por clicio em 26 de setembro, 2009
A coerência cirúrgica de Loretta Lux
Há alguns poucos momentos na vida que se tornam rupturas, iluminações, upgrades sensoriais.
Hoje estou vivendo um deles.
Após ter me admirado por anos com o intrigante trabalho da misteriosa Loretta Lux, cheio de signos, carregado de nostalgias e estranhamento, tive a rara felicidade de me sentar na primeira fila para assistir a uma entrevista inédita da fotógrafa alemã, no auditório da Casa de Cultura, no Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco.
Cercada de reservas desde sua chegada, preferiu ficar fora da cidade, isolada; não se deixa fotografar, prefere calar-se, veste-se discretamente. Seu biotipo mignon, cabelos escuros, a antÃtese do estereótipo alemão, a transformam em transparente, invisÃvel, despercebida, mesmo passeando pelas praças centrais da cidade de Paraty; a facilidade com que aceitou o convite para a entrevista no Brasil, avessa que é a falar sobre si mesma ou sobre seu trabalho, além de surpreendente, aumentou a já transbordante curiosidade sobre o que aconteceria de fato quando as perguntas do inteligente entrevistador Eduardo Muylaert se iniciassem no teatro lotadÃssimo de fotógrafos.
E o momento chegou com um inÃcio bizarro e aparentemente enfadonho, já que com um calhamaço de papéis nas mãos e um inglês carregado, Loretta começa a descrever sua infância asséptica e desprovida de diversões em uma Dresden conhecida na Alemanha pré queda do muro como a “cidade dos esquecidos”, por não captar nem o sinal de televisão do lado ocidental. Nos conta como essa criança cinza, triste, teve a sorte de contar com avós pobres mas cultos, que nela despertaram o gosto pelos retratos clássicos, especialmente pela pintura maneirista da segunda metade do século XV europeu, o que vai ser fator determinante na estética da artista que viria a ser.
E pouco a pouco, envolvida pelo absoluto silêncio da platéia, a narrativa se mostra reveladora e fascinante.
Durante uma hora e meia, com uma cadência compassada e desprovida de sinais de emoção, a fotógrafa percorre um caminho que começa pessoal, explicando sua fuga da Alemanha oriental e sua formação em artes, continua profissional definindo sua opção pela fotografia como meio de expressão, já que a pintura é “complicada e bagunçada”, e segue por uma viagem magnÃfica através da história da arte daquele perÃodo final do renascimento. Tudo ilustrado com a projeção das obras dos artistas da época, principalmente os retratos de crianças, em contraponto a algumas de suas fotos mais recentes. A semelhança entre os trabalhos torna-se patente, incluindo as referências mais evidentes como o simbolismo, as proporções menos convencionais, o ponto de vista baixo, o cuidado com as cores e seus significados psicológicos e estéticos.
Com a sequência da projeção de suas fotos mais conhecidas, segue-se uma análise cuidadosa de suas possÃveis interpretações e possibilidades, e logo torna-se clara a auto-referência, com alusões poéticas aos sonhos, aos desejos infantis de escapar para o mundo adulto, e ao paradoxo do universo adulto em sua constante busca pela volta a infância. Fala de sonhos, novamente de sÃmbolos, de inocência; fala de técnica apoiada no tripé pintura/fotografia/digital; e da construção precisa e determinante de cores, posturas, gestos, figurinos, paisagens de fundo, na arquitetura milimetrada da imagem produzida; fala do tempo e do relacionamento com as crianças fotografadas, sempre com a postura ereta, com a voz firme e segura, com dignidade reservada.
A transparência da narração, a coerência do discurso frente as imagens, o embasamento psicológico, histórico, artÃstico e acadêmico, e a impossÃvel disassociação de autor/obra, agora absolutamente evidente, tornam a minha experiência emocionante.
Loretta Lux acaba de mudar minha vida.





31 Comentários
Clicio,
Belo depoimento.
Afastando-se um pouco do aspecto psicológico, filosófico, artÃstico me veio uma curiosidade sobre fatos mais concretos, menos “nobres”.
Ela falou alguma coisa sobre a maneira de trabalhar?
Quem são as crianças – modelos, filhos de amigos, desconhecidos?
Quem banca a produção das fotos? Ela mesma?
Como é o relacionamento dela com as crianças durante as sessões?
Trabalha sozinha?
