por clicio em 5 de março, 2010
A aranha e a mosca
A Fotografia e a rede cultural [RPCFB]
Dentre as inúmeras excelentes iniciativas que surgem neste ano de 2010 para promover e inserir de vez a Fotografia brasileira no cenário cultural do paÃs, certamente a criação e organização da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil [RPCFB] é destaque.
Como já explicado no post “Rede de Produtores Culturais da Fotografia”, a proposta é fazer uma pesquisa quantitativa e qualitativa das ações que fomentam a cultura da fotografia em todas as regiões do Brasil.
O que nos traz esperança e nos enche de otimismo.
O principal motivo de satisfação é perceber que há uma vontade imensa de união, de troca, compartilhamento. Um engajamento proativo, interessado, curioso e entusiasmado, que vai do Rio Grande do Sul a Roraima, com insuspeitados eventos fotográficos acontecendo nos lugares mais improváveis, mais longÃnquos, que revelam talentos e demonstram uma força crescente da nossa jovem fotografia, livre de vÃcios e dogmas.
Mas por outro lado, há com o que se preocupar.
Tentativas passadas, antigas e recentes, sempre esbarraram nos mesmos problemas: falta de verbas, falta de espÃrito de união (poucos trabalham e muitos reclamam), panelinhas de “chefias” onde todos querem mandar e todos se acham notáveis.
Falta de maturidade?
Egocentrismo?
O que me faz lembrar da revista Interview, criada e editada pelo artista pop Andy Warhol, que conseguiu inventar uma espiral ascendente de promoção de egos: uma dúzia de articulistas que falavam bem dos outros onze, em uma simbiose múltipla que produziu um dos primeiros cÃrculos viciosos de marketing pessoal bem sucedido, e que logo foi erroneamente alcunhado de “cÃrculo virtuoso”.
Certamente um cÃrculo vicioso não é o que se deseja com esta rede; a descentralização, a estrutura estrelar que pretende envolver todo o paÃs em suas longas pontas, a democratização das idéias e o colaboracionismo já se fazem sentir na atual e sempre crescente lista de participantes, hoje em número de 100, e que tem expectativas (de amplo espectro) afins, mas que resguarda e respeita as especificidades, particularidades e regionalidade de cada um deles. E isso sim pode ser um cÃrculo virtuoso, uma espiral ascendente.
A supressão dos interesses pessoais em prol de resultados que beneficiarão a todos é condição sine qua non para o sucesso da rede, e como consequência arrisco aqui a expressão que é um aparente oxÃmoro: “fotógrafo rico”.
Aparente pois se trata de uma falsa contradição, posto que as atividades de fotografia identificadas pela rede tem demonstrado um universo riquÃssimo de cultura, de idéias, de pessoas excepcionais. E os recursos financeiros necessários para que isso se solidifique vão surgindo naturalmente, válvulas de escape de uma energia que por muito tempo esteve represada.
Sim, a nossa teia pode ser neural, de sinapses, uma rede brilhante e interdependente, onde todos os seus nós tem a mesma importância, e não necessariamente ser aquela teia tradicional, antiga, analógica e pensada como armadilha, onde a aranha sempre come a mosca.
Que não haja moscas nem aranhas; que haja apenas a rede, polissêmica e rica como a Fotografia.
Update 01: Os membros da Associação de Fotógrafos Fototech estão super entusiasmados com os rumos da RPCFB, já que o objetivo da Fototech sempre foi o da união nacional dos fotógrafos em defesa dos interesses comuns. E está acontecendo!
Update 02: Roberto Linsker republicou no blog da National Geographic o texto do Guto Muniz.
Obrigado, Linsker!





11 Comentários
Tomara que sua visão do futuro para nós seja verdadeira. Abs
Esse texto está 10! “CÃrculo virtuoso” é a expressão correta. Mas, vamos apostar todas as fichas no projeto e trabalhar pelo movimento. Eu acredito na mudança! Gd e abs a todos!
