por clicio em 1 de fevereiro, 2009
Digipix & Gal Oppido – Todos perdem.
A associação da qual sou presidente, a Fototech, tem uma parceria antiga (em forma de desconto de 10%) com a Digipix.
Como muitos sabem, eu conheço o dono da empresa, Marco Perlman, desde o inÃcio da Digipix. Nesses 4 anos imprimi inúmeros livros e prestei serviços como diagramação, gerenciamento de cores e palestras para a empresa.
Também conheço e respeito muitissimo o trabalho do Gal Oppido, um dos expoentes da fotografia nacional sob qualquer aspecto.
Em nome destas parcerias e de nosso relacionamento comercial de anos, marquei e fui a uma longa reunião para, em nome dos associados da Fototech e em meu próprio, cobrar uma posição e uma explicação da empresa sobre o ocorrido com o livro do Gal.
Depois de muito ouvir e de muito questionar, ficou claro que a Digipix entende que agiu dentro do que está escrito em seu termo de concordância; legalmente é uma decisão que preserva a empresa, que segundo a diretoria não pode comercialmente correr o risco de permitir a impressão de qualquer imagem que remotamente possa ser associada a pornografia.
Não foi a primeira vez que isso ocorreu, e nem será a última. Há precedentes, e o procedimento nos outros casos, foi o mesmo.
Entendi isso perfeitamente. Empresarialmente faz sentido (sem julgamentos morais, por enquanto).
Conhecendo o Marco e a PatrÃcia como conheço, também ficou claro que *não foi e nem poderia ser* uma decisão moral/religiosa. PolÃtica e empresarial, certamente, mas não moral nem religiosa.
Isto entendido, entendi também que a empresa não ter um método de analisar as imagens *antes* do trabalho ser impresso, é no mÃnimo imprudente. Mesmo acarretando todos os prejuÃzos de mais tempo, treinamento de pessoal e eventuais atrasos na produção, a recusa deveria ocorrer no inÃcio da produção. O cliente não deveria receber a notÃcia na última hora, com o produto já pronto e em seguida destruÃdo.
Este certamente foi o maior prejuÃzo do Gal; não ter tido tempo de solucionar a impressão do seu portfólio, acarretando prejuÃzos tangÃveis e reais ao fotógrafo (ainda sem tocarmos nos julgamentos morais).
O termo de contrato deveria ter mais destaque no site. A maioria nem o lê, e eu disse isso ao Marco, recebendo por resposta a sua decisão de aumentar a visibilidade e a importância do termo ser lido *antes* da concordância.
Agora a parte moral; eu pessoalmente, como a maioria dos fotógrafos, tenho verdadeiro horror a censura, especialmente quando envolva a nossa área, visual. Minha reação foi ficar indignado com o ocorrido com o Gal. Por outro lado, não posso nem imaginar estar nesta posição da Digipix, um dilema imenso, ter que julgar se é ou não arte, se a decisão vai melhorar ou piorar a imagem da empresa, se é o Gal, o Zé das Couves ou o Mapplethorpe.
A decisão deles (e não a vou julgar, por não ter competência para tal) foi a de não estabelecer dois pesos e duas medidas; se vale para o Zé das Couves, vale para o Gal.
Se eu, Clicio Barroso, fosse o dono da empresa, provavelmente deixaria o meu lado fotógrafo falar mais alto que o meu lado empresário, entenderia quem é o Gal Oppido, com o peso e significado do seu trabalho, e não hesitaria em entregar o livro, *mesmo colocando em risco* a imagem da empresa frente aos setores mais conservadores.
Mas eu não sou dono da empresa.
Entendo e sou totalmente solidário ao fotógrafo e artista Gal, e acho que ele saiu muito prejudicado desta história; também entendo o empresário Marco, e acho que a Digipix saiu muito prejudicada e desgastou sua imagem junto a uma considerável parcela deste nosso mercado.
Uma situação infeliz para todos, “lose-lose”.
Mas nada vai mudar o acontecido; já aconteceu, e o assunto já foi analisado por todos os ângulos possÃveis, desde os mais passionais até os mais técnicos.
Uma pena, mas espero que a Digipix mude alguns procedimentos para que imbroglios como esse não voltem a ocorrer.



23 Comentários
Acho que nessa história o auê gerado foi maior do que o problema em si.
Cada um dos envolvidos teve sua parcela de culpa e todo mundo, até quem não esteve dentro da questão, saiu perdendo.
É uma pena, mas que esse episódio sirva de referência para não acontecer nada semelhante no futuro.
E que bom poder ler um blog deste calibre! Já está nos meus favoritos!