Rolou esse papo?
abs
Sergio Araujo
Sergio,
Sim, rolou.
Ela explicou insistentemente que são filhos de amigos, nunca modelos ou crianças pagas, que nunca fotografa nada sem pedir antes (pois a pessoa fotografada deixa de ser sujeito para passar a ser objeto), que acompanha as crianças fotografadas por anos e as refotografa, que sempre mostra os resultados finais a elas (que sempre gostam), que brincam juntos. Acrescenta que várias vezes as crianças pedem para ser fotografadas (a partir de uma roupa bonita que estejam vestindo, por exemplo).
O processo é *extremamente* demorado; produziu e finalizou apenas três fotos em um ano de trabalho diário, por exemplo.
Ela busca o figurino, os cenários, as crianças e banca tudo.
Hoje ela fotografa menos externas pois “não tem paciência para esperar a luz natural exata”.
É totalmente precisa, como uma boa germânica deveria ser.
No surprises here!
ClÃcio,
apesar de saber que vc não é jornalista, posso dizer que vc conseguiu descrever de maneira perfeita a palestra de ontem da Loretta.
Realmente é de impressionar seu jeito/estilo de ser. A pilha de papéis na mão e aquela leitura devagar, com aquele inglês burocrático, assustaram no inÃcio, mas ela tem um trabalho tão embasado e justificado que não tem como não se tornar um fã ou apreciador de sua obra, mesmo pra mim que sou fotojornalista e trabalho com imagens bem distintas.
Descobri que Paraty está sendo uma boa escola não só pra mim, mas para os mestres também.
abs e parabéns pelo texto
Muito bom, ClÃcio!
Me và ao mesmo tempo muito distante, por querer estar lá, e muito perto, pela excelente e contagiante narrativa.
Está claro que realmente mexeu muito com você.
Abraços,
Clicio;
Sua narrativa da palestra está ótima, e nota-se nela o tipo de sensibilização acontecido quando assistimos algo que nos desloca de nós mesmos. É bastante interessante porque lembro-me de algumas ocasiões em entrevistas ou palestras onde isso aconteceu comigo, esse deslocamento, e tendemos depois a produzir uma fala sobre o evento onde transparece uma espécie de emoção, como nessa sua fala transparece. Essa sua postagem está ótima de ler, é uma escrita um pouco emocionada, colorida por esse deslocamento.
Pelo descrito por você, tendo sido dito por ela, é preciso ressaltar a criação visual na fotografia como uma continuidade das artes plásticas, como uma continuidade da pintura. Talvez isso seja algo pouco enfatizado: vivemos em um mundo onde há um repertório de criações em artes visuais, e a cada coisa feita por nós refazemos, rearrumamos, reconjugamos esse repertório, e, é claro, nisso acontece a criação, mas nunca uma criação vinda do nada, vinda de uma pura inspiração, como alguns querem.
O repertório das artes visuais introjetado em nós conscientemente -pelo estudo das artes e pela observação sistemática e analÃtica- ou inconscientemente – meramente por habitarmos um espaço midiático- gera em nós respostas afinadas com esse repertório. Quando recusamos a conjugação das influências, não deixamos de sofrê-las, mas simplesmente decaimos das influências conscientemente analisadas para o “grude” da reprodução da imagem midiática. Tornamo-nos repetidores inconscientes.
Obrigado pelo texto. Gostei de ler, e transmitiu-se através dele um pouco da “baraka”, isto é, aquela infuência especial que acontece por contato direto com alguém notável (uma má tradução para baraka é “bênção”).
Grande abraço,
Ivan
Clicio, belo texto.
O trabalho dela me lembra muito Magritte.
Ceci n’est pas une pipe.
Abraço,
william
Obrigada por compartilhar Clicio.
Eu queria muito estar aÃ.
Acho que ela também mudou minha vida, Clicio. E o jeitão dela tão “curta e grossa” em responder perguntas, me fez sentir-me tão intimidada (justo eu!), que na tentativa de ser o mais objetiva possÃvel, acabei não formulando bem a pergunta que eu gostaria de saber dela. Que era a relaçao dela com as crianças “durante o processo” de produção das imagens, por se tratarem de crianças que normalmente são tão inquietas, e como ela mesmo disse que em alguns casos ela levou muito tempo para conseguir um arranjo perfeito dos braços e de todo o corpo, visto que ela considera tão importante quanto a expressão facial. Então fiquei curiosa em saber como se dava essa relação, considerando esse jeito de ser dela!
