazon, como costumo fazer com publicações específicas; na verdade, eu deveria ter feito exatamente isso.
Mas não o fiz.
Por estar com o livro nas mãos, por ser um assunto que me interessava, porque eu não queria esperar 10 dias, comprei e levei.
No prefácio, um susto; alguns errinhos ortográficos, algumas frases mal redigidas, mas de repente uma frase se torna um monstro:
“Você irá economizar mais dinheiro alterando o seu orçamento de marketing de oito ou oitenta mercado em massa para altamente almejado, marketing online com resultados mensuráveis.”
O que significa isso? Faz algum sentido? Será que preciso usar um escafandro para atingir tal profundidade?
Sigo lendo, e os sustos aumentam; “White Paper”, normalmente traduzido por relatório, é ali traduzido por…”papel em branco”!
Na Wikipedia, achamos na primeira googlada: “A white paper is an authoritative report or guide that often addresses issues and how to solve them. White papers are used to educate readers and help people make decisions. They are often used in politics and business, and technical subjects. In commercial use, the term “white paper” has also come to refer to documents used by businesses as a marketing or sales tool.”
(para uma melhor definição, procure no site “Techterms”).
Porém o termo “papel em branco” é utilizado em todo o livro.
Equivocadamente.
Logo adiante, surge um capítulo que fala de publicidade, e um dos subtítulos é sobre “Ad Copy”. Qualquer estudante de primeiro semestre de faculdade de propaganda e marketing aprende que o termo significa “texto publicitário”; mas o livro, em todas as muitas instâncias em que “ad copy” nele aparece, o traduz por “cópia de anúncio”.
Vejamos a definição do termo no Businessdictionary:
“Ad Copy: Text of a print, radio, or television advertising message that aims at catching and holding the interest of the prospective buyer, and at persuading him or her to make a purchase all within a few short seconds…
…Also called advertisement copy, ad copy, or just copy.”
O que acaba me deixando inconformado, porém, é outra sentença, desta vez em destaque dentro de um box:
“Almejando altas frases KEI com um volume de pesquisa adequado da a você a melhor chance para rankear rapidamente em termos em particular por indo onde os outros não estão competindo muito, Sun Tzu.”
Obviamente há aqui um problema grave de tradução. De revisão ortográfica. De revisão técnica. De edição. De copy/paste. Não sabemos…
A impressão inicial é que um tradutor automático, eletrônico, foi utilizado para todo o livro, e algumas partes não foram alvo de revisão; em outras, como no exemplo acima, simplesmente parece a união de dois textos totalmente distintos em uma mesma sentença.
Mas esta não é a primeira vez que vejo isso. Há poucos meses, tive a oportunidade de ler um livro, desta vez sobre fotografia básica, onde o termo “telephoto lens” foi traduzido por “telefotografia” ao invés do correto, teleobjetiva; uma objetiva “wide-angle” foi traduzida por “ângulo-largo” ao invés de grande-angular, e assim por diante.
O remédio foi fazer uma engenharia reversa nos dois casos, traduzindo mentalmente os parágrafos incompreensíveis do português de volta para o inglês, para que tudo fizesse mais sentido, e então compreender o autor.
Triste.
O importante porém não são estes dois livros especificamente, pois eles poderiam ser acidentes isolados; deslizes compreensíveis, falhas das quais todos nós somos vítimas.
O importante é a frequência com que essas falhas tem acontecido; na fotografia, onde a pós-produção se tornou mais importante que o ato de fotografar; na pesquisa, onde uma enciclopédia genérica e construída pelos usuários (a Wikipedia), e portanto sem o aval de especialistas para cada assunto, se torna a resposta conclusiva de muitas pesquisas, quando ela deveria ser apenas o ponto de partida; a superficialidade com que tratamos as nossas relações sociais, transformando ilustres desconhecidos no Twitter ou no Facebook em amigos e parentes virtuais, ao invés de dedicarmos mais tempo aos que nos cercam fisica e verdadeiramente; o jornalismo de manchetes, sem acompanhamento, sem aprofundamento, sem desfechos, frases soltas, sensacionalistas, econômicas, muitas vezes vazias. E livros em geral talvez não contem mais com o controle de qualidade que das editoras se espera.
Qualidade.
Palavra antiga, que foi substituída por termos mais contemporâneos como mídia das massas, custo-benefício, mercado de escala, varejo criativo. Trocar o excelente pelo mais ou menos. Trocar o profundo, que dá trabalho e exige competência, pelo raso, pelo imediato.
Não, não acho que pouco estudar seja algo de que devamos nos orgulhar; não, não acho que um livro “mais em conta” porém com tradução incompreensível seja um bom custo-benefício; não, não quero deixar de ler a obra completa de meus autores escolhidos e substituí-la por apostilas, cópias xerográficas ilegais ou PDFs mal escaneados.
Quero pagar o preço justo por um produto cultural que me dá prazer, sem que haja ganância ou descaso por parte de quem o produz, e com a qualidade que espero.
Senão o prazer se acaba, e a vida fica chata, muito chata.
Update 01: Uma dica do comentarista Márcio Ramos nos levou a esse post de Luis Fernando Viana sobre os plágios: http://30porcento.com.br/blog/?p=31
Update 02: A editora do tal livro técnico entrou em contato comigo, admitindo as incorreções, dizendo que o livro poderia ser substituído, e mais importante, que o tradutor (que segundo a ficha técnica do livro se chama Arcanjo Gabriel – assim mesmo, Arcanjo nome, e Gabriel sobrenome) não faz mais parte de seu quadro de colaboradores. Vamos acompanhar e ver se melhora!
Update 03: Segundo o comentário do Luciano Gusmão, a pesquisadora e tradutora Denise Bottmann (http://naogostodeplagio.blogspot.com) já denunciou inúmeros casos de plágio em traduções. Seu blogue é uma referência no universo dos tradutores.
O que demonstra que a situação está ficando cada vez pior…
Update 04: A pesquisadora Denise Bottmann (http://naogostodeplagio.blogspot.com) agora está sendo processada e ameaçada de tirar seu blogue do ar, por uma editora. Manifeste-se e inclua seu nome no abaixo assinado de apoio a Denise Bottmann :: http://bit.ly/cWwgJG #Plágio_NÃO!




