por clicio em 15 de dezembro, 2009
Fricotes e Mariquices
Esta semana uma polêmica imensa agitou todos os principais blogs de fotografia americanos; o veterano fotojornalista James Nachtwey, especializado em conflitos e dono de uma infinita lista de prêmios e homenagens, ofereceu um posto de estagiário em seu estúdio.
As regras eram claras (ver o anúncio aqui); muito trabalho, alguns requisitos básicos, e o ponto nevrálgico, o fator de ruptura; o estágio oferecido não era pago.
A gritaria foi geral, ampla e irrestrita (ver aqui, aqui, e aqui ).
Houvesse o redator do anúncio oferecido a vaga como “trabalho voluntário”, não haveria comoção. Houvesse o próprio Nachtwey dito que ele oferecia um workshop exclusivo, “real-life”, por qualquer valor que o interessado quisesse pagar, teriam chovido propostas.
Mas não, o que se viu foi uma imensa corrente de “hate mails” e comentários raivosos em todos os fórums que postaram o assunto, o que rendeu páginas e páginas de posts indignados dos aspirantes a fotógrafo (wannabes) revoltados contra o trabalho escravo. Alguns, como o fotógrafo Matt Brandon, fizeram uma defesa bem fundamentada sobre a oferta, em seu blog “The Digital Trekker”, perguntando: “James Nachtwey, um oportunista ou uma oportunidade?” . Outros, como o PetaPixel , afirmam que a discussão é apenas de retórica, e não um debate crucial. Por aqui, algumas opiniões foram emitidas no Twitter, geralmente em inglês, e destaco algumas: “The only place that success comes before work is in the Dictionary.” ou “You want to get good at your craft? You better take everything that comes your way; stop complaining.”
Fotógrafos conhecidos também acabaram deixando seus depooimentos, como Christopher Morris: “My start in the industry started with an unpaid internship at the Miami Herald in the early 80’s. Without this internship, I would not be where I am today in the industry.”
Não, não pretendo entrar no mérito e defender este ou aquele ponto de vista, pois isso já está sendo feito à exaustão pela blogosfera afora; eu particularmente sempre pago qualquer trabalho que peça, mesmo de estagiários. Porém não é esse o assunto, o que me assusta (e a muitos outros) é a falta de senso generalizada de uma geração que imagina que se pode chegar ao topo *sem trabalho*.
Na verdade, o problema é muito mais de cultura e educação do que fotográfico.
A minha geração, nascida nas décadas de 50/60, cresceu nas ruas, jogando pião e indo pra escola a pé, com 10, 11 anos. Não havia a superproteção que há hoje dos condomínios fechados, a preocupação excessiva com a violência (que na verdade é geralmente distante da classe média, restrita as periferias) e começava-se a trabalhar cedo, algumas vezes de graça, para se ganhar experiência. Uma juventude com pais menos culpados, menos paranóicos, que pensavam no valor do trabalho como lição de vida, importante para o amadurecimento da prole. E aí o problema começa a tomar forma; essa geração na qual me incluo ficou adulta, sentiu que tinha passado pela adolescência tendo que fazer certa dose de sacrifício, apesar do sexo, drogas e rock’n roll dos anos 70, e se tornou leniente, culpada; “não quero que meu filho passe pelo que eu passei” é a desculpa mais comum para a superproteção dos pimpolhos. Na verdade, não foi sacrifício nenhum, foi parte do aprendizado, e todos sobreviveram sem grandes traumas, trabalhadores e responsáveis.
Mas…
Apesar de ter noção das concessões necessárias para a sobrevivência da espécie neste século 21, algumas atitudes me espantam: marmanjos de 30 anos de idade vivendo as custas dos pais, “meninas” adultas completamente infantilizadas, comportamentos idiotizados com justificativas abomináveis.
Alguns exemplos reais (e pagos): Assistente de 20 e poucos anos e quase dois metros de altura que “não pode carregar peso porque tem um problema nas costas”; outro que não sobe escadas pois “tem fobia a alturas, vertigem”; mais um que não pinta fundos pois “é pago para fazer serviço especializado, e não trabalhar como pedreiro”.
Um modelo, punk, chegou de moto grandona, todo tatuado, barbicha tipo bode, cheio de couro preto e correntes. Colocamos o cara no set com uma modelo nua. Ele fugiu do estúdio. Literalmente. Disse que estava “passando mal” e fugiu.
Frouxos.
Eu particularmente tive pelo menos quatro assistentes mulheres que eram muito menos fresquinhas que a maioria daqueles barbados que se candidatam às vagas que ofereço. Claro, tem a ilógica ideologia acadêmica que agrava o assunto; uma parte dos professores que formam o segundo escalão das faculdades de fotografia (aqueles que não se dedicam à pesquisa, e cumprem horas/aula nas salas lotadas de desinteressados alunos) pregam que “não há trabalho fotográfico sem pagamento justo”, mas não dizem como nem quanto é o tal pagamento justo, pois nunca foram ao mercado de trabalho; pregam que “o conhecimento acadêmico faz a diferença”, mas se esquecem de ensinar aos alunos como se fotografa; e o resultado é uma enxurrada de jovens que se frustram ao perceber que quando entram no mercado de fato, este não é como esperavam. Afinal, não estudaram tanto para pintar fundo infinito nem carregar equipamento dos outros.
Pois bem, tenho bad news: pinto fundo até hoje, e melhor que a maioria dos assistentes (afinal, tenho mais tempo de estrada…); carrego equipamento, descarrego carro e caminhão, faço gambiarra elétrica quando os cabos e geradores pifam, ajudo a fazer café quando se precisa, monto e desmonto iluminação e fundos, e assim o fazem todos os profissionais da minha geração. Se for necessário, maquio as modelos.
O que aqueles que só sabem reclamar e dar piti não percebem é que FAZ PARTE do trabalho. Aliás, como sempre disse, “trabalhar dá trabalho, senão não seria trabalho“.
Ficou revoltado?
Vestiu a carapuça?
Deixe seu comentário! (sujeito a moderação, lógico!)
Update01: Este post é diretamente relacionado aos “Equívocos do aprendizado fotográfico.”
Update02: O PicturaPixel generosamente destacou este post em suas riquíssimas páginas; thanks!





157 Comentários
Apesar de ser da geração que foi criada com mimos extremos e superproteção, concordo com o que vc diz.
Eu acredito que nada vem fácil e tudo o que tem que ser feito requer suor, esforço, dedicação total. Trabalhar de graça, neste caso, é “o preço que se paga” para aprender com os melhores do ramo e crescer como profissional e também como ser humano.
Concordo, o trabalho pode ser pago com aprendizado, acho que se é esclarecido logo de cara as regras ta tudo certo se candidata quem quer afinal. Eu estou em começo de carreira, e um ponto que ainda fico bem na duvida é: Faço de graça este determinado trabalho pra ter uma ótima foto no portfolio ou cobro para não ganhar concorrência de forma desleal e insustentável? No momento tenho pensado que de graça eu devo ter liberdade e terei também um esforço maior para fazer algo o mais original possível se é pago devo me dedicar ao máximo para entregar aquilo que o cliente pagou pra receber. Mudei muito de assunto?
Grande discussão Clicio… mta coisa pra ser pensada…
Tudo isso é tudo verdade, mas por outro lado é frequente em muitas áreas (entre elas a fotografia) o uso e abuso por parte de profissionais mais conceituados destes “estágios remunerados” para terem funcionários a custo zero.
Minha mãe nunca entendeu porque eu preferi ser assistente do Olício Pelosi em vez de prestar o concurso da Caixa Federal. Foi uma briga!
E ela nem sabia que eu pintava o fundo infinito, carregava peso, varria o chão, fazia café (na cafeteirinha italiana!) e passava horas trancada no laboratório insalubre cheirando a revelador, entre outras coisas.
Ele até que me pagava – pouco, beeeem pouco!- mas eu adorei cada dia de aprendizado nos três anos de assistente.
Por isso que twitei recentemente que todo fotógrafo tem que ser um pouco de pintor… Só esqueci de mencionar: marceneiro, eletricista, cozinheiro, maquiador, psicólogo, arte-finalista… e por aí vai
abraços.
Ps. Quando volta a Goiânia?
Clício,
Oportuno, atual, certíssimo!
Estava a pouco conversando com um amigo a respeito desta nova geração e nossa responsabilidade (as vezes culpa) como pais. E olha que nem tocamos no assunto fotografia…
Você expressou claramente a minha opinião e de qualquer pessoa sensata que reflita a respeito do assunto.
Valeu! Abraços.
Ari
“o trabalho dignifica o homen”. Porém muitos não levam isso a sério. Excelente post!
Querido Clicio,
Precisando de uma assistente sem frescura, pau pra toda obra e que tem sede de aprender fotografia custe o que custar (um pouco desastrada tb, mas isso eu já estou tentando superar! rs)…
OLHA EU AQUI!!!!!!
Concordo muito com tudo o que foi vc escreveu ai… Minha geração (Nasci nos anos 80) realmente cresceu super protegida pelos pais…Vejo amigas com frescuras, xiliques e afins e acho uma bobagem tão…tão… inútil!!!!! As pessoas gostam quando o mérito vem de graça… O mundo da fotografia dá uma iludida básica nas pessoas, mta gente acha q vai fotografar e virar um super fotógrafo famoso sem esforço! (Conheço mta gente q pensa assim)
Amo fotografia!! Se o Sr. Natchwey me oferecesse uma oportunidade dessa, mesmo que “di grátis” eu não demoraria mais que um segundo pra aceitar!!
Que ducaraleo esse artigo. Faço parte da geração de jovens da década de 80/90 e agradeço imensamente aos meus pais por me mandarem trabalhar aos 15 anos. Estudava em uma escola de bacanas e um dia um professor de física, que volta e meia dava aulas espetaculares sobre a vida, perguntou se alguém ali trabalhava: eu fui o único a levantar a mão.
Trabalho nunca foi castigo, fardo, tenho pena de quem acha que é! Sempre trabalhei em agência de publicidade e agora como fotógrafo, estou percebendo o valor do trabalho duro e suado que, para mim, tem o mesmo valor do intelectual pois tento sempre me valer de um ao executar o outro.
Mais uma vez, sensacional Clicio. Obrigado por compartilhar!
Como sempre um texto bem elaborado e muito sensato. Nao somos da mesma geração mas fui criada por uma mulher guerreira que me ensinou “Problemas nao são para serem chorados..são para serem resolvidos”.
Tenho isso bem claro na minha mente pra tudo que faço.
Sou novata na profissao….e ja carreguei equipamento,ja trabalhei de graça,já trabalhei por bem pouco…e já aprendi muito em todas essas situações.
Nao me arrependo.
É absorvendo conhecimento com bons profissionais que serei uma profissional competente e “pau pra toda obra” um dia.
Cabe ao “candidato a assistente” saber o que ele busca.
Abços
Entendo que nesse caso o pagamento do estagiário não seria monetário. Paga-se em experiência e, pq não, currículo de ter trabalhado com este ou aquele fotógrafo.
Agora, na tua opinião, qual a diferença entre fazer um estágio sem remuneração e ter a foto publicada na capa da Time por $30?
Veja bem, minha pergunta não tem a intenção de ser irônica, ainda que possa parecer. É realmente uma dúvida. Vejo fotógrafos dizendo aos quatro ventos que seu trabalho precisa ser reconhecido, e que ninguém trabalha de graça, ignorando um pagamento não-monetário. Mas no momento de pagar estagiários e fornecedores, acabam mudando o discurso e querendo remunerar com experiência e divulgação.
Já adianto a minha opinião a respeito dizendo que não só trabalharia em um estúdio em troca da experiência, como já fiz isso.
Extremamente relevante!
Apesar de existirem aos borbotões, essas figuras tem vida curta, e raramente chegam ao nível profissional… como diziam lá em casa: “esse tipo não se cria”.
Clício, se precisar de assistente remoto voluntário é só falar… ainda faço o café!
Achei o texto muito bom.
Muito bem observado como a “sua geração” teve uma infância totalmente diferente da geração atual e o entendimento da transformação que os pais tiveram em seu pensamento afim de dar o algo melhor.
Consigo entender o pensamento de dar algo melhor para um filho, mas farei questão que o meu saiba o que é disputar uma “pelada na rua”. Afinal, sabemos o quanto isso é bom.
A sua visão do profissional da área é perfeita. Eu me formei em fotografia, tive professores, talvez não todos, mas muitos que disseram exatamente essas coisas, que o profissional deve reecber o seu pagamento e falavam sobre o conhecimento acadêmico com tudo o que tinham.
Na faculdade não tive oportunidades de conhecer esses pormenores do estúdio, nunca pintei fundo algum, jamais carreguei equipamentos e não tive o que eu poderia chamar de um “entedimento completo” do funcionamento do estúdio.
Hoje, trabalho e infelizmente não é na área. Sempre que posso faço algum projeto pessoal para um aprendizado mas confesso que algumas coisas acabam sendo esquecidas pela falta da prática.
A “revolta” de alguns com James é compreensível, claro.
Eu, mataria pela oportunidade de carregar nem que fosse as tampas da lente de um fotográfo, daria um braço para servir o cafézinho e segurar rebatedores ou mover tochas de um lugar para o outro, o trabalho e o cansaço seriam o de menos.
Mas iria gostar muito do reconhecimento do meu esforço e dedicação, os tempos hoje são outros, o dinheiro infelizmente fala bem alto e por isso se faz necessário aquele agrado no dia 5.