Por essas e outras, não perderei mais nenhum Parati em Foco!!! Show de Bola…
Adriana;
Pelo que conheço das crianças alemãs, certamente não há problemas de relacionamento; a disciplina e obedecer à direção de um adulto (mesmo em tom de brincadeira) é respeitada na maior parte das vezes. Crianças germânicas são, em sua grande maioria, por caracterÃsticas culturais, bastante “comportadas”.
Diferentemente do que estamos vendo acontecer com algumas pestinhas aqui no hotel…
Eu estava lá, na área externa à entrevista. Nâo pretendo falar do trabalho dela, pois não sou qualificado, mas ainda assim, reconheço que é algo definitivamente novo.
O que quero falar é da situação absurda de dúzias de pessoas que se mobilizaram até Parati para ver a Loretta, mas o que viram foi uma pessoa que se isolou de todos em uma pousada no meio do mato (embora tivesse preferido ficar na pousada onde fez suas refeições) até o momento da sua aparição, quando ordenou estranhamente para não ser fotografada num evento repleto de fotógrafos-fãns, e que gastou uma hora e meia meia lendo metodica e arranhadamente em ingês um texto previamente preparado, o qual era periodicamente traduzido por uma locutora com um maço de papéis na mão contendo a versão em português igualmente enlatada.
Ora, senhores organizadores do PEF, não seria muito mais interessante a todos que o tal texto fosse colocado no site, com a devida tradução, para quem quiser ler antes ou depois do evento, e que o limitado tempo com a artista fosse dedicado à interação, por meio de perguntas diretas, com as pessoas que ansiosamente queriam ter contado com a artista, uma vez que a sua obra e carreira já deviam ser de conhecimento da maioria, ou que, como eu, pude pesquisar comodamente a posteriori?
Eu teria preferido muito mais presenciar quinze minutos de conversa solta com a Loretta do que purgar a tediosa leitura que ela nos administrou.
ClÃcio, fiquei profundamente emocionado quando li o teu texto sobre a fotografa alemã
Loretta Lux e mergulhei na rede para conhecer o trabalho da moça alemã. Não me emocionei, choque cultural, repetitivo. Um ano para produzir três fotos é muito tempo e engenharia mas é o método da fotografa. Confesso que essa tua emoção seria a minha vendo por exemplo as fotos e ouvindo o André Cypriano.
André,
O problema é maior.
Não são os organizadores do PEF que ditam como os convidados devem ou não se comportar; não são os organizadores do PEF que determinam as manias, resoluções e bizarrices de quem quer que seja. Famosos são assim, e me parece exagerado dizer que dúzias de pessoas foram ao Paraty em Foco só para ver a Loretta; me parece mais razoável supor que foram para ver as dezenas de atividades, workshops, entrevistas, projeções e exposições durante os quatro dias do evento, não?
Adenor, entendo perfeitamente e também sou fã do Cypriano.
Porém o trabalho de retratos construÃdos me interessa muitissimo (aliás, o tema sempre me interessou e está mais próximo da minha fotografia), e tenho grande admiração por quem os apresenta de forma arquitetônica e estruturada.
A mim me parece que festivais como este do qual participamos estão se preocupando com a pluralidade na arte, e com todo o respeito, limitar a “boa” fotografia a apenas uma das possibilidades está fora das minhas perspectivas atuais, e fora do contexto da contemporaneidade. Constatar a quantidade e diversidade fotográfica que estamos vendo por aqui é raro. Viver um tsunami de fotografia como este que acontece no mes de setembro é um privilégio.
Vamos a dois outros exemplos próximos; Claudine Doury e Alessandra Sanguinetti, que tem trabalhos emocionantes, profundos, retratos magnÃficos e que aqui estão em Paraty. Sanguinetti com as suas idiossincrasias e momentos delicados, e Claudine com a sua simpatia e simplicidade. Fico grato de poder conhecê-las e as suas fotografias, e ouvir os seus relatos, comprar seus livros, tanto quanto a oportunidade de me sentar a mesa com Cypriano para que ele nos explique seu novo trabalho dos HDs na caixinha. Uma coisa não exclui a outra!