68 Comentários
Por que não dizer qual é o livro? Pra poupar a editora preguiçosa? E aposto que sairia mais barato pela amazon!
Daniel,
O livro não interessa.
O que interessa é a generalização do “vai assim mesmo, tá bom do jeito que está”.
Este é apenas só mais um exemplo.
Tive a mesma sensação de estar sendo traído quando, dias atrás por questão de pressa, adquiri um exemplar traduzido de “the hot shoe diares” de Joe McNally que em português é cohecido por “Os Diários da Luz Sublime, onde abandomei a leitura nas primeiras páginas, por erros crassos de transcrição técnica, que nem um estagiário de fotografia com 6 meses de cursinho de inglês cometeria.
Triste mas real… Amazon neles!
Concordo, mas acho que um blog popular como o seu é uma ferramenta importante pra pressionar as editoras a fazerem um produto com mais qualidade. Quantos casos não existem por aí de empresas grandes cedendo à força dos blogs?
AAAAh o cheiro das tintas e dos papéis novos q faço questão de sentir nas livrarias… Como se não bastaste o tsuname de informações não revisadas, especulativas e algumas vezes propositalmente caluniosas, deflagrado por um terremoto cujo epicentro é a web. A banalização dos índices de qualidade atinge tb as editoras. Fico triste em saber disso, pois eu tb sou um dos q ainda cultivam o prazer de pagar (diga-se Bem) por um bom livro de meu agrado.
Falta de profissionalismo da editora e desrespeito ao leitor! Vale você exigir seu dinheiro de volta, no mínimo.
Realmente inacreditável.
Clicio, me emocionei ao ler o testemunho e mais especificamente o penúltimo parágrafo. As relações humanas, seja elas quais forem estão afetadas por este novo mundo virtual.
Creio que ainda passaremos algum tempo convivendo com esta zona cinza e chata da mediocridade, mas tenho fé e esperança que após alguns anos as coisas se encaixem.
A velocidade do novo, o excesso da informação, a democratização mal administrada disto tudo de alguma forma será colocada no lugar pela ecologia, caso contrário um fim da estrutura humana como conhecemos será inevitável.
Abraços.
Parabéns pelo artigo Clicio! É como você descreve aqui. Junto com tudo isso, a vida vai ser tornando mais superfícial.
The cow went to the swamp
kkkk Clicio eu morri de rir.

Me desculpe mas eu ficava me imaginando no teu lugar, tentando ler e ficando cada vez com mais raiva kkk eu teria provavelmente um ataque de raiva com o livro e nem sei o que faria hehehe
Eu odeio essas coisas babacas tenho vontade de ir socar alguém
bem meu amigo, o pior eh que eh triste, mas por essas e por outras que eu acabo só comprando original na língua nativa
Ótimo post me alegrou neste carnaval, mau humorado que estou
mil abcs
A
Assino embaixo, na posição de quem também já teve que reverter a tradução para o inglês, a fim de torná-lo mais compreensivo.
Clicio,
Não poderia concordar mais, mas, entre outras coisas, vc ñ axa q incentivar s tipo d comunicação eh tb responsável por s descaso e desleixo pela língua escrita? Also, don’t u think that write a message half in portuguese , half in English could b also responsible for that mépris pour la langue portugaise? Les gens n’ ont plus de compromis avec la langue. Elles ne savent plus écrire.
O resultado eh s: “Traduz pelo Google e tudo bem. Poucos vão reparar”. A mim incomoda muito esse desprezo pela língua e pela gramática.
Saramago já alertou: “Depois do twitter, o grunhido”. Será?
Tive uma experiência parecida (mas não tão grotesca) com um livro de uma editora conhecida nossa!
Espero que não se torne algo comum!
Para os aprendizes, como eu, é muito difícil confiar nas pesquisas feitas pela internet. Os livros sempre me foram mais confiáveis, até hoje, pelo menos.
Lamentável. Agora, Clício, discordo de vc. Tinha que entregar quem fez essa barbaridade, ou seja, a editora (i)rresponsável que cometeu esse lançamento. Até para preservar a publicação original, que deve ter lá seu mérito. Livro ruim é feito surto de gripe, a gente tem que se prevenir. Não os compre: a vítima será você!
Quando o leitor e o autor original são assim desrespeitados é realmente um ultraje e um crime contra a cultura. O trabalho de um tradutor é uma coisa séria e difícil, quem fez isso não merece qualquer respeito. Mas esta superficialidade nos afecta todos, e tem toda a razão quando diz que isso se reflecte em muitos aspectos do nosso quotidiano, quando preveligiamos a rapidez à atenção ao pormenor, quando dedicamos tempo precioso a algo apenas porque achamos que vai trazer retorno financeiro e não algo mais para além disso.
Como consumidor você poderá retornar a livraria, portando nota fiscal, e exigir a troca. Pelo menos nesse caso o editor receberá alguma mensagem e você poderá degustar outra coisa boa, melhor traduzida, ou quem sabe…em português original.
O livro é “Otimização De Website – O Guia Definitivo”, da Alta Books
- Quero pagar o preço justo por um produto cultural que me dá prazer, sem que haja ganância ou descaso por parte de quem o produz, e com a qualidade que espero.
Senão o prazer se acaba, e a vida fica chata, muito chata. (Clicio Barroso)
Resume o que estamos passando!
Estamos vivendo uma situação de assumir o mais fácil, não é só no caso mencionando, mas em muitas outras situações que estão muito mais próximas de nós do que imaginamos.
Exemplo: em São Paulo estamos pagando valor de gastronomia diferenciada e recebendo “Fast Food”, mas os restaurantes continuam cheios. Compramos bens de consumo por valores adequados a sua alta qualidade e recebemos equipamento de alto consumo saído de linha de produção continua; porém continuamos a consumir. Seu exemplo é mais um que se soma a minha enorme lista que indica sermos um país muito rico (pelo que pagamos) em troca do que recebemos, principalmente, em área de fácil acesso aos “emergentes” de uma sociedade. O status de se gastar atualmente é inversamente proporcional a qualidade que você recebe. Estamos pagando para “estar na vitrina” , termo cruel mas realista. Abs
Sergio,
Sim, concordo com você e com o Saramago.
