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Depois de muito pesquisar e quase comprar a Sigma DP2, que assim como a Olympus EP-2 era uma alternativa bem interessante, finalmente comprei uma câmera com sensor micro quatro terços para o dia-a-dia, a Panasonic Lumix GF1-X.
As vantagens em relação à Sigma são qualidade e tamanho de ampliação; o sensor micro 4/3 é maior e produz imagens de 12 Megapixels. Quando comparada com a Olympus, que usa o mesmo tamanho de sensor, as objetivas fabricadas pela Leica especialmente para a GF1 e a possibilidade de usar quase todas as lentes da linha “M” fazem a diferença: a qualidade óptica é impecável. É bom que se diga: a extinta parceria da Leica com a Panasonic rendeu bons frutos, e os resultados mostram isso.

Anel adaptador Leica

Anel adaptador Leica

Minha primeira sensação foi de intimidade; a câmera é leve e tem o tamanho aproximado de uma Leica M, se encaixa bem na mão e parece robusta. Como escolhi o kit com a objetiva 14-45mm zoom, equivalente a uma 28-90mm (uma 20mm “pancake” é a outra opção), a lente deixa a câmera um pouco grande para ser carregada no bolso, mas suficientemente pequena para ser discreta e não chamar atenção nas ruas. Gostei da “pegada” e achei os controles bem posicionados e fáceis, e o visor de LCD é limpo, claro e excelente.
Nos primeiros clicks, boas surpresas, como a rapidez de disparo (shutter lag imperceptível, sem delay) e a clareza das imagens no visor. Fotografando em Raw o buffer é bem generoso, permitindo 6 disparos em modo contínuo antes da gravação, o que pode fazer a diferença em situações de jornalismo, esportes ou ação; e para  retratos, a velocidade se mostra mais do que suficiente.
O menu de opções é bastante completo, com aquelas que me agradam logo disponíveis: modo manual total, balanço de neutros predefinido ou personalizado, ISO 100, e possibilidade de gravar as minhas preferências em dois espaços independentes, chamados de C1 e C2 e disponíveis no dial principal da parte superior da GF1.

Configurações do menu GF1

Configurações do menu

A possibilidade de criar seus “filmes” personalizados também é bastante interessante, mas aí é que mora o perigo: são tantas opções e alternativas de se configurar a pequena que há o risco de se confundir mais do que realmente aproveitar todas as alternativas preconfiguradas. Digo isso com certeza pois mesmo após ter lido todo o manual (como sempre faço), ainda assim fico em dúvida de qual das opções está sendo utilizada no momento.

O problema maior parece ser a diversidade de operações que possuem presets; vamos ver quais são:
Film Mode (simulação de filmes usados) tem os presets: Standard, Dynamic, Nature, Smooth, Nostalgic, Vibrant, B&W Standard, B&W Dynamic, B&W Smooth. Além desses, possibilita a criação de 2 filmes personalizados (My Film1 e My Film2) e o Multi Film, em que 3 “filmes” podem ser escolhidos e a câmera registra a mesma cena sequencialmente com 3 diferentes interpretações. Cada “Film Mode” pode ser personalizado com 5 níveis de contraste, saturação, nitidez e redução de ruídos.
Scene Modes (acessível pelo Dial principal) tem os presets: Portrait, Soft Skin Portrait, Creative Portrait, Night Portrait, Architecture, Sports, Peripheral Defocus
, Flower, Food
, Objects
, Night Scenery, Illuminations
, Baby 1, Baby 2
, Pet
, Party, Sunset. Não me pergunte pois não tive tempo de testar todos, mas os modos Portrait e Baby possuem a tecnologia de reconhecimento de faces, impressionantemente inútil para profissionais, mas curiosa para donas de casa.
My Color Modes (acessível em “Image Parameters”) tem os seguintes presets tonais: Expressive, Retro, Pure, Elegant, Monochrome, Dynamic Art e Silhouette. Existe também um modo personalizado, Custom, que permite a experimentação de cores e tonalidades em 3 sliders HSL, chamados aqui de Color (H), Brightness(L) e Saturation(S). Concluí que quase tudo que o “My Color Modes” permite pode ser simulado em Custom Film, e claro que fotografando em Raw tudo isso é irrelevante; o que vale é a interpretação do Lightroom.
Por falar nisso,a câmera vem com o excelente processador de Raw SilkyPix Developer Studio 3.0 SE (Windows/Mac OS X), quase um cult entre os fotógrafos-geeks. Sinceramente? O noise reduction (redutor de ruídos) do Silkypix é bem melhor que o do Lightroom 2 (sim, vai melhorar no Lightroom 3), a interface é agradável e o resultado…Como o nome diz, sedoso (silky). O bom é que a interface é bem semelhante a do Capture One, programa que também uso, e fica fácil entender como funcionam as suas ferramentas, bastante poderosas.

