foto: ©2009 Clicio Barroso  |  model: Ellen Melo

foto: ©2009 Clicio Barroso | model: Ellen Melo

O retrato surge cedo na história da fotografia.

A partir do momento em que, em meados do século XIX, os avanços na
 estrutura química dos suportes fotográficos permite tempos de exposição
 mais curtos, pessoas importantes ou anônimas começaram a ser 
fotografadas, por vaidade ou curiosidade, possibilitando uma ilusória
 imortalidade do fotografado. Quando chega a virada do século, a 
fotografia de retratos torna-se uma verdadeira febre, sendo que Paris e
 Londres foram tomadas por estúdios de retratistas onde todos, nobres ou
 plebeus, queriam ser imortalizados, e as “cartes de visite” (pequenos 
cartões de visita com a fotografia do portador) fizeram de alguns
 fotógrafos da época verdadeiros milionários.
Com este início de sucesso, o retrato passa a ser considerado uma das 
categorias nobres da fotografia, e uma forma comercialmente importante
 para tornar viável o mercado da fotografia profissional; ganha-se
 dinheiro suficiente para tocar o negócio, a vida familiar e permitir que 
o fotógrafo se dedique exclusivamente ao seu estúdio, não como uma 
atividade secundária, mas sim única.
Esta tradição européia do retrato é trazida ao Brasil no começo do século XX, e logo surgem os estúdios dedicados a ele, 
principalmente no  Rio de Janeiro. 

Com o passar das décadas, a fotografia foi se popularizando, ficando
 mais accessível a todos, e no final do século XX a imagem, estimulada 
pela grande mídia, passa a ter importância crescente na vida das pessoas, e o 
estúdio de retratos volta a ser bastante procurado.

Mas como ter sucesso e ganhar dinheiro com retratos?
Sendo generoso com o retratado!
Alguns fatores são fundamentais; o ambiente onde a foto será feita tem 
que ser agradável e confortável, o fotógrafo tem que ser comunicativo, 
simpático e paciente, a iluminação deve favorecer ao fotografado (luz 
generosa para as mulheres, luz mais marcante para os homens) e a direção 
de fotografia deve ser firme mas tranquila e educada, transmitindo segurança.
É interessante notar que as pessoas que vão ser fotografadas geralmente 
estão bastante inseguras, com medo de se mostrar para a câmera, e 
costumam criar  diferentes personagens para si próprias no estúdio.
É função do fotógrafo quebrar este gelo e passar a confiança necessária 
para o fotografado.

Rafaella Tomasi

Rafaella Tomasi

Posicionamento do retratado

A forma mais direta de iniciar a sessão sem muitos traumas é saber como
 posicionar o fotografado, a pose que valoriza e é conveniente para
 aquela pessoa.
A primeira dica de pose é  nunca posicionar ombros e cabeça frontalmente
 para a câmera. Ao eliminar o paralelismo óbvio, a foto ganha dinâmica, movimento. A famosa pose-documento, totalmente frontal, só serve para quem é muito, muito magro, pois a 
tendência é de se formar uma massa muito larga no tronco, tornando a cabeça
 desproporcionalmente pequena, desviando assim a atenção do rosto (que deve ser o principal foco do 
retrato).
Os ombros devem então sempre estar em 
ângulo em relação à câmera; quanto maior o ângulo, mais estreito parece
 o tronco, e melhor a proporção em relação à cabeça. Um benefício 
adicional para as mulheres é a valorização natural do colo nesta pose.

Ombros 90º

Ombros 90º

O
 mais radical é o ombro a 90°, uma pose típica das capas das 
revistas de moda e beleza, mas mesmo passando deste ângulo, com as 
costas do retratado começando a aparecer, ainda é possível uma postura 
sofisticada e interessante. Cuidados porém devem ser tomados nesta pose 
de mais de 90°, já que rugas no pescoço serão inevitáveis se o fotografado
 estiver com o rosto voltado para a câmera.
Dois truques podem ser
 usados para minimizar o problema das rugas:
1-) Cobrir as rugas naturalmente com a roupa do fotografado; blusas de gola alta, echarpes e xales costumam
 esconder o pescoço e consequentemente as rugas.
2-) Se o retratado tem cabelos mais compridos, uma simples mecha pode ser
 desviada para cobrir as rugas mais visíveis no pescoço de uma maneira muito natural.