Cela vas sans dire, mon ami…
Porém, por incrível que pareça, os estudiosos de linguística (acompanho alguns blogs e podcasts em inglês) estão entusiasmados com as pesquisas mais recentes, pois comprovam que escrever (não importa de que forma) era uma atividade em extinção que foi ressucitada pela Internet.
Mesmo escrevendo daquela forma condensada, telegráfica, as mensagens são enviadas, decodificadas, compreendidas e disseminadas.
E claro que quanto mais gente se habituar a escrever, mais gente vai querer escrever corretamente…
Faz sentido, não?
Abraço,
Clicio
Tereza,
O que me deixa bastante apreensivo, já que parece que a exceção está se tornando norma…
É triste e lamentável saber que até os livros de papel e tinta estão tendo este fim.
Me dá tristeza em saber que não podemos confiar mais neles.
Também adoro as bibliotecas, livrarias, um lugar onde podemos aprender mais, pensar mais, conhecer mais… imagino a sua raiva qdo começou a ler o livro e ver essas frases desconexas!
Sabe, Clicio,concordo, não são só as traduções, pesquisas e definições que estão superficiais, mas sim as pessoas (como um todo) estão assim… como vc mesmo disse no texto acima, e isso é péssimo…
Outro dia eu disse no twitter: o que mais importa é o ter ou o ser? é… a vida está ficando MUITO chata…
Pirei com seu texto…. vou digerir…
um beijão
Cacá
“não, não quero deixar de ler a obra completa de meus autores escolhidos e substituí-la por apostilas, cópias xerográficas ilegais ou PDFs mal escaneados.
Quero pagar o preço justo por um produto cultural que me dá prazer, sem que haja ganância ou descaso por parte de quem o produz, e com a qualidade que espero.
Senão o prazer se acaba, e a vida fica chata, muito chata.”
Concordo plenamente com vc Clicio, o prazer de ter uma boa obra em mãos é imensuravel! É uma grande tristeza saber de episódios como esse, entendo isso como uma imensa falta de respeito para com o autor e para com os seus leitores!
Sei que o importante não é o caso isolado mas a tese da queda de qualidade. Mas o mercado tem mecanismos para preservar a qualidade.
É necessário divulgar o nome do livro, da editora e do tradutor. A lei de mercado na qual vivemos é eficaz em eliminar estes sujeitos do jogo, desde que haja livre circulação de informação. Um mercado perfeito é um mercado informado. Viva a internet como meio de disseminação de informação.
Importante ser justo com a editora brasileira e comunicá-la do erro e de sua divulgação em espaço público, dando a ela direito de se explicar e agir. Aliás, importante também informar a editora e o autor original do livro sobre o que os “parceiros” deles estão fazendo com a obra.
A qualidade no novo mundo demanda que todos sejamos fiscais, exigindo o melhor, e agindo quando encontramos problemas. Se ficamos calados, reduzimos o padrão do que é aceitável. A wikipedia só é o que é porque quando alguém encontra algo errado, decide agir e melhorar. Se ninguém agir, continuará ruim.
O novo mundo é colaborativo. Faça sua parte!
Abraços
Robert
A informática também sofre dos mesmos problemas. Temos livros pessimamente traduzidos. A forma de evitar isso, seria ir até a livraria, ler parte do conteúdo antes e não comprar. Geralmente, livros mal traduzidos são evidentes desde os primeiros parágrafos.
Uma coisa que sinto falta é que as editoras entrem em acordo com um termo técnico específico. Você citou termos que tem correspondente no Brasil, mas muitos não tem. Por exemplo o termo “late binding” tem um significado forte na informática em inglês, mas nenhuma tradução direta, ou unificada.
A busca por livros deve partir também dos professores. Procurar livros com boas traduções e recomendar para seus alunos, e desaconselhar completamente a compra dos livros que são más traduções. Fóruns e sites (como o meu) também podem ter esse papel. Creio as faculdades sejam uma das principais fontes de renda de boa parte dos livros técnicos, especialmente os focados para iniciantes.
Não concordo com muito do que falaram. A editora tem o direito de usar o padrão de qualidade que quiser. Mas nós, consumidores, temos também o direito de só comprar o que quisermos. Não está satisfeito? Não compre. E faça a editora sentir sua satisfação onde mais pesa para ela: o bolso.
Como um professor meu falava, é a velocidade da informação, mas eu vejo como a banalização da informação, assim como a web está se corrompendo por textos mal escritos, por abreviações e gírias tomando lugar das palavras para um redigir cada vez mais rápido, agora está chegando também aos livros, a grande diferença é que na web não há um controle, você monta um blog escreve como quer, tudo errado, um monte de pessoas seguem e achama “legal” …. agora o que me deixa extasiado é o controle de qualidade das editoras cada vez mais em um nível comparado ao da internet.
Infelizmente chamam tudo isso de “EVOLUÇÃO” , será?
Robert;
Sim, tem toda a razão.
Já escrevi para a editora e aguardo uma resposta deles.
O problema maior não é “o erro”, mas sim a evidente falta de controle de qualidade e revisão, já que o livro como um todo perpetua os erros do primeiro capítulo, e acrescenta novos em todos os capítulos subsequentes.
Obrigado por comentar.
O numero de traduções picaretas é imenso. Não é de hoje. Como se não bastasse, muitas destas “traduções” são copias literais de traduções ja feitas anteriormente com o nome de novos tradutores. Existem livros que pegam duas traduções antigas e as misturam em um mesmo texto. Eu mesmo – me formei em sanscrito pela USP – ja vi livros de “yoga” com traduções absurdamente ridiculas.
Tem uma professora da USP, que não me lembro o nome, que ja identificou centenas de plagios de traduções. Isso é gravissimo.
Acessem texto abaixo de Luis Fernando Viana sobre os plagios: http://30porcento.com.br/blog/?p=31
Mas não é so a Martins Claret, a Hedra e outras que são expert na falcatrua temos outras é so fazer uma pesquisa.