Obrigado pelos elogios, Rafael. Volte sempre!
ClÃcio,
Muito lúcido seu comentário.
Como disse o Rafael, que essa experiência não seja esquecida pela Digipix e sirva apenas como referência do que NÃO deve ser feito.
Parabéns pelo blog e, mais uma vez, pela excelente iniciativa do podcast!
Grande abraço!
ClÃcio;
Achei esse precedente perigosÃssimo.
Que critérios eles usam pra nao executar os trabalhos? A questoa passa muito pelo julgamento moral, pois é o que eles usam. Pornografia e erotismo tem linha tenues.
Achei lametável a atidtude da Digipix, a era Bush realmente deixou frutos.
Meu suados $$$ eles nunca verão, nem em caso de necessidade extrema!
Salve Clicio! Bem-vindo à aldeia blogal. Terei a honra dúbia de dar uma de “Flickeiro” fazendo um comentário sobre o “bokeh” na sua imagem de logo?
Sou contra a censura, qualquer que seja ela, mas acho que não devemos confundir as coisas.
Sobre a questão dos ‘genitais à mostra’, principalmente masculinos, gostaria de chamar atenção para o fato de que é dificÃlimo encontrar qualquer publicação comercial – que não seja hardcore porn – que concorde em veicular esse tipo de imagem.
Digo isso para acentuar que, apesar de toda a liberdade sexual que vivemos no ocidente, a relação com a genitália (e sua representação) ainda provoca reações bastante aversas, principalmente no setor ‘comercial’.
Por exemplo, apesar de quase toda a propaganda estar calcada em mecanismos de carater sexual (imagéticos e/ou sensoriais) para vender produtos e serviços, dificilmente você vai encontrar patrocinador de porte para qualquer trabalho que envolva genitais à mostra, por mais artÃstico que possa ser. É um risco que poucos aceitam correr.
A Digipix tomou a decisão que, comercialmente, faz mais sentido para a empresa. Até aÃ, tudo bem, cada um tem que cuidar de seus interesses.
Mas foi nesse sentido, a meu ver, que pecou, ao informar ao Gal que não faria o serviço só depois da impressão das imagens, sem lhe dar tempo de procurar uma alternativa. Nesse caso o certo seria ressarcir o fotógrafo do prejuÃzo de alguma maneira. Um gesto que lhe garantiria simpatias e, consequentemente, negócios.
ps – clÃcio, parabéns pelo blog…
Excelente a iniciativa de utilizar também o blog como meio de comunicação, o que agrega ainda mais visibilidade a teu ótimo trabalho. Boa sorte e obrigado por mais esse empenho em melhorar a classe fotográfica.
Abraços.
Tambem vou usar a digipix…se é pra ser radical…eu tambem sou…
Acho uma frescura esse medo de ser acusado de promover pornagrafia…nada que um contrato assinado pelo cliente não resolva…
Tem formas de se proteger…sem censurar o trabalho dos outros…
Como diria minha mãe, do alto de sua sabedoria: Parece coisa de gente que come farinha…
Em Tempo…adoro uma farofa…sou cearense..ehehhe
O que é mais engraçado é que, no meu caso, imprimi um portfólio com eles pouco antes de ir pro México e nele havia uma matéria sobre bastidores da indústria pornô com várias cenas de nudez e sexo.
Seria péssimo ter ficado sem o portfólio em tempo!
Outra consideração a fazer nesse caso é: blurb!
Fazem direto pelo flickr. Achei a qualidade um pouco superior e entregam no Brasil mais barato do que feito pela Digipix e sem essa frescura do que pode ou nao ser impresso
Realmente você tem razão ClÃcio, já fiz alguns álbuns na Digipix e nunca nem vi o termo …
Muito triste isso !
Olá! Gostaria de pedir seu e-mail, para poder lhe enviar convites e release sobre exposições fotográficas que ocorrem em estações de trem aqui do RS, na região metropolitana. (cassiorafaelm@gmail.com), obrigado.
Bem,
por fazer parte da Fototech eu acompanhei o rebu todo pelo nosso fórum, os problemas causados pelo aviso tardio, etc…
O primeiro ponto que deve ser questionado é, por que a imagem da empresa irã ser afetada. Ela não vende o conteúdo dos livros e sim o preparo destes, desta forma de pensamento uma editora abril seria prejudicada pela Playboy????
A segunda é, o que eles estão perdendo no mercado? Será que esta postura não vai distanciar mais o meio profissional deles? Primeiro pelo risco de ter uma dor de cabeça destas com um cliente e em segundo por costume.