ClÃcio… simplesmente o que eu sempre tive vontade de fazer e nunca tive a oportunidade, pois, sempre me senti um maldito Dom Quixote, porque sempre que propunha isso, sempre vinha um pessimista dizendo… “ahhh isso é devaneio seu, ninguém quer mexer com isso…”.
Me proponho prontamente, de tomar conta dessa ponta da rede, em meu retorno para o Mato Grosso… conte sempre comigo… e parabéns pelo post… a vida próspera e longa a RPCFB!!!
ClÃcio, há muitos anos, sem conhecimento de causa, mas por pura intuição, tentei fazer contato com alguns fotógrafos da minha cidade pra tentar promover uma interação entre nós, afim de valorizar a fotografia, trocar experiências, nos ajudar mutuamente nas várias questões que envolvem, não só o trabalho em si, mas principalmente o pensamento fotográfico, já que nos tempos da faculdade era uma idealista apaixonada por semiótica. Enquanto outros me olhavam com ar de indagação eu sonhava com a idéia de que “o sol nasce pra todos”. Com os anos de mercado aprendi que nem todos pensam como eu ou vc ou tantos outros que venho encontrando nesta, que eu digo ser, “providencial rede”. Bom saber que não sonho sozinha. Que outros, cada um com seu olhar, estilo, qualidade técnica, oportunidades diferentes uns dos outros, valorizam o trabalho alheio, e acima de tudo, valorizam a fotografia como linguagem autêntica de informação, arte e mercado. Amei a expressão “cÃrculo virtuoso” . Parabéns pelo post!!!
Muito bem Clicio!
Acho que esse é o sentimento e o desejo de muitos de nós.
Acreditamos…. Good idea…
abs
Acredito sempre na união.
Pode ser uma frase batida, mas faz MUITO sentido para mim: A União faz a força, sim!
Lembra qdo me indignei com a falta de união dos fotografos e professores?
Se todos nós trabalharmos em parceria, com certeza obteremos resultados bem melhores e mais significativos do que temos obtido sozinhos.
Espero ardentemente que esta iniciativa seja interessante para todos os que amam, trabalham e se expressam através da linguagem fotográfica!
um bjo grande
Cacá
Sucesso!
Que o empreendimento seja mais que um simples esforço para democratizar o acesso ao conhecimento; divulgar novos e bons trabalhos; fortalecer os laços entre opiniões divergentes.
Que seja um meio para o aprofundamento do dialogo – que não implica consenso – e da atividade fotografica, e mais, um meio fertil para que todos possam atingir a tão almejada “supressão dos interesses pessoais em prol de resultados” coletivos, o que nem sempre é facil mas possÃvel.
Evitar o “circulo virtuoso” e o “circulo vicioso” pelo dialogico “circulo do pensamento critico”.
Pensar algo como a Confecom (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16294) ; e como a Altercom (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16411) para não se deixar
sujeitar por isto aqui ó : http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16432
Salve!
Toda a questão da promoção de todo algo cultural está em uma única palavra: FINANCIAMENTO. Conforme a forma como o financiamento acontece, conforme os mecanismos que o fazem acontecer, conforme o seu volume, os mecanismos de validação das iniciativas com vistas ao financiamento restarão determinados, e isso rebate-se posteriormente sobre a produção, dirigindo-a.
Que venha a união dos interesses comum a amadurecer e se solidifcar inaugurando uma nova fase que beneficiará à todos envovidos.
Você união é bem-vinda sim.
Olá ClÃcio! Sou de Campo Grande MS, e junto com minha sócia ralizamos diversas oficinas de fotografia para crianças e adolescentes em um projeto social chamado Nosso Olhar.
São jovens da periferia, filhos de peões pantaneiros, menores internos de Uneis e em 2010 estamos trabalhando com Ãndios Guaranis.
GostarÃamos de participar dessa rede, uma iniciativa importante e pontual para fortalecer a fotografia brasileira.
Anos atrás , tive uma iniciativa parecida com a Joelma aqui em MS e também não houve muita receptividade.
Gostaria de saber como participar da rede.
Abraços,
Elis Regina