A mídia em geral ta cada vez mais podre e como isso aqui é um site de fotografia, segue este exemplo, do livro Estetica da Fotografia de François Soulages, Ed. Senac – existem muitos outros – dos fotojornalistas e suas agencias: ” A comunicação pode de fato, facilmente desembocar – voluntariamente ou não – na manipulação, na propaganda, na degradação e na mentira que , hoje, de modo tão pudico, se chama de desinformação”: para Manuel Bidermanas, ex-diretor de fotografia de Point, as agencias de noticias “tornaram-se agencias de propaganda”. (pag 33)
“As fotos podem ser falsificadas ou montadas: seja por razões politicas (…), ou financeiras como na publicidade. Elas podem ser encenadas (…). Jean – Marc Lalier é um dos raros reporteres que se recusou a divulgar suas fotos da macabra encenação da pseudovala comum de Timichoara em 1990, durante o midiatico golpe do Estado romeno. Muitos reporteres haviam percebido a fraude do novo poder, mas preferiram que suas fotos fossem publicadas – imposições do dinheiro e das agencias” (pag. 36)
“Um reporter perde portanto o direito de posse de suas fotos a partir do momento em que as entrega a agencia: dese então, qualquer um pode contruir um mundo de embustes em fução de seus propeios objetivos”. (pag. 36). Agora convenhamos trabalha quem quer nestas agencias.
Tem mais:
“É por esta razão que alguns fotografos mantem distancia das agencias e das reportagens. Trinta anos apos ter fundado a Gamma, Depardon – assim como Salgado, Abbas, Burnett, etc. – retirou-se dela: “Eu fundei a Gamma e digo a mim mesmo que fundei um monstro”, afirma ele”. (pag. 37)
Os exemplos são muitos, aqui no Brasil eu fui a uma palestra em que todos ouviam o fotografo/curador dizendo que após 9 anos de trabalho não voltaria a Folha de São Paulo pois la eles manipulam a informação. O mané precisou de 9 anos de trabalho pra sacar isso? Hoje é curador badalado. Eu fui o unico que questionei, e pedi no fim seu trabalho de mestrado para olhar o que nunca recebi. Fora aqueles “badalados” que passaram a vida e a ditadura toda trabalhando para o Estadão, a Veja e toda sorte de midia mais do que comprometida com a mentira. Ter uma opção ideologica firme é uma coisa, mentir descaradamente é outra. Nem vou citar nomes, para o inferno com esta raça.
O livro que citei acima é da Editora Senac, vejam vocês, liguem os pontos, e tomem suas conclusões. A coisa ta feia. Mas dizem que “é assim mesmo”, eu que não caio nesta conversinha…
E seguimos…
Márcio Ramos.
Também comprei o Diários da Luz Sublime e confesso estar perdida nas redundâncias e confusões da tradução. Muito triste!
Há bem pouco tempo os livros (os nossos bons e velhos livros de papel) eram sim coisa séria. Com conteúdo que nos ajudavam a melhorar e crescer.
O que acontece hoje…tem apenas um nome: descaso com o leitor.
Com a internet (google,wikipedias e afins…) parece mesmo que todo mundo sabe muito e profundamente sobre tudo….as editoras pelo visto estão se enquadrando nesse “padrão” raso e superficial…
Triste.
Clicio;
História engraçada essa sua. Nunca peguei um livro assim. Mas, de modo geral, o que é chamado de cultura tem sido um produto bem aguado.
Ivan,
mas vai pegar…
É uma questão de tempo!
Clício:
Você só esqueceu de dar o nome do tradutor, pois foi pago pela editora para dar conta do trabalho. Claro que editora tem a sua responsabilidade também. Mas traduzir “the foot of the letter” e realmente uma prática inaceitável nestes tempos de globalização e conhecimento compartilhado.
Um abraço
Rubens;
Escrevi para a editora; não me esqueci de dar os nomes, apenas aguardo resposta e ofereço, logicamente, este mesmo espaço para suas (deles) explicações.
Obrigado por passar por aqui e comentar!
Abraço,
Clicio
Na década de 70, um dos principais textos utilizados nos cursos de Ciências Humanas (principalmente História e Geografia) era “A Evolução do Capitalismo” de Maurice Dobb.
A tradução era tão ruim e a gritaria foi tanta que os editores tiveram que fazer uma nova tradução, essa sim, muito bem cuidada. Como vemos, tradução ruim faz parte da nossa “tradição” editorial. Agora, uma editora refazer tradução de texto eu só conheço esse caso.
Clicio, me somo ao cordão dos que querem ver a editora exposta.
A Martin Claret já foi muita famosa por traduções pra lá de ruins; a reclamação generalizada dos leitores foi importante para forçá-los a melhorar a qualidade (que ainda está aquém, mas…).
Como dizem, timing is everything – ou coisa parecida
. Acabo de receber um livro da editora Bookman para, depois de duas ou três revisões técnicas para eles, fazer a tradução, do inglês para o português. Depois dela pronta, mando para você o título, para comparar com essa “tradu/ição”
. Espero não receber de você uma torrada pela má tradução (piada de tradução).
Clicio;
Quanta paciência meu amigo! Tentar compreender textos traduzidos talvez por um tradutor eletrônco, não deve ser nada fácil. Meus parabéns!
O problema não é simples de resolver, Clicio; mas fácil de explicar.