No caso especÃfico da Loretta, mais do que as fotos (que eu já conhecia bastante e admirava), o relato, mesmo que “enlatado” como diz o André Gurgel, foi surpreendente, inédito até onde sei, e me fez enxergar as mesmas fotos de forma completamente diferente, e me emocionou.
Arte não é (também) isso?
Sim, Loretta mudou um monte de conceitos e concepções minhas, não só em relação a fotografia propriamente dita, mas a toda carga emocional e psicológica por trás da fotografia dela. Pra mim, foi um dos momentos mais construtivos do Paraty em Foco.
Belo post querido!
Fez-me sentir mais vontade ainda de ter ido a Paraty! Infelzmente tive alguns empecilhos este ano que me impediram de estar junto de vocês, mas o ano que vem… ninguém me segura!
Beijo grande, Lucia
Viu?
Teve bastante gente lá presente que se emocionou, refletiu, entendeu, e construiu para si possibilidades positivas.
Não se discute aqui a estética nem o “gosto-não gosto”, mas sim a poética e auto-reerência da artista. Que efetivamente mudou a vida de muitos além da minha!
Clicio
Lucia,
Fiquei bastante triste com a sua ausência, vc teria aproveitado bastante!
ClÃcio,
LindÃssima resenha de uma palestra inesquecÃvel.
Quanto às questões, podemos desistir. A Loretta não sai mesmo do roteiro. Não conta nada, nem sob tortura.
Abraço,
Edu.
Clicio, vc nos colocou na sala também. Despertou minha curiosidade pelo trabalho e universo dessa fotógrafa que, confesso, não conhecia. Irei me aproximar de sua obra de uma maneira muito mais rica, graças a você.
Um texto perfeito. Um grande retrato.
Bom demais. Adorei o texto. Parabéns!
Consegui estar na sala com vcs…
abs.Caio
Oi Clicio, gostei da forma como vc descreveu sua experiência ao assistir a entrevista da Loretta.
E concordo com vc, um evento como este nos faz entrar em contato com uma diversidade de trabalhos e posicionamentos com a fotografia, o que é o mais rico no meu ponto de vista. Ir até Paraty para ver o que já conheço não é muito interessante…
Agora o trabalho da Loretta ‘causou’, para quem gostou ou não, a moça fez muita gente pensar. É que ficou estranho o posicionamento dela, por um momento isso apareceu mais do que o próprio trabalho.
Excentricidades e rigidez a parte, ela nos ofertou com um discuso coerente com a sua obra.
Abs, LÃvia
ClÃcio,
a palestra de Loretta foi muito boa, mas seu texto me emocionou, está lindo, parabéns!!!
gostaria também de te mandar um beijo pela projeção da Fototech, você também está de parabéns!!!!
beijos Yêda
Edu,
Com você entrevistando, qualquer palestra fica mais interessante ainda!
Abraços, e da próxima vez, torturamo-la!
Clicio
Caro Clicio,
agradeço emocionada por cada palavra com que descreveu sua experiência ao assistir a palestra de Loretta Lux, pois com a mesma intensidade (e agora em dobro) foi a minha.
Há aproximadamente um ano descobri essa interessante artista e, sem saber o porquê, me apaixonei por seu trabalho.
A experiência de ouvi-la em Paraty, com sua fala delicada, mansa, suave mas bastante segura e, como você mesmo apontou, envolta pela “transparência da narração, a coerência do discurso frente as imagens, o embasamento psicológico, histórico, artÃstico e acadêmico, e a impossÃvel disassociação de autor/obra” foi para mim também transformadora. A sensibilidade com que ela descreve a construção de sua história e os seus movimentos para uma expressão artÃstica, levando ao conhecido resultado, nos alcança e modifica.
Paraty em Foco tem se mostrado cada vez mais um evento imperdÃvel e enriquecedor. E o cenário é perfeito para exaltar as boas sensações e equilibrar qualquer contestação ou polêmica pelos discursos dos que, como nós, estão exercitando um constante aprendizado e crescimento, profissional e pessoal. Afinal, a diversidade nos enriquece e nos proporciona belas imagens, não é mesmo?
Foi um prazer encontrá-lo e aproveitar também um pouco do seu conhecimento no workshop.