Silkypix

Silkypix DS3 | foto: Carol Hartfiel

De todos os gadgets, whistles and bells que a Lumix nos presenteia, um é excepcional; o chamado iE (Intelligent Exposure Adjustment), que aumenta efetivamente o alcance dinâmico do sensor, aumentando o gap entre os tons mais claros e mais escuros que podem ser capturados; a ferramenta pode ser configurada para Low, Standard, High ou desligada. Funciona bastante bem, o que deixa a GF1 em posição semelhante a Nikon, Canon e Sony, que  possuem esta opção (geralmente em produtos mais sofisticados).

visor eletrônico para a GF1

Electronic Viewfinder

Um ponto negativo é a ausência de visor óptico, que prejudica bastante o seu uso em locais públicos e me atrapalha bastante; vivo batendo o nariz no LCD tentando olhar por um visor inexistente, costume trazido dos anos de Leica. A concorrente direta da GF1, a Olympus EP1, também não tem visor óptico, mas ambas possuem um visor eletrônico que ajuda muito em algumas situações. O LVF1 da GF1 inclina-se até 90º e é uma excelente alternativa quando acontece o “glare” em dias de grande luminosidade, onde o visor de LCD se torna praticamente inútil. O preço, U$200 é adequado a sofisticação do produto.

45mm Macro Leica Elmarit

45mm Macro Leica Elmarit

Objeto do desejo

Uma alternativa que não existia quando comprei a Lumix e que agora me deixa inquieto é a nova objetiva da Leica, uma Elmarit f:2.8 de 45mm macro (equivalente 90mm). Chamada oficialmente de LEICA DG MACRO-ELMARIT 45mm F2.8 Micro Four Thirds Lens, pode ser encontrada nas grandes revendas americanas como a Adorama. Essa eu quero, pois é a objetiva perfeita para retratos e fotos de beleza, e adoro macro para os detalhes de olhos e bocas; a lente do meu kit, apesar de ser uma 45mm, não tem uma boa aproximação.

Mega O.I.S

Mega O.I.S Stabilizer

O melhor é que ela é estabilizada, assim como a zoom do kit, e usam um sistema chamado de “Mega O.I.S”; funciona extremamente bem.

Conclusão
Para o intuito para o qual foi comprada, estou mais satisfeito do que imaginava. Tenho usado a pequena para fotos pessoais, ensaios, fotos de família e de viagem, como “Polaroid” e rascunhos para trabalhos mais importantes e inclusive para trabalhos mais simples, como lookbooks e pequenos stills no estúdio; com uma sapata pode-se sincronizar a GF1 com flashes de estúdio, e 12 Mpx Raw já tem boa qualidade.
Abaixo, algumas imagens produzidas pela GF1.

Lumix GF1

©2009 Clicio Barroso | casa: Cláudio Feijó | GF1, ISO 100

©2009 Clicio Barroso  | GF1, ISO 400

©2009 Clicio Barroso | gato: Chico | GF1, ISO 400

©2009 Clicio Barroso  | gato: Chico | GF1, ISO 400

©2009 Clicio Barroso | Carmen Hartfiel | GF1, ISO 100

Para um review completo, em inglês, acesse o DPreview.
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Update 01: Este artigo está diretamente relacionado ao post “Sigma DP2: Alternativa Radical?
Update 02: Um outro bom review (em Inglês) pode ser visto em http://migre.me/II8H