Estamos na era do descartável, meu amigo. Máquinas fotográficas duram pouco; lentes já vem com um “esqueminha” para que troquemos todo o embolo ótico quando o cabo flexível dá pane; programas são logo superados por outros; os filmes pb estão vindo com menor quantidade prata – segundo Sebastião Salgado -; os carros se desmancham ao menor toque e mata o motorista mais rápido; peças dos mesmos, quase que se esfarelam a um curto espaço de tempo, quando funcionam; produtos alimentícios diminuíram de tamanho e peso; o copo com suco que nos é servido diminuiu de tamanho; a empresa manda o computador mas não manda o mouse – isso aconteceu agora comigo -; o chapéu já pago não foi enviado porque não tinha matéria prima e ninguém de satisfação – isso acontece comigo agora; os remédios que são receitados aqui, muitas vezes não curam o paciente; a empresa de aviação deixa o paciente morrer se ele necessitar voar as pressas para um hospital de razoável atendimento – e pago; as empresas telefônicas – sempre elas – violentam o consumidor e a Anatel parece ser sócia delas e não nos dá razão 100%; e por aí vai…
Tudo isso são frutos das “Armadilhas da Globalização” – título de um livro imperdível, escrito por dois jornalistas austríacos. As relações humanas para essas empresas que fabricam, editas, etc, não valem nada. O negócio é negócio, desde que as empresas lucrem. Se pessoas são assassinadas pelos planos de saúde porque atrasam um dia o pagamento do carnê, por que a mentalidade globalizada estaria preocupada com os erros intelectuais dos livros? Só tenho a dizer uma coisa: sinto muito, mesmo. O planeta capitalista está doente e não tem centro de tratamento para ele. Salva-se quem puder, saltando logo do barco…
Por falar em planeta, minha guerreira filha, entre um mergulho e outro nos 10 fundamentos bem feitos que lançastes, chegou para mim e disse: “papi, tiveram que buscar neve em transportes especiais e colocar na pista de esqui para que os atletas pudessem disputar os jogos no Canadá.” Fui olhar na tv, os cumes das montanhas e comprovei que os cumes da montanhas não estavam tão brancos como antigamente. E ainda tem cretino que diz que os cientistas são alarmistas. O planeta aquece, minha paulicéia se desmancha em água, e, aqui, os canalhas metem fogo por que eles acham que dióxido de carbono vai embora para algum outro planeta… O ser humano escreve o fim de sua história através de sua mentalidade torpe. Vamos fotografar? Hasta la vista!
Realmente, pela amazon eh mais negocio. Li dois livros da publicados pela intrinsca e ha verbos faltando, ou outra palavra aqui e acola que nao dificultam a leitura mas que exije de nos leitores que facamos a nossa propria conclusao da ideia que o autor quis passar. por isso que livros em serie sao um perigo ao conferir a versao em portugues. so sede por money nao abrilhanta a obra tao aguardada.
Clicio, passei por essa mesma situação com dois livros da mesma editora.
Se me permite, gostaria de tornar publica a minha critica.
“Olá, estou escrevendo com o objetivo de reclamar sobre a tradução de dois livros que vocês publicam, o “Momento do Click: Segredo de um dos maiores fotográfos do mundo” e o “Os Diários da Luz Sublime” ambos do autor e fotográfo Joe Mcnally.
Sou fotografo há 5 anos e consumo excessivamente livros sobre o assunto.
Esses dois livros são péssimos, não pelo conteudo,(pois já tive a oportunidade de conhecer o Joe , e sei a qualidade de seu trabalho) mas pela tradução que parece que foi feita no tradutor do google.
Essa semana saiu no blog do Clicio (http://www.clicio.com.br/blog/2010/ate-os-livros-me-trairam-2/) uma post sobre esse assunto, e como acabei de ler os livros vim reclamar pela falta de ética dessa empresa, que coloca livros nada baratos no mercado oferecendo um produto que simplesmente , em muitos trechos dos livros, se tornam incompreensíveis.
Tornarei essa minha critica publica, pois espero que nenhum fotógrafo, seja amador ou profissional , consuma essas enganações.
“
Gabriel e outros que já citaram estes dois livros do Joe Mcnally, concordo inteiramente.
Cometi o erro de comprar estes dois livros apressadamente, sem folheá-los. Já que estava com eles na mão, deveria ter lido alguma coisa.
Me arrependi. Se tivesse comprado pela internet, o arrependimento não seria tão grande. Pois não teria a oportunidade de avaliá-los.
A tradução é ruim demais. Pelo menos fica a sugestão que alguém deu acima e não tinha me ocorrido: Voltar a livraria e devolvê-los.
Abraços.
É triste saber desses fatos, mas acredito que seja como alguém comentou. Nós somos os fiscais de tudo hoje. O negocio é deixar a preguiça de lado e arregaçar as mangas, mesmo que seja por uma letra a menos na sua tradução, o que sei que não foi o caso. Mas era o que ocorria antes de toda essa “falta de qualidade” até chegar neste ponto, porque negligenciamos antes. Porque passava batido se faltasse uma virgula ou uma letrinha, uma letrinha em milhares de exemplares são milhares de letrinhas, e nós tivemos dó, ou preguiça de alertar nesses casos (já tive). O que posso concluir é que quem deixou passar uma letrinha impune, também achou que o resto passaria numa boa. Espero que tomem consciência de que não é possível entregar qualquer coisa o tempo inteiro pra todo mundo.
Minha vontade é de sempre recorrer ao autor original. Mandar uma carta ao mesmo e comunicar-lhe o que tem ocorrido ao seu manuscrito. Já que suponho, este deva ser o maior interessado em manter a fidelidade as suas palavras, mas nem sempre é possível, vez em quando o mesmo já morreu.
Então é bom que os homens vejam a importância de transmitir a mensagem de maneira mais fiel possível, da forma como ela foi escrita para ser passada. Enfim, entramos numa questão ética, e não apenas de qualidade. É mais do que descaso com traduções, é uma falta de respeito com os autores. Acho que no fim tudo peca por falta de ética.
Ótimo post Clicio, espero que tenha sido o primeiro livro assim, e o ultimo.
Já fui com livro em punho até editoras e esperei horas para conversar com encarregados, por erros inadmissíveis ao meu ver. Mas não eram livros técnicos, o que mostra que a questão está ficando um pouco mais grave, já que a linguagem literária é mesmo passível de um erro ou outro de interpretação, mas a linguagem técnica, não deveria ser como matemática? Onde todos já tem uma idéia clara sobre o assunto, começo a perceber que não. Mas provavelmente isso se deva ao fato de termos tradutores e profissionais, e dificilmente, temos um profissional da área traduzindo livros. O que seria ótimo e só acrescentaria a todos, no entanto não é assim que acontece nem na fotografia, e em muitas outras áreas. Seria bom que tivéssemos sempre médicos traduzindo os livros de medicina, e publicitários os de publicidade… enfim, talvez esse fosse um trabalho comunitário muito interessante para ser introduzido na sociedade. Perdoe minha ignorância caso já haja algo similiar.