Obrigada e até breve,
Vivian Ribeiro, RJ
querido Clicio,
excelente seu texto sobre a palestra que agora, graças a você, pude vivenciar por inteira (haha). a nossa Lux é de de fato genial com toda loucura que isso aparentemente envolve. seu texto “enlatado” como disse alguém aà acima foi brilhante, descrevendo toda sua interessante trajetória.
ficou muita coisa sem dizer: como foi mesmo sua infância (além de cantar hinos soviéticos na escola)? e sua relação com os pais? o que a levou a fugir da cortina de ferro? como se sustentou do lado de cá do muro?
mas a fotografia não existe para dar respostas, ao contrário, pra mim o melhor da fotografia é quando levanta mil questões, chacoalha a gente, nos tira do acomodamento, da zona de conforto, e isso a Loretta faz de forma genial. “gosto-ou-não-gosto” à parte.
parabéns amigo pela sua sinceridade e eloquencia.
abraços,
claudio edinger
Caro Edinger,
Foi realmente mais especial por ter assistido ao lado de artistas como você e Juan Esteves; a percepção passa a ser outra, assim como o ponto de vista.
Concordo; a fotografia do artista não tem obrigação de explicar coisa alguma, tampouco seu discurso. O que certamente a torna mais interessante.
Obrigado por comentar!
ClÃcio,
Só hoje tive tempo de ler seu post, gostei muito, é realmente uma sÃntese muito boa do que foi.
Loretta sem duvida marca uma nova fase no Festival.
Iatã
Entendo a emoção de Clicio quando se deparou com a história dessa moça, além da técnica que Clicio com certeza também domina. A fotógrafa parece que deu um upgrade positivo em Clicio, não somente no campo técnico mas em outros pontos também. Pra isso servem os fotógrafos engajados e de boa vontade. Loreta está para Clicio, assim como Sebastião Salgado sempre esteve para mim. Parabéns e obrigado Clicio, pelo texto e pela recepção calorosa.
Vida que segue… E que os muros construÃdos após o de Berlim, possam vir abaixo e, pessoas oprimidas possam respirar arte e liberdade. Assim como Loreta, que hoje respira, e, inspira, muitos Clicios, nos dias de hoje. Parabéns!
Wank você captou bem o que ela falou mesmo em sua fala cadenciada e fortemente alemã. Quem assistiu ao filme “a vida dos outros” ou leu alexander solzenetzyn sabe muito bem o que é viver sob a “tutela” dos russos, constantemente vigiado pelo “big brother”. Quando ela falou de sua infância entendi o porque dos olhares tão penetrantes e questionadores das crianças que fotografa. Ela parece que mostra o seu olhar através dos olhos das crianças- e seu olhar é extremamente crÃtico e questionador.
Para mim teria valido a pena ir a Paraty só pra ouvi-la falar. Agora em Israel comprei o livro dela impresso pela Aperture- um primor por 30 dólares. Pena que ela não deu nenhum workshop- acho que eu precisaria de um workshop de um ano com ela todos os dias pra absorver um pouquinho da disciplina visual que ela tem.
Clicio, obrigada por te-la trazido. Foi sensacional.
bj,
ester
Clicio,
Muito obrigado por este post. Antes do evento, fiquei curioso ao “ouvÃ-lo” mencionar a artista. Não pude ir ao Paraty em Foco e acabei não pesquisando a fundo sobre a Loretta Lux.
Esse seu texto além de ter estimulado a pesquisa, por si só já esclarece muita coisa. Parabéns e obrigado!
abraços
barrosinho,nas suas exposições falta a primeira q vc fez na galeria da rua da mata.Vc ainda estava tateando.Fico muito feliz de ver q vc aprendeu inclusive a escrever. Maldade. beijos
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[...] E não é só Loretta que parece estar feliz com seu trabalho. Com o reconhecimento internacional, ela foi uma das principais estrelas do Paraty em Foco – o mais conhecido evento sobre fotografia do Brasil, que encerrou sua edição de 2009 na semana passada. Hospedando-se fora de Paraty e fazendo questão de não ser fotografada nem filmada, sua reclusão também contribuiu para criar expectativa em torno de si. Quando subiu no palco para falar de seu trabalho, não decepcionou. O relato de Clicio Barroso, que esteve lá, é sensacional: leia aqui. [...]
[...] Mohallem, André Cypriano, Clicio, Alessandra Sanguinetti, Francesco Zizola, Loretta Lux (leia + aqui), Luciano Candisani, Rosângela Rennó, Cia de Foto, Garapa, Choque, Gal Oppido, Gabriel Lordello, [...]