Bom, é isso, acho que desviei um pouco do assunto, mas tudo bem, qualquer coisa é só editar pra ficar mais curtinho =)
Grande Clicio,
Como já comentei no Twitter, quando comecei em agência eu trabalhei 1 ano de graça, naquela época não tinha computador(lembra?), então era tudo na mão. Fiquei um ano só olhando, varrendo, montando arte com cola benzina(!) até o diretor de criação achar que eu podia começar a trabalhar. Trinta anos depois eu tenho saudade e faria tudo exatamente da mesma maneira. Estava falando com a minha esposa, nas próximas férias vou tentar um estágio com algum fotógrafo. Assim eu aprendo e pago esse aprendizado com o meu trabalho. Fica barato! Aqui na agência, quando aparece um estagiário, ele rala mesmo. Já formei vários diretores de arte e nenhum deles veio reclamar depois que saiu daqui. Mais do que uma opinião sobre o post, eu vim mostrar o que aconteceu comigo. Explorar é um termo perigoso. Pra você ser explorado, você tem primeiro que produzir profissionalmente, gerando lucro pra alguém. Se o seu trabalho ainda não chegou nesse nível, não se considere um trabalhador explorado. Pense que você vai aprender muito mais e em muito menos tempo que na faculdade. E olha que essa você até pagou. E caro.
Abraço Clicio!
Sim, fiquei revoltado… Como pode essa geração de “Frouxos” e “Menininhas” (da qual sou contemporâneo) ?
Profissionais “pirateados” que compram experiência de vida em faculdades de esquina.
Parabéns Clício! — vou voltar ao meu trabalho…
Concordo plenamente, ótimo artigo, mas também há o outro lado. Estúdios e fotógrafos que não dão oportunidades porque “você tem pouca (ou nenhuma experiência”, ou porque não está cursando uma faculdade de fotografia (cursos e mais cursos, livros e horas de dedicação não contam) ou até mesmo pela idade – “Com 27 anos e querendo mudar de área? não podemos ter um estagiário com essa idade.”
Já ouvi até não de um certo coletivo de fotografia, com a justificativa de que “morava muito longe”.
Ás vezes a má vontade de alguns acaba dificultando a vida daqueles que realmente querem trabalhar.
Abraços!
Tenho a mesma dúvida que o Guilherme, como fica essa história sempre defendida com unhas e dentes principalmente nas listas de discussões?
É Clicio,
Vi toda essa discussão essa semana, mas também não vou entrar nela..
Fui criado com todo carinho, sempre estudei em lugares bons, nunca fui mimado e sempre fui muito inquieto, já aos 16 anos trabalhava, ja queria ser independente, ter o meu proprio dinheiro, sempre gostei de trabalhar, trabalhei em diversos ramos até conhecer a fotografia em 2006, de lá pra cá tem sido um constante aprendizado, muitas horas na internet, workshops, outras experimentando, batendo a cabeça, acertando, mas é assim que se aprende… E em 2008 comecei a trabalhar de fato com fotografia, e dá trabalho… Mas quando se ama o que se faz, fica tudo tranquilo!
Muita gente pensa que é um mar de rosas, mas pra início de conversa/carreira tem que se trabalhar muito fotografando, assistenciando, montando portfólio, editando, fazendo marketing, fazendo todo trabalho para que tudo saia perfeito e assim conquistar o mercado…
Trabalhar Sempre!
Aplaudo de pé suas palavras Clício, o comodismo, está impregnando as pessoas. Recentemente dispensei um assistente justamente porque ele não era pago pra varrer o estúdio…e por aí vai.
Os colegas na faculdade (AESO) em sua maioria não tem ideia nem noção do que acontece na vida real, fora dos livros e das “viagens” acadêmicas.
E as chibatadas, ninguém falou nada?
Valeu Clicio, vc tirou as letras da minha mão.
Grandes palavras Clicio,
Este é uma das minhas maiores revoltas. Lidar com pessoas que estão extramamente mal acostumadas e mimadas, sendo elas a maioria vindas de formação academica, o que será que andam ensinando por lá heim?!
Nunca trabalhei de Graça, pois o tempo que trabalhei como assistente, pintei fundos, carreguei peso pra cima e pra baixo e aprendi com os melhores, é o maior valor que eu já recebi até hoje.
Grande Abraço mestre Clicio!
Sou publicitário, diretor de arte, tenho 8 anos de experiência em agências de publicidade de Brasília, onde moro e, se o Marcelo Serpa, na minha opinião, um dos maiores diretores de arte do planeta oferecese uma vaga como essa eu ia na hora! E claro, parabéns Clício pelo seu trabalho. Mulecada, bora tirar um pouco a bundinha do sofá e botar a carinha a tapa no mercado pra sentir o peso da mão. ahauhauahuahauha.
KKKKK, Clicio que desabafo sensacional !!! Adorei !!! Eu que iniciei como assistente fotográfico que só tinha uma ajuda de custo para o “busão” e que tinha até que lavar o quintal, além de todas as tarefas do estúdio, te agradeço !!! Com sua permissão, vou imprimir seu texto e colocar no mural do estúdio, para ” meus freelas de assistentes” lerem e aprenderem, pois o que eu criticava os meus “mestres” hoje eu vejo que me disciplinaram além de me incluirem no mundo fotográfico, ví valores que não se vê todo dia, o custo de se trabalhar certo !
Obrigado !
Forte abraço e sucesso !
Tb faço tudo Clicio. As vezes fico na dúvida se deveria, mas me parece que fotógrafos são perfecionistas e é difícil aceitar médio. Alias sempre achei esta uma medida de qualidade dos assistentes. Quanto mais eu consigo deixar que ele faça melhor ele está ficando. Compartilho seu comentário sobre as mulheres assistentes. Várias delas umas verdadeiras feras no estúdio. Organizadas, focadas e dispostas. Abração
Acho que o que ele busca são pessoas capazes de se esforçar para conseguirem o que querem. E ele está certo! Só quem rala muito sabe valorizar o que faz e respeitar o trabalho dos outros.
Eu pagaria, se pudesse, pra ser ajudante de alguém com gabarito e anos de estrada. Seria um dos melhores investimentos da vida de Foto-PRO.
Assim como pago TODOS os encontros, palestras e workshops que puder.
Teria me poupado milhares de burrices e agregado uma infinidade de acertos.
Oxi, os caras não pintam fundo? Pintar fundo é diversão!
Oxi, não descarregam equipamento? Vão usar alguma técnica de levitação no futuro?
Oxi, amarelam diante de modelo nua? Fala sério…
É doido é…
Abraço Clic!o
O cara pode ser o master-blaster que quiser, mas acho que uma ajuda de custos é o mínimo que se deve oferecer para alguém que está lhe prestando um serviço.
Quem quer ensinar sem ter que desembolsar, deve dar aula.
O estagiário está lá para aprender, mas também para colaborar. E é gente também: tem que comer, pagar transporte, poder sair para comer um McDonald’s e tudo mais. Só o fato de não remunerar já fecha portas para pessoas que tem menor poder aquisitivo… e isso por si só já é uma forma de preconceito.
Essa cultura do “trabalhe de graça” já virou palhaçada tem muito tempo e só é à favor quem recebe holerith no começo do mês.
Esse papinho de “olha, mas veja quantas oportunidades de aprendizado o estagiário vai ter” é papo pra boi dormir.
No final das contas o cara vai fazer o trabalho de um profissional (provável que vá substituir o lugar de um assistente – que seria remunerado, diga-se de passagem)… se vai fazer pior, igual ou melhor, já é outra discussão.
Palavra de quem já atendeu grandes contas de multinacionais como estagiário não-remunerado e lidando com cifras BEM-acima do que eu estava pronto para atender.
Ah!
E o lance que o Clicio falou, que ele carrega fundo, tapadeira e faz o que tiver que fazer é verdade. Eu presenciei no Estudio Brasil. O cara carregando tapadeira na palestra do Maeda, fazendo correria no set do Klaus, ralando mesmo!
Abraço!
A falta de pagamento é ridículo. Nem relógio trabalha de graça, se você não trocar a bateria dele ele vai parar…
Creio que meu histórico todos já conheçam. Coforme o Clicio já afirmou, “Enio aprendeu a fotografar em alemão” Isto porque estudava no Porto Seguro, em Sampa. Mas, há outro fator de deve ser considerado. Os assistentes, depois de passarem deteminado tempo “fazendo corpo mole”, um belo dia, vem com o papo de que “casaram do trabalho escravo” “agora já sabem muito e não há mais nada para ser ensinado” pedem para ser mandado embora, para sacarem multa +fundo de garantia + salario “desespero” e saem achando que são muito melhores do que voce. Isto sem contar aqueles que enquanto vce estava ocupado no esdudio, entraram no seu micro e copiaram toda a sua carteira de clientes e vão oferecer a eles “o mesmo serviço pela metade do preço” ! Piada? Não! É a mesma historia, nos meus 40 anos de profissão.
Também me incomoda o comodismo das pessoas que desejam tudo de mão beijada, sem se esforçar. É um retrato atual da sociedade em que vivemos, onde o principal é levar vantagem em tudo. Fotógrafos que não estudam, assistentes que não querem trabalhar, secretárias que vivem inventando desculpas médicas para faltar ao serviço. É uma realidade não só no mundo da fotografia, mas na sociedade como um todo e faz parte de como estamos deixando o mundo para nossos filhos.
Discordo apenas num ponto: todo trabalho DEVE ser remunerado financeiramente. Mas concordo que uma forma de deixar isso moralmente aceitável, é oferecer um workshop real-life gratuito. A diferença, para mim, é deixar bem claro qual o objetivo do que está sendo proposto: se é um trabalho mesmo, ou se é um aprendizado.
Abraço
sou designer e concordo contigo. na minha área como na fotografia é comum esse tipo de proposta. mas trabalhar de grátis eh osso e ninguem merece. mesmo que seja um salário simbólico acho q o pagamento deva existir sim em todas as profissões. afinal de contas, nenhum fotografo ou designer de alto padrão trabalha de graça. além disso eh um modo de se RESPEITAR a profissão. alguém ai já viu anúncio de estagio p advogado de graça? eh por isso q essa profissão (apesar de ter muuuitos anos a mais do q a nossa) eh respeitada e as pessoas (normalmente) atingem um nível salarial legal, mais rápido do que a nossa.
hahaha MUITO BOM !!! hehehe
Cara seu eu contar aqui COMO e o QUE significava trabalhar de Assistente nos USA nos Anos 80.
Neguinho até foge.
Bem longe do “sonho” de alguns. E olha que durante os 4 anos que morei lá eu trabalhava direto, todos os dias só para os “feras” de LA.
Dos “car shooters” aos “celebrity” e “special-effects” photographers de LA
Hollywood fica lá, mas o sonho dourado é bem diferente do que se sonha.
Mais uma vez, ótimo post
Parabéns
abçs
AYRTON
nascido em 55
Quando eu for à Sampa vou ver se você sabe mesmo fazer café.
Ótimo artigo, Clício. O problema é comum em todas as áreas. Só tem gente mole, a turma só quer saber quanto vai ganhar, de preferência bem, por um serviço mal feito ou nem feito. É claro que não se pode generalizar mas há oportunidades que devem ser muito bem avaliadas. Estagiar com o Nachtwey é uma oportunidade. Já é o salário.
Um abraço!
Se eu não precisasse de grana para sobrevivência, adoraria ser assistente gratuitamente de um fotógrafo, e nem precisava ser um ‘putafotográfo’. Recentemente aceitei uma proposta para fazer um trabalho gigante de fotografia apenas em troca da câmera emprestada. Apenas pelo prazer de fotografar!
Sempre defenderei que o assistente que realiza serviços fora da fotografia, como fazer café e serviço de office boy, deve ser sim remunerado. Todo o serviço relacionado a realização da foto pode ser pago com o aprendizado mas sempre haverá mais ânimo, mais motivação se houver uma remuneração.
É lógico que a questão não é essa, mesmo havendo remuneração tem gente que não quer trabalhar, acha que prá chegar ao resultado perfeito basta saber que abertura e velocidade usar, o resto estará tudo no lugar sempre. É a velha busca pela receita de bolo, mas mesmo um bolo precisa ser preparado, tem que juntar os ingredientes, bater a massa, colocar no forno e esperar a hora certa de tirar, caso contrário pode ficar ruim. Se até bolo dá trabalho de fazer então devemos mostrar a receita de foto, onde os ingredientes são muito mais pesados, a mistura muito mais complicada e não dá para apressar. Manda o assistente fazer um bolo antes, se ele não aguentar nem adianta colocar num estúdio. Muitos desistirão, mas quem realmente tem vontade vai fazer o bolo, docinhos e ainda montar todo o equipamento prá fotografar o resultado.
Exemplo a seguir ir além
Contratei minha prima para dar uma força na assisténcia aqui no estúdio, tinha acabado de voltar do japão, fez tudo que eu pedi com a máxima eficiência, quando eu fui ver estava até varrendo o chão.
Não existe falta de emprego, existem péssimos profissionais.
Maravilhosa materia.
Embora eu seja de área totalmente diferente,no fundo é tudo igual.
Como já se disse mto, quero apenas acrescentar : A diferença é simples : pergunte quem é o patrão !
Minha formação é engenharia civil, estou no ramo destes 81 e muito mudou na área nestes anos. Vamos a mão de obra, do inicio de minha carreira os operários que queriam crescer sempre aproveitavam as chances para mostrar resultados, alguns serventes na hora do almoço, faziam os serviços do pedreiro, de modo de aprendizado, e nunca receberam por estas horas extras trabalhadas e com esforço mostrado viraram pedreiros e houve uma melhoria de vida. Hoje na empresa muitos pedreiros e serventes na hora do almoço, em vez da dormida tradicional, ficam em cima de maquinas; rolos compactadores, escavadeiras, retros tentando o aprendizado, me dando “produção” e esperando a oportunidade de estarem na nova função,
Concordo com toda narrativa, Só que continua nos dias de hoje o mesmo desejo individual de crescimento PARA ALGUNS
Oi Clicio,
resolvi pela primeira vez depois de muito tempo acompanhando seu blog e outros blogs me manifestar com um comentário.
Acho de certa forma importante essa discussão. Com certeza existe um certo exagero no bafáfá do anuncio do Nachtwey, que eu tb estava acompanhando.
Concordo com o que vc disse sobre essa nova geração cheia de dedos e toda a comparação que vc fez com a sua. Não me conformo tb com os adultos crianças dessa geracao de 80 pra cá ( que aliás é a minha) e a falta de vontande de por a mão na massa (ou na tinta seguindo seu exemplo).