De qualquer forma, acho que poderia existir um pouco mais de rigor por parte dos tradutores formados em letras, sem outras especialidades, fora a língua. E não os estou desmerecendo, só penso que provavelmente em alguns casos eles não são ideais para o trabalho. Talvez uma parceria fosse mais interessante, um livro que um profissional traduziu, e que passasse pelo aval de um tradutor por assim dizer. Mas isso seria muito custoso e esse tipo de investimento encareceria o produto, que dizem as más línguas está em extinção, o negocio é reclamarmos, e continuarmos a fazer o papel de cotradutores.
Que vejamos mais atitudes como essa por ai, não apenas no que diz respeito aos livros, mas em tudo que de alguma forma nos degrada.
Clício,
A situação que relatou chega perto do bizarro, pois acredito que o bizarro mesmo ainda está por vir. Não duvido da capacidade de algum inescrupuloso, ganancioso ou despreparado plublicar algo com tradução mais tosca.
A pesquisadora Denise Bottmann (http://naogostodeplagio.blogspot.com) já denunciou inúmeros casos de plágio em traduções. Em seus achados, algumas obras possuem o plágio bem camuflado, outras nem tanto.
Acho que essa tradução que chegou a você pode se tornar um novo caso de estudo da Srª Denise.
E triste ver que produtos tão caros como são alguns livros sobre fotografia se prestam a esse nivel de qualidade ou melhor , falta de qualidade, por isso apoio cada vez mais trabalhos como o do @clicio que tem democratizado o conhecimento e por incrivel que pareça, de graça e sem erros!
Rapaz, com os preços dos livros (principalmente os de público mais restrito) nas alturas em que estão, esse tipo de coisa é simplesmente inadmissível. Quanto a comprar as edições em língua nativa (inglês, espanhol ou o que seja), para quem domina outros idiomas acaba sendo mais vantajoso. Dia desses encontrei a edição em inglês de um livro de técnicas e materiais de pintura pela metade do preço da edição brazuca.
“arcanjo gabriel”?! haja escárnio
Cara Prof. Denise;
Foi exatamente o que pensei.
Será que alguém realmente se chama “Arcanjo Gabriel”, ou é o apelido carinhoso do Google Translator?
Como a autoridade por aqui é você, me diga; conhece algum bom tradutor com esse nome?
Abraços, obrigado por comentar!
O pior não é só isso não. Além dos plágios que a querida Denise está sempre atenta – acompanho o caso desde o inicio e até ajudei em alguns cotejos – há algumas traduções brasileiras que são tristes.
Sou estudante de Letras, pra mim é muito natural ver frases que são falhas ou nitidamente oriundas de um portunhol. Livros até bem vendidos, como best-sellers, que poderiam ter uma tradução cuidadosa, já que normalmente seus textos não são tão dificeis, as vezes carecem disso também.
Lendo não lembro qual, percebi que toda vez que tinha a palavra olhar, com essa intenção mesmo, de “ver”, a tradução usava mirar. O verbo existe em portugues também, mas o correto é ver. Tem dúvidas de que foi usado uma tradução hispanica ou um tradutor latino para tal?
o.O
olá, thiago, prova viva do velho ditado “quem está vivo sempre aparece”! prazer em vê-lo, obrigada pelo “querida”, adorei.
clicio, aqui está virando quase uma sala de visitas, desculpe abusar
mas falando sério, isso de tradução é um circo de horrores, em especial em áreas técnicas específicas em rápida evolução, como fotografia, computação, informática e via dicendo.
não tem como – o papel é desconfortável, chato, incômodo, dá trabalho, mas é este mesmo: reclamar, denunciar, cobrar, exigir – e repudiar vivamente escárnios ultrajantes tipo arcanjos gabriéis – isso foi de um mau gosto inominável!
me desculpe, mas isso que um comentarista falou acima não existe: tipo a coisa é ruim, você compra porque quer, e o problema é teu. não é assim que funciona, não só por questão legal, jurídica (tipo constituição e código do consumidor), mas até por razão de sobrevivência empresarial: nenhuma editora é tão louca de ficar dando tanto tiro no pé se notar que está se queimando junto a seu público leitor. é um mercado extremamente competitivo, e se a tal alfa ou alta books continuar nessa maluquice irresponsável, não tem sobrevida nem de cinco anos.
em tempo: comemorei vivamente o fato de que uma leitora ultrajada com uma tradução horrenda (e plagiada) reclamou com a editora, esta se fez de mortinha, a leitora não engoliu o desaforo e foi para o juizado de pequenas causas.
agora a coisa está em andamento. a ver…
ooops, não era plagiada não, era só horrenda
naaaah, “arcanjo gabriel” aposto que foi piadinha da própria editora, afinal gabriel era o mensageiro divino, não era? e onde está a referência? no livro? se for no livro, a iniciativa foi da editora, claro. afora que o google é “americano” demais para se por a brincar com essas coisas.
É horrível perder a credibilidade na edição que começamos a ler.
Tradutores nem sempre “são do ramo” e não conhecem a linguagem
especifica. Mesmo lamentável.
Agora, esse Arcanjo Grabriel eles inventaram na hora, né?
O público merece respeito e deve levar a público, sim, sua indignação.
Boa, Clício!
Não tem coisa melhor que ler um bom livro.
Nossa, Clício!
Como bem disse Jucelino Nunes, está parecendo mais uma tradução “eletrônica”, daquelas online que se faz no Google ou Babel Fish… E esse “pseudônimo” do tradutor… Sei não… Reforça esta teoria…
E o livro, fora os erros, vale a pena?
