Liange | ©2008 Clicio Barroso

Liange | ©2008 Clicio Barroso

Continuando com a minha viagem onírico-realista dos fins-de semana, tenho tido cada vez mais inquietudes a respeito do que posso/devo mostrar com a minha fotografia, sem que ela perca a sua personalidade. Personalidade esta que, como sabem, foi moldada pela publicidade e pela moda, carga penosa e da qual não vai ser fácil me livrar; o bom é que apenas revendo algumas das imagens produzidas ao longo do ano passado, começo a perceber uma mudança de intencionalidade tímida, mas presente, o que me leva a (ainda) ter esperanças.
A foto da Liange, uma princesa oriental morta sob a iluminação Matrix, me remeteu a imagem de uma replicante by Ridley Scott, na versão original de Blade Runner.

Nan Goldin após surra do marido-Autoretrato

Nan Goldin após surra do marido-Autoretrato

O que me levou a imaginar os porquês do meu fascínio pelos trabalhos que mostram uma forma de realidade crua (autoretrato de Nan Goldin depois de levar uma surra do marido, foto acima),

© Joel Peter Witkins

© Joel Peter Witkins

ou a morte totalmente desmistificada e ironizada (Joel Peter Witkins tendo que se isolar no México para fotografar os cadáveres que lhe serviam de modelos, foto acima),

Marketa | © Jan Saudek

Marketa | © Jan Saudek

ou uma poética atemporal e surrealista, com traços do renascimento italiano (Jan Saudek mostrando a passagem do tempo medida em décadas, foto acima), imagens visualmente cruéis (?)  que nos fazem refletir sobre a constante decadência física, e na inevitável sombra da morte espreitando na próxima esquina.
O fato é que, como tenho dito nos últimos tempos, esta compulsão por querer fotografar o lado menos cosmético da estética contemporânea esbarra no meu eterno espanto frente a beleza feminina;

Kate Moss as Lady Godiva | © Nan Goldin

Kate Moss as Lady Godiva | © Nan Goldin

é como mostra esta foto acima, da Kate Moss abraçada ao cavalo, feita pela mesma Nan Goldin (balada da dependência sexual) ; uma Kate  gordinha, nua, desmaquiada, jovem e espelhando uma Lady Godiva moderna.
E LINDA!
Irônico, não?