Mas na minha opnião existem alguns pontos a ser considerados antes de sugerir uma conclusão simplista sobre a não remuneração de estagiários. A experiência e o aprendizado que o estagiário pode ganhar nao tem preço, sem sombra de dúvidas.. Mas hoje em plena época de capitalismo selvagem, bem diferente daquela época onde vc era um assistente, as coisas devem ser analisadas com mais calma. Antigamente um artista ou artesão tinha tb assistentes nao pagos, mas em geral seu amor por sua arte transcendia as expectativas mercadológicas de hj e por isso o conhecimento e troca entre assistentes e artistas era de grande valia.. existia uma cumplicidade pela troca de trabalho, muitas vezes duro, por experiência e oportunidade.. Mas hoje em dia o que eu venho percebendo é que estagiário se tornou uma forma de cortar custos e ganhar mais dinheiro.. O artista/empresário de hj face ao duro mercado e suas ansias por $$ utiliza o estagiário de forma injusta… claro que o estagiário sempre ganhará um pouco com a experiência com o seu “mestre”.. Mas acho que é justo batalhar pra que essa mentalidade empresa/estagiário mude, ou que ela volte a ser como na sua época e que um estagiário seja tratodo com respeito (nao confundir respeito com proteçao e dó, por favor) ou que se a mentalidade seja mercadológica, que se pague ao menos o necessario pra sobreviver e trabalhar.. pq um estagiario que nao recebe nada precisa pagar pra trabalhar, algo muito injusto se vc é apenas uma ferramenta de corte de custos onde vc nao é tratado com nenhum respeito ao seu trabalho…
Não sei se consigo expressar meu pensamento escrevendo aqui, por isso talvez eu prefira sempre uma mesa de bar ao invés do teclado..
Mas enfim, o que acho é que cada caso é um caso sabe.. e que hj mais do que nunca é preciso analisar o ponto “exploração” sem troca e sem respeito, pois isso é o que mais acontece.. seja ela na foto ou em qquer empresa… principalmente com o trabalho basico.. pois ser estagiario de um super fotografo esperto e ganancioso que contrata um novo estagiario a cada 6 meses pra pintar fundo e “taggar” foto digital pela simples remuneração de poder botar isso no curriculo e dizer q “trabalhou” com tal fotografo acho uma grande besteira…
Ja fui estagiário mais de uma vez, ja trabalhei de graça tb, e em diferentes campos.. com certeza ainda o farei outras vezes, mas acho que as coisas não são simples, e comparar com outras gerações nem sempre funciona.. pois a mentalidade de exploração é cada vez maior, inclusive e sobretudo no fotojornalismo, onde a tendência é também de explorar o miserável sujeito da ficção- jornalística…….
abraços
Vinicius
Ai ai… o que eu não dava pra me aparecer uma oportunidade dessas nos meus 18 anos…
Concordo em gênero, número e grau.
Não sei dizer qual é essa geração de pessoas que querem ser bem sucedidas sem esforço. Eu tenho 27 anos, e a maioria das pessoas da minha idade se enquadram nessas características dos “boas vidas”. Eu acredito que me safei dessa, e agradeço eternamente por isso, devido a educação que recebi de meu pai, que é engenheiro mecânico, e trabalhou muito tempo no SENAI. Ele é o tipo de cara que concerta QUALQUER coisa. Desde colocar um ganchinho na parede, até fazer o piso de cimento, a cobertura de policarbonato, encanamento e qualquer repimboca da parafuseta. E eu cresci assim, brincando com os martelos e chaves de boca da oficina no quintal de casa.
Acho que vou passar a colocar isso no meu Currículo
Acredito que existem duas questões em discussão aí.
Primeiramente, acredito que todos devem receber pelo seu trabalho, por mais simples que ele seja. Experiência não paga as contas nem bota comida na mesa. O que paga suas contas e põe comida na mesa é o dinheiro que se conquista com o suor do trabalho. A experiência vem com o tempo.
Eu não entendo uma coisa. Incentivam tanto aos fotógrafos iniciantes a cobrar um preço justo pelo o seu trabalho (alegando que quem cobra pouco ou trabalha de graça prostitui o mercado) mas não querem pagar um preço justo aos assistentes. Cadê a coerência aí?
O outro ponto em discussão por aqui, e este eu concordo integralmente, é a preguiça inerente dessa “geração internet”, que cresce jogando bola de gude no carpete e empinando pipa no ventilador. Essa “galerinha” que já nasceu com tudo praticamente nas mãos (ou eu diria na ponta do mouse), salvo algumas (boas) excessões, é a que mais gosta de ter as coisas tudo mastigadinhas na mão. É a verdadeira aplicação da lei do mínimo esforço. Eles não querem aprender a pescar , já querem o filet de peixe embalado na bandeijinha , pronto pra consumo. Parece que tem uma grande dificuldade quando o assunto é meter a mão na massa.
Por dois anos dei aula em uma escola técnica , e nas aulas de laboratório era muito fácil de perceber isso. Poucos eram os alunos que arregaçavam as mangas e se dispunham a fazer as tarefas.
O pior é que a medida que o tempo passa, só vejo a situação piorar. Ou seria eu um pessimista?
Abração
Trabalho com fotografia mais ou menos 05 anos, meu primeiro trabalho foi aos 14 anos e durante quase 7 anos trabalhei em um banco durante o dia e a noite em um restaurante sem tirar uma única folga durante todo esse tempo. Nunca pude estudar em um curso, fui assídua leitora de blogs, tutorias e afins. Tenho 02 filhos e três enteados, quando comecei a fotografar foi sim por pura paixão e claro a necessidade de se fazer algo que me desse prazer na medida do possível. Era a minha única chance. Não tinha grana e muito menos tempo para freqüentar uma escola, cuidava do meus filhos e estudava nos intervalos dentro das madrugadas afora. No início fotografei tudo que podia sem a mínima idéia do quanto cobrar e por isso não cobrava. Pedia para estar nos eventos, fotografava meus filhos, vizinhos amigos e tudo mais.Desmontava câmeras que comprava em brechós no centro da cidade para ver estudar todos os seus detalhes (queria eu ter a oportunidade de estar com um profissional e ter como pagamento a experiência adquirida lá.) Depois de muito tempo passei a fazer visitas a possíveis clientes com meu filho de 03 meses no braço de ônibus, para economizar com tudo, entregava eu mesma todos os trabalho os quais fazíamos, saía de casa as 8 da manhã e voltava as 11 da noite com meu filho junto por que meu marido ainda tinha que ficar no seu trabalho em um escritório até termos certeza que poderíamos viver da fotografia. Hoje continuo trabalhando até mais que antes, estudo as 4 da manhã quando termino minhas edições, leio, compro e pego emprestado livros e revistas e continuo aprendendo cada dia mais. Temos nosso escritório, motoboy, estabelecemos metas, focos, investimentos e toda a estrutura necessária para a nossa fotografia, mesmo assim ainda faço entregas e visitas sempre que necessário.
Essa semana pedi ao meu assistente que ganha R$ 600,00 mais custas de tudo, que trabalha de segunda a sexta das 12:30 as 18:30 para ir ao laboratório e fazer uma entrega e ele disse que faria mas que isso não era o trabalho dele….
Putz, Nachtwey? eu trabalharia de graca, faria cafezinho e ainda carregaria todo o equipo dele…. feliz da vida sem ganhar um centavo…
O mundo de hoje realmente está perdido. Sou da nova geração (tenho 33 anos), mas felizmente fui criado e educado nos conceitos antigos: trabalhando se conquista o seu espaço e se dedicando podemos chegar aonde quisermos. Sempre com ética e honestidade, dois pontos fundamentais que hoje em dia anda cada vez mais em extinção.
Minha área de atuação é o comércio. Lido diariamente com pessoas de diversas idades no trabalho junto comigo. Comando hoje uma equipe de 6 pessoas. Os mais velhos são os mais dedicados. Trabalham bastante, não reclamam dos problemas que precisam enfrentar e são bem remunerados ao final do mês. Os mais novos estão sempre reclamando, procuram trabalhar sempre de olho se estão sendo explorados, não hesitam em reclamar dos seus direitos e no final do mês estão sempre insatisfeitos com o que recebem. Com um detalhe: ganham aproximadamente o mesmo que os mais velhos. A turma jovem de hoje quando procura uma oportunidade no mercado de trabalho quer sempre um emprego, nunca um trabalho. E de preferência que já comece pela gerência, com o melhor salário possível. É o fim.
Eu fui recentemente fisgado pelo incrivel mundo da fotografia. Comprei uma máquina razoavelmente boa, de nível para iniciante, mas das que permitem controlar tudo. Fiz um curso básico, mas estou sempre em busca de oportunidade de adquirir conhecimento. A teoria é fundamental, mas sem a prática nada adianta. Se um baita de um fotografo fizesse um convite de estágio desse nível e claro, se eu tivesse disponibilidade de tempo, óbvio que eu aceitaria. Sem pensar duas vezes. O conhecimento que esse profissional poderia me passar não tem preço. Quem reclamou da tal oferta de estágio ou é um completo panaca ou é daqueles jovens que já se acham os maiorais.
Enfim, torço para que um dia o mundo possa voltar a ser mais inteligente. E se algum fotógrafo profissional quiser me passar seus conhecimentos de fotografia em troca de um ajudante, ´tamos aí. Varro até o studio!!
Abraços!
“Geração Miojo”, Clicio, sem ofensas e com todas as exceções possíveis, mas parece que hoje em dia, tudo deve estar pronto em 3 minutos. Os valores e as oportunidades são vistas de formas distorcidas, as “leis” que envocam exploração, discriminação e seus similares parece que incentivam a preguiça e o oportunismo.
Neste mundo em que vivemos, ter malícia é importante – desde que acompanhada de ética e bom senso -.
Grandes oportunidades surgem com a oportunidade de trabalhar com quem sabe de seu trabalho, é ensino e aprendizagem. Não consigo encontrar muito valor na teoria sem a prática e, diga-se de passagem, parece que o MEC não está com a visão bem calibrada aqui no Brasil. Nas universidades e faculdades as exigências estão voltadas para Professores pesquisadores, doutores, e pós-doutores… Cadê a prática e o “cheiro do mercado”!!!
Passei nos últimos anos coordenando cursos de administração em instituições de grande renome e o que tenho visto pelas exigências de quem “determina o rumo da educação” neste país é cada vez mais a distância da prática. Parece que profissional sem títulos não tem valor. Imagine-se operando com um médico pós doutor sem nunca ter trabalhado na emergência de um hospital, somente debruçado sobre os livros…
A oportunidade, a percepção e a vivência começam cedo e, neste caso em específico, sob outro ponto de vista, ótima oportunidade de receber um curso gratuito e prático com um profissional de renome. Entra no currículo, entra na experiência, entra na rede de relacionamentos e nas referências.
Este mundo está precisando de umas sacudidas .. e a imprensa também!
Abração Clicio, como sempre, ótimas discussões, grande didática e excelente estímulo de buscar mais, aprendendo e fazendo!
“The only place that success comes before work is in the Dictionary.”
Concordo plenamente!!!!!!!
Não aguento mais ver gente superprotegida com medos e fobias absurdos e que são fruto de uma sociedade hipocondríaca e exagerada.
URGHHHHHHHHHHHHHHHHH
Se EU tivesse a oportunidade de ser assistente de um fotógrafo fudido eu iria ajoelhar e agradecer a deus por ter a oportunidade de aprender com um profissional que é bom no que faz, nao me importaria nem um pouco de nao receber dinheiro por isso
Bom, já trocamos uma idéia no twitter sobre isso – mas o que percebi, até em alguns comentários acima, é que as coisas realmente estão invertidas, e o camarada “fotografa de graça porque é paixão”, mas não pinta fundo nem carrega equipamento porque não tem como ter “paixão” por isso.
Trabalho dá trabalho, mesmo – e poucas pessoas percebem onde termina o aprendizado e onde começa o exercício da profissão.
Talvez se os estágios passarem a ser cobrados, eles entendam pra que serve ser assistente…
(Mas, cá entre nós, uma ajuda de custo pra pagar as contas cai bem, né? Senão é mais um caso em que só pode aprender quem tem quem banque em casa…)
Galera:
Uma coisa que faço e recomendo é: Queres um assistente? Ótimo! Registro em carteira, piso do SEAFOTO, vale transporte e vale refeição e contrato de experiencia. Ah, livro de ponto, isto é muito importante.
Trabalhem dentro da lei ! É muito mais barato! Rende mais… “Ah, as horas de trabalho são variaveis !” Sem problemas, criem banco de horas. Isto é permitido por lei.
onde eu assino?
Boa Clicio! É como dizia Vandré: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer…”
Clicio! Eu trabalho pra você e nem precisa me pagar. Só preciso de um cantinho pra esticar as pernas, pão e leite. Enquanto você decide ai fico aqui lendo Os 10 Fundamentos. rsrsrsr. Livro ótimo.
Clicio!
A internet tem muita besteira, mas este seu post, valeu a pena!
Isto é tudo o que gostaria de ter dito a muitas pessoas. Tambem faço parte desta geração que dentro do profissão sabe mandar, porque sabe fazer. O sucesso só vem para aqueles dispostos a ralar a mente e o corpo, sem pensar em ganhos porque este virão com certeza, mas para os mais preparados. A vida é uma selva que só sobrevivem os mais fortes, os mais ageis, os que estão dispostos a serem o macho ou femea Alfa.
Achei este seu post tão meu, que gostaria, com sua autorização, repassa-lo para alguns aspirantes a fotografos e tambem alguns que ja julgam ser.
Obrigado Mestre
Lendo todos os post acima eu percebi uma coisa (óbvia?).
A maioria do pessoal novato ou os que ainda não são fotógrafos são a favor do estágio remunerado. Os fotógrafos, o pessoal mais experiente, que já tem bagagem, entende mais a troca da aprendizagem por trabalho. O mercado é cruel. Você recebe pelo que você vale. Mostre um bom trabalho e com certeza você ganhará dinheiro. Mostre um portfólio meia boca e talvez algum bom fotógrafo deixe você estagiar de graça com ele.