Forte Abraço,
Renato
Bons comentários Clicio! Venho acompanhando a distância, mas seguem algumas considerações…
1-Jornalismo (jornais,revistas,sites) são produzidos por empresários. Suas publicações atendem a lei do mercado. O romantismo do “quarto poder” o repórter da madrugada, o fotojornalista do boteco não existem mais, assim como o dogma de que o texto que está escrito é a verdade ou a foto que está publicada é real, não existem mais, há décadas, antes mesmo do domínio digital. Portanto, acreditar nisso tudo é muito naif.
2-Editoras são empresas! e como tais, existem aquelas decentes e aquelas que não são. Mesmo as primeiras escorregam, eventuamente, e me mostrem uma (só uma ) que assim não tenha feito. E, não falo somente das brasileiras.
Pior que elas, também existem as livrarias, o governo e seus tributos, que fazem as edições chegarem 50% mais caras (pelo menos) as estantes brasileiras, enquanto as grandes redes estão cada vez mais luxuosas. O que significa que para ter lucro uma editora paga menos pelos direitos autorais, menos pelo designer gráfico, menos pelo revisor, menos pelas imagens. Num mercado onde todos aceitam partilhar deste perverso jogo. Inclusive aqueles que compram os l ivros, pois sem eles isso tudo não existiria.
Daí a importância da crítica que informa, daí a importância dos fotógrafos passarem também a ler mais, do que produzirem lamentos baseados em orelhas.
Curioso ouvir tanta queixa, e não quero cometer uma injustiça generalizando os comentários, alguns execelentes. Mas, um livro de informação técnica, ou de ensaio fotográfico no Brasil leva perto de 3 a 5 anos para esgotar, isto, se obter muito sucesso, mas muito mesmo. Uma das clausulas de contrato com as editoras ( em quase todas elas) é que passados 2 anos da publicação o mesmo pode ser disposto pela mesma a 10% de seu valor. Isso revela a dimensão em números e em quanto tempo elas esperam vender seu produto.
Implica igualmente que não há consumidores suficientes que justifiquem as edições médias ou grandes, aquelas acima dos 3 mil exemplares usuais por aqui.
Também significa que os fotógrafos brasileiros lêem muito pouco. Nem mesmo quando tem esta leitura gratuita nas bibliotecas das universidades ( não precisa ser aluno do curso para frequentá-las) ou através de sites como o archive, ou pelos pdfs que a maioria das universidades disponibiliza pela internet gratuitamente, como a Unicamp, por exemplo.
Agora, duro mesmo é você ter que pagar 109 reais ( cento e nove reais) por um livro de gramática para uma criança de 10 anos. Ou 79,00 por um livro de geografia, para o ensino fundamental. Imagina o meu susto ao matrícular minhas filhas este ano?
Então, seria mesmo possível formar um leitor brasileiro para nossas publicações?
Embora possa ir contra até mesmo aquilo que produzimos, ( e você, Clicio com seus livros, é um respeitável produtor) sugiro que todo mundo passe a ler no original! Até porque, sai mais barato! Bem mais barato!!
Aliás, repito o conselho que vc já deu no seu texto! Garanto que a maioria destas queixas não teriam fundamento. Como disse “a maioria”, porque tenho certeza que alguns leitores ainda não ficarão satisfeitos…Porque a porcaria de lá cheira tal mal quanto a brasileira… E porque é sempre bom ter gente insatisfeita! É isso que faz o mundo andar para frente!
Ola pessoal,
Como o Clício fez mandei o e-mail a editora Alta Books essa foi a resposta que tive:
“Boa Tarde,
Primeiramente muito obrigado por enviar este email !
Caso V.S.a esteja insatisfeito com o conteúdo da obra, independente do motivo, poderá dentro do prazo legal, pedir o cancelamento da compra ou troca por outro produto diretamente na livraria ou loja que vendeu o mesmo.
A editora sempre tenta entregar o melhor contéudo a seus clientes, tanto que tem equipe de traducao, revisao gramatical e técnica , sendo que a revisão técnica é feita por no mínimo duas pessoas diferentes para olharem e varrerem os livros em busca de erros e fazer as adaptações de termos, troca de telas etc., porém pode acontecer de algumas frases ou termos técnicos podem não ficarem perfeitamente escritas.
A editora, assim que recebe uma reclamação,qualquer ela que seja, encaminhamos imediatamente as dúvidas ou insatisfações para verificar o que houve e tomar as medidas de correções cabíveis. Seu email será enviado imediatamente para o departamento de Produção. Se for compovado o erro de qualquer tipo ou espécie, o erro ou mesmo um paragrafo que poderia ser melhor escrito, será consertado em uma errata dispobilizado em nosso site, e tais erros ou melhorias serão acertados na reimpressão do mesmo, ou em alguns casos optamos até por reimprimir todo o livro. Este procedimento de busca de qualidade é feito de para qualquer livro que é publicado pela Alta Books, que em 2009 publicou 152 novos títulos em vários segmentos, e hoje é maior editora de livros de TI do Brasil.
Gostariamos também de fazer uma observação referente as erratas dos livros originais em inglês. A maioria dos livros em inglês que traduzimos quase sempre possui erros na primeira edição/impressão. E fácil ter acesso a errato do livro original, pois os mesmos são disponiblizados frequentemente no site do livro ou da editora estrangeira. Muitos livros originais possuem, em média, 30 ou mais erros, sejam eles de conceito, entendimento, digitação, código ou impressão, a em alguns casos, nossos revisores técnicos localizam e consertam na nossa edição tais erros, mas é claro que isto vai depender da data publicada da errata que os erros foram reconhecidos pelo autores da edição original.
Cabe ressaltar, que a edição Brasileira, pode sair sem erros, ou ainda com menos ou até mais erros que a Americana, já que temos que passar pelo processo da tradução, revisao e adaptação dos ermos técnicos utilizados, termos conceituais estes que podem mudar de acordo com a região do Brasil que a pessoa vive, como é o caso dos livros de programação. Muitos termos em livros de programação como “instance”, “loop”, “deletage” podem ser (ou não) traduzidos de 2 ou 3 formas diferentes, pois não existe um glossário oficial, principalmente para produtos Open Sorce. Isto pode gerar confusão, pois alguns pessoas podem conhecer os termos de forma e outros de outra forma. Este tipo de dificuldade não acontece com os livros em inglês.
