por clicio em 23 de julho, 2009
Convergência: mÃdias-pérolas…
É o assunto mais discutido quando se fala em arte, digital, DSRLs ou imagem: como a fotografia e a imagem em movimento podem interagir, enriquecendo uma e outra. Adicione-se som, e o quadro está completo.
Seremos nós, fotógrafos, destinados a nos transformar em cineastas, videomakers, imagemakers (o que quer que este termo queira dizer…), ou a evolução e popularização de câmeras fotográficas que também filmam em HD é que está acelerando este processo de convergência?
Não sei bem, mas me vejo cada vez capturando mais e mais imagens em movimento; não com a qualidade e talento com que gostaria, mas o aprendizado é divertido. O importante é que outros fotógrafos o fazem com grande sensibilidade e larga experiência. Dentre esses, dois nomes chamam a minha atenção desde sempre, e quero compartilhar seus recentes trabalhos, que admiro bastante.
O primeiro é o casal Lost Art, Ignácio Aronovich e Louise Chin. Sou fã deles há anos, e tenho como certo que são pioneiros no conceito de fotografia coletiva. O Lost Art tem uma apresentação musicada do Grand Bazaar de Istambul que é uma beleza de edição, com imagens e sons que nos transportam literalmente para dentro do antigo mercado. Vale a pena ver, clicando aqui.
O segundo nome é o de uma amiga carioca, extremamente talentosa, extremamente carinhosa e dona de um trabalho delicado que contrasta com seu visual hardcore, a Márcia Belotti (“Chapa”). Márcia fez a direção de fotografia de um curta chamado “Ausente”, sob a direção de Fernando São Thiago, que é um primor de fotografia diáfana, onÃrica; a técnica usada foi o stop-motion e o resultado é surpreendente. Também vale a pena ver, clicando aqui.
Ao Lost Art e a Márcia Belotti, minhas reverentes congratulações.
Grandes artistas!






6 Comentários
Clicio,
tks pelo post e pelas palavras + que gentis!
>Seremos nós, fotógrafos, destinados a nos transformar em >cineastas, videomakers, imagemakers ou a evolução e >popularização de câmeras fotográficas que também filmam >em HD é que está acelerando este processo de convergência?
Acreditamos no poder da imagem individual e estática. Se você tentar lembrar as imagens que mais marcaram provavelmente irá lembrar de stills, e não de vÃdeo (pelo menos é o que fica mais marcado para nós).
Usamos a fotografia como uma forma de expressão, uma maneira de comunicar e transmitir idéias. Se áudio ou vÃdeo ajudarem a nossa comunicação, achamos algo bem-vindo.
Sem dúvida a tecnologia ajuda neste processo. No nosso caso captamos áudio em viagens desde a época de gravadores de voz, passamos pelo MD, e hoje usamos um gravador de mp3. Gostamos da combinação foto+áudio, funciona bem para “amarrar” narrativas visuais. Somos apreciadores de vÃdeo / imagens em movimento, mas ainda estamos aprendendo a fotografar…
Nós também curtimos o curta da “Chapa”!
[ ]s, com admiração,
ig e louise
Muito legal estas viagens a cross-media. Parabéns ao trabalho de Ignacio e Louise. Uma viagem a alma comercial turca. Minha filha está lá hoje. Já enviei o link a ela.
Luiz Aureliano
Pois é, confesso que até fiquei dividido quando, na época, li as caracterÃsticas da Canon T1i e vi que ela filmava em FULL HD.
Um lado meu ficou meio decepcionado: “Pô vai transformar uma máquina fotográfica em filmadora?”. Foi um sentimento de traição…
Mas, por outro lado, achei interessante pois não prejudicou a MELHORA de um novo modelo, pelo contrário, ela vinha com novas coisas e melhores e, ainda mais, filmava com uma super qualidade. Legal…
Pra quem adora fotografia nas viagens, belas imagens, é uma ótima câmera. Um recurso legal. Não precisa mais carregar dois equipamentos e deve ser interessante usar as nossas lentes pra filmar de maneiras diferentes, coisa que uma filmadora não faria sem seus acessórios. Já vi filmes bem legais com essas câmeras.
Uma que me deixou curioso mas tenho lá minhas dúvidas se a coisa vai ser boa ou não é FOTO EM 3D ???? Achei muito estranho…
Veja em: http://www.fujifilm.com/products/3d/camera/finepix_real3dw1/features/page_02.html
Abraços a todos,
Gerson
Hey babe!
Esse foi o segundo curta que realizei (o primeiro foi o “Um Minuto para Lady Elizeth”, que ficou com o segundo prêmio no Festival Claro Curtas). Nesse primeiro usei o modo video de uma camera amadora e, embora o amadorismo estivesse de acordo com a proposta do curta e do festival, havia me sentido muito restrita criativamente.