Olá Clicio, eu tinha lido o anuncio logo que circulou na web. Vi as exigencias e achei bacana, pena que moro em Porto Alegre. E pô, na hora pensei que cara de sorte pegar esse job. Trabalhar com os “RAW’s” do James Nachtwey não é para qualquer um. Porém lá no fundo alguma coisa me dizia que alguém iria achar ruim e polemizar. Concordo com você em número, gênero e grau no que você escreveu. Penso que antes de apontar a camera e disparar, precisa saber a segura-la. Abraços
Clício, tava lendo seu post e dá o que falar… concordo plenamente que temos que ralar e muito pra chegar onde queremos, eu ralo todos os dias em todos os pontos, procuro cliente, estúdio, pinto parede, carrego equipo, monto, agito casting, faço produção, café, contrato e etc etc. No meu caso o trabalho com fotografia foi acontecendo, e quando menos percebi já estava fazendo um monte de coisas ligada ao assunto. Virei fotógrafa. É exatamente por isso mesmo que pra mim é polêmica. Não sou ninguém de nome na fotografia, tenho um ou outro cliente que considero bem bacana, e até tenho gente que gostaria de estagiar comigo (acho que eles são doidos rsrs), e sabe de uma coisa? Toda vez que preciso de alguma ajuda nas minhas pequenas produções ou eventos que cubro, faço questão de pagar nem que seja o combustível e muitas vezes uma ajuda de custo, isso quando não dou um jeito de rolar um cachê… Sei lá, é assim que penso.
Outra, ADORARIA ser assistente de um fotógrafo como James Natchwey, hoje mesmo eu estava vendo o documentário “War photographer”, além de ver uma foto fantástica feita num centro de reabilitação da Cruz Vermelha em Kabul no Special Issue do The Year in Pictures da TIME deste ano, tenho certeza que absorveria muita coisa, mas sem remuneração é meio fora da minha realidade. Como poderia pagar minhas contas? Aí começo a pensar que para chegar ao topo aprendendo com os melhores é pura ilusão para quem não nasceu em berço de ouro… Você me entende?
Adoro seu trabalho e seus post no twitter me acrescentam muito!
Um beijo
Martha
Juro … se eu pudesse pagar para pintar fundos, carregar equipamento, eu pagava. Estaria ajudando alguém com emprego e tal. Mas atualmente, meto a mão na massa mesmo.
[]‘s
Clicio,
Hoje você realmente quis começar uma polêmica. É uma situação que eu considero ambígua, pois ambos os lados possuem seus pontos. Para quem esta começando, a experiência de servir como um assistente é impagável. Eu acredito que seja justo, contudo esperar uma ajuda de custo (relativo a despesas com transporte, por exemplo).
Mas é importante sempre lembrar que, a partir do momento em que você se encontra na posição de assistente de um fotógrafo, trabalhando apenas por experiência, o fotógrafo também possuí uma responsabilidade para com você. Ele tem a responsabilidade de compartilhar sua experiência, seja ela qual for. Desde coisas simples que podem parecer um martírio (como pintar os infames fundos) até coisas mais complexas como por exemplo às técnicas de direção que o fotógrafo utiliza. O assistente tem de estar disposto a fazer o que for, pois acredita que vai aprender alguma coisa com isso, e efetivamente algum conhecimento deve ser passado à ele(mesmo que ele não aprenda). Eu acho que é quase uma relação simbiótica, não?
Apenas a minha opinião, e continue com o excelente trabalho Clicio
Então, como eu disse no post, não quero entrar no mérito da questão do paga/não paga. O que posso é dizer que sim, trabalhei como estagiário, de graça, várias vezes; sim, aprendi e muito com isso; não acho que alguém possa viver para sempre sem ganhar, e por isso sempre procurei pagar aos meus estagiários e assistentes (por vezes muito mal, em períodos de vacas magras, e fui duramente criticado por isso); mas podendo, pago. Empresto equipamento. Empresto estúdio. Dou carta de recomendação. Apresento aos clientes e passo trabalhos mais simples para os assistentes. E pago diária fora do estúdio.
O que interessa aqui é a preguiça, a “Geração Miojo” como o Edu disse lá em cima. Querem tudo dado, tudo pronto, em 3 minutos.
Trabalhar faz bem.
Trabalhar com James Nachtwey? oxe, pode me chamar que eu vou!(de graça, mesmo)
Clicio;
Minha opinião como sempre é radical. Para sair de Juiz de Fora e chegar a São Paulo passando por Europa, EUA, Abbey Road e tudo mais tive que ralar muito, mas muito mesmo, inclusive passar fome. Mas hoje tem uma turma de BABACAS, isto mesmo babacas que só aumenta. O nosso chefe maior, o barbudo, dá o peixe mas não ensina a pescar, sentiremos o efeito e o cheiro desta lambança nos próximos 10 a 15 anos onde veremos o efeito desastroso.
Uma geração idiota que não entende que poderia transformar um limão em limonada, um estágio com um cara destes faz o cara fazer de batizados a foto de cadáver de uma outra forma e ganhar o dim dim para se sustentar e ao final da experiência estará inserido no mercado.
Mas tudo hoje tem que ser efêmero, rápido, fácil, artificialmente viril, artificialmente belo, artificialmente correto.
Sempre aproveitei cada oportunidade que tive com aqueles que sabiam mais do que eu, invisto nos últimos 6 anos uma pequena FORTUNA para aprender e ainda nem começei… trabalho duro das 08:00 as 20:00 para sustentar meu aprendizado e família. Mas o faço com gosto. Sai de carregador de tapetes a Executivo conceituado no ramo no qual trabalho há 13 anos, começando como um simples programador….
Quantos não fazem o curso com o Clicio e já saem se dizendo professores e requentando os ensinamentos, quantos? Enfim, é muita mediocridade.
Segue abaixo o que considero a minha visão de mediocridade :
mediocridade é uma região que faz fronteira com :
- a acomodação ao norte
- com a indecisão ao sul
- com o pensamento no passado ao leste
- e com a falta de visão ao oeste
A médiocridade é o hino dos normais.
Vou morrer lutando para não ser um medíocre, e olhe que para sê-lo é fácil, basta ficar parado e pedindo, mendigando…
E o triste é que isto só vai piorar….Otimismo é apenas falta de informação…
Abraços.
a citação sobre mediocridade pertence a Myles Munroe.
Rssssss, pois me fez pensar a primeira vez que entrei numa redação (tinha 15 anos) muito tempo atrás.
A primeira pergunta que me fizeram era se precisava de dinheiro para o ônibus, e me mostraram o local para comer ao me entregarem um vale, feito a máquina de escrever, com um carimbo da logomarca do jornal como forma de validar, junto com o comentário: “isso é tudo que você vai ganhar, o resto é prestar atenção, ajudar e apreender”.
Seis meses depois (já com 16 anos) tocou o telefone em casa perto das 23:00 e alguém falou: “Vi seu filme-teste há pouco, você entende do jogo (tenis) e trabalhou duro, mas em troca aprendeu sobre o oficio, agora a recompensa: vais cobrir a Taça Davis e será pago na integra”
Estava dentro, pois aprendi com gente de dentro. Sabia o que fazer e como fazer, pois lembrava de tudo que ouvia enquanto recolhia os rolos de filme já expostos para levar ao motorista, e voltar com a lente X ou Y que ficava na “viatura” tipo “esquecida”- cujo propósito era saber quando e como usar cada distância focal.
Chegava tarde da noite, para cedinho subir a pé a Joaquim Eugênio de Lima, pegar a Paulista para chegar ao São Luiz (colégio), mas quando fui para o Liceu Eduardo Prado já ia de moto (era uma Mundial 50, que virou Honda 65cc e acabou numa Ducatti), paga com o que passei a receber do jornal.
Se tenho saudade? Muita, era um tempo de respeito a profissão, era um tempo de compartilhar, era um tempo de conquistar espaço pelo que se fazia e não por apresentar um diploma logrado por frequentar os barzinhos das imediações da faculdade.
Bons tempos, boas lições, grande aprendizado. Valeu meu tempo de assistente onde o transporte e a comida nem eram tão importantes – era meu tempo de aprendizado ainda. Numa idade que os de hoje querem saber de beber, dormir e de quanto vão ganhar para fazer isso. Não sabem de quem vão ganhar, mas esta é a intenção.
Obs. Há exceções? Há, mas estão cada vez mais raras!
Pepe,
seu comentário é um post à parte, uma lição de vida em algumas linhas… Muito obrigado!
Tudo que você disse serve para qualquer área profissional. No meu caso, trabalhei de graça em cursos de pré-vestibular quando iniciei a minha carreira de professora.
Mônica e outros; claro que ajuda de custo e vales (transporte e refeição) são o mínimo decente para quem estagia ou trabalha.
O famoso “free-lanche”.
Não é esse o problema.
O problema é o mané querendo entrar ganhando tanto quanto o 1º assistente, que já está ralando há anos e que tem *a confiança (e a relação simbiótica natural) com o fotógrafo*
Tem que ralar primeiro, e ganhar depois.
É uma questão muito difícil. Por um lado, o contato com alguém que sabe, que é um produtor notável em uma área é algo extremamente valioso. Algo cujo valor é incomensurável, e é mesmo incomensurável porque depende da capacidade de ambos para haver uma corrente de transmissão de experiência e saber. E, evidentemente, todos os trabalhos, pintar fundo, etc, podem fazer parte disso. Podem. Não necessariamente farão. Em uma dose boa, todos os trabalhos ilustram o aprendizado.
Mas seria ingenuidade achar que sempre será assim. Porque igualmente há quem use mão de obra de aprendizes que nunca aprenderão nada, pois serão submetidos unicamente às tarefas mecânicas sem partilha de saber.
Tendo a dividir as coisas em duas esferas. Se a pessoa trabalha e seu trabalho se insere de fato na produção maior, então ela deve ser remunerada. Não importa o que ela faz. Afinal, remunera-se office-boys e pintores, ninguém pede a um pintor que pinte algo de graça.
O trabalho não remunerado pode ser feito EPISODICAMENTE, a título de colaboração, com baixa carga de obrigatoriedade. Pode haver surtos de colaboração bem intensos. Mas isso não tem nada a ver com cumprir horários, ser colocado a fazer tarefas fora da area principal continuamente, etc. O trabalho gratuito só se justifica com real participação.
Achei a colocação um pouco simples. Eu comecei trabalhando de “graça” em um estudio de desenho (sou ilustrador e não fotografo), alias por iniciativa minha (pedi pra trabalhar). A bagagem q obtive pela experiencia foi fundamental e importantissima. Contudo, logo vemos quando a oportunidade se transforma em escravidão, qdo vc deixa de aprender pra apenas camelar. Acho qo esforço rende qdo planta frutos. Ralar por ralar não leva a nada. Desculpe, mas discordo desta ideia de “geração”. Acho é uma grande generalização e há casos e casos. O seus posts podem passar a a ideia errada q para aprender tem de trabalhar de graça, fazer muito mais do q foi contratado para fazer, passar aperto, etc. Na verdade, não é nada disso!
Pra se alcançar o sucesso tem de ter humildade e muito trabalho, que, as vezes, implica em trabalhar de “graça”, carregar coisas e passar aperto.
Abraços
Clicio,
excelente texto! Sou formada em propaganda e marketing, trabalho com ilustração e design gráfico, e noutro dia, sentada a uma mesa com estagiários de marketing, todos com idades entre 20 e 22 anos (eu tenho 30), tive de ficar ouvindo discursos acalorados de como todos eles não aceitariam o trabalho X se não pagasse Y, e como não ficariam na empresa se não lhes fosse garantido uma GERÊNCIA antes de seus 25 anos. Hein??? Nunca vi isso. Se eu achava que o pessoal da minha idade era mal acostumado, a geração seguinte promete… promete dar muita dor de cabeça.
Abraços e parabéns pelo texto novamente.
Ana.
Mario,
O meu post e os meus subsequentes comentários só passariam a impressão errada se as pessoas não souberem ler o que eu escrevi.
Descrevi a minha experiência pessoal da década de 70, disse que pago aos meus assistentes e estagiários, disse que quem está entrando no mercado quer tudo, rápido, bem pago, e sem esforço.
Claro que falar de “gerações” é generalizar; mas o que interessa são as expectativas torcidas de quem entra (ou quer entrar) no mercado fotográfico.
Obrigado por comentar!
Clicio
Ivan, a discussão mais importante, em minha opinião, não é essa.
Sim, estagiários devem ter remuneração.
Mas devem *querer* trabalhar; ter vontade, disposição, acreditar, mostrar serviço, pegar no pesado.
Não preciso de assistentes que apenas “assistem” o meu trabalho pesado. Gosto de gente com iniciativa, pró ativa, empolgada.
Não encontro esses requisitos hoje com facilidade, porém todos os fotógrafos profissionais que conheço, da minha geração, passaram por isso, com humildade, vontade e confiança.
Tenho uma experiência recente; no evento Estudio Brasil 2009 fui responsável pela coordenação técnica. 15 minutos de intervalo entre uma apresentação fotográfica e outra, ao vivo, 800 pessoas na platéia, estúdios e iluminações bastante complexas precisavam ser montadas e desmontadas. A equipe de palco, grande, foi impecável, com 6 pessoas.
Duas coisas me chamaram atenção:
1-) Quando logo no primeiro estúdio eu montei tudo junto com a galera, o respeito da equipe à minha coordenação aumentou consideravelmente.
2-) No pesado, na rapidez, na pré-visualização e resolução antecipada dos problemas, o destaque da equipe foi uma assistente mulher, a Mari.
Havíamos tentado chamar muita gente para estar lá. Ganhando cachê decente. A maioria nos deu desculpas e não foi. “Muito trabalho, muita responsabilidade”, alguns disseram.
Frustrante antes.
Recompensador depois, quando tudo deu muito certo *graças a equipe* que não poupou esforço, trabalho e inteligência para que tudo acontecesse como aconteceu, sem erros.
Aprovado.
Sou a favor da ideologia do “se vira”. Se precisar, pago por uma boa oportunidade.
Valeu, Clicio.