A Série Use a Cabeça da Alta Books, a maior série de livros de programação e TI no Brasil, hoje possui mais de 15 livros, e geralmente são muito bem avaliados, conforme podemos citar alguns exemplos:
http://www.submarino.com.br/XXX
79 pessoas opinaram. Aprovado por 99% das pessoas. Provalvelmente o livro de Java que mais vende no Brasil.
http://www.submarino.com.br/XXX
Aprovado por 100% das pessoas.
http://www.submarino.com.br/XXX
Aprovado por 98% das pessoas.
http://www.submarino.com.br/XXX
Aprovado por 100% das pessoas.
http://www.submarino.com.br/XXX
Aprovado por 100% das pessoas.
E em varios sites dos nossos parceiros como Cultura, Saraiva, Submarino, Americanas, relativa, livros de informatica e links acima que sao blogs, nao achamos ou localizamos qualquer informacao que desabone o livro, porém como já foi comentado, seu email será avaliado pelo departamento técnico.
http://www.americanas.com.br/
http://www.submarino.com.br/
http://www.relativa.com.br/
http://fotocolagem.blogspot.com/
http://www.livrarianavegar.com.br/
http://www.editoraphotos.com.br/
Atenciosamente,
Anderson Camara
Coordenação Faturamento / Departamento Comercial
Editora Alta Books.”
E respondi di novo a ela, dessa vez sem respostas:
“Olá Anderson,
Entendo que vocês possam ter traduções muitos boas e livros bem cotados no mercado, porém esses dois títulos, que são os únicos que li de vocês até hoje, são péssimos na tradução.
Se olhar no post do blog do Clicio, verá que não sou o único a reclamar dessas publicações do joe.
É pelo que pude notar vocês são uma editora até que grande, e por isso não me conformo como vocês publicam a tradução do livro sem consultar um fotógrafo, um técnico, e sem ler o livro.
Acho que você não leu esses livros, pegue o diário da luz sublime, logo na introdução tem trechos que são incompreensiveis.
Infelizmente já mais de 30 dias que comprei os dois livros, pois se não com certeza os devolveria.
Mas fico aliviado de saber que, pelo menos no ramo profissional, seus livros de fotografia dificilmente serão consumidos.
Embora o fotocolagem seja um blog respeitado, o que está escrito lá não é a opinião de quem postou e sim um release da sua editora.
Espero que vocês possam fazer algo a respeito desses livros.
Gabriel Barbosa Soares
Gabriel,
Agora tudo ficou mais claro.
Este e-mail que você recebeu do Sr. Anderson é EXATAMENTE IGUAL ao e-mail que eu recebi, da mesma pessoa.
O que demonstra que a Editora tem um “email-padrão” para os possíveis reclamões, que agora já sei que não são poucos.
Obrigado por postar,
Clicio
Denise,
“Arcanjo Gabriel” está nos créditos do livro, impresso junto com os demais integrantes da ficha técnica, logo no início.
Eu quis dizer que só pode ser ironia de alguém na editora arranjar este pseudônimo para uma tradução tão tosca.
Possivelmente baseada em uma tradução eletrônica…
obg, clicio, realmente achei um franco escárnio da editora em fazer isso.
e decepcionante também a resposta pronta da editora, aproveitando para fazer propaganda…
Clicio, oi! Não achei o seu email, não sei onde poderia me comunicar com vc. Acho que não deveria ser nessa página, mas foi o único lugar que encontrei para me comunicar.
Muito obrigada por disponibilizar tanto conhecimento enriquecedor para nós. Não sou fotógrafa profissional, sou uma amadora que acaba de comprar sua máquina semi-profissional e está iniciando nesse encantador mundo da fotografia (amadora! rs).
Vi seus vídeos ensinando como usar o Lightroom e AMEI. Aprendi bastante! Mas gostaria muito de te pedir uma ajuda. Eu ainda não estou conseguindo colocar a marca d’água nas fotos. Quando clico em adicionar marca d’água durante a exportação, ela simplesmente não aparece.
Pelo método do slideshow, a foto fica com as bordas do slideshow. E no modo print, a mesma coisa. As fotos saem com bordas (do slide ou da folha do print).
Baixei o Mogrify e apesar de estar enabled, ele não aprece na hora da exportar a foto. Nossa, clicio, não sei oq fazer. Tentei todas as formas como vc explicou. Não sei oq está acontecendo.
Pode me ajudar?
Muito Obrigada!
Inesquecível a minha leitura da primeira edição brasileira paperback de “Uma Breve História do Tempo” de Stephen Hawking. Tão catastrófica que me empurrou decisivamente na direção de buscar a obra no idioma original sempre que possível, o que teve o efeito colateral de aumentar a minha cultura.
Não sei se já viram. É pertinente à postagem. http://livroseafins.com/editora-landmark-processa-blogueira-denise-bottmann-do-nao-gosto-de-plagio/
Belíssimo blog, Clicio.
Pois é. Eu faço traduções para uso pessoal ou por que alguém me pede e nunca gosto delas. Sempre parece que faltam as palavras certas para traduzir. Isso me faz pensar que, se eu, que não publico nem nada, já acho que o que produzo não é suficientemente bom, como é que andam as editoras que traduzem pelas coxas, sendo que elas se preocupam muito menos do que eu com a qualidade? Terrível isso. Há erros caóticos e nós pagamos por publicações desse tipo. Alguns livros deveriam vir com um selo “traduzido por um cretino” na capa. Não gosto de saber que traduzo melhor do que os “profissionais”, e menos ainda que não é preciso muito para fazer melhor do que eles.
A Alta Books não tem apenas o Arcanjo Gabriel como tradutor. O Arcanjo Miguel também é, traduzindo livros de informática.
CLICIOOOOOOOO
li e lembrei de você na hora!
http://ukcatalogue.oup.com/category/sale.do
uma impressionante Winter Sale… O envio para o Brasil custa £9.00, não importa quantos livros. Aproveitem!
é SÓ ATÉ DIA 26 SEXTA FEIRA
saiu daqui OoOoOH!
http://www.dicta.com.br/