A proposta para esse novo projeto foi exatamente o “por que não usar o equipamento que melhor domino e criar um roteiro que o justifique?”. (Por que ter medo de unir as técnicas do visual com o audio? Não criamos tanto com trilhas de fundo, rolando no som, enquanto editamos e manipulamos nossas imagens?) Ao mesmo tempo que o resultado do “Ausente” se portou como incentivo do que posso um dia vir a ser capaz de fazer quando tiver em mãos ($$$) um equipamento de cinema profissional, também serviu para reafirmar alguns pensamentos técnicos: não é preciso grandes equipamentos, não é preciso muito dinheiro, pode-se fazer audiovisual apenas com boa vontade, estudo e discernimento. Não acredito em tÃtulos, rótulos, ou limitações: a arte se expande por técnicas, e é preciso não ter medo de alcança-las. Principalmente quando falamos de meios tão próximos em técnica e estética. Muitos fotógrafos que gosto não considero como fotógrafos. Os videomakers também não são cineastas. Todos são criadores, são artistas.
Claro que assim que tiver grana pretendo comprar uma 5dmarkII. Mas também espero ansiosa pelos novos modelos de DSRLs mais adaptados as necessidades do audiovisual. Porque o que mais tenho aprendido com as limitações técnicas que enfrento é justamente superá-las, e isso não tem preço. Enquanto ninguém me dá uma 5dmarkII (tá feito o pedido!
) vamos fazendo curtas, animações, sequências, videoartes, instalações e qualquer outra coisa que permita a criatividade fluir!
Obs: O “Ausente” na realidade é um fragmento do material captado para outro curta-metragem, muito maior e de edição mais complexa. Como tÃnhamos apenas dois dias para criar um video para este festival, o Fernando São Thiago (meu sócio, que além de ator também foi o roteirista) desenvolveu uma nova história que não entregasse novo curta principal mas que fosse viável de ser construÃdo com o que tÃnhamos em mãos. Após 48hs sem dormir, tivemos esse pequeno filho chamado “Ausente”. Em breve iremos montar o outro curta, chamado “Céu”. Ah! E só pra constar: fora direção de fotografia, também sou diretora dos projetos junto com o Fernando. A questão é que no cadastro do festival ou era um, ou outro no cadastro. E como fiquei com a burocracia do último festival, agora foi a vez do Fernando estampar o nome (e paciência
) no site.
E pra concluir, meu momento tiete: foi um *prazer* ter meu nome no mesmo post do LostArt. Sou fã há taaaanto tempo!!! =)
Muito obrigada pelo incentivo, ClÃcio! Sempre tão carinhoso e atencioso, eu e o Fernando agradecemos muito!
bjo bjo bjo,
Márcia Bellotti
Existe uma grande proximidade entre as várias artes visuais derivadas da captura fotográfica. Há muita coisa em comum. PoderÃamos fazer um a seqüência de variação mais ou menos assim:
Fotografia Singular
Série Fotográfica (ou ensaio, como alguns chamam)
Slide-Show
Cinema e Video.
Em meu entendimento, cada etapa dessa variação tem um problema principal, não é o mesmo problema. O que é o mesmo é o registro de uma imagem através de um aparelho que fotografa (a câmera de cinema é um aparelho que fotografa também).
Assim, não necessariamente A Fotografia tenderá ao slide-show. O slide-show tem outra proposta de comunicação com o observador, distinta daquela da fotografia, embora seja constituÃdo de fotografias.
O meio é a mensagem. Muda-se o meio, mudará a mensagem portada e a forma de recebê-la.
Assim, em meu entendimento, a fotografia singular continuará a ser paradigmática da prática fotográfica. Ao se falar de Fotografia, isso embutirá a idéia de fotografia singular. Não obstante, um enorme leque de produções do tipo slide-show podem existir, com seus próprios problemas, com excelência em abordar seus próprios problemas. É uma outra coisa, nem melhor, nem pior, apenas diferente. E alguns se dedicarão somente à fotografia isolada, outros somente aos slide-shows, e outros a ambas as coisas.
Abraços,
Ivan
PS: os exemplos dados por você dificultam o debate pela excelência deles.
Ivan,
Obrigado por seu comentário, sempre instigante e sempre criando novas perspectivas de reflexão.
Mas uma coisa me preocupa:
“PS: os exemplos dados por você dificultam o debate pela excelência deles.”
Não vejo como postar exemplos menos qualificados, quando meus amigos produzem obras tão belas e poéticas…
Abraços,
Clicio
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