Sou profissional há 15 anos e neste tempo, pouquíssimas vezes tive assistentes. Acho que o aspirante a estagiário deve sempre botar na balança que a pessoa com quem vai trabalhar pode vir a ser aquela que vai lhe ensinar o que jamais aprenderia na faculdade. A maior parte do que sei sobre minha profissão, tive que aprender sozinho. Perdi tempo quebrando a cabeça e inventando meu próprio modo de administrar a carreira de freelancer.
O James Nachtwey errou. Deveria ter postado um anúncio assim: Vaga para 3 pessoas em curso intensivo de fotografia com um dos mais renomados fotojornalistas da história. Período de 3 meses, com possibilidade de extensão. Preço US$ 3000,00.
Eu pagaria.
Tudo isso que tá sendo levantado aqui, não é exclusividade da profissão de fotógrafo. É caracteristica de uma geração.
É lindo viver nostalgicamente. Recordar é viver, mas precisamos também ser abertos para entender o que acontece com o movimento atual. Os tempos são outros, nenhum assistente vai começar como se começava há anos atrás.
“Os tempos são outros, nenhum assistente vai começar como se começava há anos atrás.”
E por que não, Elisa?
E não vejo como um bando de frouxos tenha a ver com “viver nostalgicamente”…
Se antes eu já fazia o serviço de montar luzes e ajustar detalhes sorrindo, agora farei assobiando. Sei que estou no caminho certo.
Acredito que, depois de ler a opinião de vários, estou compreendendo o verdadeiro significado do “trabalhar de graça” representado aqui. Na verdade, ninguem espera que o novato trabalhe a troco de nada como um escravo, mas que se tenha o mínimo de interesse em aprender, algumas vezes até sacrificando seu tempo livre pra isso.
Lembrei aqui de um episódio que aconteceu comigo em 94 quando eu era apenas um estagiário de uma operadora de telecom. Eu trabalhava normalmente durante 6h por dia, conforme a regulamentação, e acima dessas 6h a empresa não era obrigada a pagar hora extra. Um dia me envolvi na resolução de um problema daqueles beeeeem cabeludos e estava , juntamente com um técnico, trabalhando pra resolver. Meu horário de trabalho chegou ao fim e fui alertado pelo técnico que estava comigo que eu poderia bater meu ponto e ir embora. Fui até a o relógio, batí meu ponto e voltei pra resolver o problema. Lembro do técnico me dizendo: “Você sabe que ninguém vai pagar essas horas pra você, né”. Como eu estava tão comprometido e tão envolvido no problema, respondi que eu não me importava, e que naquele momento eu queria era ver o desfecho do problema para aprender.
Acredito que é isso que se espera dos novatos
Obrigado me ajudou a refletir. Estou cursando Publicidade e Propaganda em uma boa universidade de São paulo e tive a oportunidade de trabalhar em um estudio de animação ganhando pouco, aceitei pq era isso o que eu queria não me arrependo nenhum pouco tô aprendendo muito com esse estágio.
abraços!
Po, totalmente apoiado, nego hoje em dia é muito cheio de frescura. Quer dizer, como estagiário (não de fotografia) uma grana é sempre bem vinda claro, mas aprender é fundamental… Claro que o empregador tem que dar as condições de aprendizagem, e não fazer como em muitos estágios por ai que só pegam o estudante e o usam como um “empregado mais barato”… O problema acho que é que quem pretende pegar um estágio com um cara famosão, vai querer receber dinheiro de um cara famosão. Acho que a intenção do cara ao não oferecer dinheiro foi a de atrair pessoas que realmente estavam interessados em receber, não na grana. Mas acredito que tb não haveria problema ele oferecer pelo menos uma remuneraçãozinha, afinal, o cara deve ter grana… Não conheço muito do meio fotográfico, mas acho que dava né. Se for pra aprender de verdade eu até trabalharia de graça, afinal, eu que to saindo ganhando. Trabalho de graça tb se tiver umas modelos nuas hein… Haha brincadeira xD
É interessente que os senhores se considerem profissionais melhores por serem capazes de cumprir tal número de tarefas para os quais não foram contratados, mas digo que como contratador, isso seria a última coisa que eu iria querer.
Nunca se sabe quando aquela gambiarra na fiação vai dar errado e terminar comigo tendo que pagar indenização por acidente de trabalho, ou pior, se posso confiar no caráter desse profissional e acreditar que depois de sair da empresa não irá entrar com causa trabalhista por acúmulo de funções.
Quanto a estagiar de graça, tenho certeza que muitos profissionais começaram assim, mas sou da opinião de que a gente valoriza a nossa própria profissão ao valorizar aqueles que estão entrando no mercado de trabalho. Trocar trabalho escravo por indicação no currículo é algo que eu não faço.
Eu grávida montava e desmontava a iluminação dos casamentos BEM mais rápido e com bem mais cuidado que os assistentes..
(sempre pagos)
e sempre tento ensinar algo a eles, mas a maioria quer só ganhar um troco e ficar ouvindo música no ipod..
O que mais tem por aí é loser..
Gente, não existe almoço grátis!! Nem na Disney!!
Eu trabalhei muuuuito de graça, desde criança, com meu pai.. Não tem preço o conhecimento.
a parte q mais gostei foi falando de professores. saí da faculdade e fiquei perdida, achando q seria fácil como foi “ensinado”.
por sorte ñ tenho medo de trabalho.
Prezado Clicio,
Acompanho seu blog ja faz algum tempo, mais nunca escrevi um comentário, talvez por egoísmo, mais, na verdade é por não saber muita coisa do assunto, e ficar com medo de falar besteira. Mais está ai um assunto do qual posso comentar e me expressar.
Mesmo sendo da geração dos “mimos”, sou da década de 80, mais exatamente no ano de inicio da mesma, fui criado de uma forma diferente, meus pais nem sempre tiveram condições de me dar tudo do bom e do melhor, na verdade, a situação sempre foi meio apertada, não que tenha faltado algo, mais não podíamos ter os luxos que grande parte das crianças tinha na época, desta forma meu pai, principalmente, sempre me mostrou a importância de se ter um trabalho honesto e de se conseguir se sustentar por si só. Com esses conselhos não deu outra, comecei a trabalhar cedo, bem, talvez nem tão cedo como meu pai ou você, iniciei minha carreira aos 14 anos, o que era permitido na época, minha carteira de trabalho teve seu primeiro registro, Office boy, aprendi bastante nesta época. Um ano mais tarde procurei por uma formação técnica, e dai ate hoje, sempre trabalhando.
Tudo isso que escrevo é para dar uma opinião em relação ao anuncio do seu colega de profissão. Mesmo achando a oferta boa, sim, pois não existe melhor forma de se adquirir conhecimento do que com um profissional conceituado, acredito que teria de se analisar o estilo de vida em que vivemos hoje, um mundo completamente capitalista, onde sem dinheiro não se faz nada, como ele quer um estagiário que esteja interessado em ajudá-lo realmente, motivado, vestindo a camisa literalmente, sem a premiação correta. Se o premio fosse bacana, aposto que ele teria dedicação total deste “aprendiz”, neste ponto você pode me perguntar, poxa, mais premio do que o conhecimento que ele esta adquirindo? É, pois infelizmente, neste mundo capitalista, o conhecimento não enche a barriga. Talvez, a oferta poderia ser melhor formulada, colocando um meio período, de preferência noturno, desta forma alem de ajudar o fotografo, o estagiário conseguiria outro trabalho para garantir seu sustento.
Essa é a minha opinião.
Abraço
Olá… acho que a raiz de tudo isso está em educação, honestidade, caráter, responsabilidade, consciência, e comprometimento profissional, se tudo isso houvesse da forma correta em quaisquer relacionamentos e principalmente de ambas as partes, nada disto aconteceria. Tem patrão que explora estágiario sim, e estagiário que não quer sair do ar condicionado. Já vi estagiário de família com grana que virava noite no trabalho e levava o diretor de arte sem grana para acompanhar o trabalho fora da agência, no carrão gastando sua própria gasolina e outros que se diziam sem grana, moravam longe e pegavam duas conduções, mas deixavam o trabalho no meio pra ir ao aniversário de um grande brother ao qual não poderiam faltar. Tudo é consciencia, responsabilidade e comprometimento volto a repetir. O estágio remunerado é interessante e louvável por parte do contratante, mas quando estudamos pagamos para aprender, e o estágio é a extensão deste aprendizado atraves da prática. Acho importante ressaltar que, é com a batata quente na mão que se aprende, mas muitos diretores deixam estágiarios e assistentes com a batata quente na mão e sózinhos quando o certo é supervisionar e ajudar já que eles estão aprendendo. Com relação ao estágio, não vejo problema de horário integral ou ficar depois da hora se a condição do estagiário permitir, mas não é justo impor uma carga de trabalho e de responsabilidades muitas vezes impedindo o estagiário de entregar trabalhos, fazer provas e cumprir com outras obrigações relativas aos estudos. Se o contratante não pode ou não acha que deve pagar, pelo menos acho justo uma ajuda com as despezas de transporte e alimentação, ressaltando que ajuda com transporte não é para andar de taxi (apenas quando é tarde da noite) e ajuda com alimentação não é para almoçar em restaurantes caros só para acompanhar o pessoal que ganha bem…
Concluindo quando se pode começar em uma situação favorável, com estrutura e verba pra tudo ninguém vai ficar chateado, mais na maioria das vezes é nas maiores ralações que a gente realmente aprende a solucionar os mais diversos tipos de problemas.
Abraços a todos.
Todo aprendizado tem um custo – financeiro, físico ou psicológico.
A Fotografia requer doação incondicional de si. A contrapartida: oportunidade de conhecer pessoas, lugares e situações que poucas profissões podem proporcionar, além de um repertório de soluções e improvisos que qualquer mágico copiaria rs.
Clicio,
grande post!
Inúmeros assistentes e trainees que colaboraram conosco afirmaram ter aprendido mais em alguns jobs que em cursos e aulas extensas.
Remuneramos quem trabalha conosco, mas gente preguiçosa não tem segunda chance.
E, se a motivação pela grana for *maior* que a motivação em aprender, sugerimos procurar um emprego melhor que assistente, há vários por ai.
“nenhum assistente vai começar como se começava há anos atrás.”
Esse senso de “entitlement” de que já se começa de alguma forma superior que no passado, é a pretensão que faz com que um assistente não passe da primeira entrevista.
Humildade, saber ouvir, ter iniciativa, e querer aprender não são qualidades: são pré-requisitos para sequer ter alguma chance.
Ou, me ligue em 5 anos e me conte como funcionou pra vc achar que “assistente não faz isso/aquilo.”
No futuro, ao invés de oferecer vagas para assistentes, que tal workshops de “live training”? Assistentes/alunos NOS pagariam para ver de perto como trabalhamos, como é o dia a dia de quem vive de fotografia, como lidar com clientes, shootings, jobs, etc.
Se a moda pega…
[ ]s, sorte,
ig
Apesar de não ser do seu “tempo” minha infancia foi exatamente igual a sua onde meus pais até hoje pregam o trabalho como lição de vida, hoje em dia os jovens veem a faculdade como forma de trabalho mole onde pensam em frequentar as aulas colar nas provas pegar o diploma e esperar pra trabalhar em um escritório com ar-condicionado em frente a um computador. Por este motivo é que estão se formando cada vez mais profissionais mal qualificados não sou formado em facudade, mas estou batalhando pra isso quando comecei aprender um pouco de fotografia ajudava um fotografo da minha cidade e ele me pagava 15 reais por casamento trabalhado não era muito mas foi apartir dai que resolvi seguir no ramo fotografico e hoje venho me dedicando e participando de varios cursos para me especializa e nem por isso deixei de carregar equipamentos enrrolar fios e como citou o clicio também faço gambiarras quando algo não funciona. Parabéns clicio por exte texto.
Clício, caríssimo,
Faço minhas as suas palavras, sem alterar uma vírgula.
E só para completar o raciocínio, se hoje eu pudesse me conceder um destes “anos sabáticos” abraçaria um estágio “não remunerado” com o James Nachtwey sem pensar duas vezes, rindo.
Grande abraço,
LC
A atitude desse iniciante define o tipo de profissional futuro, certo q se continua esperando q façam por ele o próprio mercado vai cuspí-lo sem piedade.
Certo também q se mudou a perspectiva de trabalho, me parece q precisamos ter muito mais vantagens p/ q valha a pena, se negocia demais, até pq temos papai q garante e o tempo de preparação e da proposta ideal são infinitos.
O medo q dá é que para quem está se formando e tem o valor necessário, a vida se torne mais pesada e nesse caso perdemos.
Clício, fazia um tempo q não ouvia isso “fricote”: “deixa de fricote, menina!!!” Saudades…
Grd abraço, Rosa Lopes.
Crispino,
É sempre um prazer ter você por aqui.
Aparentemente o probleminha é maior do que eu imaginava; as pessoas não tem noção de quem é quem na fotografia, e nem o que é fotografia profissional.
Vejamos…
O Nachtwey fotografa guerras e conflitos, certo? Para tal, tem-se que *IR* para a guerra, não? E lá tem gente morrendo. Pedaços de corpos. Tudo fede a sangue velho e decomposição. O medo de morrer ou ficar mutilado é constante, não? Os colegas jornalistas, amigos, parceiros, morrem do seu lado, né? O fotógrafo tem que fotografar tudo, e bem, e rápido.
E os filhinhos de papai querem U$15 a hora pra brincar de heróis…
Sei não, algo não fecha nessa matemática!
Abração!
Ig, Lou,
Vocês são exemplo vivo do que acredito seja a boa e moderna fotografia.
Trabalham *muito*, fazem trabalhos emocionantes, não tem medo de acordar cedo nem de dormir tarde nem de não dormir, gastam pouco, são ecológicos, viajam bastante e carregam peso nas costas, sem assistentes, montanha acima.
Ter humildade e ter iniciativa.
Domínio técnico e compaixão pelo ser humano.
No pain, no gain.
Sou fã de vocês.
Se você tiver uma vaga pra assistente, mesmo sem remuneração, eu quero!