Cabelo na ruga

Cabelo cobrindo a ruga

Outra dica sobre a postura lateral do tronco é a forma com que o
 abotoamento da roupa se apresenta, já que o ângulo mais harmonioso 
sempre é aquele em que as casas (que se sobrepõe aos botões) estão em
 primeiro plano, evitando os “buracos” no abotoamento e consequentemente 
formando uma linha mais limpa.
Além do ângulo, a altura relativa dos ombros também 
deve ser dirigida; geralmente o ombro mais próximo da câmera parece mais
 natural se estiver mais alto que o mais distante; porém, para
 uma postura de maior dinamismo principalmente com homens, o ombro mais próximo
 bem baixo faz com que o queixo se erga, dando assim um ar de confiança ao 
fotografado.


Formatos de rosto

Podemos, de uma forma genérica, categorizar os formatos de rosto em seis tipos diferentes. Alguns são mais fáceis de fotografar, outros nem tanto.
Logo, é fundamental que o fotógrafo analise com cuidado o tipo de rosto da pessoa a ser fotografada, antes de começar a iluminação, e se prepare para eventuais correções com a ajuda dos ângulos de câmera.
Os segredos estão em determinar corretamente o ângulo da câmera em relação ao tipo de rosto, e caprichar na iluminação utilizada para enfatizar ou esconder os ângulos menos favoráveis.
Vamos começar com o rosto triangular, que pode ter o seu vértice para cima ou para baixo; o mais comum é o triangular com o vértice voltado para baixo, ou seja, testa mais larga e afinando em direção ao queixo.
As dicas aqui são:
Não iluminar frontalmente, pois o brilho produzido pela luz acaba destacando a testa, já larga por seu formato natural; e nunca usar um ângulo de câmera alto, para que a testa não fique em primeiro plano, e, portanto mais larga ainda.
O ideal, portanto, é uma iluminação lateral suave ou frontal baixa, e câmera no nível do rosto ou abaixo do queixo.
No rosto triangular com o vértice para cima, ou também conhecido por rosto pêra, o problema é bem mais difícil; neste caso, uma luz frontal e câmera sempre acima do nível dos olhos da modelo, podem ajudar a disfarçar o maxilar e queixo grande e enfatizar a testa, que vai aparentar ser um pouco mais larga, equilibrando o rosto; um corte de cabelo que forme um oval no rosto (um Chanel curto, por exemplo) pode disfarçar bem o problema.
Em seguida temos o rosto quadrado, normalmente um tipo de face que apresenta a particularidade de ser excelente para homens (lembra dos clássicos atores norte-americanos?), mas não tão bom para mulheres. O formato, pesado, tem tendência a masculinizar a mulher, e portanto tudo deve ser feito para que este rosto pareça mais estreito. Assim como no rosto pêra, primeira providência é com relação ao cabelo, que deve ser arrumado de forma a cobrir parte das laterais do rosto, afinando naturalmente a face; em seguida, deve-se fotografar a modelo de modo a que o ângulo do rosto seja o de 3/4 ou 7/8 em relação à câmera, e nunca em ângulo diretamente frontal. O nível da objetiva (ângulo alto ou baixo) não tem muita influência neste tipo de rosto, dando maior liberdade ao fotógrafo, mas em geral ter a câmera posicionada ao nível dos olhos do fotografado traz mais equilíbrio.
O rosto oval, com a sua variante rosto coração (que é quando o cabelo faz um pequeno “V” no alto da testa) é considerado o rosto ideal, o mais harmônico e fácil de ser fotografado. É o rosto das grandes modelos, da Gisele Bündchen, por exemplo. Não importa o ângulo da face, não importa a altura da câmera, não importa a direção da luz, a harmonia sempre está presente. Não tem segredo!
Finalmente o mais difícil de todos: o rosto redondo. Apesar de ser aquele que apresenta o maior desafio para o fotógrafo, é um formato bastante comum; índios, povos latino-americanos, orientais, gente da região amazônica, todos estes tem este tipo de face.

Luz curta (short light)

Luz curta (short light)

Os cuidados básicos são nunca fotografar este rosto de frente (seguindo as mesmas regras do rosto quadrado para mulheres), e usar sempre uma iluminação lateral especial, conhecida profissionalmente por “short light” (luz curta).
Vou explicar: Luz curta é a luz que incide na face em ângulo de 45°, iluminando um lado do rosto e deixando o outro na penumbra; o importante é que o lado menos iluminado é o que estará voltado para a câmera, criando assim uma área iluminada bastante estreita, disfarçando a largura do rosto. É a famosa ‘luz Rembrandt” de forma invertida.

Espero que essa pequena introdução seja útil e sirva de base para um aprofundamento específico no assunto.