Se eu faço trabalhos sensuais e normais, posso fotografar um casamento no fim de semana e 2 semanas antes fiz o ensaio sensual da noiva como presente de casamento ao noivo. Daà tenho de mandar 1 livro a outro lugar e o do casamento posso na digipix??? Vou achar alguém que resolva todas as situações para mim.
Se resguardar deve-se de riscos reais e não imaginários, faça o contrato te isentar do conteúdo.
E para terminar, será que todos queremos que uma pessoa fique examinando nossos trabalhos enviados para saber o que fizemos?
Também estou sendo prejudicado pela DIGIPIX. Eles simplesmente fizeram um prejulgamento do meu trabalho sem olhar o conteúdo por inteiro. São pessoas despreparadas que não conseguem classificar o que é sensual e pornográfico. Este tipo de comportamento da DIGIPIX é imoral e lembra muito dos censores da ditadura militar: CENSURADO – MATERIAL IMPRÓPRIO. Por enquanto meu trabalho continua sob “analise” se vai ser liberado ou não. Tenho outra opção ? claro que tenho, posso fazer a diagramação, imprimir e encadernar com preços até mais em conta que na própria DIGIPIX.
Eu me sentiria ofendido se fizesse um trabalho do naipe do Gal e tivesse de ouvir que fui ‘censurado’ por ‘pornografia’, rebaixando um belo trabalho artÃstico ao mesmo nÃvel dos ‘buttmann’ da vida…
Mas realmente isto de deixar pra avisar só no prazo final é, fotografica e empresarialmente, indecente. de baixÃssimo nÃvel. Pior do que a própria pornografia, porque prejudica diretamente a terceiros.
Bom, nesse caso só resta uma coisa a dizer: LEI de MERCADO !
Um bom boicote a uma empresa com mentalidade assim é a resposta que deverÃamos dar, não só não enviando material sensual mas não enviando absolutamente NADA.
O bolso do sujeito pode fazer ele repensar a tal “moralidade” e saber discernir entre arte e pornografia.
Quanto ao nu masculino frontal o que posso dizer é que dentro desse pensamento (não sei porque me lembrei de Hitler) deveremos entrar nos museus e quebrar as estátuas gregas, quadros e tudo mais onde aparece o nu, acredito que até a capela Sistina deva ser derrubada e assim por diante….(calma pessoal, foi só para ver onde pode parar uma censura desse tipo).
E foi justamente que lembrei de Hitler, que definiu a arte durante o Reich, queimando e destruindo tudo (ou quase) que ELE não julgava belo, e associando manifestação artÃstica com deficiencia mental e outras doenças de igual impacto.
De qualquer forma não acho lamentável a atitude da DIGIPIX, acho lamentável a atitude de quem ainda manda alguma coisa para ser confeccionada lá.
Existe uma empresa http://www.athalaiadigital.com.br/impressos_personalizados com uma proposta bem interessante. Fazer fotolivros com ambiente 100% web, com qualidade.
Deem uma olhada e digam o que acham.
Essa é mesmo uma discussao idiota, eu pergunto a vcs, aonde se encontra genitalias a mostra, na publicidade, nas novelas, onde. E eu respondo em pequenas e mal cheirosas bancas de jornais da praça da republica.Acho que a Digipix acertou.
Depois de oito meses, alguém ressuscita a discussão, que estava encerrada com um certo nÃvel de consenso? ambos erraram, o fotógrafo e o fornecedor, e os erros foram primariamente de procedimento, podendo-se colocar de lado questões morais. O novo comentarista diz que é uma discussão idiota e emenda com um comentário vago e preconceituoso. Respondo com uma pergunta: O que é idiota, de fato?
Tive o mesmo problema com a Digipix só que com nú feminino.
Mas, além da sensura, ainda fizeram a cobrança no meu cartão de crédito e até o dia de hoje ainda não recebi meu dinheiro de volta.
Ainda bem que existem outras opções para imprimir nossos livros como a Indimagem, aqui do Brasil e a Blurb, dos EUA.
Para não ser injusto informo: Já me devolveram o dinheiro cobrado indevidamente no meu cartão de crédito. MAS A CENSURA CONTINUA.
Me lembrou o filme: “Fotos Proibidas” que relata a censura à exposição com algumas fotos polêmicas de Robert Mapplethorpe. Um clássico que deve ser visto por todos da área.
Estou tendo problemas sèrios com a falta de responsabilidade da Digipix,mais de um mes que enviei o pedido,e atè agora nem produto,nem explicaçoes convincentes!!!E pensa na cara da fotografa que deu prazo aos clientes e nao cumpriu!!!