Clicio,
Nunca te vi mas parece que conversamos sobre isto ontem…
Eu fico pensando como é que esta nova geração vai mudar alguma coisa do que está ai…ou mesmo inovar.
Abraços…
Estágio não-remunerado não é ilegal nem no Brasil. Mesmo depois da lei de estágio.
Não sei como são as coisas lá, mas aqui 90% dos estágios remunerados são coisas do tipo: “Estágio de Publicidade” numa agência de turismo. Leia-se: uma agência quer alguns trabalhos gráficos e não quer pagar nem uma pequena agência pra fazer e teve a grande idéia de contratar um estudante inspirado por R$ 450. Eu mesmo durante 1 ano de estagio remunerado de uma agência de cinema, aprendi mesmo é sobre como empilhar caixas de filmes com 50 kilos sozinho.
Mesmo ideologicamete contra, aceitaria uma oportunidade dessa.
E pintar por pintar, acabei de pintar de graça a garagem da minha mãe; carrego e descarrego mudança de irmãos e amigos, desmonto iluminação e até chuveiro elétrico quando a resistência queima (mas não faço gambiarra elétrica pq fiz um curso a distancia de eletricidade. rs). E estou a um passo de maquiar modelos assistindo vídeo no youtube. E tudo de graça…
Não sou fotógrafa, mas assino embaixo. Sou da geração 60-70 e também fui criada solta, me virando desde sempre. Felizmente consegui criar meu filho com a mesma filosofia: sem frescurites e mariquices, porque a vida é real, não é sessão da tarde.
Acho que o resultado disso é gente mais apta para a vida, seja ela boa ou ruim. E vejo que funciona quando meu filho de 20 anos, estudante de cinema, disputa vaga num estágio mal remunerado num reality show, passa dois meses carregando e descarregando caminhão, montando e desmontando cenário, dia e noite, sem descanso, sem frescurite aguda, sem grana, sem tempo pra estudar e namorar, mas feliz da vida pela oportunidade de trabalhar, aprender e conhecer “a máquina por dentro”. E antes que digam que ele não precisa da grana, informo que ele mora sozinho há dois anos e paga as próprias contas.
Passei 14 anos em redação de jornal e nunca reclamei de fazer o que fosse. Nem vi a turma da minha geração reclamar. Da pauta à chamada da primeira página, éramos escalados para tudo e fazíamos de tudo. É claro que ainda tem repórter assim, mas cada vez menos. Conheço um bocado que só faz aquilo que (acha que) sabe, e nada mais. Especialistas em nada, aspirantes a Diogo Mainardi.
Fico aqui torcendo para esses meninos terem pais ricos, porque o mercado para eles vai ser duro. E a vida, mais ainda.
Parabéns pelo texto, Clicio.
Concordo com tudo que vc disse Clicio. Sou da geracao atual com 29 anos, nao trabalho com fotografia, meu rendimento vem de outra area, porem curto muito fotografia e outro dia me voluntariei pra ajudar um fotografo aqui de Miami sem ganhar nada em troca, apenas pra ver como ele trabalha e aprender um pouco. Carreguei iluminacao, roupas, equipamento, dei opiniao, escutei, fiz um videozinho do behind the scenes dele, curti pra caramba.
ps: tenho escoliose, teoricamente nao posso carregar peso, mas na pratica, faco o que gosto
Muitos querem ja comecar de cima, esse eh o problema.
Clício, em alguns pontos concordo com você, existe um problema cultural em nosso país tanto na formação acadêmica quanto moral.
Acredito também que nossos pais nos ensinaram a ganhar experiências e a tentar ganhar nosso próprio dinheiro com as nossas mãos sofridas para que pudessemos entender como é trabalhar para sobreviver.
Ser a assistente sem receber nada não parece justo, afinal o trabalho deve ser remunerado, mas existe quem se interesse e ingresse nessa empreitada, não vejo nada de ruim em alguém achar que vale a pena, e de fato para os mais jovens vale.
Justificar um erro apontando outro não parece uma solução ideal, somos filhos de um geração que trabalhou muito e teve muita garra para aprender, mas somos nós os mesmos filhos dessa patria que buscamos justiça, igualdade e liberdade e direitos, saúde e educação.
Não devemos prender nossa atenção na quantia em dinheiro que jovens não irão receber ao trabalhar para alguem, mas devemos lembrar que existe outras formas além de um troca de experiência por serviço de apoiar jovens a caminhos culturalmente corretos. Quando um menino de 10 ou 11 anos trabalha e não recebe nenhum tipo de apoio cultural, devemos nos entristecer muito por que nossas lutas foram em vão.
Se queremos profissionais do mesmo nivel do nosso, devemos abrir as portas e oferecer bolsas de estudo, livros, experiência, ajuda no onibus, em troca de serviços. Seria mais lógico se olharmos para trás e ver quantas vezes em nossa historia lutamos por um pais e um mundo igual e justo.
Nossa, eu tenho pensado muito nisso! Como essa gente nova tá arrogante e preguiçosa… Povinho sem noção que não sabe o que é ralar antes de conseguir realizar as coisas, de aprender… Falta humildade, falta fazer por merecer.
Ola Clicio!
posso dizer que tive diversos assistentes que trabalharam de graça, ou quase de graça e hoje são os grandes fotografos do mercado e tenho certeza que sabem muito bem pintar fundo infinito e fazer mascaras p/ cromo…
abs
Olá Clício, gostaria de parabenizar sua opinião que retrata uma realidade autêntica não só na fotografia, mas que deve ser uma postura de qualquer profissional. Aqui em Manaus não temos chance de conseguir estágio em fotografia, tanto é que eu aceitaria sem pestanejar um estágio não remunerado ou um trabalho voluntário com um fotógrafo conceituado e que a vivência com o trabalho realizado por ele me fizesse ampliar os horizontes como profissional em fotografia. É preciso ralar desde cedo para colher os frutos e ter o trabalho reconhecido.
Só não revelo meus filmes e amplio minhas cópias, quando não tenho tempo. Já pintei e pinto fundo infinito se for preciso; inventei acessórios para estudio; já carreguei arriflex blimpada para aprender com cineastas dos bons; e hoje carrego mais de quarenta quilos na selva; ando de avião com a porta arrancada é claro; arrasto canoas, voadeiras, tralhas, etc; aprendi a sobreviver na selva com ou sem arma de fogo; equipamento meu nunca molhou ou afogou-se por motivo algum; fotografo qualquer coisa que surja pela minha frente – menos eventos sociais para não ter que cruzar com bandidos oficiais, pois me causa náuseas -; e se alguém desejar aprender o que eu sei e deve ser feito para que não morra na selva, até mesmo na de pedra, é só me enviar um email e preparar o bolso, pois, eu cobrarei. Acabei de fazer meu comercial. Obrigado pelo espaço, caro Clicio e parabéns pelo post. Gd Abs
A idéia de que só tem direito ao trabalho quem não precisa realmente trabalhar é repugnante.
Trabalho tem que ser remunerado, senão tem outro nome.
Bom, eu estou começando a fotografar agora, e não vejo nada de mas carregar material, equipamentos, com ctza se eu encontrasse um studio ou algum fotografo que me desse uma chance dessa de melhorar profissionalmente eu com ctza aceitaria no ato, o que estar faltando mesmo é cultura, como já foi citado, não adianta só querer ganhar qdo nem se sabe como ganhar.
Corretissimo. Geraçao de ijnfantilizados e frouxos. querem vencer sem trabalhar duro. Sabe.. penso assim: Assistente é legal contratar um sem que ele aspire ser fotógrafo, um cara comum, bom carater trabalhador que deseja um trabalho honesto. Ai sim a coisa anda..
Não tem como não concordar com tudo o que foi escrito no post e nos comentários.
Hoje mesmo (pelo quarto dia seguido) passei a manhã toda (TODA mesmo, desde as até depois do meio dia) andando a pé pela cidade pra fotografar umas casas abandonadas e até fugi de cachorro. Um cabra de dois metros de altura que não pode carregar peso não ia nem pular o muro pra dentro do terreno, quanto mais pro lado de fora e escapar do cachorro. E eu nem sei se alguém vai me comprar as fotos… quero acreditar que a maioria da minha geração (tenho 30) seja de gente que trabalhe duro.
Mudando de assunto; Clicio, você (ou a editora) têm planos de lançar um DVD sobre o Lightroom 3?
Aquele abraço a todos!
Li quase todos os comentários… bem, eu sou da geração “miojo”, mas como quase todos que comentaram, também não tive essa educação. Desde cedo aprendi a fazer bijus pra ganhar um trocado extra, e a mexer na minhas roupas pra economizar também.
Nunca tive medo do trabalho, mas minha mãe só me deixou procurar emprego depois que entrei na faculdade. Finalmente no 3o ano consegui um estágio não remunerado com a Cláudia Schneider, grande designer de jóias que morava aqui. Ela tinha bom senso, e me dava ajuda de custo pelo trabalho, além de nunca me apresentar como estagiária, e sim como parceira.
Depois disso trabalhei em joalheria de shopping e butique de rua, entre outros bicos, até que resolvi seguir carreira na fotografia e consegui um outro estágio, dessa vez num estúdio. Aliás, cujo dono fui apresentada através da Cláudia [ainda pagando anos depois né!].
Lá aprendi bastante, e também fazia de tudo um pouco [meu ex-patrão diz que meu café é o melhor da cidade, rá!]. Minha bolsa, menor que o salário mínimo, serviu só pra pagar 10 das 12 prestações da minha canon, rsrsrs…
Como disse, nasci em 84 e não tenho medo de trabalho, mas tenho uma mãe, um irmão e um namorado que sempre me incentivam [e até patrocinam se preciso].
Não vamos entrar no mérito do pagar ou não né?
Faltou dizer que moro em Belém, e que se você vier mesmo fazer o workshop, eu ficaria imensamente feliz de servir o cafézinho, preparar os computadores, arrumar a sala… tudo de graça!
Anderson, concordo com seu ponto de vista. Qualquer estágio deve ser pago sim.
O assunto do Nachtwey foi apenas para servir de gancho; o fato é que sinto muitos dos jovens da classe média totalmente acomodados, e não querem saber muito de pegar no pesado…
Para os que generosamente estão se oferecendo, não, eu não preciso de um(a) estagiári(a)o por enquanto, o René está dando conta do recado, obrigado.
Difícil essa profissão que não achou um meio-termo. Ou é glamourizada, enchendo cabecinhas de ilusões que o dia-a-dia desmente, ou desvalorizada, com a contribuição dos próprios colegas que esquecem a ética para entrar no mercado. Quanto ao post: pagamento, nem que seja simbólico, é sinal de respeito, que tem mão dupla sempre. Se gostar do trabalho, aumenta, recomenda e incentiva, se não gostar esclarece, demite e procura outro, simples (e anglo-saxão!) assim.
E bastante complicado isso!! Vou ser rapido e mais especifico ao caso do Nachtwey! O cara e um sujeito renomado no fotojornalismo em situacao de conflito, nao so, vi outras coisas dele, que tambem sao excelentes, mas chamar pra trabalho, mesmo que “voluntario” para um fotografo de conflito, implica em riscos que,( bom, to viajando, imaginando ser assistente dele, em meio a conflitos na Faixa de Gaza, imagino que nao, que seja em estudio). Sou fotojornalista tambem e cubro na maioria das vezes, situacoes de conflitos urbanos, fico imaginando, mesmo se eu acietasse esse trabalho de graca, pela grife, de que me valeria isso, ter feito assistencia para um fotografo de conflito, dentro de um estudio? Vai aprender? O que? Tecnicas de iluminacao, truques e tal? Oras, vamos estudar, inventar!!!
Concordo contigo quando diz que se fosse para alguem pagar para um workshop dele, certamente nao haveria esse furdunco em torno da questao, ou se fosse uma leitura de portifolio, que na maioria das vezes, os caras top, sempre esculambam o pobre infleliz iniciante…
Enfim, so pra registro… James Nachtwey e bom, mas nao e pra tanto!!!
Eu trabalharia para James Natchwey de graça! Ponto! Isso é mais que um workshop, que um curso, que uma universidade.
Clicio, minhas palavras são simples: Não só com James Natchwey, mas com vc tbm eu trabalharia de graça facil, facil…tem uma vaga aí? rs
O melhor aprendizado é o dia a dia. Meu pai pagou pro dono do escritório para que eu pudesse trabalhar lá. E ai?
Caro Clicio, pedi ao elegante e competente Meca para sacar 4X5″… báscula, etc… Lá chegando, vi a moçada com uma tarefa de pintar um fundo infinito para fotografar jogos de louça para banheiro. Peguei o pincel, pintei um pouco para ajudar e no final das contas, ainda saí com uma dica super legal em forma de livro. Foods Ilustration de um japonês perfeccionista que comprei na frebook. Saímos depois do trampo e formos conversar num restaurante alemão com sua digníssima esposa. Assunto na mesa? fotografia! Até hoje me serve como lição. Pergunto e infernizo qualquer um. E se necessitar, carregarei qualquer tralha fotográfica para qualquer fotógrafo decente. Só não puxo saco. Vou fazer uma imersão por aí… em 2010. Tá na agulha. Gd abs
Oi Clício, desculpe bater na tecla da remuneração quando o foco era notadamente outro, o da acomodação. É que esse assunto realmente me deixa indignado; estágios não remunerados tiram do páreo as pessoas que precisam (e estão acostumadas) a dar duro para viver.
No final das contas, quando oferecemos uma vaga sem remuneração, só aumentamos a nossa chance de esbarrar com mariquices e fricotes.
E agora, para provocar mesmo: aceitar um estágio sem remuneração não seria um tipo de puxação de saco?
Os dois lados estão com suas razões.
Na época do “Peão” as regras de trabalho nem sempre eram tão claras como são hoje. Além disso, há 20-30 anos atrás você não tinha uma corrida absurda de equipamentos mudando a cada dia.
Uma câmera de filme e algumas lentes e você se sustentava no mercado por alguns anos.
Hoje dois anos e você está “velho”.
Trabalhei de estagiário de graça por dois anos e não me arrependo, mas hoje se tivesse um filho em idade de estagiar o mínimo que ia aceitar para permitir que ele fosse seriam os custos de alimentação e transporte.
O pessoal “famoso” acha que tudo pode por causa do nome que carrega.
É verdade; de graça não se pode exigir, não se pode cobrar resultados, e como você diz, se o estagiário *não precisa* deste emprego, está sujeito à frescuras.
Mas não acho que seja puxa-saquismo; pode ser vontade de aprender, admiração, curiosidade.
Mas esse é só o meu ponto de vista!…
Clicio
Em junho deste ano fui até um fotógrafo daqui de Brasília que oferecia uma vaga de emprego, o q se espera receber salário, até fiz uns testes de edição e diagramação, tudo normal, mas no final das contas ele queria alguém pra carregar o equipamento e trabalhar de graça, não devia ter anunciado um emprego. Já um outro fotógrafo numa palestra disse valorizar até mesmo o cara que carrega o equipamento. A questão não é receber um salário, mas sim o respeito pelo trabalho e esforço alheio. Faria todo o trabalho pesado num estúdio renomado desde que valorizado por isso.
Eu vejo um clássico dentro da minha propria casa eu tenho 25 e trabalho desde os 15, trabalhei até descarregando caminhão de cimento em depósito de construção, ja trabalhei por R$ 118 e tinha que pagar a condução e comida, meu irmão tem 23 e ja ralou muito até em mercado e hoje é advogado, enquanto minha irmã mais nova pruma já para seus 20 anos e nunca trabalhou por proteção da minha mãe.
Eu vejo não um nem dois casos de como você citou mais vários de marmanjos de quase 30 anos vivendo as custas de pai e mãe, achando que faculdade vai fazer dele um profissional e vai sair de lá arrumar um trabalho ganhando R$ 3.000 no mês, alguns até conseguem pelo famoso QI = quem indique, amigo o pai, amiga da mãe.
Estou engatinhando na fotografia ainda e eu sinto um puta tesao quando me pedem pra desmontar um estudio inteiro e levar pra outro lugar, trabalhoso ??? sim mas como tu disse, senão fosse não chamaria trabalho, eu me sinto importante de poder ajudar, pq eu tenho tesão no que eu faço, se falar pra pintar eu pinto, ja ajudei e ajudo muito amigo fotógrafo de graça até hoje pois estou aprendendo, ajudo em produção muitas vezes ganhando o almoço e a gasolina pra ir até o local e me sinto ótimo quando vejo otrabalho pronto e meu nome junto a produção, sinto orgulho do que fiz e que estou acumulando conhecimento !
Acredito que o problema do trabalho não remunerado é social. Se todos os fotógrafos resolverem contratar somente estagiários não-remunerados, apenas pessoas dependentes dos pais e de certa classe social serão qualificados a entrar no mercado. Acaba-se estreitando ainda mais um mercado já difícil de se entrar e, de certo modo, selecionando-se pessoas mais propensas a fricotes e mariquices.
Uma leitura superficial dos comentários parece reafirmar as considerações feitas pelo Clício. A questão do paga/não paga é irrelevante nesse contexto, posto que não se trata de uma norma. Paga quem quer ou pode (desde que dentro da lei), trabalha de graça quem quer, certamente porque percebe valor na experiência de compartilhar a esperiência deste ou daquele fotógrafo.
O ponto central do post é a atitude dos jovens em relação à vida e ao trabalho e, nesse ponto, o Clício está corretíssimo. Notem que a questão não se restringe à área de fotografia. Sou professor de marketing e observo a mesma atitude em meus alunos.
Tenho 26 anos e fiquei feliz por que penso da mesma que o Clício que começou nos anos 70… acho que conviver com um profissional de gabarito e ”sugar” dele o conhecimento, vale muito mais que pensar em ganhar 400 reais ou seja la quanto ele pague.
Na boa… conheço pessoas que ja pagaram para serem auxiliares
e nunca achei nada de errado nisso. Eu pagaria se pudesse.
Que tal essa? pagar pra ser auxiliar. Será que daria uma boa discussão?
Abraço
no pain, no gain…..
Caso simples de choque entre gerações…. Meu exemplo: nasci em 1980 e não me conformo com comentários tipo “porque você faz tudo sozinha, Cristiane? Quer mostrar serviço?” que vêem dos mais jovens que eu………….
Começamos como estagiários. Queremos, claro, aprender, mas principalmente, queremos entrar no mercado, fazer contatos. Trabalhamos de graça e até achamos legal. É charmoso, mostra como somos interessados. Não fazemos nada para mudar isso.
Começamos a trabalhar. Viramos fotógrafos porque achamos que já sabemos tudo que se deve e se pode saber (!). Mas temos poucos clientes. Precisamos de mais contatos, mais trabalhos publicados. Trabalhamos então e novamente de graça. É normal, não temos frescuras. Queremos nos estabelecer. E, novamente, não fazemos nada para mudar isso.
Ficamos mais experientes e aprendemos que não sabemos tudo como achávamos. Precisamos aprender mais. Já temos clientes e contatos, mas estes ainda não são os contatos e clientes com os quais sonhamos. Queremos mais. Trabalhamos de graça novamente.
Continuamos a não fazer nada para mudar isso.
Conseguimos os maiores clientes, mas descobrimos que com eles temos também as maiores dores de cabeça. Já temos quase 50 e é hora de começar a pensar no futuro, de começar a cobrar bem, tirar o atraso de todos aqueles anos de trabalho gratuito. Encontramos então, sem entendermos o porquê, um mercado aviltado e que não valoriza a inteligência e o trabalho dos que se dedicam a ele, um mercado onde os mais novos trabalham de graça (!). Não nos conformamos com isso, nós que acumulamos tanto conhecimento e que hoje não somos (e, na verdade, nunca fomos) financeiramente reconhecidos por isso. Trabalhamos por ninharia a vida toda e, hoje, já não podemos fazer mais nada para mudar isso.
Como muita gente estrelada falou em lindos depoimentos nesse post, nossa geração se fez trabalhando de graça, seja em Hollywood, seja na Europa, seja no Inferno. Mas qual será o nosso legado? Bem, duas entrada acima, a resposta já começa a aparecer. A próxima geração está aí e já pensa em, literalmente, pagar para trabalhar.
Muito bom tocar nesse assunto Clício.
Eu vivo essa realidade: estou no começo e procurando assistências. E encontra-se de tudo: fotógrafos que se acham prá caramba e demonstram que a oportunidade que você tem de carregar os flashs deles e aguentar seus pitis é uma dádiva divina, que se bobear você é que tinha que dar uns cem paus prá eles. Assistentes que ligam o flash, encaixam o difusor e com cara de bunda se encostam na primeira coisa que os possam escorar que vêem por perto, bocejando.
Mas também fotógrafos que são muito claros e sinceros e dizem SE podem te pagar por aquele job, o quanto podem pagar. e respeitosamente valorizam todos no set, não só você. Te consideram tão fotógrafos quanto eles próprios (geralmente esses são os que trabalharam bastante como assistentes). E assistentes que, faça chuva ou faça sol, vão estar lá, seja por muito, seja por pouco. Dia desses conversei com um que havia 2 dias antes ficado com água até a cintura, no mar, segurando um flash debaixo de sol, por um bom tempo.
Acho que todo trabalho deve ser remunerado sim. Mas sei que por outro lado, nem em todo job se tem verba (é, às vezes cem pilas fazem diferença pois o cliente já te esfolou bastante e você como fotógrafo está providenciando absolutamente tudo). Eu já fiz assistência de graça e foi bom. Já fiz sendo remunerado e também foi muito bom. O imprescindível é o fotógrafo dizer desde o começo como funciona, e se o assistente concordar seja como que for, que vá em frente e faça o seu trampo bem feito (uma vez no tabuleiro de xadrez, jogo é jogo, não importa se pago ou não) e muito importante: vê se aprende alguma coisa, um dia de fotografia ao lado de um cara bom vale mais do que um mês de aula normal.
Depois de um mês trabalhando com um grande fotógrafo aqui em Sampa por um valor justo, uma ajuda de custo com a qual concordei de pronto, hoje eu vejo o business da fotografia bem mais de perto e com outros olhos, além de agregar valor com o conhecimento que eu tenho além da fotografia (em TI mais especificamente) ao estúdio do cara. Isso desenvolve um relacionamento, constrói caminhos. Tem que sacar as oportunidades.
É o velho problema entre o homem, o dinheiro e o trabalho, temperada pelo ego e pela vaidade. Isso não é nem uma questão profissional mais, acho que é uma questão humana.
Abraços.
Lisboa
ps: não pintar fundo por não ser pago prá isso não é ser frouxo, é não ser profissional (prá ter postura profissional não precisa ser remunerado…)
Pla, pla pla, pla pla!!!! Bravooo…. é isso aíi!!! Já fiz muito isso tbmm… e não me arrependo em nenhum momento, aprendi muitoo!!!!
Nem tanto a um, nem tanto a outro. Aqui cabe a frase dita por Melvin Udall, personagem do filme “As Good as It Gets” representado pelo ator Jack Nicholson: “Estamos morrendo afogados e você está descrevendo a água”!
Existe sim um bando de medíocres profissionais e medíocres cidadãos. Para essas pessoas, acostumadas a ser pouco exigidas em casa (por pais que têm medo de “traumatizar seus filhinhos”) e nas escolas (por professores e entidades de ensino com medo de perder um “consumidor” – não um aluno), o trabalho profissional (de verdade) é um grande problema. Elas não são preparadas para assumir responsabilidades, seja em sua vida profissional, seja em sua vida em sociedade. Assim, boa parte do que fazem é medíocre e infantil. E, quando essas pessoas conseguem cargos de decisão, isso se torna uma verdadeira tragédia! Vemos isso diariamente na publicidade, na fotografia e na comunicação em geral. Recentemente, o W Olivetto (creio) discutia a “juniorização” dos cargos de decisão nas empresas e o reflexo disso na aprovação de campanhas medíocres para seus produtos.
Tudo isso é verdade sim.
Mas, existem outros dois lados nessa história:
Primeiramente, existem SIM empresas que se aproveitam do mercado “saturado de profissionais” para promover esse grotesco discurso de que “não paga, pois está ensinando”. Não pagam por serem PI-CA-RE-TAS, isto sim!
Em segundo lugar, como ficam as pessoas que são dignas das calças que vestem? Existem sim excelentes profissionais e cidadãos que trabalharam desde os 7 anos de idade ou que começaram aos 20 anos mas souberam aproveitar e dar valor à chance de poder se dedicar apenas aos estudos. É justo que paguem para trabalhar?
Está tudo errado! O trabalho deve ser pago sim. Se uma empresa quer “ensinar”, que monte uma escola, então! Por outro lado, se o profissional é medíocre, seja recém formado ou não, que seja demitido!
Paremos de “descrever a água” e passemos a nos preocupar com o que interessa de verdade, antes de morrermos todos afogados num mar de bobagens, fricotes e mariquices!
Já perdi muito tempo explicando a importância da força de vontade, mas sinceramente, quem vale a pena sempre aprende isso sozinho.
concorda?!
Tá aberta ainda a vaga? hehe
Brincadeira, de qualquer maneira eu não teria o “preparo financeiro” que o anúncio da vaga pede ao candidato, o que vejo como algo ainda mais complexo no anúncio (o cara não só não receberá, como terá que se bancar).
Mas se eu fosse de lá, tivesse a grana e o preparo, iria facinho. É como pagar um curso, não é, mas aprendendo com um baaaaaaaita professor. Já troquei oferta de emprego com tal salário por outra em que sabia que aprenderia mais mas teria remuneração na metade da outra oferta. Mas se contasse pra outros no momento da escolha, com certeza seria chamado de doido. Tô hoje ainda nesse lugar, ganhando mais do que a primeira oferta, haha.
Mas poucos apostam no conhecimento, no aprendizado, principalmente a galera mais nova, e mesmo eu sendo ainda jovem pra dar conselho, acredito que isso é uma boa dica. Quanta gente cursa faculdades buscando ter profissão pra ter emprego e grana rápida (e até sem gostar do que fará, o que acarreta em desinteresse por aprender e, a longo prazo, infelicidade por não fazer o que gosta). Na verdade, tudo reflexo da época em que vivemos, com emprego cada vez mais difícil.
Acabei de terminar o curso de fotografia da Panamericana, no finalzinho de 2009, e qual a primeira pergunta que mais ouço? “E aí, já tá ganhando um dinheiro?”. Pq não algo como “orra, e ae, gostou?”.
Boa noite Clicio!
Concordo com você no fato de que não se constrói uma carreira sem trabalho, mas vá dizer pra um assistente como eu que saiu do Capão Redondo periferia sul de São Paulo e enfrentou poucas e boas no sonho de viver de fotografia tendo que passar por baixo da catraca, andando a pé tarde da noite ou dormindo no studio sem dinheiro nem pra comer uma coxinha ir trabalhar de graça. E olha que eu acho que eu não me ferrei tanto assim, só tive q abdicar de coisas como sair com as meninas ou com os amigos por falta de dinheiro ( que no capitalismo se você tem você é gente e se não tem não é ) mas isso foi relativamente fácil.
Fico pensando ( e é isso que me irrita na fotografia ) nessa elitização idiota da profissão, quando olho pra trás e lembro da minha luta penso no cara que cresceu comigo mas que era bem mais pobre que eu, com vários problemas familiares pra resolver. E se ele quisesse ser fotógrafo? Como ele ia fazer quando chegasse em um estudio e o cara pedisse pra ele trabalhar de graça, precisando de dinheiro?
Com respeito aos comportamentos idiotizados com justificativas abomináveis, não sei onde você arruma esses imbecis, geralmente é o mesmo bando de desinteressados alunos que você citou. E assim pessoas como eu, 28 anos morando com os pais porque não consegue nem pagar as próprias contas com o salário ridículo que recebe ( fruto do maldoso aproveitamento do sonho ou vontade alheio) que luta todo dia pra não desistir se pega pensando se não é hora de parar.
André;
Também concordo totalmente com o que você diz.
Tirando a parte da catraca, eu também dormi muito no estudio e andei muito a pé de noite.
O fato é que eu particularmente não “arrumo esses imbecis”, pois não tenho estagiários (quando os tive, sempre os paguei e ajudei no que pude) e o meu assistente recebe pontualmente todo mês.
Abraços,
Clicio
O Anderson aqui em cima falou tudo, não acrescento nem tiro uma palavra sequer do texto dele.
Até que enfim alguém falou algo coerente… É isso mesmo André ! Estou no mesmo barco que vc !!! Mas como sou brasileira e não desisto nunca, vamos batendo cabeça e tentanto um lugarzinho ao sol…
Agora trabalhar de graça só em ONG e olhe lá… ou claro quem não precisa de dinheiro pra pagar conta em casa e muito menos sabe o que é passar necessidade… portanto os únicos q se sujeitam a “aprender” sem receber nada são os filhinhos de papai e os que sempre tiveram tudo de mão beijada, ai meu caro, não tem como exigir q este povo trabalhe pois nunca foram acostumados a isto…
E digo mais… Se o cara ja tem um nome no mundo fotografico (o trabalho dele é requisitado e bem cobrado certamente) acho no mínimo “ridiculo” que não pague as pessoas pra trabalhar pra ele, seja qual for a função…
Sou professora de fotografia numa escola de comunicação e faço parte da nova geração (nasci em finais dos anos 1970) e vejo incessantemente os alunos se surpreendendo quando sugiro que façam um estágio gratuito em estúdios de fotografia (emisoras de rádio, tv, agências de notícias e publicidade, etc). Quando explico pra eles que comecei minha carreira carregando equipamentos (eu tinha apenas 16 anos) e que se não fossem os livros e a observação de outro fotógrafo trabalhando eu não teria aprendido muita coisa. Os alunos acham que um ano estudando fotografia dentro de sala de aula (com aulas uma vez por semana) são suficientes para torná-los fotógrafos… até o momento que conto pra eles que além de fotografar muito devem ainda trabalhar (de graça sim, por que não?) para algum fotógrafo a quem admirem o trabalho e desta forma e somente assim poderão um dia tornar-se bons fotógrafos (ou comunicólogos).
ola colega
li e revejo-me completamente nesta sua cronica.
sou da decada de 60.
abraço de portugal
FROUXOS!?!?!?
heuahaeuaehuae
Adorei!!!
E é isso mesmo! É vendida uma ideia glamurosa da profissão para quem está diante de uma lousa branca de pincel atômico especial. Quando os neomarmanjos encaram o que chamamos de TRABALHO, as reações são as mais engraçadas possíveis, evidenciando uma triste realidade: muitos não querem trabalhar!
Ah.. mas com relação ao pagar ou não pagar, não vejo problema em o Fotógrafo já experiente, que ganha uma boa renda com o trabalho desenvolvido, pagar uma quantia ao assistente.
Pode não fazer muita diferença no bolso dele (uma vez que já é bem remunerado no mercado), mas fará diferença para o assistente se for dada uma pequena ajuda de custo.
E o assistente não deve achar que está sendo mau remunerado. Tem que entender que o que ele está aprendendo ali tem um valor muito alto, cobrado pelo Fotógrafo em seus workshops.
“É verdade; de graça não se pode exigir, não se pode cobrar resultados, e como você diz, se o estagiário *não precisa* deste emprego, está sujeito à frescuras.
Mas não acho que seja puxa-saquismo; pode ser vontade de aprender, admiração, curiosidade.
Mas esse é só o meu ponto de vista!…
Clicio”
Clicio eu tenho que discordar de você, eu já trabalhei de graça e mais de uma vez, simplesmente pela sede de conhecimento, e continuo fazendo isso na faculdade e não creio que não possa ser cobrado ou exigido. Muito pelo contrario, todas as vezes fui cobrado e exigido e ainda sou, foi um acordo um trato, me deem conhecimento e eu trabalho. Não vejo nenhum problema nisso, eu mesmo me canditaria, desde que não fosse SÓ pra carregar peso. Podem dizer q nao me valorize e afins, eu irei discordar pois conhecimento não tem preço
Olha, Pra mim isso não passa de papagaiada no sentido de
“Ai eu não faço isso, eu não faço aquilo.”
Pois bem, eu tenho feito assistência por ai fotografos me pagando ou não, estou ali pra fazer meu trabalho e aprender como se deve.
Pois as regras do jogo foram impostas antes que eu começasse a pintar o fundo infinito e fazer o trabalho de Daniel Larusso que é assim que eu acho essa parte da fotografia.
Mas dai a reclamar que nome como Bob Wolfenson, Clicio Barroso(puxando a sardinha pro post ser aceito, hehe), Thomas Susemihl dentre outros no circuito nacional não pagam um estagiario, pelo amor. Um pãozinho na chapa e um café com leite já me deixaria feliz por um dia de assistência com esses caras.
Fiz, faço e vou fazer assistência de graça sim, por que como disse o Gabriel no post acima, conhecimento não tem preço e pra quem acha que isso se aprende na faculdade “BOA SORTE”. Eu não queria estar na sua pele amigo.
“e começava-se a trabalhar cedo, algumas vezes de graça, para se ganhar experiência. ”
Quando esta ação parte do interessado, a exemplo de nossa geração, eu acho muito interessante, mostra despreendimento, garra e vontade de aprender. Mas quando de ante-mão o profissional famoso e bem colocado no mercado quer estagiários e não quer remunerar (com a desculpa que o referido estagiário irá aprender muito) na verdade é um escravocrata metido a fotógrafo. Sabemos que este tipo de profissional nada ensina, exige muito e geralmente não dá a mínima condição…
Deve ter feito estágio no Brasil, pois diferentemente do Clicio Barroso, a grande maioria aqui faz a mesma coisa que este sujeito…
Alunos meus, no SENAC – RJ, foram ser assistentes de um fotógrafo que fotografava para uma revista de arquitetura e afins, e não receberam nada…
motivo: estavam aprendendo…
o que o cara ensinou: nada
Nossa!! ótimo texto!! ótimo puxão de orelha!! o fato é: quer ser bom? pague o preço!!
parte boa tbém:
” pregam que “o conhecimento acadêmico faz a diferença”, mas se esquecem de ensinar aos alunos como se fotografa”…
o professor, antes de tudo, deve mostrar que sabe e entende… deve levar pra sala de aula as suas experiências do dia a dia pra que os alunos aprendam de fato e se empolguem com o que realmente acontece … pena que nem todas as faculdades são assim…
Aproveito pra dizer que sinto uma “nova era” na fotografia… precisávamos disso… de reflexão… pois hj, “qualquer um” vira fotógrafo… compra uma máquina, põe uma “plaquinha” e transformou-se num profissional… fotografia é mais que isso… fotografia é formação, vai além do técnico. Parabéns, Clício, por instigar a reflexão.
Abraço
Clício,
não sei, primeiramente, se tenho muito a contribuir após 143 comentários… li um a um (e isso dá trabalho!), mas também prazer. Penso que há uma infinidade de fatores que fazem da minha geração (80/90) mais sonhadores que “Fazedores”. Falo por mim, de familia de classe media-alta de Belo Horizonte, judaica e filho caçula, um poço de super-proteção. No entanto fui educado em meio a lutas e vejo no trabalho um trampolim pra conquistas pessoais. Acredito que exista nesses reclamões um complexo de desvalorização. O povo, de um modo geral, é sub-julgado a torto e a direita e quando alguém se destaca logo aparecem milhões para criticá-lo. Hoje qualquer olhar torto é preconceito e a beneficencia é só uma pose que pessoas da alta sociedade fazem pra foto para serem taxados como “cool”. Enfim, tudo é reflexo de tudo… pra onde apontarmos a camera terá sempre um sorriso forçado e um natural, cabe a nós escolher para qual chamaremos a atenção.
Desculpe o devaneio, no começo era pra ser apenas um comentário de elogio, mas acho que apontei uma grande angular pro assunto e encontrei sorrisos demais…
um abraço, Luiz Kriwat
Clicio, não deu pra ler todos os comentários deste seu inspirado post, mas pelo que já lí, concordo com vc. Eu mesma depois de anos de fotografia e um super estúdio, faço todos os trabalhos necessários. De carregar equipamento a reparos elétricos (quando conheço a causa do defeito). “trabalho dá trabalho, senão não seria trabalho” e me orgulho muito de ser de uma geração de fotógrafos não apenas teóricos, mas muito mais intuitivos, e que valorizam tudo o que envolve a profissão. Da concepção de idéias à execução, em todas as suas fases.
Penso que adquirir conhecimento não tem preço. E esses “bebezinhos” precisam aprender a valorizar isso antes de almejar o glamour. Vamo trabalhaaaa!!!! E aprender !!!! Parabéns novamente Clicio!!!
Dura, mas verdadeira, sua abordagem. Sou do tempo (tambem) que “aprender” era mais importante, para começar, do que “receber”. Tô com você e não abro…
Fantástico, me sinto muito melhor em saber que não sou o único a pensar assim, creio que as pessoas deveriam parar de dar tapas com luvas de pelica e começar a dar marretadas nesse tipo de situação, assim como você fez. E como você mesmo disse, se a carapuça serviu, ou ficou revoltado. Comece a reagir!
Continuo batendo na mesma tecla: não custa nada ao fotógrafo já estabelecido dar, ao menos, uma ajuda de custo ao estagiário. Acho legal o Clicio citar que assim o faz.
Diferentemente do que falou a Joelma Handziuk (acima), acho errado os “velhinhos” se aproveitarem dos novatos sonhadores. Um dos valores que os “velhinhos” têm que ensinar ao novatos para o bem da profissão é o valor de seu trabalho. Do contrário, teremos sempre uma enxurrada de “fotógrafos” novos cobrando misérias pelo seu serviço – atrapalhando a negociação dos fotógrafos já estabelecidos. O final disso nós já conhecemos: a prostituição do mercado.
Não queremos isso para o futuro da Fotografia nacional, mas cobrar de jovens fotógrafos valores que não foram passados para eles quando se pôde?
Depois ninguém mais entende porque não se paga ao fotógrafo por editorial… Ninguém sabe onde isso começou. Só é sabido que é uma prática de mercado. Será que não surgiu de um “bebezinho” da época ávido por aprender e estampar seu nome em páginas de revistas? Hoje ele provavelmente é um “velhinho”, que trabalhou muito e aprendeu muito, mas, com certeza, errou!
Me contrata pra pintar fundo no seu estúdio e carregar equipamento, eu sou disposto, não corro de mulher nua, como pouco, e quero me tornar fotógrafo!!!!! rsrsrsr Excelente texto professor, Muito Obrigado !
Caro João Américo. Concordo quando diz que os “velhinhos” têm que ensinar aos novatos, para o bem da profissão, o valor de seu trabalho. E que se existem “bebezinhos”sentes campo é provável que não se tenha ensinado a eles como valoriza-lo. Porém quero fazer uma ressalva ao seu comentário. Não sou, em absoluto, a favor dos “velhinhos”se aproveitarem dos novatos sonhadores. Ao contrário!! Remunero muito bem, ao menos o quanto sou capaz, os meus colaboradores. Eu disse apenas que não faço corpo mole na hora de trabalhar e muitas vezes trabalhar duro! Os meus clientes sabem muito bem disto. Não sou contra o glamour, nem ao reconhecimento do trabalho do fotógrafo, ao contrário!!!! Acredito que o trabalho e o talento devem ser reconhecidos. Um junto com o outro e nunca separados! Gosto também desta discussão!Boa noite a vc João Américo e a todos!!!
É, Joelma. Então acredito que estamos pensando de forma igual (embora eu não tenha entendido isso antes).
De fato é importante duas coisas: Reconhecimento do Trabalho e reconhecimento da oportunidade (conhecimento e experiência a serem adquiridos).
Como foi dito anteriormente (algumas vezes) por aqui, o garoto fica feliz desembolsando $500 em um WorkShop de 10, 14, 16hs do fotógrafo consagrado, mas chia na hora de trabalhar com/para o mesmo. Esquece que a experiência que está sendo adquirinda é muito boa e que o trabalho envolve (sim!) aspectos braçais. Uma ajuda de custo, neste momento, já é de bom tamanho, mas de nada custa o novato ser remunerado para, também, poder comprar seus equipamentos e livros que o auxiliarão na obtenção do conhecimento.
Isso, aliado ao reconhecimento do trabalho dos envolvidos no processo fotográfico, é o que deve ser perseguido pelos novos e velhos fotógrafos.
Entendi agora a pegada do seu post. Com certeza TRABALHO é fundamental! E isso essa minha geração precisa aprender. Desculpe a confusão. Obrigado pela discussão!
Concordo com seu ponto de vista. A propósito, está precisando de uma assistente? Não vou cobrar nada! hahaha
Não concordo de forma alguma com o trabalho sem remuneração justa (salário mínimo sim!), só pelo fato de seu empregador ser um grande fotógrafo com seu ego às alturas ele não merece receber porque está aprendendo? Em que mundo vivemos? O capitalismo está aí meu caro, se não recebe não come, não vive e nem sobrevive. O estrelato às vezes sobe tanto a cabeça que se alguns se acham no mesquinho e ridículo direito de se OFERECER a não pagar pelo serviço em troca de experiências.
Ainda não sou profissional, pretendo ser, mas se eu precisar desse tipo de atitude (de ambas as partes, tanto do lado do fotógrafo como do assistente) eu prefiro seguir a carreira de Contador e continuar no amadorismo.
eu mesma comecei na area com um estágio não remunerado, e mais de 90% do que eu sei hoje aprendi com essa pessoa, e sou muito grata a ela. Dinheiro não paga experiencia!
…mas ajuda na lotação, né?
=)
Acho que deveria ser o discurso Padrão para todas as Formaturas indistintamente.
Imagem só, naquele momento solene, onde todos acham que serão a última bolacha(biscoito) do pacote. Diante de todos os seus familiares e amigos receber um “CALA BOCA”(está na moda), e vai trabalhar prás contas pagá!.
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